4. Apresentação e Discussão de Dados
4.1. Política de Oficialização da Língua Portuguesa
4.1.4 Controlo do Projeto da Oficialização da LP na UNTL
O controlo é o processo de observar a implementação de todas as atividades organizacionais para garantir que todo o trabalho está a ser realizado de acordo com um plano predeterminado. O referencial do controlo é um plano, por isso se diz que o planeamento e o controlo são dois lados da mesma moeda. Com a implementação da função de controlo, espera-se alcançar a eliminação de desvios; motivar atividades organizacionais para atingir as metas; corrigir erros; aumentar as responsabilidades;
obter feedback; medir a competência do pessoal envolvido. No controlo, é necessário utilizar os métodos e as técnicas de monitorização, os quais são: observação ao vivo;
relatório; métodos estatísticos. Existem sete técnicas de monitorização, os quais são:
monitorização de desvios proeminentes; controlo de despesas; controlo de uso de tempo; controlo do uso de matérias primas; controlo de produtividades; controlo de pessoal, especialmente o pessoal-chave; controlo financeiro; e controlo de procedimentos e processos, bem como outros aspetos técnicos.
Segundo Allan G. Johnson (1997:176), “além da política é usada pela sociedade, tanto nos sistemas sociais como no processo de tomada de decisões coletivas com o objetivo de produzir leis e normas que guiem a sociedade”. Segundo o autor, a política serve também para organizar e controlar os comportamentos dos indivíduos que integram uma sociedade de forma a alcançar prosperidade comum, sendo esta uma meta predeterminada. Geralmente, a política é sempre realizada por instituições estatais que, de acordo com o espírito das leis de Montesquieu são constituídas por instituições de carácter executivo, judicial e legislativo. Cada uma destas instituições detém uma autoridade limitada conforme as normas acordadas.
Para Theodore J. Lowi (1992), a política é levada a cabo por um órgão executivo chamado governo – um grupo de indivíduos que detém o poder executivo superior na administração e que entra em ações governamentais do interesse das pessoas governadas. A política também é compreendida como uma arte na qual os detentores
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devem possuir capacidades para criar obras de qualidade que posteriormente serão avaliadas em termos de refinamento, beleza, função, forma e significado transmitidos por essas obras.
Quando a política é vista a partir da arte, esta não inclui apenas as atividades humanas de como criar obras visuais, de áudio ou performances que expressam a imaginação, ideias ou a técnica subtil do criador, para ser apreciada pela sua beleza ou força emocional, mas inclui também o seu planeamento, organização, atuação e o controlo de todas as atividades realizadas pela comunidade.
Para que ocorra progresso e evolução na sociedade, as instituições políticas estatais devem ser fortes e conservar uma capacidade determinante para exercer controlo limitado sobre as pessoas na sua esfera de influência, a fim de criar flexibilidade, harmonia e sustentabilidade na vida compartilhada.
Embora seja associado com mais frequência à instituição do governo nos níveis nacional, regional e comunitário, o conceito de política pode ser aplicado virtualmente a todos os sistemas sociais nos quais o poder representa um papel importante. Pode-se, por conseguinte, fazer perguntas sobre a política de vida familiar e da sexualidade, a
“política” de escritório, a política universitária ou mesmo a política da arte e da música.
Este último argumento tem importância especial porque chama a atenção para o facto de todos os sistemas sociais terem uma estrutura de poder, e não apenas aqueles cuja funções sociais são formalmente definidas em termo de poder.
Karl Marx (1998), utilizou o conceito de poder com relação às classes sociais e sistemas sociais, e não a indivíduos. Para Karl Marx (1998), o poder tem origem nas classes sociais, especialmente nas relações de produção, como por exemplo, no controlo dos meios de produção pela classe capitalista. De acordo com esta perspetiva, a importância do poder reside não nas relações entre indivíduos, mas sim no domínio e subordinação das classes sociais, baseadas nas relações de produção.
O poder individual não associado à ocupação de um status social é denominado de poder pessoal. Este define-se como a capacidade de influenciar ou controlar outras pessoas, tendo por fundamento caraterísticas individuais como a força física ou a habilidade de argumentar de forma convincente. Entre as várias formas de poder, o poder pessoal é sociologicamente o menos importante, uma vez que tem menos a ver com os sistemas sociais e as suas caraterísticas inerentes.
