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Application of the Penalty Provided in the IN 800/2007, Justice or Abuse?

DENÚNCIA ESPONTÂNEA

DENÚNCIA ESPONTÂNEA

A denúncia espontânea, portanto, constitui-se em instrumento de exclusão da responsabilidade em função do cometimento de alguma espécie de ilícito tributário administrativo, inserido no campo do Direito Tributário Penal (não pagamento, emissão irregular de notas fiscais, etc.), devendo o denunciante, para cumprir o desiderato normativo, noticiar à Administração Fazendária da infração, comprovando, se for o caso, o pagamento do débito tributário ou o depósito da importância arbitrada.

A expressão se for o caso e seu alcance, à luz da doutrina e juris-prudência, não deixam dúvidas no tocante à sua hermenêutica.

Duas, a nosso sentir, podem ser as interpretações extraídas a par-tir da leitura da lei: a primeira, a indicar que não apenas as infrações concernentes ao não pagamento do tributo devido podem ser objeto de denúncia espontânea, como também aquelas referentes às obrigações acessórias, ou deveres instrumentais ou formais, tais como o atraso na entrega das declarações do imposto de renda e atraso na inserção de informações no Siscarga; a segunda, a demonstrar que, se a lei dispuser diferentemente, a responsabilidade pela infração tributária poderá ser ilidida sem a efetuação do pagamento do tributo devido, restando para o contribuinte a saída da confissão da dívida e seu parcelamento, sem a necessária imputação de multa moratória cumulada com juros.

A expressão “se for o caso”, incluída pelo legislador no texto do projeto, evidentemente tem de ser interpretada dentro do contexto do

princípio da legalidade, que norteia não apenas o direito tributário, mas todo o ordenamento jurídico nacional, ou seja, de que a denúncia es-pontânea somente terá de ser acompanhada do pagamento de tributos e juros de mora, se a lei expressamente assim o determinar.

Nosso Superior Tribunal de Justiça já tem pacificado entendimento no sentido de que o deferimento de um parcelamento de dívida antes da instauração de um procedimento fiscal caracteriza a denúncia es- pontânea.

EMENTA: TRIBUTÁRIO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PARCELAMEN-TO – MULTA MORATÓRIA – AFASTAMENPARCELAMEN-TO – PRECEDENTES (ERESP 193.530/RS) – A eg. Primeira Seção do STJ já assentou o entendimento no sentido de que, não havendo procedimento administrativo em curso pelo não recolhimento do tributo e tendo sido deferido o pedido de parcelamen-to, está configurada a denúncia espontânea, que exclui a responsabilida-de do contribuinte, tornando inexigível o pagamento da multa moratória.

Ressalva do ponto de vista do Relator. Recurso conhecido e provido. (STJ, REsp 237.841/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, J. 12.03.2002, v.u., DJU 13.05.2002)

Analogicamente, podemos concluir através de um silogismo co-gente que, se o parcelamento deferido antes de um procedimento fiscal é denúncia espontânea, então o registro da DI – Declaração de Impor-tação, seu processamento e posterior liberação da mercadoria também o é!

Resta clara a conclusão no sentido de que, inexistindo qualquer óbice no caminhar natural do processo de importação, o momento de fiscalização já se encontra superado, no tocante à inserção de informa-ção no sistema, portanto, não sendo mais cabível sua instaurainforma-ção.

Hugo de Brito Machado, quanto a este aspecto, é enfático, ao afirmar:

Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da respon-sabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como as infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias.

O cumprimento de uma obrigação acessória fora do prazo legal configura nitidamente uma forma de denúncia espontânea da infração,

e afasta, portanto, a responsabilidade do sujeito passivo. Assim, se al-guém faz a sua declaração de rendimentos fora do prazo legal, mas o faz espontaneamente, porque antes de qualquer procedimento fiscal, nenhuma penalidade é cabível. Lei ordinária que estabelece o contrário é desprovida de validade, porque conflitante com o art. 138 do Código Tributário Nacional.

Nesse pórtico, nada obstante entendermos cientificamente cor-reta a classificação doutrinária entre infrações a obrigações tributárias e infrações a simples deveres instrumentais ou formais, segundo clas-sificação de Paulo de Barros Carvalho. Temos que tal divisão não foi absorvida pelo art. 138 do CTN que, ao prever a excludente de respon-sabilidade pela denúncia espontânea de infração, quis englobar todas as espécies de ilícitos tributário-administrativos, sendo, a título conclusivo, inadmissível qualquer alteração do instituto senão pela via adequada (lei complementar), não podendo o aplicador das normas, ou mesmo as entidades tributantes, criar obstáculos à fruição do direito de autodenun-ciação do contribuinte.

Passamos agora a perlustrar a regra positivada que baliza e norteia o assunto em voga, que caminha no encontro da tese epigrafada.

Dispõe o art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, na redação da Lei nº 12.350/2010 em relação ao seu § 2º:

Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade.

§ 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:

a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria;

b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração.

§ 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de nature-za tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.

No tocante ao procedimento fiscal, este tem seu início muito bem determinado no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972:

Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:

I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;

II – a apreensão de mercadorias, documentos ou livros;

III – o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada.

§ 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passi-vo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.

Destaca-se aqui que o procedimento foi instaurado no ato do re-gistro da DI e já finalizado através da liberação da mercadoria importa-da; portanto, estamos discorrendo sobre um novo procedimento e este meramente arrecadatório.

E, inaplicável também a restrição prevista na alínea b do mesmo decreto-lei, na medida em que inexistentes quaisquer atos de ofício es-critos, praticados por servidor competente antes da prestação das infor-mações, ou de suas necessárias correções, todas elas praticadas por ato espontâneo do contribuinte.

Nem se alegue que a denúncia espontânea alcança somente as multas relativas a impostos devidos, na medida em que o art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, na redação dada pela Lei nº 12.350/2010, deixa estreme de dúvidas que o cumprimento da obrigação exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, alcançando, por conseguinte, a multa aplicada.

CONCLUSÃO

Ressalte-se que, via de regra, o desembaraço aduaneiro ocorre de forma normal, sem a ocorrência de qualquer fato originado pelo atraso ou pela retificação das informações, são recolhidos os tributos devidos na importação na sua integralidade e dentro dos prazos legais, inexis-tindo qualquer situação que possa ser considerada como prejudicial à fiscalização aduaneira, seja em relação à mercadoria, seja em relação aos tributos devidos e adimplidos, não havendo, portanto, qualquer motivo para que não se aplique a ocorrida denúncia espontânea, com o cumprimento da obrigação administrativa antes do despacho aduanei-ro e antes da adoção de qualquer medida administrativa por qualquer Autoridade.

Como vemos, há excessos por parte da Autoridade em exigir qual-quer valor pecuniário a título de pena por descumprimento de prazo, depois de superadas todas as etapas no processo de importação, com registro da Declaração, pagamento dos tributos, fiscalização e liberação da mercadoria. Há, sim, uma vontade exclusiva de arrecadar!

REFERÊNCIA

MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 29. ed. Malheiros, 2008.

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