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Da penhora e da conversão do arresto nesta

Capítulo I: A SUCESSÃO TRIBUTÁRIA EM GERAL

4. A sucessão nas dívidas tributárias subsidiárias

4.6. Dos termos subsequentes

4.6.1. Da penhora e da conversão do arresto nesta

A penhora consiste numa apreensão de bens do devedor em sede de execução para cujo produto da venda ou quando em valores monetários sirva para o pagamento dos créditos do exequente.

O executado poderá ter o direito de nomear bens à penhora, quando o órgão de execução fiscal o autorize, por daí não advir qualquer prejuízo, todavia, normalmente, a penhora começa pelos bens cujo valor pecuniário seja de maior facilidade na respetiva realização. Quando esta seja manifestamente excessiva, não obedecendo ao princípio da proporcionalidade ou quando seja

efetuada em bens próprios do herdeiro356, o meio mais adequado para reagir, (não ignorando

porém outros meios possíveis e já referidos supra – vide in 4.4.5 : Providência Cautelar não

355 Cf. Acórdão do STA de 23 de Fevereiro de 2013, no Proc. N.º 884/11, disponível em

http://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/c0d724fd9fa9f813802579bc004f928b?OpenDocument&ExpandSection=1

&Highlight=0,pagamento,por,terceiro,direito,de,regresso#_Section1, [05.10.2014].

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especificada a favor do contribuinte- com o especial carácter residual que enunciámos), será a reclamação do ato nos termos do artigo 276.º e seguintes do CPPT, sendo a subida desta imediata

(art. 278.º, n.º 2, al. a), 2.ª parte do CPPT)357.

Vimos defendendo que a penhora nos bens do revertido depende da excussão do património do devedor originário, dos devedores solidários e seus sucessores e que tal só se obtém com a venda de todos os bens destes na execução. Pelo que quando este princípio foi cumprido aquando da reversão, após o prazo de 30 dias da citação, os bens deixados pelo falecido serão penhorados na quantia da dívida exequenda.

Caso se citem os sucessores do devedor subsidiário sem observado tal benefício a favor destes, a Administração Tributária terá ao ser dispor alguma das providência cautelares, mormente

o arresto358, justificado pelo justo receio na ocultação ou alienação de bens deixados pelo de cujos.

Assim, quando haja sido lançado arresto, ele converter-se-á em penhora assim que a execução deva prosseguir em relação aos sucessores do devedor subsidiário, na medida em que, da liquidação do património do devedor originário e solidário e sucessores, não foi possível o pagamento da totalidade do débito tributário. De facto, esta providência cautelar tem um vínculo estrito funcional com a penhora (por também consistir numa apreensão jurisdicional de bens), pelo que nos cumpre, sobre esta, umas breves palavras.

4.6.1.1. Do arresto contra os devedores subsidiários

O arresto, in casu, requerido junto do tribunal tributário competente, carece da prova de

justo receio359 de insolvência ou de ocultação ou alienação de bens, contudo esta é presumida nos

casos de substituição tributária quando haja retenção sem correspondente entrega do montante ou nos casos de repercussão a terceiros estando em dívida.

Mas não só ao longo do processo de execução ele pode ser decretado. O arresto tanto pode ser decretado antes da instauração do processo de execução fiscal, como em sede do processo

357 Cf. JORGE LOPES DE SOUSA, Código do procedimento…op.cit., vol. III, pág. 589; e Acórdão do STA de 20 de Outubro de 2004, no Proc. N.º

979/04, disponível em

http://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/431bc5acafd418cb80256f3b003eb7eb?OpenDocument&ExpandSection=1

#_Section1, [01.10.2014].

358 Referimo-nos ao arresto na pendência do processo de execução fiscal, na medida em que este também é um meio cautelar instaurado antes da

execução.

359 Sobre o pressuposto do justo receio e sua fundamentação probatória factual e objetiva, assim como os modos de reação à providência cautelar

de arresto decretada, Cf. Acórdão do TCAN de 20 de Setembro de 2013, no Proc. N.º 1252/12.9BEPRT, disponível em

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de execução fiscal como forma de garantia dos créditos da Fazenda Pública, uma vez patente, como referimos supra, o justo receio da diminuição de garantia de cobrança dos créditos

tributários e o tributo estar liquidado ou, no primeiro caso, estar em fase de liquidação360.

Claro está que, desde logo, se questiona a oportunidade de tal providência, tendo em conta que a responsabilidade tributária é própria de uma fase patológica da vida do tributo que, anterior à instauração do processo de execução fiscal, não existe. Aliás, a responsabilidade só se efetiva através da reversão, e esta é própria e incidental do processo de execução fiscal por insuficiência do património do executado originariamente.

