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AFETIVIDADE E INFÂNCIA EM DIFERENTES CONTEXTOS

No documento Anais Completos (páginas 55-59)

Uma publicação de Oliveira e Prochno (2010) evidencia uma investigação com crianças institucionalizadas e à espera da adoção e busca identificar a presença da vinculação afetiva. O estudo aponta que o afeto não é inato e pode ser construído através da convivência e da qualidade da interação entre crianças e de crianças com adultos.

Já a pesquisa de Loss-Sant´Anna e Gasparim (2013) busca investigar as interações afetivas no contexto de uma sala de aula. Para isso, os autores partem dos apontamentos de Wallon acerca da afetividade e apontam que, no ambiente escolar em que há afetividade, o desenvolvimento cognitivo das crianças passa a ser mais evidente, como também a motivação para o processo de ensino e aprendizagem pode ser notada. Porém, os autores apontam que a relação da afetividade se dá em todo o processo educativo, e destacam a relação afetiva entre crianças e das crianças com os professores.

Com relação ao contexto familiar, mas exercendo o papel de cuidadoras as avós, uma pesquisa realizada por Oliveira, Vianna e Cadernas (2010), em que buscaram identificar a visão dos avós e seus netos acerca da infância, aponta que quando há uma afetividade próxima entre esses, também há uma visão mais positiva com relação à infância. No entanto, quando há a presença de conflitos, a compreensão sobre a infância tem sido, conforme a pesquisa, negativa apontando para a presença de fragilidades psicológicas ao se rememorar a infância.

Em outro contexto, uma revisão de literatura publicada por Deus e Dias (2016), identifica-se o que as publicações científicas do período de 2005 a 2015 apontam sobre a função das avós como cuidadoras de seus netos. Os resultados do artigo indicam que “Os avós são figuras importantes no suporte emocional, apoio, carinho e afeto tanto para seus filhos como para os netos.” (DEUS; DIAS, 2016, p. 112). Além disso, mostram que na literatura científica, os avós são citados como pessoas importantes por serem considerados como fontes de apoio no caso de gravidez na adolescência, na situação de netos com deficiência e no processo de aleitamento materno.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante compreender a dimensão afetiva no desenvolvimento infantil, atentando-se para a qualidade da vida humana, pois a afetividade deve estar presente desde a fase intrauterina até os últimos dias de vida, manifestando-se como uma fonte geradora de potência e energia, sendo o alicerce sobre a qual se constrói o conhecimento racional.

A pesquisa realizada apontou para a afetividade e sua relação com o desenvolvimento infantil, sendo citada nos âmbitos familiar, institucional e escolar.

Outro aspecto que merece destaque como resultado deste estudo foram as discussões nas publicações sobre os impactos negativos, no desenvolvimento infantil, quando observados os conflitos e a falta de afetividade, principalmente no contexto familiar, mas também em outros âmbitos como o espaço escolar.

Assim, contatou-se que a Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, compreende um período de fundamental importância na formação intelectual e emocional do indivíduo, tendo igualmente como objetivo, contribuir para a formação global e harmônica da criança, de maneira afetiva e lúdica, de modo que, constatou-se precisarem ser a afetividade e cognição inseparáveis.

Nessa etapa escolar, os processos do ensino e da aprendizagem precisam estar estreitamente ligados à afetividade, integrando as funções do cuidar e do educar, para o desenvolvimento integral daquele indivíduo em formação. Assim, com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira – LDB (BRASIL, 1996) e nos autores consultados para a pesquisa, observou-se que a afetividade na Educação Infantil contribui para a formação global e harmônica do ser, de maneira lúdica e criativa, de modo que se constam serem a afetividade e a apropriação da cognição inseparáveis.

Nesse contexto, como indicativo desta pesquisa, destacamos que à família do indivíduo dessa faixa etária e aos professores da Educação Infantil, como educadores que são, cabe compreender que possuem uma missão, que é construir um ser humano íntegro em suas capacidades, e isso acontecerá, entre outros aspectos, também através da afetividade.

Constata-se que a construção da afetividade se torna importante aliada da educação pública, gratuita e de qualidade social referenciada, como também para o desenvolvimento infantil saudável, em suas múltiplas dimensões, entre elas a social, histórica, cultural, psicológica e biológica. Diante disso, pode-se acreditar em uma educação que potencialize o desenvolvimento humano e eduque para a cidadania e transformação.

A Educação Infantil, como a primeira etapa da Educação Básica, necessita fundamentalmente, ocupar- se da afetividade nos seus processos do ensino e da aprendizagem, transformando e aproximando as crianças ao conhecimento, e através dessas ligações complexas, estabelecer e fortalecer laços familiares, estreitar relações com comunidade escolar e, principalmente, facilitando a estada na sala de aula, possibilitando a apropriação e a construção de novos conhecimentos.

Como foi aferido, através de relacionamentos afetivos, a criança poderá ser desafiada a buscar novas conquistas e transpor as dificuldades que se apresentarão, através de um trabalho voltado para a promoção do afeto, que, consequentemente, atenderá o desenvolvimento integral da criança.

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