6 LEVANTAMENTO COM OS COORDENADORES DE PROJETO
ATRIBUIÇÕES DO COORDENADOR
6.4.13 Coordenador de projeto: engenheiro ou arquiteto?
Entre os coordenadores, no que se refere à formação profissional de um coordenador de projetos, há o grupo que defende os engenheiros e os que defendem os arquitetos, conforme seja a formação do entrevistado. No grupo de coordenadores que defendem a formação em arquitetura, abre-se uma discussão paralela quanto ao agrupamento das funções coordenador e projetista arquitetônico do empreendimento. Para alguns coordenadores deste grupo são duas funções muito distintas, onde poucos têm capacidade em realizá-las, já que exige tempo e esforços duplicados do profissional, conforme comentam os coordenadores de projetos das empresas D e I:
A atribuição do arquiteto é a criação do produto, gerar o projeto arquitetônico, isso já é uma atividade bastante intensa e ele não trabalha só com um projeto. Pelo mercado, a gente vê que esse pessoal está envolvido com vários, já tem uma certa dificuldade de atender a demanda dos seus projetos de arquitetura, não tem perícia técnica suficiente o arquiteto de mercado, não sei um arquiteto que tenha um outro tipo de formação, tenha muita visão de obra, tenha construído muito, senão, não tem perícia técnica para desenvolver isso, porque é bem mais difícil do que se possa imaginar, não é somente colocar uma planta em cima da outra e vê se ficou fora, acertar, tem muitos detalhes. [...] se fosse um projeto isolado, mas para quem tem como objetivo profissional, a visão de negócio que é produzir em escala, seqüências de projeto de arquitetura, seqüências de projeto de estrutura, seqüências de projeto de instalações, nunca pára essa atividade, então como esse arquiteto vai desenvolver as demais se já deve está sendo chamado para gerar um outro arquitetônico lá na frente. Acho muito difícil.
O arquiteto não tem capacidade de fazer isso, a não ser que ele se desenvolva essa capacidade, mas inicialmente só por ser arquiteto ele não tem a mínima capacidade. Ele só pensa no projeto dele. Como ele está comprometido com a arquitetura dele, de repente ele não vai buscar uma melhor solução para os outros.
Alguns coordenadores citam algumas vantagens para aqueles que projetam e coordenam simultaneamente. O coordenador sempre está na empresa, então, a questão do feedback da obra é facilitada, algo que o projetista arquitetônico contratado por si só normalmente não tem. O contato freqüente com a equipe da obra facilita a elaboração do projeto, principalmente em relação a aspectos de construtibilidade e o conhecimento dos objetivos da empresa sobre os empreendimentos. Para o coordenador da empresa H a formação em arquitetura não acumula as
qualidades necessárias para a coordenação dos projetos, mas ressalta que na falta desse profissional formalizado nas empresas, o que de fato é bastante comum nas pequenas construtoras, o projetista de arquitetura é um dos profissionais mais indicados, embora o engenheiro executor seja aquele melhor preparado:
Do projeto como um todo, eu acho que não. Ele pode até na falta de uma pessoa para fazer ele é o profissional talvez que tem mais contato com os outros projetistas, o arquiteto tem mais contato com a estrutura, com de instalações. Mas eu ainda acho que o melhor para fazer isso, se não tiver um especialista, é o engenheiro que vai executar a obra, que tem a experiência na execução de obra, porque toda essa dificuldade, todo esse trabalho focado na compatibilização de projeto é para tu não ter problema na obra, porque dizem, lá na Encol diziam que 80% dos problemas que tu tem são originados do projeto, no pós-obra, dificuldades da execução, esperas nos lugares errados, uma série de coisas.
Ainda de acordo com esse grupo, coordenadores com formação em engenharia carecem de paciência, da falta de uma visão mais precisa dos projetos e da questão estética para conduzir o processo: “[...] ele [o engenheiro] é um profissional super importante só que muitas vezes mais dentro de obra, projetando a parte mais do estrutural, ou elétrico, ou coisas que exigem outras habilidades.”. Já os coordenadores que defendem a formação em engenharia para a função são unânimes ao afirmar que os coordenadores arquitetos não têm uma visão sistêmica do empreendimento, principalmente do processo construtivo que é o objetivo a que o projeto deve alcançar. A construtibilidade e a otimização dos projetos são fatores freqüentemente ressaltados, que deixam a desejar nos arquitetos, conforme destaca o coordenador da empresa E:
Eu acho que quando eles pensam em coordenação de projetos, eles pensam na coordenação do projeto de arquitetura, porque onde envolve gás, projeto de incêndio, ar-condicionado, escada pressurizada, tu tens elétrica, hidráulica, telefônico, impermeabilização, tem muitas coisas que muitas vezes o arquiteto desconhece, a não ser um arquiteto muito experiente em obra.
Alguns coordenadores desse último grupo, os arquitetos carecem de uma maior conhecimento multidisciplinar durante a própria formação, por isso tem mais dificuldades em entender as interfaces entre os diversos sistemas, conforme comenta o coordenador da empresa D:
Hoje em dia, a parte de instalações desenvolveu muito nas possibilidades, hoje a gente tem equipamentos diversos, a parte hidráulica, elétrica, eletrônica, tem que ter uma previsão muito grande e aí focar com a estrutura e estrutura tem que prevê as passagens, isso demanda muita atenção e um arquiteto não tem isso, isso não faz parte nem do curso de formação do arquiteto.
O coordenador da empresa G vai mais além na defesa dos engenheiros, destacando a atividade de compatibilização dos projetos que é uma atribuição dos coordenadores:
Eu não vejo com domínio no processo para fazer isso. Eu não contrataria o arquiteto. Já tive uma experiência com um arquiteto que foi contratado para fazer isso. Para fazer coordenação precisa ter feito alguma coisa. Já contratei empresas para compatibilizar, não agregou, não mudou, tu pega a obra para compatibilizar, duas obras que eles compatibilizaram e duas obras compatibilizadas por nós, não senti ganho de solução de problemas, obras que normalmente, são uma e outra igual, eu não vi.