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E, por último, a nova compreensão é a chegada a um novo começo, a expectativa de que, por meio de atos de ensino racionalizados, o professor alcance uma nova compreensão

1.4. DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES

Para esta subseção, pesquisamos alguns trabalhos (livros, teses e artigos) de teóricos a fim de que os pudéssemos ter como referência para desenvolver esse tema “desenvolvimento profissional” dos professores. Entre esses autores podemos citar: Guimarães (2004); Souza (2006); Garcia (1999); Ponte (1998, 2004); Gama (2007); Imbernón (2001, 2010), entre outros.

Inicialmente, faremos uma definição da terminologia conceitual de “formação” e “formação continuada”, utilizadas, principalmente, em estudos sobre saberes docentes, antes de desenvolvermos o tema proposto nessa subseção.

Guimarães (2004, p.143), em sua tese de doutorado, afirma que a palavra “formação” esteve e continua fortemente associada: à tradição acadêmica; à formação inicial, onde se prioriza o domínio dos saberes disciplinares e das técnicas para transmiti-los; à formação continuada, entendida como forma de atualização das informações e conceitos recebidos na formação inicial, oferecidos em forma de cursos de reciclagem ou de capacitação docente, nos quais são “transmitidos conhecimentos, técnicas ou, tão só, informação, em áreas, assuntos ou disciplinas consideradas importantes para o professor, essencialmente no domínio do conteúdo disciplinar e da didática”.

Já Souza (2006, p.36) acrescenta dizendo que a formação é entendida como um movimento constante e contínuo de construção e reconstrução da aprendizagem pessoal e profissional, envolvendo saberes, experiências e práticas. Deste modo, concluímos que a formação integra a construção da identidade social, da identidade pessoal e profissional, que se inter-relacionam e demarcam a autoconsciência, o sentimento de pertença [...]. Ela resulta das relações que tecemos entre o pessoal e o social, o eu e o outro, o objetivo e o subjetivo, demarcando a definição de si e a percepção interior.

Entende Imbernón (2001) que, na formação, deve-se trabalhar com os professores e não sobre eles. Recuperar leituras e práticas formadoras e analisar se elas não foram sendo modificadas com o tempo em sua aplicação, ou se também são úteis para a mudança da formação.

Para Garcia (1999), a formação de professores é um processo contínuo, cujo desenvolvimento ocorre ao longo da carreira profissional. O autor relaciona outros princípios à ideia de formação docente, ou seja, trata-se de um processo contínuo de inovação e mudança que está associado ao desenvolvimento organizacional da escola e intimamente ligado aos conteúdos acadêmicos e pedagógicos orientados pela articulação da teoria e prática.

Ponte (1998, p.01) vai além e salienta que falar de formação de professores na atualidade é um grande desafio. Para este autor, pelo menos três pontos são cruciais ao tratar deste tema:

Em primeiro lugar, porque a formação é um mundo onde se inclui a formação inicial, contínua e especializada, onde é preciso considerar os modelos, teorias, e investigação empírica sobre a formação, analisar a legislação e a regulamentação e, o que não é de menor importância, estudar as práticas reais dos atores e das instituições no terreno e as suas experiências inovadoras. Em segundo lugar, porque a formação é um campo de luta ideológica e política. Não há grupo com interesses na educação que

não tenha as suas posições a defender, e fá-lo com todo o à vontade e, às vezes, com grande agressividade. E, em terceiro lugar, porque a formação é um daqueles domínios em que todos se sentem à vontade para emitir opiniões, de onde resulta a estranha impressão que nunca se avança.

A formação continuada de professores adquire, na atualidade, particular importância por estar ligada à busca de novos caminhos, por outro lado, os desafios constantemente renovados que se colocam à escola pela evolução tecnológica, pelo progresso científico e pela mudança social requerem que o professor esteja sempre a aprender. Nesta perspectiva, “o desenvolvimento profissional ao longo de toda a carreira é, hoje em dia, um aspecto marcante da profissão docente” (PONTE, 1998, p.02).