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Talcott Parsons (1966), afirma que o poder não é uma questão de coerção ou domínio social, mas, sim, algo que se origina a partir do potencial dos sistemas sociais em coordenar atividades humanas e recursos, a fim de atingir objetivos. Nesta perspetiva, por exemplo, o poder do Estado assenta num consenso de valores e interesses, em nome dos quais ele age com vista a produzir benefícios máximos para todos.
As questões sociológicas fundamentais sobre o poder têm como foco a maneira como este se encontra distribuído nos sistemas sociais, desde pequenos grupos democráticos baseados no consenso, a organizações formais burocráticas e sociedades organizadas em torno do autoritarismo político. Deste ponto de vista, o poder é uma componente importante da estratificação social, tanto como recurso quanto como recompensa, desempenhando um papel relevante na desigualdade e no conflito.
Para que uma sociedade se torne disciplinada e obediente face às decisões tomadas pelo Estado, é necessário geralmente impor todas as normas e regulamentos como forma de controlo social. Somente assim os indivíduos que compõem uma sociedade colocarão em prática os seus direitos e obrigações como cidadãos. Porém, antes de tudo, o governo como braço executivo do Estado deve em primeiro lugar, disseminar a importância do projeto aos cidadãos.
Muito mais importante é o processo de socialização, mediante o qual as pessoas se identificam progressivamente com o sistema social e os seus valores e normas. Dessa maneira, adquirem interesse na manutenção dos mesmos, bem como o sentimento de pertença ao sistema. O medo de exclusão, por exemplo, constitui um motivo poderoso para se conformarem, assim como o risco de passar por alguma vergonha. É também importante o induzimento de culpa, conseguido através da internalização de padrões morais durante a socialização. Subjacente a tudo isso, há uma crença fundamental em que os sistemas sociais e as suas normas são legítimos e, por conseguinte, de cumprimento obrigatório por todos e como propriedade pertinente a todos.
O controlo deve ser efetuado pelo governo mediante a verificação de dados, processos, funcionamentos, produtos documentais e o cumprimento de normas pré-estabelecidas. Neste caso, o governo deve usufruir dos meios pertinentes que lhe permitam controlar a execução de atividades dos subordinados. O governo deve criar
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determinadas medidas e utilizar essas medidas para limitar ou estimular os programas a serem implementados.
O controlo pode também ser definido como um processo que possibilita o normal funcionamento de uma atividade desde o seu início até ao seu fim. Em termos administrativos, o processo é definido como uma sequência de atividades realizadas tendo em vista a obtenção de sucesso, desde o início de um plano até aos resultados tangíveis alcançados como produto final. Conceitos mais modernos relacionados com o termo “processo” são sincronismos entre insumos, atividades, infraestruturas e solicitações de adição de valor ao ser humano.
Allan G. Johnson (1997) salienta ainda que o controlo se refere à forma pela qual o pensamento, sentimento, aparência e comportamento das pessoas são organizados nos sistemas sociais. Até certo ponto, o controlo é realizado através de várias formas de coerção, desde a capacidade dos líderes para limitarem fisicamente as pessoas que eles levam à autoridade até à punição de indivíduos que se provaram culpados de violar normas e regras determinadas em conjunto e aplicadas em obediência mútua.
O que não é possível considerar razoável na reintrodução e oficialização da LP em Timor é o facto de o Estado não traçar políticas de “harmonização” como propõe Allan G. Johnson (1997:54), quando define o controlo como “as maneiras pelas quais os pensamentos, sentimentos, aparências e comportamentos são organizados pelo Estado”. Verifica-se a ausência do Estado na intensificação e no uso constante da LP pelos próprios políticos em espaços públicos.
Na pesquisa e observações, foram encontrados factos relativos à ausência de supervisões por parte da UNTL como órgão governamental mais próximos da comunidade académica. Este órgão deve desempenhar papel de controlo das atividades e comportamento da comunidade académica para que a adoção e a aprendizagem da LP sejam consistentes. A falta de supervisão dos académicos na prática do português causa uma estagnação no desenvolvimento da LP tal como é realçado pelos entrevistados do modo seguinte:
A liberdade de colocar em prática a língua e cultura é um direito fundamental de qualquer cidadão. Porém, para desenvolver o português como língua oficial do país onde durante dezoito anos desde a sua adoção não se desenvolveu bem como foi expectado, a comunidade deve ser conduzida, orientada com a maior frequência possível, para que possa adquirir gosto em aprender e usar constantemente o português, tornando-se assim num hábito e parte da cultura dos Timores no futuro.
