e processos de ressignificação de cidades históricas da Bahia
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Por outro lado, na segunda metade do século xix, teve lugar uma outra explosão de atividade econômica, que desta vez dinamizou a região central do estado da Bahia, até então bastante marginal no que se refere ao desenvolvimento sócio econômico: a descoberta e exploração do diamante. O achado deste mineral nos aluviões da região de Mucugê, no planalto baiano, provocou um deslocamento verti‑ ginoso de um número importante de pessoas que foram se instalando em diferentes partes da Chapada Diamantina. Inicialmente formaram pequenos acampamentos, para depois se constituírem em casarios espontâneos, definindo ‑se, em princípio, ao longo de uma rua ou de um espaço aberto ou praça. No geral, essas instalações precárias ficavam próximas das áreas de extração do diamante. Com o tempo, o povoado, uma vez consolidado, ia se estendendo em direção aos caminhos para as zonas de exploração. O declínio destas cidades mineradoras começou no final do século xix e, em alguns casos, nos primeiros anos do século xx, quando foram se esgotando as areias diamantíferas, especialmente das gemas, permanecendo apenas os cristais carbonáticos, só apropriados para a indústria e, portanto, menos valiosos. Ou seja, nesse período inicial do novecentos o empreendimento de extração artesa‑ nal dos cristais diamantíferos, sob a forma de garimpos, já não era mais compensatório, posto que se tornou oneroso e pouco competitivo no mercado internacional.
Enfrentados com essa realidade, os moradores foram migrando para outras regiões do país ou, se permanecendo, mudando para atividades de subsistências. De fato, o esgotamento das jazi‑ das superficiais e a descoberta de outros locais diamantíferos no mundo foram determinantes para a rápida decadência das cidades mineradoras do diamante, na chapada baiana. Elas chegaram à metade do século xx com redução drástica de população e o franco empobrecimento, até algumas serem abandonadas totalmente pelos seus moradores, situação que as conduziu ao atual estado de ruinas.
Somente restaram as cidades e vilas que souberam se adaptar à nova realidade convertendo ‑se em núcleos baseados na criação de gado ou, então, como pontos de descanso de tropeiros e de reban‑ hos no percurso da transumância até as feiras ou mercados litorâneos.
O declínio ou a estagnação persistiu até a década de 1970, quando as cidades fundadas no ciclo da exploração do diamante entraram a formar parte de roteiros turísticos alternativos, focando os recursos naturais, acompanhando o surgimento das trilhas ecológicas. A construção de hotéis e outras formas de hospedagem, melhoramento de redes de estradas e, sobretudo, a criação de um aeroporto, em Lençóis (centro da Chapada Diamantina), transformaram substancialmente os perfis sócio econô‑ micos das cidades diamantinas. Hoje, elas estão incluídas, no âmbito nacional, nos programas de visi‑ tação de paisagens naturais, sendo o turismo ecológico ou de aventura a maior fonte de renda regional1.
2 . SA LVA D O R DA B A H I A
A cidade de Salvador da Bahia destaca ‑se, em uma segunda onda de fundações, acontecida depois de formados os núcleos das capitanias hereditárias. Esta cidade foi concebida como capital da colônia portuguesa na América e, como tal, teve um papel preponderante como centro administrativo
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de todo o território brasileiro, desde o século xvi até metade do xviii e, ainda, como importante polo econômico até meados do século xix. A sua condição dentro do sistema atlântico de navegação e comércio foi de tal importância para o período dos dois primeiros séculos de colonização que foi consi‑ derada o maior porto de América.
Sua posição no topo de uma alta e íngreme falésia, com grande visibilidade sobre o horizonte da baia de Todos os Santos, proporcionava uma defesa natural, complementada por uma muralha, na parte interna. Nos dois primeiros séculos a cidade ficou protegida por terra por uma linha amuralhada, superando esse limite somente no século xviii, quando se expande para as colinas próximas. Essa área circunscrita começou a ser monumentalizada no século xvii, com a construção de igrejas, conventos, hospitais e pelos palácios da administração pública e de residências privadas.
