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ATERRORIZANTE A porca dos sete leitões

No documento INÁCIO RODRIGUES DE OLIVEIRA (páginas 124-130)

Tipologia dos Causos

ATERRORIZANTE A porca dos sete leitões

O corpo seco

O t error nest es text os é inter e int ratextuais, pois o que causa m edo ao ouvint e é o que am edronta os at ores, criando o clim a do fantástico. O gênero fantástico, segundo Todorov (1970) , deve reportar- se em seu text o a um a personagem que duvida do ser fantástico para, criando a descrença, instalar a am bigüidade que caract eriza esse gênero. Os causos

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acim a tam bém apresentam um a personagem nesta condição ( os rapazes

curiosos que perseguem a porca e o rapaz, no carro, que duvidou do corpo seco) . A m orte é indispensável para pont uar o terror e det erm inar a

transform ação e esta é o início da passagem do at or para o estado de reconhecim ent o de seu erro e sua possível regeneração.

A ação fundam ent al neste tipo é a transformação do corpo e do espírito, const it uindo a sanção pelo castigo, condição necessária para a possibilidade de esse at or libert ar- se do Mal. Dessa form a, o causo aproxim a-se da história exem plar e, destacando os valores do grupo, divulga- os e os perpetua. Este aspecto, com suas referências ao m edo e castigo constituem a form a de o grupo social int eriorano m ant er suas t radições e divulgar seus valores.

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Conclusões

Referências Bibliográficas

Anexos

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Considerações Finais

Felix qui potuit rerum cognoscere causas

Feliz de quem pôde conhecer a causa das coisas Horácio

análise m ostra que, se não se considerar apenas a est rutura da língua, com o fazia Saussure, m as exam inar tam bém a fala com o obj et o de ação social, m anifestação sinestésica e em ocional, pode- se entender m ais facilm ent e a natureza e a razão do causo e responder às quest ões colocadas no início dest a t ese.

As prim eiras quest ões indagaram a diferença ent re a t ext ualidade do cont o de fadas, própria do universo infant il, e a do público adult o.

A análise dem onst rou t al diferença do pont o de vista da t em át ica, t em poralidade, espacialidade e, sobret udo, dos atores. Est es apresent am - se caract erizados com o caipira e cont extualizados segundo as prát icas sociais, os valores culturais do m undo interiorano, a configuração do sent ido de t rabalho, posições hierárquicas, originadas nas particularidades de seu tem peram ent o, paixões e visão de m undo. Os tem as recobrem , port ant o, a proj eção da verdade redim ensionada pelos aspect os próprios do universo rural, pelas tradições sem pre at ualizadas e pela espacialidade art iculada com as at ividades cognit ivas do cont ext o rural.

Do m esm o m odo, as form as discursivas do causo foram explicit adas pela caract erização de sua t ext ualidade: o cont ador part icipa efet ivam ent e da narrativa com o personagem ou t est em unha, detalhando os nom es, as característ icas das pessoas e locais onde a ação se desenrola, preocupando- se em lhes dar cunho de verdade. As hist órias são contadas, pois, em prim eira pessoa, em linguagem caipira, coloquial, m etafórica e expressiva, com tem ática m arcada por acontecim ent os, aspirações e

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costum es próprios de cidades int erioranas e do universo dos cont adores, rem et endo sem pre para um passado presentificado. A linguagem é criada propositalm ent e com a intenção de ser original ou típica, o que explica a diversidade de prosódias, as variações nas m arcas da ironia ou crit ica, nas sit uações de com icidade ou de t ransgressões, ent re out ros.

As quest ões subseqüentes indagam que ethos e qual práxis sem iolingüíst ica caract erizam a discursividade do cont ador.

O ethos que nort eia as escolhas discursivas é pont uado pela form a de recriação dos causos: est e discurso, individual e subj et ivo, m arca um enunciador que pode constituir condições de verdade capazes de estabelecer int eração ent re ele e seu auditório. Para que sej a m antida tal int eração, o contador presum e que o audit ório adm it e a exist ência de "sua" verdade, pela constit uição de um ethos m últ iplo, tendente ao agrado e à fala franca. Cont ador/ enunciador e audit ório/ enunciat ário, bem definidos no int erior de determ inado cont ext o, necessitam do discurso, lugar da m anipulação, persuasão e sanção que, replet o de significados, abre-se à construção de novos sent idos e det erm inam o ethos predom inant e na narrat iva.

Às características dem onstradas na análise, acrescentam -se as vividas na pesquisa de cam po. A cont ação de causos ocorre, m uit as vezes, sim ultaneam ente à prática profissional ou próxim a de sua atividade, evidenciando falt a de separação rígida entre trabalho e lazer, ou ent re atividades profissionais e sociais. O causo pressupõe sem pre relação intergrupal, pois, além da sit uação face a face, os participantes da cont ação partilham repertórios sustentados pela tradição, o que facilita a com preensão e exige do contador e do auditório apenas a voz e a presença física. Port ant o, o fulcro m otivador da narrativa é a re- criação no uso da linguagem e tem ática com uns, t ransm itidas em situações de encontro am ist oso, obj etivando evidenciar os elos cult urais que ligam o grupo.

A delim itação da análise a 10 causos e seu estudo segundo abordagens pont uadas pela sem iótica, ret órica e antropologia do

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im aginário, foram pert inent es para com provar a existência do gênero causo. Conform e a descrição de cinco destes chegou- se à caracterização de quatro tipos: lúdico, crítico, revide e at errorizant e. Estes foram aplicados aos outros cinco para verificar a pertinência classificatória e am pliar sua t ipologia. Em cada t ipo reconheceu- se um a denom inação, um efeit o de sent ido e um a est rut ura act ancial predom inant es.

Com preende-se, finalm ente, por que se contam causos: para m anifest ar espont aneam ent e a cultura popular no espaço caipira, a fim de expressar a lógica grupal, a vivência de m it os e arquét ipos que const it uem o m odos vivendi que relacione o hom em com o m eio am bient e ( vencer a nat ureza) , com os elem ent os m ít ico- religiosos ( vencer os m ist érios da vida) , subvert er a relação com as aut oridades ( vencer o out ro) , alcançar a aut o-est im a ( vencer suas lim it ações).

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No documento INÁCIO RODRIGUES DE OLIVEIRA (páginas 124-130)