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A ausência de controlo por parte do governo no que concerne à progressão da LP é caracterizada por uma ligeira coerção ao público e à comunidade académica em particular sobre a práticas de LP nas suas atividades quotidianas. A falta de coerção contribui, de facto, para o lento progresso experienciado pela LP no país nestes últimos vinte anos. No exercício das suas funções públicas, os órgãos competentes devem dispor do poder que Max Weber apud Allan G. Johnson (1997:54), descreve como "a capacidade de controlar indivíduos, eventos ou recursos e fazer com que aquilo que uma pessoa quer aconteça", a definição que as feministas chamam de "poder sobre"
destinada a controlar as pessoas e eventos. De acordo com o autor, este poder também pode ser usado de maneira mais subtil e indireta quando "um governo nega ajuda financeira aos pobres, bem como crenças moldadas e valores de outras pessoas que usam o controlo sobre os meios de comunicação ou instituições educacionais”, Max Weber apud Allan G. Johnson (1997:54).
Para controlar satisfatoriamente as políticas e as atividades da sociedade, Allan G.
Johnson (1997:177-178), sugere que o governo deve alcançar um poder confiável.
Segundo o autor o poder é classificado em duas partes, que se traduzem em: “poder-sobre” e o “poder-para”. O “poder-“poder-sobre” é aplicado em sistemas sociais organizados hierarquicamente, onde esse poder é considerado pelo autor “como uma substância ou recurso que indivíduos ou sistemas sociais podem possuir”. Este poder pode ser conservado pelo detentor do poder e posto em prática nas relações antagónicas, provocando conflito entre aqueles que o têm e os que não o têm.
Segundo Allan G. Johnson (1997:177), a autoridade define-se como o poder associado à posição de um indivíduo num status social dada pelo Estado ou pela comunidade. No sentido mais simples, é uma forma legítima de poder do indivíduo, de acordo com as normas sociais estabelecidas. Para além disso, o portador da autoridade deve conquistar o apoio do seu superior e a obediência da comunidade que é liderada.
Na pesquisa e observação sobre a reintrodução e oficialização da LP em Timor, verificou-se que instituições governamentais como a UNTL e todas as suas faculdades subordinadas não desempenham uma autoridade adequada, conforme o que é sugerido por Johnson. Não existem supervisões constantes e orientadas para a implementação
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de cursos de LP e para o uso da LP por parte da comunidade académica, tanto no contexto de aprendizagem, bem como no interesse e na prática da língua.
A reinstalação e oficialização do português em Timor parece carecer de um poder adequadamente coercivo e legítimo e uso de força arbitrária. A questão coerciva foi colocada pelos entrevistados do modo que a seguir transcrevemos:
Para que o português seja aceite e desenvolvido em Timor, os métodos coercitivos precisam de ser implementados. Basta olhar para o exemplo do galo que, se for amarrado será manso, se for libertado fica selvagem. Tal como sucedia no antigo sistema de ensino, os alunos eram punidos e obrigados a falar apenas português no ambiente escolar. O emprego da LP era obrigatório no atendimento das necessidades administrativas nos escritórios do governo. Todos os funcionários falavam português obrigatoriamente nos atendimentos administrativos e os resultados revelaram que, mesmo em quantidade, os usuários do português na época não eram avançados e em termos de qualidade, o português desenvolveu-se adequadamente em Timor. O método coercivo era muito útil e ainda nos parece relevante para o desenvolvimento do português neste país.
O modelo de preservação da LP em Timor deve ser projetado com o objetivo de conquistar o interesse dos timorenses. Tal como sugere Allan G. Johnson (1997:177), o governo pode exercer o seu poder como é feito pelos "países conquistadores sobre as conquistas ou pelo valentão aos fracos". Embora o uso da força seja muito instável e mesmo o governo mais autoritário não o use sem a legitimidade do Estado.
