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2.4.2 – A TEIA DA VIDA

106 FRITJOF CAPRA

“ ... somos moradores da “ Casa Terra “ ...”

No item anterior por muitas e muitas vezes, com a intenção de apreender que a vida na biosfera se processa em rede ou teia, colocamos e recolocamos a expressão “ rede da vida “ e/ou “ teia da vida “ incansavelmente, pois afinal, a “ istritu sensu “, este é o tema de discussão desta pesquisa.

Mas cabe agora, seguindo a linha de pesquisa proposta, baseados na análise e revisão teórica em “ As Conexões Ocultas : ciência para uma vida sustentável “ de FRITJOF CAPRA(1), e realizando uma investigação por analogia de padrão dos sujeitos(1) e não de predicados, como nos demonstra FRITJOF CAPRA ao mencionar Gregory Bateson(2) em SABEDORIA INCOMUM(3); que nos perguntemos :

– “ o que é a vida? “.

_________________________________________________________________________________ (1) Analogia de padrão, baseado no estudo de epistemologia efetuado por Gregory Bateson(2) onde o mesmo coloca que a analogia, a lógica de investigação deva ser efetuada a partir dos padrões do sujeito e não das qualificações.

Para tal utiliza uma metáfora comparativa onde coloca:

- “ os homens morrem. Sócrates é homem. Sócrates morrerá. “ – analogia por padrão da identificação dos sujeitos;

- “ Os homens morrem. O capim morre. Os homens são capim. “ – analogia por padrão da identificação dos predicados, da qualificação

(2) GREGORY BATESON, já falecido, era da Universidade da Califórnia e autor do livro “Steps to an ecology of mind ( “Passos para uma Ecologia da Mente“ ou “Passos para uma Mente Ecológica“), título ainda não lançado na língua portuguesa ou esgotado.

(3) CAPRA, Fritjof. Sabedoria Incomum. São Paulo, Editora Cultrix-Pensamento Ltda. 1998

Com um olhar puramente biológico (ou dito cientifico e longe da profundidade filosófica humana), na tentativa de respondermos tal indagação de imediato somos remetidos a existência do DNA(1), na seqüência aos processos metabólicos, a auto-geração (procriação) da vida e a constatação de um sistema biológico fechado por intermédio de membranas, porém, a maior diferenciação dos organismos vivos está no Padrão de Vida em Rede, na inter-relação na forma de teia, tendo como principal modus operandi a autopoiési, as estruturas dissipativas para sobrevivência em situações de desequilíbrio e a cognição como forma de apreensão da sobrevivência e continuidade das espécies e, a partir daí, talvez tenhamos a resposta a interrogação de FRITJOF CAPRA :

“ Qual o padrão que une o caranguejo à lagosta, a orquídea a prímula, e

todos os quatro a mim??? E eu a você??? “ (2)

“ Segundo Maturana e Varela, a cognição é a atividade que garante a

autogeração e a autoperpetuação das redes vivas. Em outras palavras, é o próprio processo da vida “ (3), ou ainda “ a cognição envolve todo o processo da vida – inclusive a percepção, as emoções e o comportamento - e nem sequer depende necessariamente da existência de um cérebro e de um sistema nervoso ”(2)(4) o que por si só finalmente supera o

dualismo cartesiano entre mente e matéria.

Esta nova visão à luz do Pensamento Complexo é revolucionária em termos de conceituação tanto da Cognição dos organismos vivos, quanto , implicitamente, da definição de mente, o que rompe o dualismo cartesiano.

Na síntese de FRITJOF CAPRA, ao estudarmos os sistemas vivos a partir do ponto de vista da forma é constatado que o padrão de organização, ou módulo, é a rede auto- geradora; sob o ponto de vista da matéria é uma estrutura dissipativa, ou seja, um sistema aberto não enclausurado que se conserva distante do equilíbrio e por fim, sob o ponto de vista processual, os sistemas vivos são sistemas cognitivos nos quais os processos de cognição estão intimamente ligados ao padrão da autopoiésis : esta a síntese a nova compreensão cientifica da vida.

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(1) DNA – Ácido deoxirribonucléico, o código genético da vida; no interior dos núcleos celulares de todas as células eucariontes existe um complicado trançado de proteínas e ácidos nucléicos, que dá origem aos cromossomos. Os ácidos nucléicos é que carregam as informações genéticas e hereditárias, através de uma

codificação química chamada de código genético; se apresenta em forma de hélice como a seguir :

(2) CAPRA, Fritjof. Sabedoria Incomum. São Paulo, Editora Cultrix-Pensamento Ltda. 1998 pág. 62

(3)CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas : ciência para uma vida sustentável. São Paulo, Editora Cultrix- Pensamento Ltda. 2002 pág. 50

(4) A auto-regeneração físico-biológica de partes do corpo humano onde as ligações neurológicas tenham sido interrompidas ( ou suprimidas ) por acidentes são citadas em O Cérebro Emocional(5) de JOSEPH LEDOUX e mais recentemente nos relatos de experiências na recuperação de paraplégicos pela Christopher Reeve

Paralysis Foundation .

