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2017 REUNIÃO dos Produtos das Oficinas, Folhetos e

ENSINO MÉDIO

ÁREA DE LINGUAGENS: O LETRAMENTO E AS PRÁTICAS DE ESCRITA NO

ENSINO MÉDIO

Lucimere Barbosa Santos44 Rosângela da Luz Matos45 Adriana Leite Campos46

Resumo

O presente trabalho é parte de uma pesquisa de mestrado e tem por objeto de estudo as práticas de

escrita desenvolvidas por estudantes no Ensino Médio. A questão norteadora é conhecer as relações entre o letramento, as competências da prática de escrita da redação e as estratégias curriculares e pedagógicas propostas para a construção do domínio da escrita por estudantes do Ensino Médio de uma escola estadual. Trata-se de uma pesquisa qualitativa na área de Educação, cujo desenho de estudo corresponde ao Estudo de Caso. Os procedimentos de acesso à informação, nesta primeira fase, são de caráter exploratório com a análise de documentos legais, institucionais, curriculares e pedagógicos da área de linguagens. Espera-se, nesta fase da pesquisa, problematizar se o que está disposto nos regramentos legais e nas práticas pedagógicas vigentes é coerente com as necessidades e singularidades do Ensino Médio. O que se deseja é trazer evidências acerca do letramento no Ensino Médio para, na fase subsequente da pesquisa, apontar suas potencialidades e desafios.

Palavras-chave: Ensino Médio. Práticas de Escrita. Letramento.

INTRODUÇÃO

O uso da competência da escrita é desde sempre uma prática muito exigida e escrever um texto com desempenho competente diz respeito ao processo de letramento enquanto uma prática de escrita que deve apresentar domínio nas diversas situações sociais. Dentro desse contexto, apresentar uma performance satisfatória na prova escrita da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo, correlaciona a prática de escrita e o letramento.

Enquanto um instrumento de cunho pedagógico, o Enem avalia o estudante no final da Educação Básica em relação aos domínios científicos, tecnológicos, de linguagem e na prova

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Mestranda do Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão e Tecnologias Aplicadas à Educação – GESTEC – Departamento de Educação I - Universidade do Estado da Bahia - UNEB. [email protected] 45

Profª Drª do Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão e Tecnologias Aplicadas à Educação – GESTEC – Departamento de Educação I - Universidade do Estado da Bahia - UNEB.

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Mestranda do Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão e Tecnologias Aplicadas à Educação – GESTEC - Departamento de Educação I - Universidade do Estado da Bahia - UNEB. [email protected]

de redação, que exige as competências que envolvem a prática de escrita em relação à produção do texto dissertativo-argumentativo, a redação (BRASIL, 2010).

As competências da prova escrita indicadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) são as seguintes: competência 1- demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, competência 2 - compreender a proposta da redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa, competência 3 – selecionar, relacionar, organizar e interpretar as informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista, competência 4 – demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação e a competência 5 – elaborar a proposta de intervenção para o problema abordado (BRASIL, 2013).

Na prova de redação, o candidato necessita apresentar o domínio da escrita ao elaborar um texto de acordo com as exigências prescritas. Segundo Marcuschi (2008), a redação é classificada como uma modalidade de domínio escrito (científico, acadêmico e educacional). Pode-se dizer, então, que o estudante precisa ter o domínio da prática de escrita da redação independentemente do processo seletivo ao qual participe ou seja submetido.

A prática de escrita se correlaciona com o processo de letramento enquanto um exercício que ultrapassa as ações de ler e escrever, porque apresenta uma relação de propriedade entre a leitura e a escrita, tornando-as com significados e usos distintos. Isso corresponde às situações de usos e práticas sociais nos ambientes da escola, do trabalho e acadêmico.

As práticas sociais exigem a leitura de vários gêneros, tais como jornais, contrato de trabalho, verbete de enciclopédia, artigos de opinião, manual de instrução, artigos científicos, crônicas, resenha, romance, contos, entre outros.