O Governo, por meio do da UNTL, deve monitorizar e punir aqueles que não pratiquem a LP nos seus espaços de trabalho e estudo. É necessário promover a intensidade, continuidade e rigor do uso da LP por parte dos líderes da UNTL, Faculdades e departamentos como pioneiros da prática do português em todos os espaços públicos.
Além do mais, os meios de comunicação social devem ser desempenhados em português. Os Timores devem ser conscientizados de que a utilização parabólica de televisão da Indonésia que transmite os programas em bahasa impede o avanço da LP e trocando-as pela transmissão de programas do Brasil e de Portugal. Estes são atos concretos e exemplares que podem permitir a promoção do português neste país, assim como o seu rápido avanço.
Uma aplicação rigorosa de uma política que obrigue os cidadãos a usar português sem exceção e em todos os níveis da convivência social é necessária. Os encontros formais, como por exemplo, nas escolas, reuniões, palestras, seminários, entre outros, devem ser obrigatoriamente em português.
Não existe um controlo permanente sobre as políticas de promoção de graus dos funcionários em todos os departamentos da UNTL. Estas promoções deveriam, então, ser baseadas nos conhecimentos linguísticos de português. Para além disso, as bolsas
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de estudo concedidas deveriam ser orientadas no domínio do português, proporcionando, assim implicações positivas no avanço do português em Timor.
Aqueles que apreendam, saibam e pratiquem bem a LP, deveriam ser privilegiados e premiados. Somente assim seria possível criar um ambiente competitivo e estimulador, na medida em que, aqueles que ocupem cargos políticos devem esforçar-se e promover a sua capacidade de expressão em português e seguidamente promover o progresso da LP em Timor.
Não existem estudos de viabilidade e continuidade de avaliação pelo governo relacionados com a política da adoção da LP em Timor. Por conseguinte, esta é outra questão que merece ser abordada no estudo. Os informadores-chave destacam este assunto da seguinte forma:
Não existe um estudo de viabilidade e avaliação constante realizado pelos políticos no que diz respeito à implementação de cursos de língua portuguesa. Revela-se essencial estudar os Timores e as suas personalidades a fim de saber ou encontrar um modelo adequado de aculturação do português em Timor-Leste. Para isso, é necessário haver comunicação entre os portugueses e timorenses. O curso de língua portuguesa realizado pelo governo e direcionado aos docentes da UNTL é um projeto. É um projeto para criar emprego e ganhar dinheiro, especialmente os envolvidos como realizadores. Os criadores do projeto que ganham com a política da língua portuguesa. Se considere o curso da língua portuguesa como um bom programa. Eu acho que em um ou dois anos do curso, os participantes já possuem um conhecimento avançado nesta língua.
Pior ainda, não existe um monitoramento dos cursos de LP, visto que ocorriam somente durante dois a três meses e depois prosseguiam apenas no ano seguinte por mais três meses, e assim por diante. Desta maneira, o avanço da LP em Timor-Leste não é considerado razoável, tal como relatam os entrevistados da seguinte forma. “Não há uma execução contínua do curso de LP. O método de realizar e parar o curso não resolve absolutamente nada a progressão do português neste país”.
Não há vigilância por parte das autoridades competentes no que diz respeito à gestão do andamento dos cursos, usos e práticas do português, o que contribui permanentemente para a estagnação do idioma no país do sol nascente, mesmo que o projeto de reintrodução da LP tinha sido implementado desde 2000 mediante a alta mobilização de recursos financeiros e humanos dos países cooperantes como Portugal e Brasil.
Não há atividades de controlo que vêm gradualmente das autoridades como MESCC e UNTL, ou seja, os subordinados destes como INL ou Controlo da Qualidade Interna que vigiam os docentes e estudantes que não usam o português nas atividades
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letivas. Existe uma omissão extraordinária face aos esforços de restauração do português como idioma oficial deste país.
Não há controlo no uso obrigatório da LP na UNTL, Faculdades e Departamentos adjacentes, tal como é possível observar nos documentos oficiais produzidos por esta instituição académica. Sobre este assunto, transcrevemos os pareceres de um dos entrevistados:
Não há controlo rígido dos superiores da administração da UNTL e devemos ser honestos e declarar que nos documentos oficiais da faculdade, na maioria das vezes, usa-se sempre tétum. Poucos documentos são escritos em português. As cartas dirigidas às instituições externas da Universidade são normalmente escritas em português. As correspondências internas são escritas em tétum.
