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Fernando Bento

No documento Educações no Alentejo (páginas 69-75)

Resumo Par ndo da matriz pedagógica inscrita no programa de Filosofi a para Crianças de Ma hew Lipman, nome-

adamente nas suas esferas de competência polí ca e social, o obje vo da presente comunicação visa duplamente apresentar o seguinte: num primeiro momento, o conceito de Comunidade de Inves gação, promotora de alegria e signifi cação, cursando sobre o diálogo, tanto na defi nição do carácter da criança como na preservação do seu ser comunitário e ques onante; num segundo momento, a afi rmação do projeto educa vo a desenvolver no Alentejo e denominado Recreio Filosófi co, que se concebe quer como expressão do exercício de recreação sobre a compe- tência do que se descobre numa constante operacionalização da razão no ato convivencial, quer naquilo que existe enquanto produto cultural. Crê-se ser este o caminho no acolhimento prazeroso da escola como reforço educa vo da criança do Ensino Básico.

Palavras-chave Comunidade dialógica, Filosofi a para Crianças, Ma hew Lipman, Educação.

Face ao risco de se instalar a preguiça sobre a problema zação da dimensão existencial, dimensão originária da comunicação do ser humano consigo, com os outros e com o mundo, cedendo-se à abor- dagem superfi cial e espontânea, da qual fazem uso cada vez mais corrente as crianças e jovens deste país, importa confrontar as resistências reducionistas da ação e do pensar.

Ainda que pressuposto, na Lei de bases do Sistema Educa vo (ar go 2º, n.º 5), o princípio de que “a educação promove o desenvolvimento do espírito crí co, democrá co e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, formando cidadãos capazes de julgarem com espírito crí co o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transfor- mação progressiva”, na maioria dos casos, o nosso sistema educa vo descura a exigência do pensar em bene cio da gratui dade da “era da imagem” e da “era da informação” instaladas na nossa sociedade, oferecendo, sem qualquer preocupação refl exiva, aquilo que no ser humano deve ser conquistado: o saber e o sabor de o alcançar.

Uma das diversas funções que competem às Ins tuições Educa vas é es mular os seus alunos no ato de pensar e de refl e r de forma autónoma, pelo que é necessário que o aluno se “transforme”, isto é, mude através da prá ca, do fazer. É precisamente neste ponto que o papel da Filosofi a é manifesta- mente expresso.

Assim, o que aqui se pretende não é retomar a questão da reforma curricular e metodológica do ensino, nem reforçar ideologias pedagógicas; é sim mostrar a importância de garan r à criança a manu- tenção do seu estatuto inquisi vo mediante a fi losofi a, iniciando-a na experiência de pensar sobre a sua

construção pessoal e social, no quadro da sociedade democrá ca onde habita e que encarna os valores da autonomia, do direito à diferença e da cordialidade empá ca, da universalidade e da reciprocidade. Tal iniciação pode ser assegurada pelo programa de Filosofi a para Crianças.

O programa de Filosofi a para Crianças, em idades compreendidas entre os 5 e os 10 anos, é uma al- terna va saudável, proporcionada pela refl exão dialógica e comunitária, ao desenvolvimento das com- petências que as assistem e à aquisição de habilidades de resposta aberta às exigências de futuro. Pro- curar ridicularizar esta prá ca fi losófi ca é tentar desvirtualizar a própria fi losofi a e a própria educação. Decorre uma questão impera va: é possível a criança fi losofar? Advindo da génese da fi losofi a, o espanto e a curiosidade em relação ao mundo e ao exis r nele têm na criança um natural acolhimento. Não há ser mais curioso do que a criança. Ninguém como ela é capaz de interrogar até à exaustão do adulto, acerca das coisas que o senso comum considera erradamente desnecessárias e ridículas, ou corretamente lógicas e adequadas.

No fundo, pretende-se rar par do da capacidade de ques onamento, dando-lhe um sen do, confe- rindo-lhes uma forma, isto é, possibilitar o desenvolvimento do espírito crí co, do pensamento lógico, autónomo, do pensar claro e bem, incu ndo-lhes o hábito do raciocínio sobre todas as prá cas de ação.