Como refere acórdão do TCAS, para que haja arresto anterior ao processo de execução fiscal, é necessário que “o requerente (Fazenda Pública) alegue e prove, ainda que sumariamente (pois que estamos no domínio de um procedimento cautelar), factos tendentes a demonstrar que se encontram reunidos os pressupostos legais para esse chamamento à luz das normas que

estabelecem a responsabilidade subsidiária por dívidas tributárias”361, sendo necessário o

cumprimento dos requisitos cumulativos dos artigos 153.º, n.º 2 do CPPT, relativos à inexistência ou fundada insuficiência de bens do devedor originário, solidário e sucessores destes e, ademais, 24.º e seguintes da LGT respeitantes à imputação da responsabilidade subsidiária tributária. Tais

requisitos serão ainda adicionados aos vertidos no artigo 136.º, n.º 1 do CPPT362.

Só mediante o preenchimento de todos estes requisitos e análise do caso concreto, poderá a Administração Tributária ver a providência cautelar a seu favor ser decretada.

360 Cf. Arts. 136.º, n.º 1, al. b) do CPPT.

361 Cf. Acórdão do TCAS de 21 de Maio de 2013, no Proc. N.º 6620/13, disponível em

http://www.dgsi.pt/jtca.nsf/170589492546a7fb802575c3004c6d7d/572a5d120eb9739080257b7800471b3b?OpenDocument,

[23.09.2014].

362 Também neste sentido, Cf. Acórdão do STA de 10 de Março de 2011, no proc. N.º 126/11, disponível em

http://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/4cea84e1441f128c8025785600404214?OpenDocument, Acórdão do

TCAN de 20 de Março de 2006, no proc. N.º 1612/05.BEVIS, disponível em

http://www.dgsi.pt/jtcn.nsf/89d1c0288c2dd49c802575c8003279c7/5a4310baa6f5de288025715c002fada8?OpenDocument, e Acórdãos do

TCAS de 12 de Janeiro de 2010, no Proc. N.º 3687/09, disponível em

http://www.dgsi.pt/jtca.nsf/170589492546a7fb802575c3004c6d7d/6e1c8eceb3d5a67d802576b70053fbb2?OpenDocument, de 7 de Abril de

2011, no Proc. N.º 4668/11, disponível em

http://www.dgsi.pt/jtca.nsf/170589492546a7fb802575c3004c6d7d/edc297bdda7035c88025786f0051a0de?OpenDocument, e de 7 de

Junho de 2011, no proc. N.º 4809/11, disponível em

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Tal providência continua, contudo, discutível, uma vez que é decretada sem audiência da

parte contrária363 e continua a carecer da proporcionalidade em sentido próprio, na medida em

que, a providência recai sobre determinados bens sucedidos ou por suceder, sem liquidez da dívida exequenda em que o devedor subsidiário é chamado. E tais críticas respeitam ao arresto decretado antes e durante o processo de execução fiscal.

Em qualquer dos casos, quando de tal se discorde, os sucessores do devedor subsidiário poderão reagir de uma das seguintes formas: recorrer do despacho que a decretou, quando entenda que, face aos elementos apurados, ela não devia ter sido deferida; ou deduzir oposição, quando pretenda alegar factos ou produzir meios de prova não tidos em conta pelo tribunal e que

possam afastar os fundamentos da providência ou determinem a sua redução364.

4.6.1.2. Da citação do cônjuge para requerer separação judicial de bens

O artigo 220.º do CPPT dispõe que aquando da penhora nos bens do responsável

subsidiário, por sua responsabilidade exclusiva365366, e na possibilidade de serem penhorados bens

comuns do casal, o cônjuge não responsável é citado para requerer a separação judicial de bens, que terá de ser efetuado no prazo de 30 dias.

Esta citação difere daquela em que o cônjuge é chamado enquanto sucessor do responsável subsidiário, pois naquela o cônjuge é chamado enquanto sucessor, nesta o cônjuge é chamado na sua parte enquanto cônjuge meeiro. Contudo, entende o STA que “[n]ão há lugar à citação do cônjuge do executado para requerer a separação de bens quando, falecido o executado, o seu

cônjuge é já parte na execução, aí intervindo como cabeça-de-casal”, fundamentando que “a

363 Cf. Art. 393.º do CPC.

364 Cf. Art. 372.º, n.º 1 do CPC, por via do art. 139.º do CPPT. Para uma distinção entre a utilização de um ou outro meio de reação, mais uma vez,

Cf. Acórdão do TCAN de 20 de Setembro de 2013, no Proc. N.º 1252/12.9BEPRT, disponível em

http://www.dgsi.pt/jtcn.nsf/89d1c0288c2dd49c802575c8003279c7/ffafa794cd8176e880257bf9002ce304?OpenDocument, [23.09.2014].