O controlo não chega até às faculdades onde existe a livre comunicação entre academistas no uso de tétum e outras línguas estrangeiras. Não existem práticas linguísticas portuguesas por parte da sociedade académica ao redor das faculdades ou nos departamentos. Observa-se a inexistência do emprego do português em todos os ambientes e circunstâncias relacionadas com as atividades letivas nas salas de aula. Os docentes e estudantes usam o tétum como principal língua de comunicação. As observações detetam que, “não houve indivíduos ou grupos, tanto docentes quanto estudantes que falem, conversem ou pratiquem português”.
É sugerido às instituições competentes aplicarem algumas restrições nas comunicações privadas e lecionações para que apenas permitam o uso da LP na UNTL como instituição de ensino superior público. De modo mais restrito, a faculdade deve estabilizar o centro de controlo da LP, quando é possível de forma a manter em ordem o emprego do português dos docentes e estudantes. Caso seja aplicado um controlo máximo do uso de português nas salas de aulas e nos arredores da Faculdade, poderá acontecer um autodesenvolvimento da LP dos docentes e estudantes e simultaneamente um progresso no hábito de dialogar em português, bem como a sua progressividade no território. Além do controlo efetivo do uso da LP nas atividades letivas, a UNTL e as faculdades devem continuadamente realizar cursos de português direcionados tanto a docentes como a estudantes.
A falta do controlo nas práticas é quotidiana. Porém, segundo a política e as diretrizes da UNTL como única universidade estatal, já se deveria lecionar em português desde 2012, o que contraria a realidade na qual, na maioria das vezes, os docentes continuam a lecionar em tétum. A razão básica apresentada pelos docentes revela que
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o tétum é uma das línguas oficiais de Timor-Leste conforme a CRDTL. De facto, este é um assunto sério que não foi previsto com antecedência pelo Órgão Constituinte em 2002 na preparação da CRDTL, visto que, essas duas línguas são reconhecidas conjuntamente como LO do país, permitindo que o tétum, língua franca dos Timores há muito tempo continue a ser utilizado.
A falta de controlo das práticas quotidianas da LP causa as incapacidades apresentadas pelos estudantes no domínio e uso da LP. Porém, os estudantes que são alvo de pesquisa, tinham praticado o português desde os primeiros anos de escolaridade (em escolas primárias e secundárias). Esses estudantes apresentam dificuldades nas aulas por não possuírem um bom domínio da LP. Os estudantes são passivos nas salas de aulas quando os docentes utilizam o português nas lecionações. Com base nas observações, não há participação ativa dos estudantes, na medida em que os estudantes não perguntam, respondem ou interagem ativamente.
A falta de controlo da prática do português na UNTL nota-se até na Faculdade onde a pesquisa foi feita, como nos casos dos docentes designados como “transversais”
da LP, especialmente nas preparações dos conteúdos didáticos, como dossiers, programas e livros de referências. Segundo os entrevistados, os dossiers, programas e os restantes materiais são preparados autonomamente pelos docentes sem serem posteriormente apresentados aos departamentos para serem avaliados. Além disso, não existe um currículo sobre os conteúdos apropriados o que obriga os docentes a lecionarem nos departamentos de forma improvisada por eles mesmos.
O controlo está também ausente nos fornecimentos e estabelecimentos de infraestruturas como é apontado nas observações, tal como o facto de não haver biblioteca, mediatecas e salas de aula. A isto acrescentam-se as precárias condições das mesas, cadeiras, projetores, quadros brancos, marcadores e essencialmente os livros. O número de estudantes em cada sala ultrapassa os cinquenta a cem, uma média de 3 estudantes numa mesa. Este fator também influencia brutalmente a aprendizagem da LP no país. Tudo isto indica a falta de seriedade e controlo por parte do governo timorense relativamente ao programa de reintrodução do idioma no país.
Na Faculdade, existe uma falta de controlo e monitorização dos estudantes que praticam o português nas aulas. Os estudantes não praticam português na aula, carecem de habilidades de leitura, pronúncia e conversação em português. Há estudantes que