Quanto às práticas de escrita, podem ser exemplificadas através da produção de textos científicos, como artigos, resumo de artigos e livros, autobiografia, notícias, dissertação de mestrado, monografia, ofícios, relatórios, requerimentos, biografia, redação para seleção de emprego, concurso vestibular e do Enem, por exemplo.

Apresentar domínio ao redigir um gênero textual de acordo com as exigências educacionais, profissionais e sociais suscita a reflexão do lugar que as práticas de escrita ocupam no processo formativo do estudante do Ensino Médio, momento a partir do qual a escrita deve se tornar uma propriedade do indivíduo e favorecer o processo de ensino- aprendizagem.

Entre outros autores, essa reflexão tem a presença de Magda Becker Soares, pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), logo que a exigência do uso da escrita em relação a outras potencialidades se fazia presente no final do século XX. Isso pode ser situado no que diz a autora: “Que novo fato, ou nova ideia, ou nova maneira de compreender a presença da escrita no mundo social trouxe a necessidade desta nova palavra,

letramento?” (2014, p.16)

Segundo Magda, a palavra letramento aparece no cenário brasileiro a partir da década de 80 entre os especialistas da área de Educação e Ciências Linguísticas. Seu emprego se fez presente a partir do momento em que houve a necessidade de se explicar e nomear uma maneira diferente de perceber e compreender outros usos e práticas sociais exigidas em relação à leitura e à escrita.

O seu significado traz considerações a uma consequência da apropriação da leitura e da escrita com usos e práticas sociais num processo contínuo conforme as necessidades do indivíduo ou grupo social. Essa compreensão também qualifica o estado ou condição de letrado, como resultado de tornar a escrita como “sua propriedade”.

Um dos livros de Magda Soares, Letramento: um tema em três gêneros, surgiu a partir da necessidade de responder as inquietações sobre os usos da leitura e da escrita, cada vez mais colocadas pelas sociedades atuais. Para tanto, as palavras analfabeto, alfabetizado, alfabetização, alfabetizar, analfabetismo e letrado dicionarizadas e comuns no contexto da educação, se distanciavam da reflexão dos novos hábitos e das exigências sociais.

Além disso, significava o resultado do trabalho da pesquisadora na área de linguagem como espaço de estudo e discussão sobre o letramento, pois a temática apresentava um número restrito de textos.

No primeiro capítulo do livro, Letramento em verbete: O que é letramento?, à medida que autora utiliza o campo semântico para explicar o significado das palavras analfabeto, alfabetização, alfabetizar, alfabetizado, analfabetismo e letrado foi possível estabelecer uma relação com o contexto que fez emergir o uso do termo letramento. Para tanto, usou o verbete como gênero textual para elucidar essa relação e como referência dos significados, o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.

A palavra analfabetismo aparece definida como estado ou condição de analfabeto, que por sua vez, significa aquele que não sabe ler e escrever; considera-se ainda o estado ou condição de quem não sabe ler nem escrever. A autora também explica que “ao pé da letra, é aquele que não sabe nem o alfa, nem o beta, as primeiras letras do alfabeto grego”.

Em seguida, o conceito de alfabetizar é definido como a ação de ensinar a ler, sem indicar também a ação de escrever. Por sua vez, alfabetizado diz respeito ao indivíduo que sabe ler (e escrever), estabelecendo uma distinção entre ser analfabeto e alfabetizado.

O nome analfabeto tem o emprego do prefixo a(n), indicando privação e falta, que afirma a condição daquele que não conhece o alfabeto. Em seguida, a palavra letrado denomina aquele versado em letras, erudito, ao contrário de iletrado com o significado daquele que não tem conhecimentos literários.

