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Se fizermos uma revista na maior parte dos seres humanos e, pondo- os em fila, de improviso os virarmos de cabeça para baixo, veremos que muito poucos tostões caem de seus bolsos. Entretanto, isso não quer dizer que eles nunca tenham possuído - uns mais, outros menos - uma certa quantidade de dinheiro, com a qual poderiam ter forjado o que comumente se chama de “um futuro tranqüilo” no aspecto econômico. O que acontece é que geralmente se ignora como deve ser encarado o problema da estratégia econômica individual.

Supondo, por exemplo, que as notas de um peso* representem sol- dados, procuraremos recrutar um pequeno batalhão e, para isso, bus- caremos obter cinco soldados; teremos, assim, uma nota de 5 pesos. Como a aspiração não deve terminar aí, vamos nos esforçar para au- mentar o número de soldados e, quando tivermos conseguido reunir 10, teremos já um tenente. Seguindo o processo de recrutamento dos soldados-pesos, que, é claro, terão de ser ganhos honestamente - “com o suor da própria fronte”, como se diz -, chegaremos a converter o pe- queno batalhão em vários, obtendo a nota de 50 pesos, que represen- tará um capitão. Adiante, vigiando sempre para que os soldados não desertem de suas fileiras - coisa que deve ser cuidada com esmero, porque são muitos os que recrutam essa classe de servidores da econo- mia individual, e, quando se vê, eles já foram para outro quartel -, che- garemos a uma nota de 100 pesos, ou seja, teremos um major; um ma- jor que equivalerá a 100 soldados. Se continuarmos alistando novos praças no exército em formação e não experimentarmos baixas em seu número, chegaremos à nota de 500 pesos, que virá a ser um coronel, e assim, progressivamente, até a de 1.000 pesos, que já será um general.

Ao chegar a este primeiro general - que é o mais custoso, pois quase se poderia dizer que muitos passam a vida sem conseguir ter em suas mãos uma patente tão cobiçada como esta cédula rosada -, tudo con- sistirá em saber conservá-lo e fazer que, com sua ajuda, se possa ir for- mando outra legião de soldados, para que haja mais generais em atividade. Quase sempre acontece, e é bom ressaltar este fato, que, tendo este militar de nosso exército econômico já assumido suas funções, o re- crutamento dos soldados-pesos será cada vez menos difícil.

Contudo, não devemos pensar que este assunto andará sempre às mil maravilhas. Cada inversão de capital significa mandar para a luta um exército de pesos que, muitas vezes, representa uma boa quan- tidade de generais, coronéis, etc. Se formos derrotados na batalha, ocorrerá que nosso exército vai ficar um tanto desorganizado, e o número dos soldados diminuído consideravelmente. Se, ao contrário, vencermos, a vantagem será representada pelo aumento do número de todos eles, de conformidade com a magnitude do triunfo.

Porém, o que diríamos ser a vitória não consistirá em saber ganhar as batalhas, mas sim em saber sobrepor-se às derrotas e preparar-se para novas operações naquelas frentes em que a inversão parece correr menos risco. Naturalmente, quem possui um exército com maior quantidade destes soldados-pesos é respeitado e considerado pela força que reúne em si, sendo muito difícil que se possa vencê-lo numa batalha. Acontece, também, que às vezes se unem vários desses exér- citos de pesos, ou seja, vários capitais, e formam uma empresa. Nesses casos, as probabilidades de êxito, pode-se dizer, estão quase assegura- das. Com paciência, tempo, prudência, empenho e convicção, é pos- sível chegar a ter um exército semelhante, com o qual se pode enfren- tar qualquer classe de situações.

Como vemos, é questão de cada um aprender a técnica de recrutar os pesos que haverão de servir-lhe para estabilizar sua situação econômica, sem que para isso deva recorrer a ações extremadas, sem- pre perniciosas.

A experiência demonstra que esses soldados-pesos deverão circular com inteligência para que se reproduzam, sendo essencial saber dirigir

estrategicamente seus movimentos, a fim de que não os vejamos militan- do em outros campos de recrutamento. E, como convém extrair sem- pre algo útil de tudo, interessa recordar o que dissemos, ou seja, quem sobrevive às derrotas que se podem sofrer nesse sentido é o que sabe triunfar nelas e, sem perder a coragem, se dispõe a recrutar novos e mais numerosos praças para os campos de ação de seu pequeno mun- do econômico.

Esta estratégia, tão singelamente descrita, e que por isso mesmo parece fácil de realizar, é uma das tarefas mais difíceis que cabem à razão humana, visto que implica cobrir a vida material com a devida defesa econômica, para que a vida moral e espiritual possa desenvolver- se sem as travas que as situações precárias costumam criar para ela.

Fazemos referência a este aspecto por conceituá-lo o mais natural dentro da órbita das possibilidades humanas, cujos fins haverão de tender sempre à superação constante das virtudes e à eliminação dos defeitos e erros, coisa que não poderá ser feita se não se tomar como norte o que está além das preocupações correntes da vida material.

Não vamos considerar aqui aqueles que, na eventual posse de uma fortuna, dissipam insensatamente o que possuem, seja em negócios ou no jogo, caso em que se confia tão-somente na sorte. Tampouco con- sideraremos os que, acumulando milhares e até milhões desses solda- dos-pesos, os asfixiam dentro de uma caixa de ferro, ou pretendem, com eles, em emboscadas perigosas, pôr mão em altos rendimentos da usura, desvirtuando a nobre função que foi atribuída a esses servidores da economia individual e universal. Só diremos que o contrário sucede quando, ao se compreender em toda a sua amplidão o papel que esses soldados-pesos devem desempenhar como agentes da independência econômica, são eles destinados, quando seu número excede ao necessário para o bem-estar e a felicidade individual, a obras constru- tivas de alta significação espiritual e social, fazendo com que esses agentes da vida econômica se constituam num elemento de concórdia na vida de relação, e não, como tem ocorrido até aqui, em promotores de discórdias.

COMO

SE

FORJA

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GRANDEZA