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Evolução do investimento de Capital de Risco

Capítulo III – Análise da evolução do Capital de Risco em Portugal no contexto europeu

3.4. Evolução do investimento de Capital de Risco

Naturalmente, os países europeus que efetuam mais investimento são o Reino Unido, a França, a Alemanha e a Suécia, pois são também os países que recebem mais capital, como visto anteriormente.

41 40,97% 17,59% 13,00% 4,82% 0,67% 22,95%

Reino Unido França Alemanha Suécia Portugal Restantes 20 países

No entanto, quando analisados os montantes efetivamente investidos, a concentração por país altera- se, em comparação com a concentração obtida em relação aos novos fundos angariados. O Reino Unido, que angariava 49,85% do total captado na Europa (relembrar Figura 7), tem um peso inferior ao nível do investimento: 40,97% (Figura 15). Já a França investe 17,59% do total europeu. Para além disso, enquanto que a Suécia tem um peso maior na captação de fundos do que a Alemanha, no caso do investimento a Alemanha encontra-se numa posição superior à da Suécia. Portugal, por seu turno, investe apenas 0,67% do total que é investido na Europa.

Figura 15: Peso agregado do investimento por país no total europeu no período 2007- 2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)

Destaca-se porém o comportamento de Portugal entre 2007 e 2009, numa altura de eclosão da crise, que apresenta um crescimento líquido do investimento de 45,18% (correspondente a cerca de 93 milhões de euros): dá-se um aumento de 93,58% entre 2007 e 2008 e uma diminuição de apenas 25% entre 2008 e 2009 (Figura 16). Portugal encontra-se pois em contraciclo com a Europa, que viu uma redução líquida de 65,62% do investimento no mesmo período (correspondente a 1.900 milhões de euros): ocorre uma primeira diminuição de 25% entre 2007 e 2008 e uma segunda entre 2008 e 2009 de 54,16% (Figura 16).

42 0 250 500 750 1 000 1 250 1 500 1 750 2 000 2 250 2 500 2 750 3 000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Milh ões de eu ro s

Média europeia Portugal

A partir de 2009 inicia-se na Europa uma tendência de crescimento do investimento até 2011 (87,80%). Já em Portugal, o investimento diminui 32,01% entre 2009 e 2010, no entanto no ano seguinte cresce 117,37%, registando-se nesse ano o valor máximo do período (aproximadamente 442 milhões de euros). A partir de 2011 verifica-se uma tendência decrescente do investimento no país, à exceção de 2013, tendo-se atingido o mínimo absoluto em 2015, com um investimento de apenas 150 milhões de euros.

Já na Europa, o montante médio investido diminui 19,87% entre 2011 e 2012 e a partir desse último ano recupera a trajetória ascendente, porém ainda sem alcançar o valor investido no início do período (aproximadamente 2.900 milhões de euros).

Para concluir, verifica-se que, em termos globais houve uma redução de 34,96% do investimento na Europa entre 2007 e 2015 (aproximadamente 1.000 milhões de euros) e em Portugal, que se encontra em todo o período substancialmente abaixo da média europeia, ocorreu uma diminuição líquida de 27,20%, que corresponde a uma diminuição de aproximadamente 56 milhões de euros.

Figura 16: Evolução do investimento em Portugal e na Europa no período 2007-2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)

Em Portugal há uma preferência pelo investimento em empresas que se encontram num maior estágio

de maturidade, mais concretamente na fase de buyout, que representa, a um nível agregado mais de

43

preferência, o investimento em capital de lançamento (13,64%), crescimento (10,72%) e later-stage

(10,12%). O investimento na fase de capital semente é o que tem menor expressão no país, representando apenas 0,95% do investimento total.

Figura 17: Peso agregado do investimento em cada fase no total investido em Portugal no período 2007-2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)

Na Europa existe uma concentração ainda mais evidente do investimento na fase de buyout,

correspondendo a mais de 70% do investimento total entre 2007 e 2015 (Figura 18). A segunda fase a atrair mais investimento é a de crescimento (12,37%) e, à semelhança do caso português, o investimento na fase de capital semente é o mais insignificante (0,36% do total investido).

0,95% 13,64% 10,12% 10,72% 4,55% 5,18% 54,83%

Capital semente Capital de lançamento Later-stage Capital de crescimento

44 0,36% 4,87% 4,75% 12,37% 0,98% 3,26% 73,41%

Capital semente Capital de lançamento Later-stage Capital de crescimento

Resgate Capital de substituição Buyout

Figura 18: Peso agregado do investimento em cada fase no total investido na Europa no período 2007-2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)

Quanto à evolução do investimento em cada fase, nem sempre o buyout foi o preferido pelos

investidores portugueses. Por exemplo, em 2007, a fase de later-stage atrai 52,67% do investimento

total (Figura 19). No entanto essa fase perde expressão ao longo do tempo, representando apenas 0,64% do investimento total em 2011 (e 12% em 2015). Por outro lado, a fase de crescimento apresenta pouca expressão no início do período (1,46% em 2007) e em 2013 atinge um máximo de 25,99%.