O interesse em estudar quais eram os fenômenos envolvidos para a aquisição das habilidades de leitura e escrita estavam associados ao processo inicial do domínio do sistema de escrita, ou seja, a alfabetização. O seu significado definia à própria ação de alfabetizar, que era colocar em prática os conhecimentos a respeito do alfabeto e os seus usos na leitura e escrita, isto é, tornar alfabeto. Porém, esse significado mostrava distanciamento em relação às outras situações.

Em relação às novas práticas sociais do uso da leitura e da escrita, o conceito de letramento ganhava espaço num contexto que interrogava o que deveria ser considerado alfabetizado, ou seja, inicialmente o termo fazia referência ao indivíduo que soubesse ler e escrever, no caso, a escrita do próprio nome era, por exemplo, uma comprovação suficiente da alfabetização.

Até a década de 40, o formulário do Censo contabilizava a quantidade de alfabetizados e analfabetos, de acordo com o registro daquele indivíduo que não sabia escrever o próprio nome, ou seja, classificado como analfabeto.

Essa situação pode ser associada ao contexto da época, pois as condições culturais, sociais e políticas correspondiam à aprendizagem do nome apenas como referência para assinar um contrato de trabalho ou votar, sem outras exigências, por exemplo.

Após o período de 1940, os dados do Censo utilizaram a capacidade de leitura e escrita de um gênero textual como parâmetro para definir o grupo dos alfabetizados dos analfabetos, ao utilizar a seguinte pergunta: sabe ler e escrever um bilhete simples?

Neste caso, a resposta em relação à leitura e a escrita de um bilhete simples significava que a pessoa sabia ler e escrever, como também, a prática de leitura e escrita estavam presentes socialmente. Essa nova maneira de registrar a alfabetização mostrava uma preocupação se o indivíduo fazia uso social da leitura e da escrita, configurando neste sentido, uma aproximação entre o conceito de alfabetização para letramento.

A autora ainda coloca a existência de situações distintas para as condições de letramento mesmo para aquele indivíduo que não sabia ler, nem escrever, porém, apresenta

características de uma pessoa letrada, porque participa de um ambiente envolto das práticas da leitura e da escrita, como ouvir a leitura de jornais, ditar cartas para o outro escrever. O mesmo podia acontecer com uma criança que ainda não tinha sido alfabetizada, e mesmo assim simulava situações como “ler livros”, brincar de escrever ou ouvir histórias.

No segundo capítulo, Letramento em texto didático: O que é letramento e alfabetização, a autora emprega a própria estrutura do texto didático enquanto gênero textual para continuar a explicar o motivo pelo qual a palavra letramento se fez presente na área da Educação e Ciências Linguísticas, através das seguintes perguntas: Por que aparecem palavras novas na língua?, Qual é o significado dessa palavra letramento?, Por que surgiu essa nova palavra, letramento? e Onde fomos buscar essa nova palavra, letramento?

Magda Soares apresenta o letramento como uma ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita num processo contínuo de acordo com as necessidades do indivíduo ou grupo social. Significava também o estado ou condição que adquire um grupo ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais. Além disso, o grau de proximidade social, cultural e econômico do indivíduo são consideradas como premissas para as condições do letramento porque correspondem à ampliação do acesso à escolaridade e a disponibilidade de material impresso e acessível para leitura. Para tanto, no último capítulo do livro, Letramento em ensaio: Letramento: como definir, como avaliar, como medir, Magda aborda quais são as demandas, as delimitações e as próprias particularidades do letramento.

A primeira particularidade traz o desafio do acesso pleno às habilidades e práticas de leitura e de escrita, ou seja, a universalização. No segundo momento, a definição dos objetivos para estabelecer políticas, programas de alfabetização e letramento em espaços como escolas, instituições, organizações nacionais e internacionais.

Para a autora, faz-se necessário definir o que significa de fato o letramento para posteriormente colocar a seguinte questão: que letramento é esse que se busca avaliar e medir? Essa pergunta suscita a interrogação para a seleção dos critérios a serem usados como procedimentos de avaliação adequados, construção de instrumentos de medida ao letramento, pois seu contexto tradicionalmente é feito nas escolas, nos censos demográficos nacionais e pesquisas por amostragem.