365 Sobre as dívidas de ambos os cônjuges, mormente as de IRS, Cf. RUI DUARTE MORAIS, A Execução…, op.cit., pág. 109 e ss.

366 Sobre a incomunicabilidade das dívidas do responsável subsidiário por tal se considerar consequência de responsabilidade extra contratual

(integradas no art. 1692, al.b) do CC) e não ser consideradas presumivelmente dívidas que responsabilizam ambos os cônjuges quando contraídas no exercício do comércio (art. 1691.º do CC), Cf. Acórdão do STA de 24 de Outubro de 2012, no Proc. N.º 558/12, disponível em

http://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/0b33238cdc922be780257aad003d88d7?OpenDocument&ExpandSection=

1&Highlight=0,responsabilidade,do,c%C3%B4njuge#_Section1, e de 9 de Maio de 2012, no Proc. N.º 224/12, disponível em

http://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/c064bfe1a3c64eb080257a00003e73ac?OpenDocument&Highlight=0,resp

onsabilidade,do,c%C3%B4njuge, [25.09.2014]. Conclui-se que por tais dívidas — da responsabilidade de um dos cônjuges — respondem os bens

próprios do cônjuge devedor (ou seja, no caso, do executado revertido) e, subsidiariamente, sendo caso disso, a sua meação nos bens comuns. Mas tal terá de ser exercido por via da separação judicial de bens, pois caso não o faça presume-se que o citado cônjuge aceitou a comunicabilidade da dívida.

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omissão dessas formalidades não terá tido por efeito (..) que o processo executivo tenha corrido à revelia dos sucessores do falecido, pois que, nos termos do artigo 154.º do CPPT, o cabeça-de- casal tem legitimidade para a prática de atos na execução se no decurso desta falecer o

executado”367.

Mais uma vez os direitos de defesa de quem ao falecido sobrevive estão restringidos. Quando a reversão se move contra os sucessores do responsável e o cônjuge sobreviva a tal, este será por via de regra o cabeça-de-casal, pois é a quem incumbe prioritariamente o cargo de administração da herança. Das normas do CPPT, o cabeça-de-casal é quem, maioritariamente,

assegura a legitimidade do executado368, pelo que terá sido citado do andamento da reversão, ou

seja, terá um contacto com o processo até ao tempo em que haja citação para requerer a separação de bens. Pelo entendimento do STA, deste último ato se prescindirá. Não podemos concordar. Mais uma vez o princípio da colaboração é esquecido, mais uma vez a supremacia da Fazenda ignora e prescinde de normativos legais e faz interpretações restritivas. Os atos de citação são diversos: numa é chamado para assegurar a legitimidade do falecido, assim como tem a preocupação de defender o património herdado; outra é para defender o património próprio resultante da meação de bens do casal. A possibilidade de tal aceitarmos seria, somente, no caso de a primeira citação incluir a informação que a segunda quer transmitir, isto é, além de fundamentar com os factos constitutivos da responsabilidade tributária do falecido e os prazos e meios de reação, deve ainda assinalar o facto de o cônjuge ter oportunidade no prazo estipulado de requerer, à priori, a separação de bens, podendo a execução continuar sobre a sua meação nos bens.

Fica patente ainda que, relativamente à separação de bens, esta é requerida perante

cartório notarial competente369, nos termos e para os efeitos dos artigos 2.º, n.º 3 e 81.º do Regime

Jurídico do Processo de Inventário, com a possibilidade de remessa para os tribunais comuns (nos termos do art. 16.º do diploma citado), e não no tribunal tributário, pois não é um incidente do processo de execução fiscal, sendo, antes, concretizada através de um meio

367 Cf. Acórdão do STA de 12 de Maio de 2010, no Proc. N.º 1244/09, disponível em

http://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/78a3adefe849e0128025772a004f1c88?OpenDocument&ExpandSection=1

&Highlight=0,cita%C3%A7%C3%A3o,sucessores#_Section1, [24.09.2014].

368 Recorde Arts. 154.º e 155.º do CPPT.

369 Será o cartório notarial sediado no município do lugar da casa de morada de família ou, na falta desta, o cartório notarial do município da situação

dos imóveis ou da maior parte deles, ou, na falta de imóveis, do município onde estiver a maior parte dos móveis. Cf. Art. 3.º, n.º 6 do Regime Jurídico do Processo do Inventário.

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processual especial, o inventário, cuja decisão tem efeitos globais no património dos cônjuges,

alterando o regime de bens do casamento, nos termos do artigo 1770.º do CC370. O inventário

implica a suspensão da execução.