Do mesmo modo, Imbernón (2010) ressalta a importânca da formação continuada como fomento de desenvolvimento pessoal, profissional e institucional dos professores, elevando seu trabalho para transformação de uma prática. Tal prática está para além das atualizações científicas, didáticas ou pedagógicas do trabalho docente, supõe uma prática cujo alicerce é balizado na teoria e na reflexão desta, para mudança e transformação no contexto escolar. Para esse autor (2010, p.75):

O conhecimento profissional consolidado mediante a formação permanente apoia-se tanto na aquisição de conhecimentos teóricos e de competências de processamento da informação, análise e reflexão crítica em, sobre e durante a ação, o diagnóstico, a decisão racional, a avaliação de processos e a reformulação de projetos.

Para Terrazzan (2007, p.185), a respeito da “Inovação escolar e pesquisa sobre formação de professores”, ressalta:

os elementos característicos básicos que identificam uma inovação que favorece diretamente os professores: (1) quando promovida pelos próprios docentes, pois costuma produzir um aumento em sua autoestima profissional; (2) quando a participação efetiva pode se traduzir também em promoção profissional, sobretudo para as posições mais altas na hierarquia da estrutura da carreira profissional; (3) quando o professor constata claramente um aumento de sua autonomia didática e pedagógica, na medida em que passa de uma situação tradicional de executor de tarefas a elaborador de propostas e construtor de soluções partilhadas pelos pares.

Reiterando-se as considerações de que a formação docente não se limita à formação inicial, ser professor não se caracteriza com uma etapa concluída, e, sim, um processo de permanente de mudanças.

A formação de professores tem sofrido algumas alterações ao longo do tempo, preferindo alguns autores optar pelo uso do termo desenvolvimento profissional do professor. Ponte (1998, p.02) reconhece existirem diversos pontos de semelhança entre esses dois conceitos, porém destaca algumas diferenças.

Quadro 1 – Formação de professores X desenvolvimento profissional do professor

Formação de professores Desenvolvimento profissional do professor

A formação está muito associada à ideia de “frequentar” cursos;

Ocorre por meio de múltiplas formas, que incluem cursos, mas também atividades como projetos, trocas de experiências, leituras, reflexões, etc.;

Na formação, o movimento é essencialmente de fora para dentro, cabendo ao professor assimilar os conhecimentos e a informação que lhe são transmitidos;

No desenvolvimento profissional, temos um movimento de dentro para fora, cabendo ao professor as decisões fundamentais relativamente às questões que quer considerar, aos projetos que quer empreender e ao modo como os quer executar;

Na formação, atende-se, principalmente, àquilo em que o professor é carente;

No desenvolvimento profissional, dá-se especial atenção às suas potencialidades; A formação tende a ser vista de modo

compartimentado, por assuntos ou por disciplinas;

Enquanto o desenvolvimento profissional implica o professor como um todo nos seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais; A formação parte invariavelmente da teoria e,

frequentemente, não chega a sair da teoria.

O desenvolvimento profissional tende a considerar a teoria e a prática de uma forma interligada.

Fonte: PONTE (1998, 2004).

Ponte (1998) destaca que, a formação pode ser perspectivada de modo a favorecer o desenvolvimento profissional do professor, do mesmo modo que pode, através do seu “currículo escondido”, contribuir para lhe reduzir a criatividade, a autoconfiança, a autonomia e o sentido de responsabilidade profissional.

O desenvolvimento profissional dos professores, segundo Ponte (2004), articula-se entre o individual e o coletivo. Presencia-se um importante elemento coletivo, como também há a presença do elemento individual. Enquanto o desenvolvimento profissional é favorecido por contextos colaborativos, nos quais o professor tem oportunidade de interagir com outros e sentir-se apoiado, compartilhar as suas experiências e discutir e trocar informações importantes. Há, também, o desenvolvimento individual, sendo de responsabilidade de cada professor investir na profissão, agir de modo responsável, definir metas para o seu progresso,

avaliar o percurso realizado, refletir regularmente sobre a prática, enfrentar as questões que o incomodam. Acrescenta Ponte (1998, p.02) que, ao se valorizarem e ao seu desenvolvimento profissional, o professores “deixam de ser vistos como meros receptáculos de formação, passando, pelo contrário, a ser tidos como profissionais autônomos e responsáveis com múltiplas facetas e potencialidades próprias”. Vários teóricos reconhecem a importância do desenvolvimento profissional e, por isso, dedicaram estudos e pesquisas sobre ao tema.

