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3.1 Geografia Econômica Evolutiva

3.1.2 Complexity Theory – Teoria da Complexidade

Nesta tese será abordada a teoria da complexidade, como um dos pilares explicativos, porém, os principais autores utilizados na discussão foram os citados nos artigos da temática central da Geografia Econômica Evolutiva.

A complexidade pode ser traduzida por uma extrema quantidade de interações e de interferências entre um número muito grande de unidades que desafiam nossa possibilidade de cálculo, mas a complexidade abrange também indeterminações, fenômenos aleatórios. Compreende, efetivamente, o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos que constituem o nosso mundo (MORIN,1990).

Neste contexto, a complexidade é uma nova categoria fundamental na compreensão do novo paradigma. O real é complexo. Densa é a complexidade nos organismos vivos. Eles foram sistemas abertos. Neles se dá o fenômeno da autoprodução e da autoorganização a partir do não equilíbrio dinâmico que busca novas adaptações. Quanto mais próximo ao total equilíbrio, mais próximo está o

organismo vivo da sua morte. A distância do equilíbrio, isto é, a situação de caos, cria a possibilidade de uma nova ordem. O caos é generativo e o princípio das organizações de singularidades e de novidades (MORIN, 1980, p. 335-393).

A teoria da complexidade é o estudo das estruturas que dependem apenas da natureza das suas constituintes e cujos comportamentos e características globais não podem ser deduzidas a partir do conhecimento de suas bases. Complexidade diz respeito à adaptação imprevista de capacidades e do surgimento de novas propriedades em sistemas que surgem conforme a quantidade e a qualidade das ligações entre os indivíduos e as organizações aumentam (BAGGIO, 2008). De um ponto de vista técnico, não se tem universalmente uma definição, nem formalizações teóricas rigorosas, de complexidade. Uma representação bastante intuitiva de um

sistema complexo pode ser dada como: “um sistema para o qual é difícil, se não impossível, reduzir o número de parâmetros ou variáveis que o caracterizam sem

perder suas propriedades essenciais globais funcionais" (PAVARD; DUGDALE,

2000), (BAGGIO, 2008). A teoria estuda sistemas que têm muitos agentes que interagem entre si, embora difícil de prever, estes sistemas têm a estrutura para permitir melhorias aos processos (ZAHRA; RYAN, 2007).

A teoria da complexidade foi desenvolvida e estudada pela primeira vez em estudos de termodinâmica e posteriormente foi aplicada em economia (BEINHOCKER, 2006). A teoria da complexidade é considerada como a segunda base teórica, onde o cenário econômico apresenta características comuns com sistemas adaptativos complexos e, portanto, a sua evolução poderia ser explicada por processos de surgimento, auto-organização e adaptação. Hoje em dia, esta abordagem é considerada uma importante contribuição para conceituações filosóficas da Geografia Econômica Evolutiva, porém algumas reservas foram expressas sobre a tendência de usar a modelagem matemática (BOSCHMA;

MARTIN, 2010; MA;HASSINK, 2013; SANZ-IBÁÑEZ; ANTON CLAVÉ, 2014).

Martin e Sunley (2010) salientam que muitos pesquisadores afirmam que para garantir uma real compreensão da evolução ou da transformação interna da economia regional, a complexidade do desenvolvimento da indústria local deve ser levada em consideração (MARTIN; SUNLEY, 2010).

A complexidade diz respeito à estrutura e ordem de sistemas abertos (LEWIN, 1992), onde o pensamento da ciência da complexidade tenta entender padrões de

comportamento através das conexões entre a diversidade, conflitos criatividade dentro do sistema, o que permite a capacidade de novidade ou auto-organização

(STACEY et al., 2000). Neste sentido, são apresentadas abaixo as principais

características do sistema complexo.

Características do Sistema Complexo

Interação não linear de um grande número de componentes em imbricados inter-relacionamentos; A sensibilidade às condições iniciais existe, mas não de forma tão contundente;

A matematização ainda é um desafio; Total imprevisibilidade, randomicidade;

Adaptabilidade e grande capacidade de auto-organização;

QUADRO5-CARACTERÍSTICASDOSISTEMACOMPLEXO;

FONTE:BASEADA EM CILLIERS (1998), WOOD (1993), PALIS(1999);

Resumindo a teoria da complexidade dentro ciências sociais é caracterizada por: realismo ontológico; pela metáfora dos sistemas vivos, onde o comportamento nem sempre pode ser previsto e vê os sistemas da vida real como imprevisível ainda que ordenada; um desenvolvimento evolutivo dos sistemas é viável, mas está sujeito a mudanças bruscas de direção; sistemas e relacionamentos são não-lineares, complexos e difíceis de prever; sistemas são inerentemente instáveis, mas o feedback pode manter o sistema dentro dos limites e o efeito da borboleta descreve uma situação onde um pequena mudança pode precipitar uma reação em cadeia que acumula uma mudança significativa no sistema (ZAHRA; RYAN, 2007).

A teoria da complexidade permite compreender que a path dependence

coevolui através de diferentes indústrias locais, bem como empresas diferentes dentro do mesma indústria, que são caracterizadas por uma variedade de tecnologias e atividades. Assim, a economia é vista como um sistema aberto sujeito a interações dinâmicas constantes com agentes circundantes. Isto implica afirmar que diferentes atividades podem seguir o seu próprio caminho evolutivo, o que pode não corresponder necessariamente à trajetória institucional da própria região. Esta complexidade de caminhos e variedade de interações entre os agentes também influencia a possibilidade de desenvolver novos caminhos tecnológicos e industriais e coexistir com os caminhos já existentes. Assim, mudanças incrementais podem ocorrer em empresas ou setores dentro de uma região, enquanto a própria região

A teoria da complexidade não substitui os modelos anteriores de pensamento, mas complementa as formas de análise. De fato, inerente a um sistema complexo reside a noção de que realmente fenômenos sociais complexos são igualmente capazes de exibir simultaneamente as estruturas de mudança e os significados simbólicos ou seja, que se complementam (ZAHRA; RYAN, 2007).

Mesmo que nem sempre explicitamente definido como tal, a idéia de que o turismo é um sistema complexo adaptativo, já foi evidenciada. Apesar da falta de uma definição clara e rigorosa, um grande número de pesquisadores e praticantes criaram vários modelos, métodos e abordagens que têm ajudado na compreensão das estruturas e evoluções dinâmicas, tendo fornecido um significativo processo para gerenciar sistemas, para prever os seus efeitos ou para otimizar o seu funcionamento (LEIPER, 1979).