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AS PROPOSTAS DO GOVERNO MUNICIPAL

No documento Download/Open (páginas 141-147)

No período investigado nesta pesquisa, 2009/2016, São Bernardo do Campo teve à frente do governo o prefeito Luiz Marinho. Bacharel em direito, Marinho foi metalúrgico na década de 1970, quando conheceu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trabalhou na Volkswagen de SBC, onde iniciou carreira sindicalista assumindo, entre os anos de 1984 a 2003, cargos de tesoureiro, secretário geral, vice-presidente e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em 2003, foi eleito presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em 2005, assumiu o Ministério do Trabalho e dois anos depois o Ministério da Previdência Social, ambos no Governo Lula. Em 2008, foi eleito prefeito de São Bernardo do Campo, sendo reeleito para o mandato seguinte, governando a cidade até 2016.

De acordo com o Programa de Governo (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2012) para o segundo mandato, 2013/2016, a prefeitura buscou dar continuidade à gestão anterior com uma nova forma de governar, tendo como marca a gestão participativa, por meio do Plano Plurianual Participativo e do Orçamento Participativo. Nesse Programa, destacam-se cinco ações pretendidas para a administração municipal:

São Bernardo comprometida com o desenvolvimento regional e metropolitano [...] democrática, com gestão participativa, transparente e eficiente; [...] inclusiva, solidária, saudável e segura; [...] bonita, bem cuidada e agradável de se viver; [...] São Bernardo da inovação, do desenvolvimento tecnológico e do conhecimento. (SBC, 2012, p. 12)

Tendo em vista um dos objetivos desta pesquisa e para que possamos realizar uma análise dessas ações, consideramos a necessidade de apresentar detalhadamente cada uma delas, e para tanto, focalizamos especialmente as que se referem às políticas integradas de cunho social.

 São Bernardo comprometida com o desenvolvimento regional e metropolitano

Este tópico retrata os desafios existentes nos municípios e destaca que os enfrentamentos dos problemas demandam uma gestão comprometida com o

desenvolvimento sustentável regional e metropolitano, o que implica em diálogo entre as sete cidades que compõem o Grande ABC e São Paulo.

Assim, apontam para a necessidade de relações cooperativas que envolvem, não somente os municípios, mas também, as demais esferas de governo, por meio do cofinanciamento das políticas públicas, uma vez que estas, muitas vezes, não se sustentam pelos municípios.

Desse modo, as propostas são voltadas para o desenvolvimento do planejamento regional integrado, com ações compartilhadas regionalmente, como por exemplo, a integração tarifária regional que garanta o transporte coletivo e a implantação de rede cicloviária regional.

No que se refere à saúde, o Programa de Governo sugere, entre outras ações, a implantação de um hospital regional sob a responsabilidade do Governo Estadual, a garantia de acesso a consultas, exames e cirurgias nos hospitais estaduais Mario Covas (Santo André) e Serraria (Diadema) e o fortalecimento da Fundação ABC no apoio ao processo de regionalização da saúde no Grande ABC.

Além dessas propostas, observamos sugestões de ações compartilhadas para a promoção da cidadania e políticas afirmativas.

 São Bernardo democrática, com gestão participativa, transparente e eficiente

Observamos neste item uma forte inferência à participação popular, caracterizando os cidadãos como protagonistas no cenário político. Segundo o Programa, essa proposta rompe com a visão conservadora das gestões anteriores, que direcionavam os recursos existentes com critérios pautados no clientelismo ou no interesse de grupos privados.

Com a participação como mote das ações, a população tem “a possibilidade de deliberar e de contribuir para o aperfeiçoamento das políticas que lhes são oferecidas.” (idem, p. 16)

Nesse contexto, o direito à cidadania, a redução da miséria, da violência e das desigualdades são aspectos presentes nas discussões propostas para o aumento da qualidade de vida dos munícipes.

[...] não se pode desperdiçar e esgotar os recursos existentes [...] nem desenvolver um setor social ou região à custa da manutenção ou ampliação da pobreza de outro. O desenvolvimento dos municípios não é determinado apenas pelas condições locais e deve estar articulado em sintonia com as políticas federais e com o grande momento de desenvolvimento do país. (SBC, 2012, p. 16, grifos nossos)

São proposições presentes neste item do Plano de Governo, portanto, a consolidação a ampliação do Ciclo de Planejamento Participativo, por meio de ações como o fortalecimento do processo de discussão pública do Plano Plurianual Participativo (PPA) e do Orçamento Participativo e implementação de novas tecnologias, através do Sistema de Participação Digital.

