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A OBRIGATORIEDADE LEGAL E OS “ARRANJOS” LOCAL
instituições escolares afirmam que em decorrência das novas exigências de espaços e de reorganização administrativas, as relações com os ambientes vão sendo reinventadas ao longo do tempo, o que demanda novos projetos institucionais, muito embora algumas alternativas configurem-se como transgressora dos limites entre espaço e objeto de uso, o que ocorre com o uso dos espaços partilhados entre Educação Infantil e Ensino Fundamental, foco que iremos tratar neste estudo.
A OBRIGATORIEDADE LEGAL E OS “ARRANJOS” LOCAL
A abertura do ano letivo de 2015 da rede municipal de ensino de Itabuna/BA foi marcada por um decreto de extinção de dez escolas, processo que se iniciou no ano anterior com a criação de uma comissão temporária de acompanhamento do reordenamento expedida pela titular da Secretaria de Educação. A referida portaria constava de três artigos que designava servidores para compor a comissão e determinava o acompanhamento de dez áreas geográficas e suas respectivas escolas.
O reordenamento de níveis de ensino e oferta de vagas da rede municipal de ensino de Itabuna apresentou diretrizes e normas nas áreas de jurisdição das escolas que assegurassem a ampliação da capacidade de atendimento de crianças na faixa etária de quatro e cinco anos de idade e aumento da eficiência da ocupação das estruturas existentes (a exemplo de prédios próprios que estavam com espaços ociosos).
Como estratégia de expansão do número de vagas na educação infantil da rede municipal, três escolas passaram a oferecer vagas para a pré-escola. O processo envolveu, ainda, a extinção de dez escolas em diferentes áreas geográficas do município, sem prejuízo para as crianças, professores e funcionários que seriam relotados em outras unidades próximas às suas residências.
Kowaltowski (2011) pontua que a Lei nº 9.424/1996, que dispõe sobre o FUNDEF, no artigo 60, trata dos critérios a serem considerados para os ajustes progressivos a um padrão mínimo de qualidade, orientando a observância dos seguintes princípios: relação matrícula/docente; qualificação profissional permanente (formação continuada); jornada de trabalho; complexidade de funcionamento; localização e atendimento da cidade; busca de aumento do padrão de qualidade do ensino.
Muito embora a proposta de intervenção da administração municipal afirme que tais mudanças visavam promover a melhoria da qualidade da educação com a adequação dos
espaços que terão a infraestrutura melhorada com mais investimentos, o processo foi determinado pela dificuldade de diálogo com a comunidade, no sentido de avaliar as reais condições para o reordenamento da rede, seguida da extinção das escolas, que não considerou as necessidades e as expectativas das comunidades, as quais a escola estavam inseridas, bem como a situação funcional dos profissionais da educação.
As medidas adotadas perpassam pela ótica de rentabilização de recursos, dada a possibilidade de partilha de instalações para diferentes ciclos de ensino, utilizando o espaço físico de algumas escolas de ensino fundamental para ampliação de turmas de pré-escolas, e do aproveitamento de instalações escolares que se encontravam subutilizadas.
A partir da organização político-administrativa do Estado brasileiro, estabelecida na Constituição Federal, compete aos municípios atuar prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. Assim, consideramos ser condição indispensável que o governo municipal estabeleça critérios de qualidade e reveja os padrões mínimos de infraestrutura para o funcionamento adequado das instituições de Educação Infantil e aprimore sua política de atendimento.
Nesse sentido, o documento “Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil” (BRASIL, 2006, pág. 19) explicita competências para os sistemas de ensino municipal. Dentre as várias orientações, destacamos
• articular-se com organizações representativas da sociedade civil: sindicatos, movimentos sociais, organizações não-governamentais, visando ao desenvolvimento e à progressiva consistência do campo da Educação Infantil; • ampliar progressivamente o atendimento às crianças de 0 até 6 anos de idade para atingir toda a demanda em âmbito municipal; responsabilizar-se pela qualidade do atendimento nas instituições de Educação Infantil em âmbito municipal.
Tendo em vista que o cumprimento de tais recomendações é fator imprescindível para garantir a qualidade nas instituições de educação infantil, as mesmas foram evidenciadas para pontuar a responsabilidade do poder público com esta etapa da educação básica.
Nessa direção, considerando as múltiplas dificuldades, determinadas pela realidade social, que as instituições de Educação Infantil aqui retratadas vêm enfrentando, o presente texto concebe a gestão dos espaços escolares em seus diferentes aspectos: organização do espaço, estilo, acabamento, reformas e eventuais descaracterizações; a configuração de espaços partilhados.
A IDEIA DA ESCOLA COMO LUGAR
O ambiente desempenha um papel fundamental ao apoiar e ampliar o desenvolvimento e a aprendizagem da criança, constituindo-se em importante elemento educador, o que reforça a importância de refletir sobre ele, planejá-lo e aperfeiçoá-lo. A instrução nº 001/2008 da Câmara de Educação Básica do CME - Conselho Municipal de Educação de Itabuna afirma que o espaço nunca é neutro, pois carrega em sua configuração, como território e lugar, signos e símbolos que o habitam. Nesse contexto, Ribeiro (2004) pontua que o espaço não é neutro e está impregnado de significados compartilhados e expressos nas práticas sociais, símbolos e marcas de quem o produz, por isso, tem significações afetivas e culturais.
Dessa forma, precisamos observar o ambiente pedagógico e como ele funciona para que todos o utilizem de forma funcional e dinâmica no processo educativo. Estamos extremamente acostumados com o cotidiano e não temos tempo para questionar tudo o que acontece. No entanto, é essencial criar espaço, tempo e oportunidade para os pais trocarem informações, ter acesso ao(s) registro(s) de progresso dos filhos e participarem da gestão escolar.
De acordo com (Brasil, 1998) além de reclamar, a sociedade quer ser ouvida e quer colaborar, por isso tem lutado por maior participação para cumprir, inclusive o que prevê a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade50, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Nessa direção, faz-se necessário uma reflexão sobre a gestão democrática51, atualmente, uma prática estabelecida e recomendada em muitos documentos novos de diretrizes. Tal prática, parte da compreensão de quais são as dimensões da atuação do gestor escolar, mais especificamente o diretor, bem como este organiza o espaço em prol da qualidade do ensino com base nesses novos paradigmas, fugindo da prática gestionária que exige maior dedicação às questões administrativas, secundarizando aspectos mais importantes de sua atuação, ou seja, as questões pedagógicas e prioritariamente educativas.
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Grifo nosso. 51
É importante observarmos que a atuação do gestor, suas atribuições e seu vínculo com a escola se alteram dependendo da forma como ele foi escolhido e de acordo com o tipo de gestão que é implementada na unidade escolar.