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DA PERDA DE COISAS Ou DIREITOS RELACIONA DOS COM O CRIME

No documento SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE. Código Penal (páginas 30-32)

ARTIGO 104.º [Perda de objectos e produtos]

1. são declarados perdidos a favor do estado os objectos que tiverem servido ou estivessem destinados a servir para a prática de um crime, ou que por este foram produzidos quando pela sua natureza ou pelas circunstâncias do caso ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem pública, ou ofereçam sérios riscos de serem utilizados para o cometimento de novos crimes.

2. A perda dos objectos tem lugar, ainda que nenhuma pessoa determinada possa ser criminal- mente perseguida ou condenada.

3. os objectos declarados perdidos a favor do estado a que a lei não fixe destino especial e te- nham valor económico, são vendidos, logo que transitada a decisão final, em leilão anual a or- ganizar pelo juiz presidente do tribunal, devendo o produto da venda reverter para um fundo próprio dos serviços prisionais.

4. se a lei não fixar destino especial aos objectos perdidos nos termos dos números anteriores, pode o juiz ordenar que sejam total ou parcialmente destruídos ou postos fora do comércio ou entregar os mesmos a uma instituição pública adequada.

ARTIGO 105.º [Objectos de terceiro]

1. se os objectos a que se refere o artigo anterior não pertencerem, na data do crime, a nenhum dos agentes do facto criminoso ou seus beneficiários ou já não lhes pertencem no momento em que a perda foi decretada, é atribuída ao respectivo titular uma indemnização igual ao valor dos objectos perdidos, por cujo pagamento os agentes do crime respondem solidariamente. no caso de estes não terem condições de pagar, é devolvida ao estado a responsabilidade pela in- demnização.

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2. não há lugar à indemnização quando os titulares dos objectos tenham concorrido censura- velmente para a sua utilização ou produção ou do facto tiverem retirado vantagem ou ainda após a prática do facto, de modo reprovável os tenham adquirido, conhecendo os adquirentes a sua proveniência.

ARTIGO 106.º [Perda de coisas ou direitos relacionados com o crime]

1. Toda a recompensa dada ou prometida aos agentes do crime, para eles ou para outrem, é perdida a favor do estado. Tratando-se de qualquer vantagem insusceptível de transferência directa, fica o estado com o direito de exigir de quem o recebeu ou se obrigou a pagá-la o valor correspondente.

2. são ainda perdidos a favor do estado, sem prejuízo dos direitos do ofendido ou de terceiros, os instrumentos, objectos ou produtos do crime não abrangidos pelo disposto no artigo 104.º, e os objectos, direitos ou vantagens que, através do crime, hajam sido directamente adquiridos para si ou para outrem pelos agentes e representem vantagem patrimonial de qualquer espécie. 3. se os direitos, recompensa, coisas ou vantagens referidos nos n.ºs anteriores não estiverem em poder dos agentes a perda é substituída pelo pagamento ao estado do respectivo valor, sem prejuízo dos direitos do ofendido ou de terceiros.

4. no caso de alguém responder criminalmente por actuação em nome de outrem nos termos do artigo 12.º e a recompensa do crime e as vantagens dele provenientes aproveitarem à pessoa em nome de quem o facto foi praticado, aplica-se a esta o disposto nos números anteriores para os agentes do crime.

ARTIGO 107.º [Pagamento diferido ou em prestações]

É extensivo às obrigações patrimoniais referidas nos artigos anteriores o regime previsto para a pena de multa nos n.º 5 e 6 do artigo 48.º.

TÍTuLO IV

Da queixa e da acusação particular

ARTIGO 108.º [Titulares do direito de queixa]

1. Quando o procedimento criminal depender de queixa, tem legitimidade para apresentá-la, salvo disposição em contrário, a pessoa ofendida, considerando-se como tal o titular dos inte- resses que a lei especialmente quis proteger com a incriminação.

2. o direito de queixa pertence, salvo se alguma delas tiver comparticipado no crime, ao cônju- ge sobrevivo não separado judicialmente de pessoas e bens; aos descendentes e adoptados e aos ascendentes e adoptados; e, na sua falta aos irmãos e seus descendentes.

3. Quando o ofendido for menor de 16 anos ou não tiver discernimento para entender o signifi- cado do exercício do direito de queixa, este pertence ao seu representante legal e, na sua falta, às pessoas indicadas sucessivamente no nº 2.

4. se, porém, tiver mais de 16 anos o ofendido tem também legitimidade para deduzir a queixa. 4. Qualquer das pessoas referidas nos n.ºs 2 e 3 deste artigo pode apresentar queixa indepen- dentemente do acordo das restantes.

ARTIGO 109.º [Extinção do direito de queixa]

1. o direito de queixa extingue-se no prazo de 6 meses, a contar da data em que o titular teve conhecimento do facto e dos seus autores, ou a partir da morte do ofendido, ou da data em que ele se tornou incapaz.

2. o direito de queixa previsto no n.º 2 do art. 108.º, extingue-se no prazo de 6 meses a contar da data em que o ofendido perfizer 18 anos.

3. o não exercício tempestivo do direito de queixa relativamente a um dos comparticipantes no crime aproveita aos restantes, nos casos em que também estes não puderem ser perseguidos sem queixa.

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4. sendo vários os titulares do direito de queixa, o prazo conta-se autonomamente para cada um deles.

ARTIGO 110.º [Extensão dos efeitos da queixa]

A apresentação da queixa contra um dos comparticipantes no crime torna o procedimento cri- minal extensivo aos restantes.

ARTIGO 111.º [Renúncia e desistência da queixa]

1. o direito de queixa não pode ser exercido se o titular expressamente a ele tiver renunciado ou tiver praticado factos donde a renúncia necessariamente se deduza.

2. o queixoso pode desistir da queixa desde que não haja oposição do arguido, até à publicação da sentença da 1.ª instância. A desistência impede que a queixa seja renovada.

3. A desistência e renúncia da queixa relativamente a um dos comparticipantes no crime apro- veitam aos restantes, nos casos em que também estes não possam ser perseguidos sem queixa. 4. Quando o direito de queixa tiver sido exercido por várias pessoas, tanto a renúncia como a desistência exigem o acordo de todas elas.

ARTIGO 112.º [Participação da autoridade pública]

salvo disposição da lei em contrário, se o procedimento criminal depende de participação de auto- ridade pública, a participação por ela apresentada não pode ser objecto de renúncia nem retirada.

ARTIGO 113.º [Acusação particular]

o disposto nos artigos anteriormente é aplicável, com as necessárias adaptações, aos casos em que o procedimento criminal depende de acusação particular.

TÍTuLO V

Da extinção da responsabilidade criminal

No documento SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE. Código Penal (páginas 30-32)