• Nenhum resultado encontrado

IV. Hiperligações e referências bibliográficas

5. Data e Assinatura 2.3.1 Introdução

2.4. Elementos complementares da acusação

Para além do artigo 283.º do Código de Processo Penal, a prática processual foi introduzindo outros itens que já se tornaram obrigatórios.

Acrescentar-se-ia a este elenco:

• A menção à impossibilidade de constituir arguido e interrogar suspeito, ao abrigo do artigo 272.º, n.º 1, do Código de Processo Penal, passando o denunciado a assumir a qualidade de arguido com a dedução da acusação, nos termos do artigo 57.º, n.º 1, do Código de Processo Penal.

Exemplo:

Nos termos do artigo 272.º, n.º 1, do Código de Processo Penal “correndo inquérito contra pessoa determinada em relação à qual haja suspeita fundada da prática de crime é obrigatório interrogá-la como arguido, salvo se não for possível notificá-la”. Ora, nos presentes autos tentou-se a notificação do suspeito com vista a proceder ao seu interrogatório, notificações essas que se revelaram infrutíferas, como se comprova de fls. 27, 31 e 36. Por outro lado, das pesquisas efectuadas não se logrou obter moradas diversas daquelas que já eram conhecidas nos autos. Assim, por impossibilidade de notificação não se irá proceder ao interrogatório como arguido de C..., o qual assumirá essa qualidade com a dedução de despacho de acusação, nos termos do artigo 57.º, n.º 1, do Código de Processo Penal.

• A questão da possibilidade de se aplicar a faculdade prevista no artigo 16.º, n.º 3, do Código de Processo Penal, e a sua fundamentação que deverá ser clara e precisa e constar antes da acusação propriamente dita. Caso se recorra a esta faculdade, ao abrigo da Directiva da PGR n.º 1/2002 – Circular PGR 6/2002, deve-se comunicar ao imediato superior hierárquico;

• Requerimento para eventual intervenção de Tribunal de Júri (artigo 13.º);

• A indicação de defensor, precedida da sua nomeação oficiosa quando o arguido não constituir Mandatário (cfr. artigo 64.º, n.º 3, do Código de Processo Penal):

Exemplo 1:

Faz-se constar que o arguido Rúben da Silva Ferreira tem como mandatário constituído o Il. Sr. Dr. Carlos Silva, com procuração junta a fls. 20.

Exemplo 2:

Nos termos do previsto no artigo 64.º, n.º 3, do Código de Processo Penal, bem como no artigo 41.º, n.ºs 1 e 3, da Lei n.º 34/2004, 29 de Julho e ainda nos artigos 2.º e 3.º, n.º 1, da Portaria n.º 10/2008, de 3 de Janeiro, faz-se constar que o arguido Rúben da Silva Gomes, tem como defensor oficioso, o Il. Sr. Dr. Arnaldo Silva, melhor identificado a fls. 29.

BOAS PRÁTICAS: NA ELABORAÇÃO DO DESPACHO DE ACUSAÇÃO EM PROCESSO PENAL 2. Contributos para um Código de Boas Práticas na elaboração do Despacho de Acusação em Processo Penal Notifique-se o arguido de que, sendo condenado, fica obrigado a pagar os honorários do defensor, salvo se lhe for concedido apoio judiciário. Mais se informe que pode proceder à substituição desse defensor mediante a constituição de advogado, ao abrigo do disposto no artigo 64.º, n.º 4, do Código de Processo Penal.

• Notificações e comunicações do despacho de acusação e respectiva forma:

Em cumprimento do disposto no artigo 277.º, n.º 3, do Código de Processo Penal ex vi artigo 283.º, n.º 5, e 283.º, n.º 6, todos do Código de Processo Penal, comunique-se a presente acusação:

– À arguida por via postal simples nos termos dos artigos 283.º, n.º 6, 196.º, n.º 2, e n.º 3, al. c), 113.º, n.º 10, 2.ª, parte, todos do Código de Processo Penal;

– Ao Ilustre Defensor, nos termos dos artigos 283.º, n.º 6, 113.º, n.º 1, al. c), todos do Código de Processo Penal.

Poderá ter que se notificar ainda a quem tenha manifestado o propósito de deduzir pedido de indemnização civil, nos termos do artigos 75.º, n.º 2, 77.º, n.º 2, do Código de Processo Penal, à denunciante com faculdade de se constituir assistente, e à vítima, se esta declarar, aquando da prestação de informação sobre os seus direitos, que deseja ser oportunamente notificada de todas as decisões proferidas no processo penal (cfr. artigo 11.º, n.º 7, do Estatuto da Vítima).

Existem outras comunicações que devem ser efectuadas:

− Comunicação da instauração e decisão final nos inquéritos em que seja arguido funcionário ou agente da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais ou agente de autoridade da GNR ou da PSP às seguintes entidades (Circular da PGR 4/98);

− Comunicação ao DCIAP: dos despachos finais relativos a crimes mencionados no n.º 4, do artigo 47.º, do Estatuto do Ministério Público (Circular PGR 11/99);

− Comunicação ao Conselho de Prevenção da Corrupção, nos termos do artigo 9.º, n.º 3, da Lei n.º 54/2008;

− Comunicação à CMVM: de todas as decisões relativas a crimes de mercado – artigo 387.º do CdVM;

− Comunicação ao Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (anterior Instituto da Droga e da Toxicodependência): das decisões relativas a crimes relativos ao tráfico e consumo de estupefacientes – artigo 64.º, n.º 1, do Decreto-Lei n.º 15/93;

