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A Responsabilidade Civil nas Relações de Consumo

No documento RESPONSABILIDADE CIVIL (páginas 80-83)

Os artigos 12 e 14, do Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990), versam especifi camente sobre a responsabilidade civil do fabricante, produtor, construtor e fornecedor de serviços pelos danos causados aos consumidores por defeitos no produto ou na prestação dos serviços.

Outros dispositivos da mesma lei fortalecem essa rede de proteção do consumidor, que é, em tese, a parte hipossufi ciente na relação jurídica travada.

Exemplos desses dispositivos, espalhados pelo Código de Defesa do Consumidor (BRASIL,1990), são os artigos 24, 25, caput, e 51, inciso I, que apontam como abusivas e, portanto, vedam cláusulas que impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade civil do produtor/prestador de serviços.

Esse sistema de proteção, aliás, está muito bem resumido no trecho do acórdão da Apelação Cível nº 03015652220178240054, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, na qual o relator foi o Desembargador Henry Petry Junior (SANTA CATARINA, 2017, s.p.), que transcrevemos:

[...] a responsabilidade civil do fornecedor (art. 3º do Código de Defesa do Consumidor) em relação aos danos sofridos pelo consumidor, direto (art. 2º do Código de Defesa do Consumidor) ou por equiparação (arts. 17 e 29 do Código de Defesa do Consumidor), no contexto do Código de Defesa do Consumidor, é de ordem objetiva, isto é, sem exigência de culpa ou dolo, seja na responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço (arts. 12 a 14 do Código de Defesa do Consumidor), por expressa previsão legal ("independentemente da existência de culpa") (art. 927, parágrafo único, primeira parte, do Código Civil), seja na responsabilidade por vício do produto ou do serviço (arts. 18 a 20 do Código de Defesa do Consumidor), por silêncio eloquente do legislador (que não excluiu a presença da culpa, mas, também, não a exigiu), e, em ambos os casos, também por se tratar de atividade que implica, por sua natureza, risco para os direitos de outrem (art. 927, parágrafo único, segunda parte, do Código Civil).

Como visto, a responsabilidade civil do fornecedor com relação aos danos sofridos pelo consumidor, direto ou por equiparação, será de ordem objetiva, isto é, sem exigência de demonstração de culpa ou dolo, seja na responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço, conforme os artigos 12 e 14 do Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990). Aliás, o artigo 12, do Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990, s.p.), afi rma:

81 RESPONSABILIDADE CIVIL EM ESPÉCIE

Capítulo 4

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insufi cientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - sua apresentação;

II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi colocado em circulação.

§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado.

§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar:

I - que não colocou o produto no mercado;

II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;

III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Destaque para as três excludentes de responsabilidade, nas quais a prova é ônus do fabricante/produtor: (I) que ele não tenha colocado o produto no mercado;

(II) que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexista; (III) que a culpa pelo dano seja exclusiva do consumidor ou de terceiros.

Já o art. 14, do Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990, s.p.), merece especial atenção para a exceção da regra da responsabilidade objetiva, prevista no § 4.º:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insufi cientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profi ssionais liberais será apurada mediante a verifi cação de culpa.

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RESPONSABILIDADE CIVIL

Isso signifi ca que, se for pessoa jurídica, o prestador de serviço responderá objetivamente pelos danos causados ao consumidor por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insufi cientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Se, no entanto, for o prestador de serviço um profi ssional liberal (médico, dentista etc.), somente será responsabilizado se for demonstrada a sua culpa (negligência, imperícia) na prestação defeituosa do serviço.

Pense, por exemplo, na hipótese de um cirurgião-dentista, que se vale de uma técnica de extração de dentes que antigamente era amplamente admitida, porém, atualmente, é considerada ultrapassada (mas nem por isso errada). Isso poderá ser considerado serviço defeituoso? Se sim, isto é considerado ato culposo?

O prestador de serviço responderá objetivamente pelos

danos causados ao consumidor por

defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como

por informações insufi cientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Atividade de Estudos:

1) Responda, justifi cando: Caso o profi ssional liberal se organiza na forma de empresário individual de responsabilidade ilimitada (EIRELI) ou como sociedade unipessoal, ele responderá objetivamente, conforme o art. 14, caput, do CDC (BRASIL, 1990), ou subjetivamente, segundo o art. 14, §4.º, do CDC (BRASIL, 1990), pelos danos causados ao seu consumidor por defi ciência nos serviços prestados?

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Capítulo 4

Ainda sobre a responsabilidade civil na relação de consumo, vale uma derradeira consideração: o fornecedor/prestador de serviço responderá, via de regra, objetivamente pelos danos causados ao seu consumidor, que é, na dicção do art. 2.º, do Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990, s.p.):

“toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário fi nal”. No entanto, existe a fi gura do consumidor por equiparação, chamado pela doutrina de bystander, que é o terceiro atingido pela atividade empresarial, sem que se confi gure o consumidor fi nal de serviços e sem qualquer relação com o fornecedor, e que se equipara aos consumidores quando é vítima do evento danoso, conforme o art. 17, do Código de Defesa do Consumidor.

Logo, ainda que não haja entre o bystander e o fornecedor uma prévia relação jurídico-contratual, este responderá àquele de forma objetiva.

Responsabilidade Civil por Fato

No documento RESPONSABILIDADE CIVIL (páginas 80-83)