(5)LEDOUX, Joseph. O cérebro emocional. Rio de Janeiro, Editora Objetiva Ltda. 1996

as organizações humanas e a forma como o conhecimento fundamental da forma de rede e processo cognitivo dos sistemas vivos tenha sido copiado e implementado nas empresas, tanto públicas quanto privadas, não nos ateremos a este enfoque e avançaremos em uma análise mais profícua e imediata das conseqüências ambientais ocasionadas pelo capitalismo global.

A revolução contemporânea da informática , que em dez anos aumentou em 300 vezes reais a velocidade dos processadores de 8 mhz para 2400 mhz ou 2,4 Ghz, que aliada as redes mundiais de telecomunicações alavancou a telemática a ponto de em questões de segundos um individuo espacialmente localizado no Brasil acesse informações dentro do Museu do Louvre, em Paris na França ( como por diversas vezes foi efetuado na presente pesquisa ), provocou profundas revoluções culturais e uma nova postura civilizatória no planeta.

Pura ingenuidade daqueles que acreditam, e são a grande maioria, de que o capitalismo global foi uma conseqüência histórica de nossa civilização e não um fato provocado por algum poder da sociedade mundial contemporânea.

O Capitalismo Global, ou Globalização foi intencionalmente provocada pelos países integrantes do G-7(2), as principais multinacionais do mundo, as instituições financeiras internacionais como Banco Mundial, BIRD – Banco Inter-Americano de Desenvolvimento, FMI – Fundo Monetário Internacional, a OMC – Organização Mundial de Comércio e interesses do capital especulativo internacional.

A nova economia propiciou que capitais voláteis especulativos emigrem em questões de minutos de um pais da América Latina para outro no Continente Asiático com o único intuito do lucro rápido e imediato, a qualquer custo e sem o mínimo escrúpulo das conseqüências mundiais de tal forma de economia e finanças; este tipo de organização mundial econômica já propiciou falências de países do mundo inteiro, e mais recentemente a Argentina viu séculos de história sendo destruídos pelos interesses do capital financeiro internacional.

Como não poderia deixar de ser, tal forma estrutural de relações econômicas e financeiras internacionais vive em constante turbulência e as “ tempestades econômicas “ atingem a todos em qualquer parte do mundo, e, amarga surpresa, atingem também os paises e as economias ditas desenvolvidas ( embora possuam normas de auto-defesa ), tanto é que até grandes especuladores internacionais como por exemplo George Soros(3) já falam em rever o modelo, pois existe o perigo “ de deixar de funcionar “.

___________________________________________________________________________ (1) CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas : ciência para uma vida sustentável. São Paulo, Editora Cultrix-Pensamento Ltda. 2002

(2) G-7 : Grupo de paises desenvolvidos integrados por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Inglaterra ( Reino Unido ), Itália e Japão.

(3) George Soros com relação a Globalização e o Mercado Internacional tem falado incessantemente e o qualificado como “ Fundamentalismo de Mercado “ que ele considera tão perigoso para a humanidade como qualquer outra forma de fundamentalismo.(???)

Da mesma forma, a Globalização, por não se tratar de mudanças estruturais na economia mundial e simplesmente se tratar da globalização do capitalismo, as regras e as leis deste passam e continuam a imperar no mundo, só que agora em dimensões e holocaustos financeiros muito mais intensos e devastadores, como por exemplo a questão da “ reserva estratégica de mão-de-obra capitalista “ que faz com que empresas emigrem rapidamente de um lado do planeta para outro na busca da mão-de-obra barata, ou até, que fujam desta mão- de-obra tendo em vista a robotização das empresas multinacionais em conseqüência das leis trabalhistas que passam a imperar em todos os países do mundo, criando um imenso exército de excluídos.

E como não poderia deixar de ser, como a produção capitalista possui a ótica mecanicista cartesiana da Natureza e a postura binária e excludente de que os recursos naturais devam ser explorados a exaustão, sem qualquer consideração de qualquer espécie com vistas a sustentabilidade, a espoliação da natureza deixou de ser local e particularizada para se transformar em espoliação globalizada ou planetária, e uma argumentação enfática e exemplificada seria o fato de que o discurso de organismos internacionais como o Banco Mundial, OMC e países membros do G-7 já colocam a Amazônia Brasileira como “Território da Humanidade“(1)

Em conseqüência de todos estes fatos e de todas estas circunstâncias mundiais decorrentes da globalização, o eixo de poder no mundo se moveu de tal forma e com tal intensidade que permite que um único homem(???) como George Bush – Presidente dos Estados Unidos da América – USA queira, sozinho, com um discurso hipócrita e falacioso do “ anti-terror “, declarar guerra a três países ( Afeganistão, Coréia e Iraque ), ao mesmo tempo e, o pior, com chances de vitória tal o poder bélico daquele pais em comparação com os demais.

E como a ótica capitalista continua sendo o mecanicismo cartesiano da Natureza com espoliação máxima como se esta pudesse ser submetida ao controle humano, em conseqüência desta globalização passou a ser exercida imensa pressão sobre os organismos e instituições ligada a engenharia genética e se passou a produzir o que se denomina de transgênicos(2), clones(3) de animais e até de seres humanos ( embora não

exista evidência cientifica de que tal já ocorreu e somente reportagens sensacionalistas tanto do médico italiano Severino Antinori quanto de seitas francesas raelianas da química Brigitte Boisselier da empresa Clonaid ), chegando-se ao clímax alucinatória de que