Dos principais obje vos desta prá ca fi losófi ca com crianças, destacam-se o favorecimento de uma a tude crí ca e cria va, o desenvolvimento da destreza do raciocínio lógico, a familiarização com as componentes é cas das experiências humanas, o reforço dos aspetos afe vos, emocionais e cogni vos, e, ao invés da dita Educação Tradicional, a valorização do papel a vo da criança, conferindo-lhe sempre o direito de par cipar, passando o professor e o aluno a interagirem conjuntamente dentro da sala de aula como se de uma comunidade se tratasse.

Neste sen do, de acordo com a visão defendida por Froebel, a espontaneidade da criança enquanto base da sua formação e do seu desenvolvimento, permite-lhe atuar a vamente sobre a sua própria existência, contribuindo para o desenvolvimento de um ser humano progressivamente mais pensante e mais consciente. De acordo com este autor, quando se fala em pedagogia está-se no fundo a falar em pedagogia da ação, dentro da qual a criança deixa de apenas receber informação e passa a agir, a ser capaz de produzir, de decidir e de realizar.

O homem é, desde sempre, um ser social e é co, logo, é por meio do exercício da sua moralidade que ele efe va concretamente a e cidade social. Insis r no resgate deste sen do da vida-em-comum é uma tenta va de superar a racionalidade subje va e impessoal que fundamenta a modernidade da nossa sociedade.

Ma hew Lipman, assumido pon fi ce desta prá ca, discerniu uma modalidade de concre zação e elegeu-a como uma prioridade vital para o desenvolvimento humano e social. Há que ins gar a criança a pensar sobre o próprio pensamento, sobre aquilo que lê ou o que escuta, sobre o que pergunta e como pergunta, sobre o que produz, em si, de si e para com os outros, conferindo a esta prá ca um sen do democrá co de exercício permanente e rigoroso de inves gação em comunidade, sem descurar o imaginário poé co do pensar infan l.

A razão principal que levou Ma hew Lipman à criação da Filosofi a para Crianças enquanto método concentrou-se no propósito de que a Educação deve centrar-se no pensar em detrimento da aprendiza- gem por repe ção. O autor toma consciência da existência de um sistema de ensino enfraquecido, in- capaz de formar cidadãos capazes de pensar, afi rmando mesmo que aqueles carecem de componentes vitais ao pensamento nos currículos de ensino. Por esta razão, defende o ensino da lógica, do raciocínio, da arte de pensar, de exercitar o pensamento. Acreditando mesmo que através do estudo da lógica é possível uma maior análise e descodifi cação dos argumentos, a iden fi cação de critérios, o desenvolvi- mento da capacidade imagina va e de resolução de problemas.

O obje vo seria então o de despertar em cada aluno a sua capacidade de problema zar, de iden fi - car e de criar pontos de vista, sempre com respeito por eles próprios e pelos outros, tornando-os desta forma pensadores crí cos e cria vos.

Foi enquanto professor de lógica e trabalhando com alunos universitários que Ma hew Lipman com- preendeu as lacunas existentes na forma como os seus próprios alunos pensavam, revelando-se a ver- dadeira dimensão do problema e permi ndo-lhe concluir que o ideal seria es mular o pensar nas faixas

etárias mais novas. Assim sendo, Lipman afi rmou que caso as crianças fossem iniciadas pelo mundo da lógica desde cedo, tal permi r-lhes-ia pensar de forma mais racional, refl exiva e crí ca.

Para este autor era claro que, independentemente de todo o trabalho levado a cabo pelos alunos e pelos próprios professores, este não nha sur do efeito e, como tal, não exis a qualquer po de pen- samento crí co. Se aquilo que propunha vesse sido realizado então seria possível assis r a uma maior consciência, razoabilidade e melhor capacidade de julgar e de bom senso.