No que diz respeito à articulação e integração da participação cidadã, entre outros objetivos, encontram-se a realização de Conferências Municipais, a atuação conjunta nos territórios através de conselhos gestores, o aprimoramento dos processos de educação para conselheiros e lideranças comunitárias e a articulação dos Conselhos existentes56 em torno das políticas integradas.

Em relação ao Sistema de Planejamento Municipal, as metas propõem a implementação do Observatório de Políticas Públicas para as orientações das ações conjuntas do governo, entre outras.

Além desses aspectos, o Plano prevê a modernização administrativa com vistas a sistematização e requalificação dos processos. Busca-se também promover a valorização e qualificação dos servidores municipais, bem como dar garantia de excelência ao cidadão por meio da implementação do Governo Digital e da emissão de guia de serviços com prazos pré-definidos para a sua execução.

 São Bernardo inclusiva, solidária, saudável e segura

Interessa-nos nesta pesquisa, de modo especial, as propostas apresentadas neste item, uma vez que tratam das políticas relacionadas ao processo inclusivo. Nesse sentido, observamos no Plano de Governo (2013/2016) um discurso voltado à

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Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS); Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA); Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (COMPAHC); Conselho da Cidade e do Meio Ambiente (Concidade); Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (COMSEA) e Conselho Tutelar.

necessidade de se dar continuidade às ações inclusivas que já vinham sendo evidenciadas na primeira gestão, bem como implementar outras políticas destinadas a esse fim.

A inclusão social faz referência às pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social, às pessoas com deficiência, à população em situação de rua, aos dependentes químicos. Segundo as propostas presentes no Plano, constituem- se como objetivos para esse mandato valorizar a cidadania por meio da elevação da escolaridade, gerar renda e dar acesso à moradia digna. Além disso:

[...] lutar contra toda forma de discriminação e intolerância: de gênero, racial, de orientação sexual, religiosa, política ou de qualquer natureza. Para isso é fundamental avançarmos na produção de serviços intersetoriais, que busquem garantir atenção integral a essas populações, que inovem na produção de políticas públicas que buscam a inclusão social e a defesa dos direitos. (idem, p. 23, grifos nossos)

Embora a segurança urbana seja de responsabilidade do Estado, a prefeitura se compromete a produzir políticas de prevenção de violência que sejam voltadas à cultura da paz.

Entre as áreas que se destacam neste item encontram-se a Saúde, a Inclusão Social e Cidadania, a Cultura, o Esporte e Lazer e a Segurança Urbana.

A seguir, descrevemos os objetivos relacionados a cada uma dessas áreas. Em se tratando da Saúde, as propostas referem-se à consolidação da rede de atenção básica no cuidado com os cidadãos com qualidade, humanização e capacidade de resolução, à ampliação e qualificação da rede de atenção especializada, à qualificação da rede de saúde mental e álcool e drogas e suas articulações intersetoriais; ao cuidado hospitalar, à atenção às urgências, à qualificação do sistema de apoio à gestão do SUS, à qualificação do sistema de proteção e vigilância à saúde e à implementação de “redes de cuidados intersetoriais que atendam o cidadão na plenitude de suas necessidades, a partir de um olhar mais integral e equânime sobre os diferentes problemas e necessidades da população.” (idem, p. 27)

No que diz respeito à Inclusão Social e Cidadania as ações se subdividem em categorias:

 Proteção social, com a consolidação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), fortalecimento do Programa “Brasil sem miséria”, ampliação e consolidação da rede de proteção social e prevenção aos segmentos vulneráveis, garantia de ações afirmativas para a promoção da igualdade e equidade, e consolidação da política de segurança alimentar;

 Criança e adolescente, com a implementação de políticas com base nos princípios e diretrizes do SUAS e do Sistema de Garantia de Direitos;

 Juventude, com a promoção de políticas de formação e inclusão do jovem na vida social, política e no mercado de trabalho;

 Mulheres, por meio do combate ao preconceito e da garantia dos direitos das mulheres;

 Idoso, com a promoção de ações que valorizem o idoso e conscientizem as famílias e a sociedade quanto às necessidades e direitos;

 Pessoas com deficiência, com a ampliação do acesso dessas pessoas às políticas públicas, de modo a garantir e exercer os seus direitos; e

 Igualdade racial, com a garantia de ações afirmativas para a promoção da igualdade racial.