Perceber que existe proximidade entre letramento e as atuais exigências educacionais, profissionais e sociais em relação ao domínio da prática de escrita da redação, por exemplo, suscita interrogantes para a pesquisa científica. No caso desta pesquisa, busca-se conhecer às orientações curriculares e práticas pedagógicas propostas aos estudantes durante o seu

processo formativo no Ensino Médio e que tem como culminância a medida deste desempenho na prova de redação do ENEM.

OBJETIVOS

Nessa perspectiva, a questão norteadora pode ser definida da seguinte forma: Quais são as orientações curriculares e pedagógicas que norteiam a prática docente para a construção das competências da prática de escrita da redação para o estudante do Ensino Médio?

De acordo com o contexto, os objetivos da pesquisa estão listados abaixo:

Objetivo geral: Identificar quais são as orientações curriculares e pedagógicas propostas aos estudantes do Ensino Médio de uma escola pública estadual.

Objetivos específicos

Conhecer as propostas curriculares da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias previstas nos documentos institucionais da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, a saber: Orientações Curriculares para o Ensino Médio e os ConteúdosReferenciais para o Ensino Médio: Área de Conhecimento – Linguagens;

Identificar as ofertas pedagógicas da área de Linguagens do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio, tendo como referência o Plano por Área de Conhecimento e o Plano de Ensino por Componente Curricular;

Analisar as metodologias de referência adotadas pelos professores na elaboração do Plano de Aula da disciplina de Língua Portuguesa para as práticas de escrita da redação.

METODOLOGIA

De acordo com a proposta da pesquisa, o seu delineamento metodológico apresenta relação de proximidade com a pesquisa qualitativa. A pesquisa qualitativa refere-se a um conjunto de ações empíricas que direcionam a investigação dos fenômenos humanos e sociais. Essa metodologia procura interpretar o objeto de estudo com caráter mais amplo de significados para dar esclarecimento da situação inicial que deu origem ao estudo (Godoy, 1995).

Segundo Godoy (1995), a abordagem qualitativa é um processo que envolve entre outras situações, a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e os processos

interativos entre si, como também procura compreender os fenômenos de acordo com a perspectiva do sujeito, isto é, daqueles que participam do estudo.

Essas ações correspondem às possibilidades de metodologia da pesquisa das Ciências Sociais, entre elas, a pesquisa qualitativa na área de Educação, pois diz respeito ao estudo das complexidades do âmbito educacional. Neste caso, a pesquisa das orientações curriculares e pedagógicas em relação à prática de escrita da redação do estudante do Ensino Médio dar-se- á em um grupo social formado com sujeitos (alunos, professores, funcionários, pais, comunidade escolar), suas vivências, inter-relações, valores e significados conferidos por eles, que é a unidade escolar.

Segundo Lüdke e André (1986, p. 11), o uso da metodologia qualitativa tem se tornado uma busca de interesse para os pesquisadores da área de Educação, mesmo com a aceitação da imprecisão em relação à caracterização desse tipo de pesquisa.

Ao formular a pergunta de investigação “Quais são as estratégias pedagógicas propostas aos estudantes do Ensino Médio da escola pública estadual para o domínio das práticas de escrita da redação?”, isso é de relevância científica para os encaminhamentos metodológicos, pois tem na sua fase inicial, a perspectiva exploratória e documental para posteriormente, na fase subsequente, ter acesso a outras informações empregando a metodologia de um Estudo de Caso.

Lüdke e André (1986, p, 21-24) apresentam a caracterização do Estudo de Caso conforme os autores Nisbet e Watt que o classificam em três fases. A primeira delas é a fase exploratória, que vai delinear mais claramente o estudo à medida que se desenvolve, onde questões do objeto de estudo, por exemplo, podem ser reformuladas de acordo com o grau de relevância com o objetivo da pesquisa.