A fase de resgate tem apenas expressão em Portugal em 2009 (20,30%) e 2011 (17,53%), dois anos em que o país atravessou dificuldades económicas, as quais afetarem várias empresas, levando à necessidade de proceder à sua reestruturação (Caetano, 2013). Este resultado vai ao encontro do estudo realizado por Cabral-Cardoso et al. (2016), que sugere que a crise permitiu aos investidores chegar a novos segmentos empresariais.

45 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Capital semente Capital de lançamento Later-stage Capital de crescimento

Resgate Capital de substituição Buyout

Figura 19: Evolução do peso do investimento por fases no total investido em Portugal no período 2007-2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)

Já na Europa, a evolução do investimento por fases é bastante mais constante. O investimento

direcionado a buyout ultrapassa 70% do investimento total no período considerado (Figura 20), à

exceção de 2009, ano em que também se reduziu o investimento nessa fase em Portugal. As restantes fases mantêm também os seus pesos relativamente constantes ao longo do tempo.

46 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Capital semente Capital de lançamento Later-stage

Capital de crescimento Resgate Capital de substituição

Buyout

Figura 20: Evolução do peso do investimento por fases no total investido na Europa no período 2007-2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)

Em Portugal a evolução do investimento por setores é algo irregular. Para o mesmo setor, existem anos em que o investimento é praticamente nulo e anos em que representa a maior fatia do investimento. Os setores que atraem mais CR encontram-se na Figura 21. O período inicia-se com uma preferência pelo investimento no setor da energia e ambiente, representando 51,59% do investimento total em 2008. Esse setor perde no entanto importância nos anos seguintes e em 2015 atrai 17,08% do total investido. Um comportamento semelhante é verificado ao nível do investimento no setor das ciências da vida, que entre 2008 e 2009 cresce exponencialmente (29,41 p.p.), para no ano seguinte descer novamente até aos 1,18% do total investido. O investimento nesse setor cresce novamente a partir de 2010, terminando o período com um peso de 10,57% (2015).

O investimento no setor dos bens de consumo e retalho cresce 47,01 p.p. entre 2007 e 2011 e de seguida o seu peso vai diminuindo até 2013. A partir desse ano volta a ganhar importância representando em 2015, 21,53% do investimento total.

O setor dos produtos químicos e materiais, que é em 2010 o que atrai mais investimento (37,76%), perde importância ao longo do tempo, representando o investimento no mesmo apenas 2,19% do montante total investido em 2015.

47 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Outros Negócios e produtos industriais

Produtos químicos e materiais Bens de consumo e retalho

Energia e ambiente Ciências da vida

Por último, o setor dos negócios e produtos industriais é o setor que apresenta uma evolução mais constante, sendo particularmente importante entre 2011 e 2013, com um peso de aproximadamente 20% nesse período. Em 2015 tinha um peso de 10,83% no total investido.

Através da análise à Figura 21 conclui-se que a partir de 2012 passa a existir uma evolução mais constante do investimento por setor, atraindo cada um deles valores mais semelhantes.

Figura 21: Evolução do peso do investimento por setores no total investido em Portugal no período 2007-2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)

Na Europa existe uma preferência pelo investimento nos setores dos bens de consumo e retalho, das ciências da vida e dos negócios e produtos industriais, representando o investimento em cada um deles, a um nível agregado, respetivamente 14,53%, 13,10% e 12,96% do investimento total europeu (Figura 22). Destaca-se ainda a importância atribuída aos setores das comunicações (11,15%), dos computadores e eletrónicos de consumo (8,74%) e dos negócios e serviços industriais (8,60%).

48 0% 2% 4% 6% 8% 10% 12% 14% 16% Outros Transportes Serviços financeiros Serviços ao consumidor Produtos químicos e materiais Negócios e serviços industriais Negócios e produtos industriais Imobiliário Energia e ambiente Construção Comunicações Computadores e eletrónicos de consumo Ciências da vida Bens de consumo e retalho Agricultura

Figura 22: Peso agregado do investimento por setores no total investido na Europa no período 2007-2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)

Na Figura 23 pode observar-se que na Europa o peso do investimento em setores de alta tecnologia é constante ao longo dos anos, não excedendo 11,98% (2015) do total investido. Em Portugal, a evolução é bastante mais inconstante, atingindo um máximo de 21,05% em 2007 e logo no ano seguinte um mínimo de 2,52%. Nos anos posteriores não excede os 8,13% (2010) à exceção dos anos de 2013 (19,94%) e 2015 (17,56%).

Os pesos relativamente baixos do investimento dirigido a estes setores contrariam o pressuposto de que o CR financia essencialmente empresas de alta tecnologia, como defendido por alguns autores, como por exemplo, Hyytinen e Toivanen (2003) e Schertler (2003).

49 0% 5% 10% 15% 20% 25%

Alta tecnologia - Europa Alta tecnologia - Portugal

2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Figura 23: Evolução do peso do investimento em setores de alta tecnologia no investimento total na Europa e em Portugal no período 2007-2015

Elaboração própria com dados a partir de InvestEurope (2015)