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Application of the Penalty Provided in the IN 800/2007, Justice or Abuse?

RONALDO MANZO

Advogado (atuante na área do Direito Marítimo, Aduaneiro e Tributário), Pós-Graduado e Mes-tre em Direito, Professor Universitário no Curso de Pós-Graduação da UNIMONTE (em Santos), Instrutor do Grupo NPO e FEMAR – Fundação de Estudos do Mar.

RESUMO: O Governo Federal, através da Instrução Normativa nº 800/2007, transferiu a responsa-bilidade pela inserção das informações sobre as cargas contidas nas embarcações aos contribuin-tes, que não cumpridas ou cumpridas a destempo, gera uma severa penalização. Não bastasse isso, garimpa no passado descumprimentos dessa regra com fito claro e evidente de simplesmente arrecadar.

PALAVRAS-CHAVE: Siscarga; multa do Siscarga; penalidade no Siscarga.

ABSTRACT: The Federal Government, through Normative Instruction nº 800/2007, transferred the responsibility for entering information about the charges contained in vessels taxpayers, not met or met an untimely generates a severe penalty. Not only that, pans past breaches of this rule with clear and evident to simply raise phyto.

INTRODUÇÃO

O Governo Federal, visando a coibir desvios, sonegações, contra-bando e descaminhos, vem com o passar do tempo sempre buscando a excelência na forma de obter informações e processá-las rapidamente, procurando evitar perda de tempo e uma melhor fiscalização sobre tudo que passa pela zona primária.

Com esse intuito, criou o Siscomex, onde informatizou definiti-vamente os procedimentos de importação e exportação, vinculando os pagamentos dos tributos devidos no imediato registro, eliminando de-finitivamente qualquer possibilidade de fraude e falsificação de guias, como eventualmente ocorria no passado.

Caminhando no aperfeiçoamento do sistema para torná-lo total-mente inexpugnável, em 2007, editou a Instrução Normativa nº 800, criando o Siscarga, módulo de controle aduaneiro informatizado de car-ga aquaviária do Siscomex, para controle de entrada e saída de

embar-cações e de movimentação de cargas e contêineres vazios em portos alfandegados.

Agora sob essa égide todos os intervenientes na operação devem fazer sua parte: transportador, cabe informar o veículo e suas cargas;

operador portuário, informar a chegada e saída do veículo (carga e des-carga); consignatário da mercadoria, informar evento AFRMM, endosso eletrônico e vinculação NIC x CE Mercante; depositário, informar a en-trada e saída da carga de seu armazenagem.

Essas informações devem respeitar rigorosamente o seguinte limi-te: ao armador, cinco dias antes da atracação no primeiro porto brasilei-ro, prestar informações quanto à escala das embarcações; aos NVOCCs, 48 horas antes da atracação, quanto ao Manifesto Eletrônico (ME – serão gerados, para cada embarcação, tantos Manifestos Eletrônicos quantos forem as empresas de navegação, os portos de carregamento e descarre-gamento e os tipos de MEs); cinco horas antes da saída do navio: se mer-cadoria correspondente a granel, carga de cabotagem, baldeação carga nacional ou navegação interior (fluvial e lacustre), esse será o prazo para prestação de informações quanto a ME à escala, carga e CE; dezoito ho-ras antes da saída do navio: demais itens.

Qualquer segundo que o responsável ultrapassar no limite previsto na IN 800/2007, o responsável estará incurso nas penalidades “tipificadas”

no Decreto-Lei nº 37/1966, art. 107, inciso IV, alínea e (nova redação da Lei nº 10.883/2003, art. 77), que tem a seguinte redação:

Multa de R$ 5.000,00 por deixar de prestar informação sobre o veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos, aplicada a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga.

Diante desse quadro, não podemos olvidar que, nesse mercado, comprador e vendedor que ficam a milhares de milhas distantes um do outro e tem entre si um verdadeiro exército de pessoas, máquinas e au-toridades, e que para não haver falha deve a operação ser objeto de uma logística muito bem elaborada, sobe pena de se infringir normas ou mesmo gerar despesas extras que corroem o lucro almejado.

Infelizmente, uma realidade se faz presente: a existência de equí-vocos no trânsito de informações e principalmente no fornecimento

dessas às autoridades governamentais, que no passado sempre foram toleradas.

Imaginemos a logística entre comprar, preparar a carga, documen-tos, informações detalhadas sobre classificação de mercadorias, Conhe-cimentos Másteres, Conhecimento Houses, Manifestos, etc. Por vezes, algum número, algum detalhe passava despercebido e posteriormente era corrigido. Sempre buscando levar às autoridades informações corre-tas e precisas, pois a esmagadora maioria de empresas nesse setor é séria e quer cumprir rigorosamente os ditames legais, pagando os impostos e gerando riqueza ao Governo.

Invariavelmente equívocos surgem oriundos da complexidade da operação e de muitas pessoas que passam a informação adiante para que tudo ocorra normalmente.

Como já ressaltado, os agentes de cargas nacionais, empresas es-senciais para o bom desempenho do comércio exterior, preocuparam-se com a adaptação ao Siscarga, e o conseguiram, cumprindo pontualmen-te a colocação de informações detalhadas e respeitando os prazos esta-belecidos na IN 800/2007.

Hodiernamente, já passados sete anos da implantação do sistema é raro haver atraso na inserção das informações e, consequentemente, a penalização por parte do Governo; todavia, desde o início dessa novida-de muitos intervenientes tiveram problemas para se adaptar, tiveram que corrigir muitos procedimentos para que pudessem fazer tudo funcionar conforme determina a regra.

Ocorre que há tempos as alfândegas dos portos vêm fazendo um pente fino e fiscalizando com extremo rigor todas as operações desde o nascedouro dessa nova exigência e, sem sombra de dúvida, vem encon-trando atraso nas inserções das informações.

Falamos de operações que aconteceram a quase cinco anos, ditas operações totalmente limpas, no sentido de que as Declarações de Im-portações foram registradas, os impostos foram adimplidos e as merca-dorias foram vistoriadas, quando não ocorreu o canal verde.

Depois de quatro anos e onze meses os autos começaram a surgir, impingindo a todos uma quantidade de multas impagáveis. Todos os in-tervenientes que estão no mercado desde então são objeto de autuações.

Indagamos da necessidade de se autuar, pois a multa pecuniária serve para “educar” os intervenientes e, assim, cumprir as exigências go-vernamentais. Como fica essa punição se não houve qualquer problema com a operação e tudo transcorreu naturalmente com o recolhimento de todos os tributos?

Mesmo não cumprindo com o que determina a regra, não houve qualquer dano ao Erário, pois mesmo com registro a destempo, ninguém foi prejudicado, seja o Governo, sejam os intervenientes.

Quando do surgimento do primeiro auto, as empresas se movi-mentaram procurando sempre a devida impugnação, em respeito aos ditames do Decreto nº 70.235/1972, tendo como argumento principal a