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Existem três tipos de usuários que se apropriam do espaço do sitio de estudo – Praia de Naufragados / Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a saber :

1. Usuários Sazonais Relâmpagos, que se constituem em população flutuante, não se integrando a comunidade local e se apropriando daquele espaço em intervalos temporais de no máximo alguns dias, ou mais freqüentemente finais de semana; seu aparecimento ocorre em maior quantidade no verão;

2. Usuários Sazonais Freqüentes(1) que não se constituem em população flutuante pois possuem vida integrada a comunidade local em determinados níveis de atividade social e cultural e tentam manter uma ocupação territorial de posse em definitivo independente de possuírem título da terra ou não; geralmente se constituem em ocupantes de lotes, com ou sem benfeitorias, os quais reivindicam a posse definitiva daquelas glebas de terra que ocupam, independente do fato se aquelas ocupações são utilizadas com a finalidade de lazer temporal ( de estação do ano ) ou como ponto estratégico de trabalho ( pesca por exemplo ) ou simples atitude de reivindicação de propriedade;

3. Usuários comunitários(2) daquele sitio, membros atuantes da comunidade local, a qual existe a muitas e muitas décadas como verificado no levantamento histórico do sitio, os quais são também qualificados como posseiros das glebas de terra que ocupam; se constituem na sua maioria em pescadores, prestadores de serviços para os demais usuários do local e ainda pesquisadores ambientais;

_________________________________________________________________________________ (1) Segundo levantamento estatístico por intermédio de pesquisa-ação junto a AMOPRAN constatou-se que o número de Usuários Sazonais Freqüentes é de 21 indivíduos;

(2) Segundo levantamento estatístico por intermédio de pesquisa-ação junto a AMOPRAN constatou-se que o número de Usuários comunitários é de 71 indivíduos;

MEDIAÇÃO TRANSDISCIPLINAR DE CONFLITOS AMBIENTAIS EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO – CAPÍTULO III 172

Cada um destes três tipos de usuários / pessoas que freqüentam o sítio de estudo – Praia de Naufragados / Parque Estadual da Serra do Tabuleiro provoca uma espécie de degradação ambiental particularizada, dependendo do tipo da utilização que cada um deles faz daquele ecossistema, o qual será nosso objeto de estudo.

O primeiro grupo de estudo, denominado Usuários Sazonais Relâmpagos produz um tipo particularizado de degradação ambiental muito comum àqueles que, desrespeitando as diferenças culturais comunitárias, egoisticamente se apropriam e usufruem de espaços “ ditos turísticos” com a finalidade única de seu lazer, sem se preocupar com a maneira como interagem com estas comunidades locais.

eco-turismo ), ao se encontrarem dentro daqueles domínios, esquecem as razões que os levaram a procurar tal espaço e passam a produzir os mais insensatos tipos de agressão e degradação da natureza.

Sem um mínimo de consciência ambiental e conhecimento das leis naturais devido a inexistência de um processo pedagógico de educação ambiental, se apropriam daquele ambiente e ao adentrar a mata, retiraram cobertura vegetal do solo e simplesmente ateiam fogo para como dizem “ fazer uma fogueirinha ...”; ao retornar de barco ou pela trilha terrestre deixam todo o tipo de resíduo sólido ou líquido em qualquer parte daquele ecossistemas como latas, papéis, restos de alimentos e todo tipo de lixo; se apropriam daquele espaço como se não houvesse a mínima necessidade de respeito as leis naturais, etc... Não só se apropriam desta maneira daquele ambiente como ainda, em um processo anti-pedagógico de educação ambiental abrem trilhas, clareiras e tentam provocar queimadas na cobertura vegetal existente.

A cada final de semana se renova a freqüência destes Usuários Sazonais Relâmpagos e a cada final de tarde de domingo, independente da estação do ano, os resíduos e marcas da degradação deste grupo ficam visíveis nas areias e nas matas daquele ecossistema.

Conflitos sociais já ocorreram entre este grupo e os ditos Usuários comunitários, os quais não aceitam que turistas se apropriem desta forma e desta maneira daquele espaço e o conflito já assumiu proporções de agressões pessoais e físicas em grupo e, ainda, um outro exemplo, seriam os conflitos pessoais entre os pescadores artesanais locais e os barcos atuneiros de pesca dita industrial, culminando inclusive com disparos de armas de fogo tanto de membros da comunidade como de parte da tripulação de tais embarcações pesqueiras: os pescadores artesanais disparam da praia e a tripulação dos barcos atuneiros disparam do calado daquelas embarcações; outro exemplo seria o conflito social entre os praticantes do surf e também os pescadores artesanais que se julgam prejudicados pela prática daquele esporte quando da pesca sazonal de peixes em grandes cardumes como a tainha e a anchova.

MEDIAÇÃO TRANSDISCIPLINAR DE CONFLITOS AMBIENTAIS EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO – CAPÍTULO III 173

Muito embora seja bastante visível a degradação ambiental provocada por este grupo de usuários, salvo exceções isoladas de tentativas de queimadas e aberturas de trilhas na mata atlântica, os mesmos não provocam danos de grandes proporções, medianamente assimilados pela curva de Resiliência e Homeostase daquele ecossistema, muito embora seja freqüente a utilização da mata atlântica como local de saciar as necessidades biológicas daquela população de usuários como no inicio do século passado no Brasil ( vide histórias do Jeca Tatu e a campanha do Governo Getúlio Vargas na tentativa da erradicação de uma séria de doenças infecto contagiosas e pestes pela total ausência de condições de tratamento sanitário de certas regiões do país. ).

O segundo grupo de estudo, denominado Usuários Sazonais Freqüentes produz um outro tipo particularizado de degradação ambiental, agora mais efetivamente agressivo, pois, além de produzir em menor grau o mesmo tipo de degradação ambiental do grupo anteriormente citado, este grupo se apropria da terra em lotes ou glebas e passa a assumir a atitude de posseiro e/ou proprietário de terra.

Instala-se aqui a questão da posse da terra,