O Centro Histórico de Salvador foi classificado seguindo o critério de ocupação original dentro desses antigos limites defensivos. Portanto, se trata de uma grande área que vai da atual Praça Castro Alves (onde existia a Porta de São Bento, uma das duas portas de entrada) ao Largo do Pelourinho, onde se encontrava a porta de Santa Catarina, passando por outras duas praças, a do Paço (hoje Praça Municipal) e a do Terreiro de Jesus.
No decorrer do século xix, essa parte da cidade começa a se transformar substancialmente, com a mudança do perfil social dos moradores que a vão paulatinamente ocupando. Se até as primeiras décadas desse século, todos estavam relacionados a famílias de um poder aquisitivo importante e vinculados com o poder político e econômico, para metade do oitocentos começam a ser registradas como moradoras famílias com membros de ascendência africana, libertos, pequenos comerciantes e funcionários públicos de baixo escalão. A cidade já tinha iniciado o processo de expansão para novos bairros, em que se instala a elite da sociedade baiana. Para os primeiros anos do século xx, os bairros que compreendem hoje o Centro Histórico estavam no franco caminho de proletarização, para chegar à década de 1990, com a degradação avançada da maioria dos prédios e a ocupação deles por parte de grupos sociais muito desprotegidos. É nesse período que políticas públicas do estado da Bahia decidem transformar o Centro Histórico na área turística principal da cidade, coincidindo com a classificação de Patrimônio da Humanidade por parte da Unesco.
Cabe assinalar que em todo o programa de requalificação da Salvador antiga, não houve inter‑ venções arqueológicas, salvo as escavações sistemáticas que foram realizadas durante a remodelação
FIG. 1 Salvador da Bahia.
Fotografia panorâmica de Bejamin Mulock, de 1860, denominada Frontispício da Cidade, tomada a partir da Baía de Todos os Santos. Fonte: Ferrez, 1989,
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da Praça de Sé, programa que, desta vez, não esteve a cargo do estado da Bahia, mas da prefeitura municipal de Salvador, como parte das comemorações dos 450 anos de fundação da cidade.
Essas escavações redundaram na recuperação dos alicerces da primeira igreja do arcebispado da Bahia e das estruturas das fundações do Pátio dos Estudos Gerais do Colégio dos Jesuítas, além de restos de construções de habitação. Como se tratava de locais de aterro onde se depositavam materiais de descarte de todo tipo, o volume de restos de objetos da vida cotidiana dos moradores de Salvador foi muito expressivo. Foi o primeiro grande e variado acervo constituído por objetos coloniais e pós ‑coloniais, na Bahia.
FIG. 2 Salvador da Bahia. Ladeira do Pelourinho, com Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, nos anos da década de 2000. Fonte: Domínio público.
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Como resultado destas intervenções arqueológicas em Salvador, foram colocados à disposição da população contemporânea um conjunto de vestígios, especialmente estruturas de alicerces de edificações que não formavam mais parte da paisagem urbana, da experiência do dia a dia dos habitan‑ tes, nem da memória coletiva. As áreas de escavações eram abertas ao público, de forma que todos os que passavam pela praça podiam ver os avanços dos trabalhos em profundidade e as evidenciações vestigiais resultantes.
Se em um primeiro momento os alicerces foram motivo de atenção, logo se constatou que o fato marcante para os habitantes de Salvador eram as próprias pesquisas arqueológicas, que iam reve‑ lando a um público não especializado, um universo de objetos desconhecidos. Entre todo esse conjunto houve especial atenção para os restos ósseos humanos, dos sepultamentos realizados dentro e fora da Igreja da Sé, durante todo o período colonial e início do século xix.
