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Capítulo I A Educação Pré-Escolar e o 1.º Ciclo do Ensino Básico

1.3 Documentos orientadores da ação educativa

A prática pedagógica do educador de infância e do professor do 1.º CEB é assente em diversos documentos oficiais que regulam e orientam a sua ação educativa.

Assim sendo e devido à sua importância, é de mencionar a Lei de Bases do Sistema Educativo que estabelece o quadro geral do sistema educativo português e o Decreto-Lei n.º 240/2001, de 30 de agosto que aprova o perfil geral de desempenho profissional do educador de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário. De referir que este documento define as referencias comuns a estes docentes, “assumindo as dimensões profissional, social e ética; de desenvolvimento do ensino e da aprendizagem; de participação na escola e de relação com a comunidade; e, finalmente, de desenvolvimento profissional ao longo da vida” (Vasconcelos, 2009, p. 67). De mencionar, também, o Decreto-Lei n.º 241/2001, de 30 de agosto que aprova os perfis específicos de desempenho profissional do educador de infância e do professor do 1.º CEB.

Em relação aos documentos orientadores específicos da EPE é de fazer referência à Lei-Quadro da Educação Pré-Escolar que, no seguimento da Lei de Bases do Sistema Educativo, regulamenta a valência em questão e consagra o seu ordenamento jurídico e às Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar que, como o próprio nome indica, são um conjunto de princípios pedagógicos e organizativos que funcionam como orientações aquando da tomada de decisões sobre a prática educativa dos educadores de infância e constituem, assim, um quadro de referência comum para todos estes profissionais. São de mencionar, ainda, a Circular n.º4/DGIDC/DSDC/2011 onde constam informações relativas à avaliação, a Circular n.º 17/DSDC/DEPEB/2007 que integra informações sobre a gestão e organização curricular e, ainda, o Decreto Legislativo Regional n.º 16/2006/M, de 2 de maio que aprova o Estatuto das Creches e dos Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar da Região Autónoma da Madeira.

Quanto ao 1.º CEB refere-se, como exemplo de documento orientador, o Decreto- Lei n.º 91/2013, de 10 de julho onde constam os princípios orientadores da organização, gestão e processo de desenvolvimento dos currículos dos ensinos básico e secundário e da avaliação dos conhecimentos e capacidades dos alunos. É de indicar, também, como documentos curriculares de referência os programas que enunciam as finalidades de cada disciplina e respetivos objetivos, conteúdos e capacidades gerais a promover bem como

as metas curriculares que apresentam os objetivos de desempenho cruciais de cada disciplina nos diferentes anos de escolaridade. No que diz respeito à avaliação dos alunos do ensino básico esta é regulamentada pelo Despacho Normativo n.º 4/2013, de 6 de junho.

Neste seguimento de ideias importa aludir à existência de determinados documentos orientadores da vida da escola, como o Projeto Educativo da Escola (PEE), o Projeto Curricular de Escola (PCE), o Plano Anual de Atividades, o Regulamento Interno e o Projeto Curricular de Grupo/Turma, que atualmente integram os normativos organizadores da escola e dos processos de desenvolvimento curricular. Estes documentos constituem parte de uma geração de escola inclusiva, interessada em responder à diversidade da população educativa, ao contexto onde se insere, aos recursos de que dispõe e às características da população que a frequenta. Tendo como referência o currículo nacional, o PEE define as políticas educativas da escola e indica as linhas gerais de atuação, nas quais se inclui o PCE que define as opções da escola e tem como suporte o Plano Anual de Atividades e o Regulamento Interno da mesma e o Projeto Curricular de Grupo/Turma que operacionaliza em função das especificidades das crianças do grupo/turma. Realça-se que com a publicação do Decreto Legislativo n.º 139/2012, de 5 de julho, que estabelece a nova reorganização curricular do ensino básico e secundário, o Projeto Curricular de Grupo/Turma deixou de, legalmente, constituir um documento essencial à estratégia de concretização e desenvolvimento do currículo.

Importa, ainda, fazer uma breve referência ao currículo. De acordo com Ribeiro (1990) o conceito de currículo tem sido objecto de diversas abordagens teóricas que abrangem um leque diferenciado, consoante as lógicas de análise utilizadas. Segundo Roldão (1999), são considerados três fatores que se articulam naturalmente entre si na construção e evolução dos currículos, sendo eles: a sociedade; os saberes científicos; o conhecimento e a representação do aluno.

Mendonça (2002) refere que o currículo é definido “como um projeto cujo processo de construção e desenvolvimento é interaccional, implica unidade, continuidade e interdependência entre o que se decide ao nível da orientação oficial, ao nível do planeamento em contexto e do processo de ensino-aprendizagem” (p.57). É de salientar, deste modo, que “O papel de decisor e gestor do processo curricular torna-se assim um definidor essencial da profissionalidade docente.” (Roldão, 1999, p.39) e que de forma a evitar o “currículo uniforme pronto-a-vestir de tamanho único” – expressão tão conhecida

de João Formosinho (2007) – os docentes devem gerir e implementar de modo flexível e reflexivo o currículo. Neste sentido, importa mencionar que Roldão (2003) considera o currículo “como um campo conceptual e de gestão orientado para a contextualização e a diferenciação da acção da escola e dos professores, de modo a garantir melhor as aprendizagens de todos os alunos.” (p.7) e que, parafraseando Lopes (2003), com a gestão flexível do currículo os docentes têm a possibilidade de definir, organizar e gerir o processo de ensino-aprendizagem de modo adequado, contextualizado e significativo para um determinado grupo.

Assim sendo, é possível constatar a existência e importância de diversos documentos que suportam e orientam a vida das escolas e a ação dos docentes. Realça- se, de igual modo, a importância do docente gerir e implementar o currículo de modo flexível e o facto de este ser um dos aspetos que define a profissionalidade e a identidade docente.