II. Objetivos I Resumo
2. Acusação pelo assistente
4.3. Processo sumaríssimo
No âmbito do processo sumaríssimo, ao abrigo do disposto no artigo 394.º e no respeito pela Diretiva n.º 1/2016, da P.G.R., o Ministério Público apresenta requerimento para aplicação de pena não privativa da liberdade68, o qual contempla:
(1) A identificação do arguido;
66 As acusações em processo sumário são comunicadas ao imediato superior hierárquico, nos termos da Circular n.º
6/2002, da P.G.R, sendo admissível que sejam ainda comunicadas a outras entidades ou sujeitos, tal como supramencionado nas comunicações do despacho de acusação em processo comum.
67 As acusações em processo abreviado são comunicadas ao imediato superior hierárquico, nos termos da Circular
n.º 6/2002, da P.G.R, sendo admissível que sejam ainda comunicadas a outras entidades ou sujeitos, tal como supramencionado nas comunicações do despacho de acusação em processo comum.
68 Conforme refere MAIA COSTA, “no processo sumaríssimo, não há acusação, mas antes um requerimento do MP
(394.º), que desempenha funções idênticas à acusação, embora harmonizadas com o carácter consensual desta forma de processo” – COSTA, Maia, Código …, p. 992.
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BOAS PRÁTICAS: NA ELABORAÇÃO DO DESPACHO DE ACUSAÇÃO EM PROCESSO PENAL 4. Contributos para um Código de Boas Práticas na elaboração do Despacho de Acusação em Processo Penal (2) A descrição dos factos: os que consubstanciam a prática do crime que lhe é imputado, os que são relevantes para a escolha e determinação concreta da pena e, se for o caso, os que respeitem à reparação civil;
(3) As disposições legais aplicáveis;
(4) A indicação da prova que sustenta os factos;
(5) A fundamentação sucinta da pena não privativa da liberdade e demais sanções cuja aplicação se requer, bem como, quando for o caso, da proposta de reparação civil;
(6) As sanções concretamente propostas;
(7) A quantia exata a atribuir a título de reparação;
(8) A identificação dos produtos, instrumentos e vantagens do crime para efeitos de declaração de perda; e
(9) A medida de coação que o arguido deve ficar sujeito no decurso do processo.
Deste modo, ao requerimento de aplicação de pena em processo sumaríssimo aplica-se o referido para o despacho de acusação em processo comum, com as necessárias adaptações69, com a particularidade de se exigir a narração dos factos relevantes para a aplicação da sanção proposta, do requerimento dever conter a fundamentação das sanções cuja aplicação se requer e a indicação dessas mesmas sanções. Outra das particularidades deste requerimento prende-se com a possibilidade do Ministério Público poder requerer a aplicação de pena não privativa da liberdade no caso de crimes de natureza particular, devendo, para o efeito, agir no respeito pelo disposto no artigo 392.º, n.º 2 70.
Se houver lugar a reparação civil, esta segue a estrutura do pedido de indemnização civil supramencionado aquando do estudo da acusação em processo comum, com a particularidade de conter a quantia exata a atribuir a título de reparação, bem como a fundamentação da proposta de reparação civil.
Este requerimento (requerimento para aplicação de pena em processo sumaríssimo e proposta de reparação civil) deve ser estruturado de acordo com a Diretiva n.º 1/2016, da P.G.R., devendo conter os elementos referenciados neste instrumento hierárquico.
69 A título de exemplo, o Ministério Público não tem que nomear defensor ao arguido, caso este não tenha
advogado constituído ou defensor nomeado (cfr. artigo 396.º, n.º 1, al. a)) ou, quanto à medida de coação, não é admissível requerer a aplicação de prisão preventiva, caso contrário o Ministério Público não poderia requerer a aplicação de pena não privativa da liberdade.
70 PAULO PINTO DE ALBUQUERQUE afirma que tratando-se do procedimento por crime dependente de acusação
particular “a concordância do assistente deve ser total, ou seja, ele deve concordar quer com os factos indicados com as sanções aí propostas e sendo caso disso, com a reparação oficiosa aí sugerida. O MP deve, por isso, ouvir o assistente previamente ao requerimento e acordar com ele o conteúdo do requerimento.” – ALBUQUERQUE, Paulo Pinto de, Comentário…, p. 1024.
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BOAS PRÁTICAS: NA ELABORAÇÃO DO DESPACHO DE ACUSAÇÃO EM PROCESSO PENAL 4. Contributos para um Código de Boas Práticas na elaboração do Despacho de Acusação em Processo Penal Deste requerimento pode existir lugar a comunicações71, de acordo com o referido relativamente às comunicações a efetuar na acusação em processo comum. Quanto às notificações a realizar, as mesmas apenas terão lugar após o juiz apreciar o requerimento, as quais serão efetuadas pelo tribunal caso o juiz concorde com a proposta de aplicação de pena não privativa da liberdade apresentada ou pelo Ministério Público no caso de discordância do juiz72. Neste último caso, nos termos do artigo 395.º, n.º 3, o juiz reenvia o processo para outra forma, devolvendo o processo ao Ministério Público, equivalendo o requerimento à acusação. IV. Hiperligações e referências bibliográficas
Hiperligações
www.dgsi.pt https://simp.pgr.pt/
Referências bibliográficas
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71 O requerimento em processo sumaríssimo é comunicado ao imediato superior hierárquico, nos termos da
Circular n.º 6/2002, da P.G.R, sendo admissível que seja ainda comunicado a outras entidades ou sujeitos, tal como supramencionado nas comunicações do despacho de acusação em processo comum.
72 Por este motivo, o Ministério Público ordena que os autos sejam remetidos à seção central, para distribuição,
como processo sumaríssimo, nos termos e para os efeitos do disposto nos artigos 396.º, n.º 1, e 397.º, n.º 1, seguindo-se, depois, os trâmites legais e subsequentes que a decisão jurisdicional vier a implicar.
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BOAS PRÁTICAS: NA ELABORAÇÃO DO DESPACHO DE ACUSAÇÃO EM PROCESSO PENAL 4. Contributos para um Código de Boas Práticas na elaboração do Despacho de Acusação em Processo Penal EIRAS, Henriques e FORTES, Guilhermina, Dicionário de Direito Penal e Processo Penal, 3.ª edição, Quid Juris, 2010.
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BOAS PRÁTICAS: NA ELABORAÇÃO DO DESPACHO DE ACUSAÇÃO EM PROCESSO PENAL 5. Contributos para um Código de Boas Práticas na elaboração do Despacho de Acusação em Processo Penal 5.CONTRIBUTOS PARA UM CÓDIGO DE BOAS PRÁTICAS NA ELABORAÇÃO DO DESPACHO DE ACUSAÇÃO EM PROCESSO PENAL
Sofia Maria Barros do Souto I. Introdução
II. Objectivos III. Resumo
1. A acusação em processo comum