A segunda fase diz respeito à delimitação de estudo com a coleta sistemática de informações, utilizando elementos mais ou menos estruturados com características próprias do objeto de estudo. Esse momento propicia a seleção de aspectos mais relevantes para atingir os objetivos propostos. Isso significa ter a oportunidade de perceber quais são as potencialidades e vulnerabilidades das práticas de escrita na formação do estudante do Ensino Médio.

Por último, a análise sistemática e a elaboração do relatório, que tornam possível as ações de adicionar, analisar e disponibilizar as informações coletadas do objeto de estudo para os informantes, no caso, as informações disponibilizadas aos professores a respeito das estratégias pedagógicas para a construção das competências das práticas de escrita.

A fase subsequente da pesquisa se caracterizará pelo Estudo de Caso propriamente dito. Para Yin (2001, p. 32), o Estudo de Caso “investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”.

O Estudo de Caso diz respeito a uma estratégia de estudo de uma situação em particular, com delimitação de estudo bem definida, pois sua finalidade apresenta interesse particular em detrimento uma situação específica. O objeto de estudo pode ser comum em outras situações, entretanto, apresenta particularidades que o tornam um caso específico, singular (Lüdke e André, 1986).

Os procedimentos de acesso à informação englobam a descrição e a análise de um conjunto de documentos institucionais, curriculares e pedagógicos, a saber:

Documentos da Secretaria da Educação do Estado da Bahia:

a) Orientações Curriculares para o Ensino Médio: Área de Linguagens;

b) Conteúdos Referenciais para o Ensino Médio – Área de conhecimento: Linguagens;

Documentos pedagógicos da Unidade Escolar: a) Projeto Político-Pedagógico;

b) Plano por Componente Curricular; c) Plano por Área de Conhecimento;

d) Plano de Aula da disciplina de Língua Portuguesa,

De acordo com a seleção dos documentos institucionais, curriculares e pedagógicos, o procedimento de aceso à informação dar-se-á com a leitura, análise e registro das observações pertinentes aos documentos listados acima com o objetivo de conhecer quais são as referências indicativas para a construção das competências das práticas de escrita. Essa sequência de ações configura a sistematização dos encaminhamentos metodológicos da pesquisa. Em Dionne e Laville (2008, p. 168):

[...] Para simplificar, pode-se concluir que a coleta da informação resume-se em reunir os documentos, em descrever ou transcrever eventualmente seu conteúdo e talvez em efetuar uma primeira ordenação das informações para selecionar aquelas que parecem pertinentes.

Outras informações serão coletadas através de entrevista com os professores da área de Linguagens visando conhecer os referenciais didáticos elaborados por eles no planejamento do Plano de Aula e constituem os procedimentos da fase final da pesquisa.

RESULTADOS

Por tratar-se de pesquisa em andamento, espera-se que a análise do conjunto de documentos permita o confronto entre as estratégias pedagógicas estruturadas no plano de aula e aquelas prescritas nas orientações curriculares institucionais e legais.

Na sequência se quer problematizar se o que está disposto nos regramentos legais e nas práticas pedagógicas vigentes está coerente com as necessidades e singularidades do Ensino Médio. O que se deseja, ao final desta fase é trazer para o corpo da pesquisa evidências acerca do letramento no Ensino Médio, suas potencialidades e desafios.

CONSIDERAÇÕES

Ler e escrever eram consideradas situações específicas para suprir as necessidades do processo educativo. Entretanto, com as exigências de uma sociedade cujos atos da leitura e da escrita necessitam de um domínio que ultrapassa o processo de decodificação do código escrito, apresentar a leitura e escrita com propriedade passou a ser uma premissa nas relações sociais, de trabalho, pessoais e acadêmico-científicas.

Para dar conta dessas demandas sociais, cognitivas e culturais, outro termo ganhou expressividade no contexto da educação: letramento. Dentro dessa perspectiva, é válido

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