Garcia (1999) define o termo “desenvolvimento” referindo-se a uma conotação de evolução e continuidade, superando a tradicional justaposição entre formação inicial e aperfeiçoamento dos professores. Além disso, numa perspectiva que supera o caráter tradicionalmente individualista das atividades de aperfeiçoamento dos professores, o autor considera que a profissão docente perpassa o desenvolvimento profissional dos professores sob a forma de implicação e de resolução de problemas escolares.

Sob esta ótica, Day (2001) reconhece a necessidade de se promover o desenvolvimento profissional dos professores, permitindo-lhes acompanhar a mudança, rever e renovar os seus próprios conhecimentos; ampliar individualmente ou coletivamente seu compromisso com os propósitos educacionais. O autor o define como um processo que envolve todas as experiências de aprendizagem (naturais, planejadas e conscientes) que são realizadas para benefício próprio ou do grupo ou da escola e que, consequentemente, vão contribuir para melhorar o desempenho do professor dentro da sala de aula.

Para Gama (2007, p.29), o desenvolvimento profissional dos professores depende também das políticas públicas e dos contextos escolares nos quais realizam a sua atividade docente.

Como descreve Zeichner (1993, p.17):

Se queremos um verdadeiro desenvolvimento dos professores, e não a fraude que frequentemente passa por desenvolvimento dos professores, temos de rejeitar esta abordagem individualista e de ajudar os professores a influenciarem coletivamente as condições do seu trabalho. Todos estes usos do termo reflexão ajudam a criar uma situação onde a única coisa que existe é a ilusão de desenvolvimento dos professores.

Nesta perspectiva, Imbernón (2001) acrescenta que, diante das transformações que ocorrem na sociedade, a formação contínua assume papel que vai além do ensino que pretende uma mera atualização científica, pedagógica e didática e se transforma na

possibilidade de criar espaços de participação, reflexão e formação para que as pessoas aprendam e se adaptem para poder conviver com mudança e com incerteza.

Os professores precisam ser investigados, pois, conforme adverte Imbernón (2001), a formação terá como base uma reflexão dos sujeitos sobre sua prática docente, de modo a permitir que examinem suas teórias implícitas, seus esquemas de funcionamento e suas atitudes, realizando um processo constante de autoavaliação que oriente seu trabalho.

Ao concluirmos, destacamos que, na pós-modernidade, configura-se uma situação conflituosa na educação: de um lado, o professor, que precisa se atualizar continuamente, e, de outro, apesar dos vários cursos que são oferecidos, a dificuldade dos professores para frequentá-los. Desta forma, esses professores, por motivos diversos, têm dificuldade em retornar aos estudos depois de formados, para aprimorar seus conhecimentos ou mesmo para discutir seus problemas cotidianos. Além disso, os cursos oferecidos aos professores, conhecidos como cursos de “capacitação”, podem ser eles podem ser produtivos e motivadores, no entanto, na maioria das vezes, são bastante teóricos, distantes da prática.

Compreendemos que o professor, mesmo tendo vontade de discutir os problemas educacionais com seus colegas de profissão, não é estimulado a fazê-lo. O diálogo com outros docentes que tenham as mesmas inquietações e problemas diários semelhantes não é valorizado e não existe um espaço para discutir a sua prática pedagógica, além de não haver trocas de informação ou de saberes com outros professores, de modo formal, com propostas de deliberações para resolverem seus problemas.

Enfim, nesta seção, iniciamos com a aprendizagem do professor. Em seguida, abordamos autores que pesquisaram e propuseram os saberes necessários aos docentes para que eles possam exercer sua profissão, entre os quais destacamos o modo como os docentes dominam e mobilizam os saberes para ensinar o que ensinam. E, em um terceiro momento, fundamentamos com o conceito de metacognição, no processo de o professor conhecer a si mesmo, sua capacidade e suas habilidades, de modo que possa agir em relação a uma situação. E, por último, apresentamos teorias essenciais ao desenvolvimento profissional docente.