6.3. ANÁLISE DOS RESULTADOS DA ENTREVISTA
6.3.2. Área Temática 2: Risco de Seroconversão pelo Vírus da
6.3.2.5. Comportamentos e medidas preventivas adoptados pelos profissionais
Na categoria, Comportamentos e medidas preventivas adoptados pelos
profissionais de saúde após a exposição microbiológica acidental pretende-se conhecer as opiniões dos entrevistados sobre os comportamentos e medidas de prevenção que poderão ser implementadas com o intuito de minimizar o risco de acidente por exposição microbiológica acidental. As subcategorias são apresentadas no seguinte Quadro 16.
Quadro 16– Comportamentos e medidas preventivas adoptados pelos profissionais de saúde após a exposição microbiológica acidental
Área Temática 2 Categoria Subcategoria Unidade de Registo Risco de Seroconversão pelo Vírus da Imunodeficiênci a Humana (VIH) após a Exposição Microbiológica Acidental Comportamentos e medidas preventivas adoptados pelos profissionais de saúde após a exposição microbiológica acidental
Disponibilização de dispositivos médicos de segurança
2 Procedimento adequado – não reencapsulamento de agulhas
2 Contentores de colheita de objectos cortantes ou
perfurantes acessíveis
4 O Equipamento de protecção individual como
factor de prevenção da exposição
5 Práticas de trabalho mais seguras 9 Manutenção das medidas de protecção 7 Necessidade de formação e informação sobre os
riscos ocupacionais
2 Informação adequada nos serviços de como
proceder à notificação dos acidentes de serviço
4 Serviço de informação permanente 24 horas 1 Mecanismo oficial no caso de ocorrer uma
seroconversão
1 Ter mais calma
2 Memória da exposição microbiológica acidental 2
Nada a fazer 13
Relativamente à análise desta categoria, verificou-se que a disponibilização de
dispositivos médicos de segurança, tais como lancetas, poderia diminuir o risco de acidente, verbalizado por dois (2) participantes.
Uma das práticas responsável por um número elevado de picadas com agulhas é o reencapsulamento, pelo que dois (2) participantes consideram nunca mais voltar a reecapsular uma agulha.
“O reencapsulamento nunca existir” E1
“Nunca mais voltei a reencapsular uma agulha e (...) por mais que digam que não pode estar nada em cima da bancada porque tem pouco espaço, está lá sempre um contentor.” E1
A disponibilização de contentores para objectos cortantes em locais acessíveis e substituídos a partir do nível de segurança, é considerado fundamental para quatro (4) dos participantes.
“Era o contentor estar acessível...” E1
“(...) a questão do acidente que ocorreu comigo, foi se calhar fazer tudo ao mesmo tempo, eu devia ter colocado logo a seringa no contentor dos cortantes, por acaso não existia nenhum contentor ali no quarto (...)” E19
“[O contentor] já estava um pouco cheio.” E11
A utilização dos equipamentos de protecção individual (EPI) é essencial na prevenção da transmissão da infecção para cinco (5 ) entrevistados.
“As protecções existentes, eu acho que são suficientes para a nossa actuação, temos é que usá-las sempre.” E12
“(...) se eu tivesse conhecimento[das serologias] tinha calçado luvas, não é? (...) se as luvas fossem adaptadas à minha mão, talvez eu calçasse mais vezes.” E3
Da mesma forma, a adopção de práticas de trabalho mais seguras é manifestado por nove (9) entrevistados.
“Exactamente, vou tentar adoptar mais cuidados a nível de prevenção.” E19 “Efectivamente o erro que cometi nunca mais voltei a cometer.” E11
A manutenção das medidas de protecção utilizadas anteriormente é manifestada por sete (7) participantes.
“(...) eu como já utilizava as medidas de protecção individual, portanto mantenho os mesmos cuidados.” E12
“Eu já tinha posto as precauções, penso que nem sequer foram demais, acho que eram as necessárias.” E15
É ainda referido pelos profissionais a necessidade de formação e informação sobre os riscos ocupacionais a que se encontram expostos e sobre o circuito de notificação dos acidentes de serviço/trabalho a nível dos vários serviços, referido por dois (2) e quatro (4) participantes, respectivamente.
“(...) algumas acções de formação, provavelmente também acho que eram importantes, para reciclar, (...)” E15
“(...) eu penso que essa informação é que não está uniformizada.” E7
“(...) isto é o segundo acidente de serviço, (...) e eu senti-me completamente a zero.” E20
“[Falta de] Informação escrita.” E8
Para além do referido, é mencionado a importância de se encontrar disponível um serviço de informação permanente na Instituição, por um (1) participante.
“A possibilidade de existência de um canal próprio em que 24 horas por dia, que a gente tenha acesso, tal como acontece para o público em geral lá fora (...)” E18
“Porque isto, andamos aqui, são dezenas de pessoas a trabalhar, ou centenas e o risco que temos visto é de doentes permanentemente a entrar, seja pela urgência, seja através da consulta, lidamos com esse tipo de doentes portadores de riscos e penso que um canal próprio, penso que não seria errado.” E18
Um (1) dos entrevistados manifesta a importância de um mecanismo oficial que proteja os profissionais de saúde no caso de seroconversão.
“Porque o próprio Ministério, não aceita que nós somos um grupo de altíssimo risco, (...)” E9
“(...) haver um mecanismo que nos defenda em caso de uma situação de contágio, (...)” E9
Da mesma forma, dois (2) participantes explicam que um dos comportamentos adoptadas após a exposição microbiológica é o ter mais calma nas suas práticas diárias, privilegiando a segurança.
“(...) apesar de ter uma carga de trabalho (...) [tento] pelo menos andar mais calma.” E17
No entanto, é referido em duas (2) entrevistas, a memória da sua exposição microbiológica acidental faz com adoptem medidas de prevenção na prestação de cuidados diários, especialmente a doentes de risco.
“(...) em cada situação, mais em que tive doentes de risco recordo-me sempre do acidente que tive e sem dúvida e (...) procuro mais ainda do que antes, ter algum cuidado.” E18
Neste âmbito, treze (13) participantes consideram não saberem que outras
medidas adicionais adoptar para além das que naturalmente utiliza para evitar as suas exposições.
“No caso, não estou a ver que medidas adicionais, porque nós já íamos tomando...como já sabia que o doente era um doente infectado, (...)” E16
“Não, acho que foi mesmo acidente, foi um acidente incontornável digamos assim (...)” E6
6.3.3. Área temática 3: Conhecimento dos Profissionais de Saúde sobre o