Quanto à Cultura, as ações pretendidas buscam, entre outras ações, aprofundar o conhecimento sobre a diversidade cultural da cidade, por meio da ampliação do diálogo e de parcerias com artistas, produtores e grupos culturais, que desenvolvam pesquisas sobre linguagens artísticas e culturais e também do fortalecimento de intercâmbio entre as diversas culturas existentes na cidade (migrantes, imigrantes, indígenas e culturas populares), incrementar o acesso aos bens e serviços culturais através do desenvolvimento de programas e ações culturais nas escolas, praças, parques e outros espaços públicos e garantir a preservação da memória da cidade.

No tópico Esporte e Lazer, constituem-se como propostas a garantia da oferta regular de atividades esportivas e a difusão da cultura do lazer para os cidadãos, o desenvolvimento de ações de cooperação com outras esferas de governo e a sociedade civil com vistas a difundir o esporte e o lazer na cidade, a implementação de Centros de Desenvolvimento do Esporte de modo a integrá-los ao

Brasil Olímpico, o desenvolvimento de parcerias para financiamento do esporte de alto rendimento e o apoio ao fortalecimento do futebol.

Por fim, para a Segurança Urbana constante neste item, são propostas a ampliação da política de segurança cidadã e a das políticas intersetoriais integradas de prevenção da violência e do crime.

 São Bernardo bonita, bem cuidada e agradável de se viver

Este item trata especificamente da melhoria dos espaços urbanos e do meio ambiente. Interessante notar aqui também a menção à participação da população nas propostas que se apresentam e aparecem como o grande desafio e como a bandeira do governo municipal, uma vez que diz respeito ao combate a enchentes, à mobilidade urbana, à remoção de famílias de área de risco e ao monitoramento do crescimento urbano, entre outros aspectos. Assim, os tópicos presentes neste item referem-se ao Transporte e trânsito, ao Desenvolvimento urbano, à Infraestrutura urbana, à Habitação e ao Meio ambiente.

Para fins de análise posterior, focalizamos aqui as questões pertinentes à habitação. São propostas desse Plano de Governo a viabilização e construção de novas moradias no combate ao déficit habitacional, a urbanização, saneamento e regularização dos assentamentos precários e de risco de modo a integrá-los ao bairro e à cidade, a ampliação da política de gestão de riscos relacionados à moradia, a fiscalização para controle e prevenção de ocupações irregulares, garantia de ação intersetorial nos projetos habitacionais tendo em vista a sustentabilidade social e a qualidade de vida e a qualificação da gestão habitacional.

 São Bernardo da inovação, do desenvolvimento tecnológico e do conhecimento

Neste último item das políticas públicas, observamos dois tópicos, o Desenvolvimento Econômico e a Educação. Em relação ao primeiro, as propostas estão voltadas ao desenvolvimento tecnológico, aos projetos estruturantes para o desenvolvimento econômico, à política municipal de apoio à indústria, ao comércio e serviços e à política de geração de emprego, trabalho, renda e economia solidária.

Quanto à Educação, muitas são as ações elencadas, mas as principais têm como objetivos manter os princípios da educação inclusiva, democrática e solidária, em todos os níveis e modalidades de ensino buscando qualidade e equidade. Para tanto, são propostas constantes desse tópico a construção de novos CEUs e escolas municipais, a redução de alunos por sala, a reestruturação da proposta curricular da rede com a participação da comunidade escolar, o aumento do número de escolas com jornada ampliada, a continuidade da inclusão de alunos com deficiência na rede regular de ensino com apoio e suporte, a promoção da educação para a cidadania e diversidade, a valorização dos profissionais da educação e a requalificação dos serviços, da infraestrutura e do apoio ao ambiente escolar.

No documento Download/Open (páginas 141-147)