3 . P O R T O S EG U R O E SA N TA C R U Z C A B R Á L I A ( L I T O R A L S U L DA B A H I A )
Com relação às cidades de Porto Seguro, núcleo original da Capitania do mesmo nome, e da cidade irmã Santa Cruz Cabrália, que se encontra a pouco mais de 60 km ao norte, no mesmo município, pode ‑se dizer tiveram histórico parecido desde a fundação até o século xx.
Do ponto de vista da ocupação espacial as duas possuem Centros Históricos, na parte alta das falésias. Isto quer dizer que, para suas fundações, foi seguido o padrão em acrópole que se usaria para fundar todas as cidades ou vilas quinhentistas do litoral baiano.
A Capitania de Porto Seguro nunca prosperou, não obstante os investimentos e esforços de seu donatário Pero do Campo Tourinho. Uma das razões pode ter sido a belicosidade de diversos grupos indígenas da região que chegaram a incendiar Santa Cruz Cabrália e mataram seus habitan‑ tes. Teve ainda aspectos pessoais negativos na administração da empresa que contribuíram a malo‑ grar o empreendimento. Tourinho chegou a ser enviado preso para Lisboa, denunciado por blasfemo diante da Inquisição. Nos séculos seguintes não houve maior interesse pela casa de Aveiro, herdeira da Capitania, nem da coroa em reativar essa região e por isso se instaura um processo de paralisia econô‑ mica que deixou a região esquecida e letárgica.
Somente nas duas últimas décadas do século xx, em que se descobrem as belezas naturais da região, propícias para o turismo, é que a região de Porto Seguro se torna região hoteleira de turismo, do tipo de diversão em massa e, como consequência, surge como polo econômico do sul do estado da Bahia, transformando ‑se drasticamente seu perfil social e urbano. Efetivamente, o aumento demográ‑ fico excessivo e rápido elevou o número de habitantes a níveis exponenciais e, sobretudo, redundou na remoção dos moradores nativos para as periferias.
No caso do Centro Histórico de Porto Seguro, observa ‑se ainda um casario do século xvii e xviii, composto por algumas fileiras de unidades residenciais, uma igreja matriz e duas pequenas, a Casa de Câmara e Cadeia (hoje Museu Histórico) e as ruínas do Colégio dos Jesuítas. Boa parte da cidade
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desapareceu, mas ainda podem ser identificadas as linhas de edificação, através dos vestígios de alicerces que aparecem a poucos centímetros da superfície, demonstrando como era a concentração de moradias. Hoje, as casas que permaneceram são utilizadas como lugares de venda de suvenires e de lanches rápidos, para os visitantes que costumam circular durante o verão. No inverno, época das chuvas, a área adquire um ar fantasmal.
Em Santa Cruz Cabrália, povoação menos importante política e economicamente que Porto Seguro, os efeitos do turismo de massa e da especulação imobiliária são menores. Não obstante, na parte antiga da Cidade Alta, seu centro histórico, o despovoamento parece ter sido maior. Só resta o edifício da Câmara e Cadeia (onde está instalado um arquivo e um museu), a igreja de Nossa Senhora da Conceição (utilizada esporadicamente) e uma ruína de um edifício inconcluso, do qual não se sabe sua utilidade, nem sua antiguidade.
Nesta área de ocupação antiga são raras as visitas de turistas e menos ainda de moradores nati‑ vos. Alguns projetos tentaram revitalizar a zona com fins turísticos. Pesquisas arqueológicas, progra‑ madas para dar subsídios, identificaram bolsões de material doméstico de descarte do século xvii (em parte exposto no museu) e as fundações das casas, com suas divisões internas, compondo as linhas de arruamento que ficaram musealizadas para visitação pública.