Associado ao paradigma socrá co, o projeto que aqui se apresenta pretende focar o sen do edu- cacional coopera vo da própria Comunidade, que, sob uma égide lucida e lúdica, retrata o possível carácter progressivo da educação como um impera vo de alegria sobre a capacidade da criança se relacionar, par cipar, interagir e contribuir, sozinha e em grupo, fomentando a cultura de classe/turma, na construção de uma iden dade signifi cante de si e de uma alteridade consciente numa sobrevida merecida e esclarecedora.

Esta Comunidade enquanto espaço dialógico e, por conseguinte, relacional, é condição subjacente à par cipação em equidade que confere a este locus de aprendizagem o carácter de seguridade, ou seja, um lugar de bem-estar. E todo o bem-estar tem a tonalidade da alegria. Citando Mar n Buber (1982, p.66), “a comunidade (…) é o estar não-mais-um-ao-lado-do-outro, mas estar um-com-o-outro. [Ou

seja] (…) a comunidade existe onde a comunidade acontece.” E acrescenta (1987, p.34), “vida e comu- nidade são os dois lados de um mesmo ser.” Quanto maior o suporte social recebido, maior será a qua-

lidade das relações sociais, da autoes ma, do sen mento de pertença e de importância. As emoções posi vas advindas deste sen mento de comunidade, realçam as competências afe vas e cogni vas, realçam a excitação e o interesse, condições primordiais à qualidade e sa sfação da vida a va da criança no ambiente escolar do presente e polí co de futuro.

A sala de aula ao reves r-se da sua humanidade, com laços de escuta, compreensão e entendimento, sobre interpretações e comportamentos, com a vidades dinâmicas e prazerosas, a par r da interven- ção par cipa va da criança e nutrida pelo seu interesse e pela sua própria experiência, a aprendizagem tornar-se-á surpreendente. Para Lipman e Freire, o modelo de educação que pode funcionar verda- deiramente é aquele que começa pela necessidade de quem aprende e não pelos conceitos de quem ensina. O ato de ensinar não deve ser encarado como algo imposto ou tão-somente a transferência de conhecimentos como se o aluno fosse um depósito bancário, mas sim como uma experiência bastante enriquecedora em que a criança aprende e ao mesmo tempo se diverte a aprender.

Assim, diversão aliada à facilitação e orientação de uma inves gação é aqui entendida como pensar com vigor e desafi o, com rigor e precisão, numa tensão con nua, saudável, em grupo. À ausência de medo, de vergonha, de ódio, de vaidade ou arrogância, expressas na necessidade de protagonismo ou ostentação pessoal está a alegria encarnada como uma emoção posi va suprema advinda do caráter lúdico e expressivo deste exemplo de comunidade, classifi cando-a como um espaço prazeroso de cons- trução de iden dade e fomento de alteridade. Assim entendida como um es mulo emocionalmente competente e estruturante de estar com os outros em situação de diálogo, a proposta metodológica de Ma hew Lipman torna-se necessária à ação comunitária e exigível à moralização do indivíduo, ao auto progresso, ao progresso da cidade e ao progresso do mundo, num exercício con nuo de cidadania.

Inserida no contexto da Filosofi a Contemporânea da Educação, sob infl uência direta do pragma smo norte-americano, nomeadamente Charles Pierce e John Dewey, a temá ca pedagógica de Ma hew Lipman, na possibilidade de ser encarada como um novo paradigma da educação, pretende ser assu- mida neste projeto como potência retroa va na inscrição u litarista da socialização, através de uma opera vidade da convivência na recreação con nua do pensamento, da inves gação é ca e do o cio da prá ca moral que lhe é adjacente, bem como na reconstrução sistemá ca do signifi cado da experiência vivencial em sintonia com a aprendizagem crí ca sobre uma cultura de equidade e de valorização sobre o indivíduo. Tornar-se pessoa é digno da condição de quem alia a vontade de aprender ao exercício do pensar, ao uso correto da palavra, à comunhão dialógica, ao compromisso polí co e ao bem-estar social, de que a alegria é expressão.