− Circular n.º 4/2008 estabelece que, sem prejuízo do disposto na lei sobre segredo de justiça, os Magistrados e Agentes do Ministério Público competentes devem comunicar, pelo meio considerado mais adequado, o teor dos despachos de encerramento dos inquéritos, aos dirigentes dos departamentos da Polícia Judiciária que tiverem realizado as investigações, nos casos previstos nos artigos 4.º (competência reservada) e 5.º, n.º 2 (competência deferida), da Lei n.º 21/2000, de 10 de Agosto, alterada pelo Decreto-Lei n.º 305/2002, de 13 de Dezembro; 2. A comunicação de despachos de arquivamento é efectuada após o decurso do prazo

BOAS PRÁTICAS: NA ELABORAÇÃO DO DESPACHO DE ACUSAÇÃO EM PROCESSO PENAL 2. Contributos para um Código de Boas Práticas na elaboração do Despacho de Acusação em Processo Penal previsto no artigo 278.º do Código de Processo Penal; 3. A comunicação de despachos de acusação é efectuada após as notificações previstas no artigo 283.º, n.º 5, do Código de Processo Penal;

− Comunicação ao tribunal da condenação ou de execução das penas: de decisão que ponha termo ao inquérito, por acusação ou por arquivamento, em ambos os casos, depois de decorrido o prazo para abertura de instrução, relativa a arguido que se encontrava com a execução da pena suspensa ou em liberdade condicional, à data da prática do crime que lhe é atribuído - Circular PGR 5/99;

− Comunicação ao Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas ou ao Chefe de Estado-maior do respectivo ramo, conforme a respectiva dependência: sempre que um militar seja constituído arguido em processo crime e envio de certidão da decisão final em caso de crimes em que são denunciados militares, ao abrigo do artigo 9.º, n.º 3, do Regulamento Disciplinar Militar aprovada pela Lei Orgânica n.º 2/2009;

− Comunicação à Administração Tributária ou da Segurança Social, nos casos de competência delegada: decisões finais – artigo 50.º, n.º 2, do Regime Geral das Infracções Tributárias;

− Comunicação ao Processo de Insolvência: do despacho de pronúncia ou de não pronúncia, de acusação e de não acusação, da sentença e dos acórdãos proferidos no processo penal, quanto aos crimes previstos e punidos nos artigos 227.º a 229.º, do Código Penal - artigo 300.º do CIRE;

− Circular da PGR n.º 7/2012 - Dar cumprimento ao disposto no artigo 37.º, da Lei n.º 112/09, de 16 de Setembro, comunicando à Direcção-Geral da Administração Interna e à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género: a) – Os despachos finais proferidos em inquéritos por crime de violência doméstica – acusação, arquivamento ou suspensão provisória do processo; b) – As decisões de atribuição e cessação do Estatuto de Vítima, proferidas pelo Ministério Público em inquéritos por aqueles crimes.

• Pedido de indemnização civil;

• Consignação da data da detenção e períodos de privação da liberdade sofridos pelo(s) arguido(s) (se aplicável);

• Tomada de posição relativamente a medidas de coacção:

Por não existirem em concreto, os riscos a que alude o artigo 204.º do Código de Processo Penal, deve a arguida, nos termos do disposto nos artigos 192.º, 193.º e 196.º todos do Código de Processo Penal, aguardar os ulteriores termos do processo sujeito à medida de coacção de Termo de Identidade e Residência já prestado em fls. 128, bem como às obrigações que lhe são

inerentes, por se afigurar tal medida de coacção adequada e suficiente para as exigências cautelares que o caso suscita.

Note-se que o Ministério Público deve pronunciar-se sobre as medidas de coacção e de garantia patrimonial, pois a dedução da acusação pode levar a um agravamento ou uma diminuição das necessidades cautelares (artigos 193.º, n.º 1, e 194.º, do Código de Processo Penal). Não esquecer, porém que, caso o arguido esteja sujeito a prisão preventiva ou

BOAS PRÁTICAS: NA ELABORAÇÃO DO DESPACHO DE ACUSAÇÃO EM PROCESSO PENAL 2. Contributos para um Código de Boas Práticas na elaboração do Despacho de Acusação em Processo Penal obrigação de permanência na habitação há reexame obrigatório dos pressupostos, nos termos do artigo 213.º, n.º 1, al. b), e 2, do Código de Processo Penal.

• Tomada de posição relativamente a objectos:

Atentos os factos e ilícito criminal pelos quais o arguido foi supra acusado e havendo indícios de que os objectos apreendidos serviram para a prática do mesmo, promovo que os objectos apreendidos a fls. 5, e aí melhor identificados, sejam declarados a favor do Estado e ordenada a respectiva destruição, nos termos do disposto no artigo 109.º, n.º 1, do Código Penal.

• Indicação da qualidade de beneficiário da Segurança Social do ofendido (cfr. artigo 2.º, n.º 2, do Decreto-Lei n.º 59/89, de 22.02, que regula a intervenção da Segurança Social no reembolso de prestações em processos judiciais):

Consigno que Nelson Maria Silva Ferreira é beneficiário da Segurança Social com o n.º xxx, respectivamente para os efeitos do n.º 2 do Decreto-Lei n.º 59/89, de 22 de Fevereiro.

• Notificação às instituições e serviços integrados no Serviço Nacional de Saúde (cfr. artigo 6.º, do Decreto-Lei n.º 218/99, de 15 de Junho), para querendo, deduzirem pedido de pagamento das respectivas despesas, em requerimento articulado, no prazo de 20 dias.

Por outro lado, a nomeação de defensor (quando é necessário) e as comunicações não têm um lugar certo nas acusações. Há Magistrados que optam por colocar logo no início antes da acusação propriamente dita e outros que colocam no fim.

Entendemos que para facilitar o trabalho dos funcionários judiciais, deveremos colocar no início para que seja bem visível e não haja falhas.