Em Santa Cruz Cabrália, as ondas de migrações de outras regiões do Brasil, assim como as de empreendimentos hoteleiros e imobiliários, foram recebidas mais tardiamente que as de Porto Seguro, mas com igual efeito transformador e desestabilizador para a população local. O Centro Histórico dessa cidade, não tendo outros atrativos que não seja a estupenda vista sobre o horizonte marinho, não está incluído nos passeios tradicionais para visitantes e nem é motivo de utilização por parte dos moradores. Como em Porto Seguro, aqui também, o núcleo original da cidade permanece desvinculado da população contemporânea, a não ser como longínqua referência da história regional. Em compensação, existe um marco espacial que alude ao primeiro contato entre o indígena e o colonizador, com força diferenciada na memória social local, regional e nacional: Coroa Vermelha. Esta praia foi o cenário em FIG. 3 Porto Seguro.
Centro Histórico com Igreja de Nossa Senhora da Pena, Casa de Câmara e Cadeia. Autor: Carlos Etchevarne. FIG. 4 Santa Cruz Cabrália, Centro Histórico. Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Autor: Carlos Etchevarne.
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que Cabral e seus acompanhantes desceram para rezar a primeira missa, em 1500. Nela existe, desde o ano 2000, um monumento comemorativo alusivo aos 500 anos da chegada de Cabral, construído nas proximidades da comunidade indígena Pataxó de Coroa Vermelha. O peso simbólico desse cenário do descobrimento no imaginário social contemporâneo é tão grande que pode ser considerado como uma das razões pelas quais o núcleo original de Santa Cruz Cabrália e o próprio de Porto Seguro não sejam significativos.
4 . C I DA D E S D E M I N E R AÇ ÃO DA C H A PA DA D I A M A N T I N A
A grande expansão da ocupação territorial para o interior da Bahia, especificamente a região diamantina, aconteceu a partir da terceira década do século xix, iniciando ‑se na região da atual cidade de Mucugê, na bacia do rio Paraguaçu. A corrida ao diamante se espalhou de forma tão veloz que não houve tempo de uma intervenção planejada por parte do governo estadual. Os povoados foram surgindo espontaneamente, adaptando ‑se à topografia, com a finalidade de serem eficientes, seja para residência ou para o trabalho de exploração.
Mucugê apresenta um Centro Histórico de ocupação contínua, com um número de residências e edifícios públicos do século xix e início do xx, em bom estado de conservação. A cidade atual está incluída no perímetro original, apresentando todos os serviços necessários ao funcionamento de uma povoação ativa. O crescimento demográfico permitiu a criação de novos bairros, que se articulam eficientemente ao antigo casco, sem solução de continuidade, mas soube manter as características originais, garantidas pelo tombamento a nível federal.
Ao programa de desenvolvimento econômico baseado no turismo lhe sucedeu outro que se fundamenta na agricultura de pequeno e médio porte, de espécies hortícolas e frutícolas. Esta ativi‑ dade distingue Mucugê de outras cidades antigas da Chapada Diamantina, transformando ‑a em um polo agrícola que verte sua produção na região e em Salvador. Ou seja, passado o período de crise do garimpo diamantífero, o município apontou para atividades agrícolas complementadas com outras vinculadas ao chamado turismo ecológico e de aventuras.
A continuidade de ocupação, por parte dos grupos familiares associados ao período de auge da atividade mineradora, também pode ser observada em Lençóis, município localizado no centro da Chapada Diamantina. Sua população decresceu numericamente com o esgotamento do diamante, mas não ocorreu o processo de despovoamento que padeceram outros núcleos urbanos. Ademais conseguiu ‑se a retomada de sua posição hegemônica na região, quando assumiu a liderança do turismo regional, ao ser criado um aeroporto, no seu território.
De fato, esta é a cidade em que o turismo ecológico e o de aventura estão melhor estruturados e aparelhados, apresentando uma rede de hospedagem variada, um número de agências de turismo com circuitos de visitação consagrados, de forma que ela se tornou o centro de irradiação de excursões a outros municípios vizinhos, como o Iraquara e o de Palmeiras.