Infere o pedagogo e fi lósofo contemporâneo francês Georges Snyders (1996, p.36) que “Educar é

afe vo, amável e cooperante, é também uma educação para o pensar e para os valores. Consignando o aspeto lúdico advindo da alegria na Comunidade de Inves gação, à criança é apresentado um conjunto de instrumentos que lhe permitem cumula vamente construir e reconstruir signifi cados sobre si, sobre os outros e sobre a realidade circundante, redefi nindo-os na elaboração do pensamento individual em permutações constantes com o pensamento cole vo.

Da gestão das emoções posi vas propensa ao desenvolvimento pessoal e social, por meio da des- coberta e da cria vidade, a criança tenderá a expressar, analisar, cri car e transformar o meio que a envolve. Se aplicada e compreendida, mediante a metodologia Lipmaniana, a educação pela diversão constru va contribuirá para o sen mento de pertença à comunidade, quer na qualifi cação e formação crí ca e cuidadosa da criança, quer na melhoria do seu comportamento e relacionamento polí co e social de intervenção comunitária que lhe será exigida agora e no futuro.

É neste ambiente de Comunidade de Diálogo e Inves gação que se proporciona o estatuto de a vi- dade ao agente educa vo “criança”, que se aprende pela mo vação do que é signifi ca vo, pela presta- ção de atenção ao que se diz e ao que é dito, pelo empenho quer na conquista argumenta va, quer no cuidado em consolidar a vontade crí ca e cria va. Segundo Lipman (1988a, pg.194) “aprender alguma

coisa é aprendê-la de novo no mesmo espírito de descoberta que prevalecia quando foi descoberta pela primeira vez, ou com o mesmo espírito inven vo que prevalecia quando foi inventada pela primeira vez”

– tratando-se assim do verdadeiro espírito de inves gação em comunidade sob a orientação instrumen- tal de um diálogo refl exivo, inves ga vo e delibera vo.

Atendendo a esta necessidade educa va e na certeza de que o progresso de uma sociedade resulta do desenvolvimento da capacidade de refl exão e de intervenção dos seus membros, importa assegurar o futuro educando para o pensar, numa prá ca fi losófi ca em sala de aula, como força motriz na constru- ção e edifi cação do indivíduo nas suas esferas de competência polí ca e social, implicando pensar bem

para bem dizer, bem-fazer e bem agir.

Enquadrada a proposta pedagógica de Ma hew Lipman com a Proposta Curricular de Educação para a Cidadania para os Ensinos Básico e Secundário do projeto educa vo do Ministério da Educação e Ciên- cia, destacam-se nas páginas 8 e 9 deste documento a intenção governamental sobre a importância das interações do quo diano para criar espaços de diálogo e oportunidades de par cipação das crianças, para promover a sua autonomia refl exiva, a compreensão do mundo, dos outros e de si, e a capacidade como a empa a, a comunicação e a argumentação, o diálogo e a negociação (inves gação coopera va), a responsabilização e o compromisso para com o grupo/classe/comunidade do qual é parte integrante.

Confi nados nas competências delineadas por Lipman com a pretensão de contribuir para o desen- volvimento integral da criança, do mesmo documento, é importante referenciar os seguintes obje vos: “ (1.1.) iden fi car diferentes pontos de vista”; “ (1.3.) entender e colocar-se na perspe va do outro”; “ (1.4.) interagir com os outros, estabelecendo relacionamentos constru vos”; “ (1.5.) cooperar com os outros na prossecução de obje vos comuns”; “ (2.3.) revelar capacidade de criar e inovar”; “ (2.4.) ana- lisar cri camente situações sociais e o seu próprio desempenho”; “ (2.5.) ajuizar sobre o que é justo ou injusto em diferentes situações”; “ (3.2.) argumentar e debater as suas ideias e as dos outros”; “ (3.3.) usar adequadamente a expressão oral e escrita para estruturar o pensamento e (saber) comunicar”; “ (4.1.) reconhecer que pode infl uenciar os processos de decisão, individual e cole vamente, através de várias formas de par cipação”; “ (4.2.) par cipar nas decisões que dizem respeito a si ou aos seus con- textos de vida” e “ (4.3.) demonstrar interesse pelos outros e pelo bem comum”; “ (4.4.) u lizar regras de debate democrá co e instrumentos de decisão democrá ca”.