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Lençóis, conserva também todas as características essenciais de uma cidade mineradora com as marcas de que teve forte influência política e econômica na região. Três igrejas, prédios públicos importantes, residências elegantes, praças e pontes formam um cenário urbano de grande impacto visual para quem a visita. Como acontece em Mucugê, o Centro Histórico coincide com o perímetro residencial contemporâneo, mantendo ‑se as feições das construções, ainda que muitas sejam hoje destinadas ao comércio que satisfaz ao turismo. Os novos bairros criados nas duas últimas décadas, conservam as características da antiga cidade, em volumetria e materiais construtivos, posto que também é uma cidade protegida por tombamento a nível federal e controlado pelo órgão de proteção patrimonial.
A Vila de Igatu, no município de Andaraí, e a Vila de Ventura, em Morro do Chapéu, dois núcleos urbanos muito prósperos no período da mineração (até década de 1920 chegaram a contar cerca de 3000 habitantes), passaram igualmente pelo mesmo processo generalizado de decadência, que signi‑ ficou para estas vilas o arruinamento e despovoamento quase total.
Esses dois núcleos mineradores, situados na beira de rios que serpenteia por verdes e profundos vales, são apenas dois exemplos do impacto produzido pelo desaparecimento dos recursos diamantí‑ feros, mas não são as únicas2. Igatu do Xique ‑Xique era uma vila construída ao longo de uma estrada
principal que acompanhando paralelamente o rio, unia a entrada do povoado com o caminho às áreas de garimpo. As casas em pedra iam se sucedendo de um lado e do outro da estrada, sem interrupção. O povoado conseguiu conservar um setor da rua principal com moradores descendentes das famílias dos antigos garimpeiros, até que, nos anos 1990, foi descoberta pelo turismo alternativo e por novos moradores de fora que reocuparam algumas casas abandonadas ou edificaram outras em locais próxi‑ mos às ruínas.
A Vila de Ventura, na beira do rio do mesmo nome, estende ‑se por uma área, ao pé de uma serra. Até duas décadas atrás, aproximadamente, os habitantes estavam reduzidos a uma única família, havendo um incremento de moradores pela reprodução dos membros dessa família e a presença inter‑ mitente de alguns moradores de Morro do Chapéu, que passam ali alguma temporada. Salvo as casas de uma rua paralela ao rio, um sobrado em uma esquina e outra moradia que está próxima à igrejinha, FIG. 5 Mucugê. Centro
Histórico, com rua enfeitada para a festa de São João. Autor: Carlos Etchevarne. FIG. 6 Centro Histórico
de Lençóis. Casarões da praça principal. Autor: Carlos Etchevarne.
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residência da família remanescente, as construções foram desaparecendo e deixando espaço vazios entre os grupos de ruinas.
Cabe destacar que nas proximidades desta vila foram encontrados restos cerâmicos perten‑ centes aos grupos indígenas pré ‑coloniais classificados arqueologicamente como de origem Tupi, grupos estes que se espalharam pelo território baiano em diferentes momentos. Ademais, ainda nas vizinhanças desta vila, encontram ‑se dois grandes conjuntos de locais com pinturas rupestres deno‑ minados Toca da Figura e Toca do Pepino, com painéis de estilos já identificados em outras partes do Nordeste, vinculados a grupos genericamente denominados de caçadores coletores. No primeiro deles foi desenvolvido um programa de escavações arqueológicas, com o objetivo de obter elemen‑ tos culturais que servissem para contextualizar as pinturas. Nele, foi descoberta uma fogueira com um bloco de hematita desgastada dentro. Análise químicos permitiram identificar a figura do painel que foi pintada com o pigmento extraído do bloco. Sua datação por C14 proporcionou uma idade de quase 3.000 anos AP.
5 . CO N S I D E R AÇÕ E S F I N A I S
Da análise destas situações urbanas, seja nas quinhentistas cidades litorâneas, como nas oito‑ centistas chapadenses, e das intervenções arqueológicas promovidas nos centros históricos delas,