Por estas razões, apresenta-se o projeto educa vo de intervenção comunitária denominado “Recreio Filosófi co – Uma Escola da Alegria”, a ser proposto nas escolas básicas do 1º Ciclo de Escolaridade da concelhia de Évora nos próximos quatro anos le vos, em regime de A vidade Extra Curricular com a propensão de nominar, também, Évora enquanto Cidade Educadora.

Como expressão do exercício de recreação através de uma constante operacionalização da razão convivencial e daquilo que existe enquanto produto cultural, sob uma linguagem cole va iden tária, suportado pelas diretrizes metodológicas concebidas por Ma hew Lipman e fazendo jus aos autores portugueses constantes no Plano Nacional de Leitura, este trabalho tem como obje vo pedagógico,

não o de informar as crianças da existência dos fi lósofos, nem das suas ideias ou das suas obras, mas, antes, pretende contribuir para o desenvolvimento e compreensão da linguagem e das capacidades crí cas, cria vas e cuidadosas das crianças numa con nua promoção do seu pensamento autónomo, da sua destreza comunicacional e do seu ato de jus ça sobre o outro que pode sempre ser mais do que ele mesmo, sob o mesmo desígnio de uma melhor contribuição democrá ca, unitária e esclarecedora.

Nesta Comunidade Dialógica Inves ga va, promotora do ato de alegria que se entende como ato de signifi cação e defi nição de carácter na preservação do ser comunitário e ques onante, subsidiado por uma noção a va de construção de uma sociedade onde se pretende que prevaleçam as regras básicas de uma boa educação, será conferida a oportunidade aos par cipantes de crescerem intelectualmente.

Dos princípios orientadores de construção de uma Comunidade de Inves gação Dialógica propostos por Ma hew Lipman, destacam-se: a par lha de responsabilidades e de poderes de decisão sobre pos- síveis desigualdades sociais no seio educa vo; a função propedêu ca do diálogo como princípio regula- dor do ensino e da aprendizagem; o ênfase na prá ca pedagógica através de uma visão constru vista na qual os papeis dos diversos membros, independentemente do papel assumido, se interligam e comple- mentam, enquanto aprendizes, num processo educa vo e progressivo de construção de conhecimento, tais como, as experiências pessoais, as caracterís cas individuais, as necessidades e obje vos de cada um são tomadas em conta e introduzidas neste tomo, enriquecendo a aprendizagem e fortalecendo a relação interpessoal.

Assim, na tenta va desafi adora de desenvolver estratégias que possibilitem operacionalizar dida- camente a opção pedagógica de incen var uma cultura do pensamento nas crianças, desde as suas primeiras experiências escolares, apresentando formas de juntar o trabalho realizado com as habili- dades próprias do fi losofar à discussão de questões temá cas relevantes ao processo de formação da consciência de si e do mundo, sob diferentes esferas de foro fi losófi co, tais como, a lógica, a esté ca, a é ca, a antropologia, a ontologia e a polí ca. Para tal, propõem-se dinâmicas de diálogo fi losófi co, que permitam abordar questões que povoem o quo diano das próprias crianças, na direção de um diálogo entre emoções e razões.

De entre as formas de intervenção e em conformidade com os obje vos dire vos desta proposta educa va, o mais importante grupo de bene cios que esta prá ca fi losófi ca pode facultar às crianças é o que se refere à ambientação e ao incen vo ao desenvolvimento de habilidades básicas de conver- sação e de diálogo. No entanto, e por serem adjacentes e subjacentes a estas, serão também desen- volvidas e incen vadas as habilidades de pensamento, de inves gação e a apreciação de conceitos fi losófi cos relacionados com a especifi cidade das temá cas abordáveis.

Da escolha de uma boa ambientação, signifi ca va e intrigante, que es mule o envolvimento da criança no seu processo a vo de pensamento, como se par cipasse numa brincadeira sedutora, num

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