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CAPÍTULO 2 – A INSERÇÃO POLÍTICA E JURÍDICA DA CHINA

2.4 CHINA E BRASIL NO CONTEXTO DAS RELAÇÕES ECONÔMICAS E COMERCIAS

2.4.2 O Fluxo comercial entre o Brasil e a China

O fluxo comercial entre o Brasil e a China passou a se intensificar a partir de 2004, com a criação da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concentração e Cooperação (COSBAN), por ocasião da visita do Presidente do Brasil à China nesse mesmo ano. A COSBAN acompanha as relações bilaterais entre esses dois países, em áreas como: “diálogo político sobre temas de interesse comum no plano bilateral e em foros multilaterais; as relações de comércio e investimentos; os temas financeiros; agricultura; energia e mineração; e a cooperação espacial e em ciência e tecnologia e inovação; além dos setores da educação e cultura”178. Após a crise de 2008, o Brasil e a China demonstraram grande desempenho na recuperação da economia global, o que manteve estável o crescimento interno.

Após a última reunião da COSBAN, em 2006, as relações econômico-comerciais apresentaram notório crescimento. “O fluxo comercial, que então era de cerca de US$ 16 bilhões, hoje [2012] (grifo nosso) já ultrapassa a casa dos 77 bilhões de dólares”179. Em 2009, a China tornou-se o principal parceiro comercial brasileiro, ultrapassando, inclusive, os Estados Unidos, que ocuparam essa posição durante décadas. No atual contexto, a China se estabelece como maior mercado para as exportações brasileiras, constituindo, ainda, o

176 FRISCHTAK, Cláudio e SOARES, André. Carta Brasil-China: Especial agronegócio Brasil - China. A

relação comercial entre Brasil e China no agronegócio- 6ª Edição. 2012. Disponível em: www.cebc.org.br Disponível em: 07/2014, p.04

177 SHIN, Wong K. A China explicada para os brasileiros. São Paulo: Atlas, 2008 178 Disponível em: www.itamaraty.gov.br. Acesso: 16/11/2014

segundo maior fornecedor. Em apenas um ano, entre 2010 e 2011, o comércio bilateral cresceu 36,7%, contra um crescimento de 6,6% do comércio mundial. O ano de 2011 registrou também a ascensão e a diversificação dos investimentos chineses no Brasil.

Na esfera do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), os dados denotam que o

fluxo de investimentos anunciados por empresas chinesas que demonstraram interesse em

se inserir no mercado brasileiro, entre os anos de 2007 a 2012, foi de 60 projetos, com valores estimados em US$ 68,5 bilhões. Os investimentos brasileiros na China também seguem um caminho ascendente. Em 2013 foram 57 empresas com atuação na China, inclusive com participação no mercado interno. Mais adiante, em março de 2013, no bojo das negociações, os Bancos centrais do Brasil e da China assinaram um acordo de swap cambial no valor de R$ 60 bilhões e ¥ 190 bilhões para as operações financeiras dos dois países, motivados pela convicção da garantia do Plano Decenal de Cooperação Brasil-China, firmado em 2012, a

meta estabelecida é a de duplicar o fluxo bilateral até 2021180.

A perpetuação desse discurso, por certo, tornou-se ainda mais evidente com o exponencial aumento das exportações, a cada ano, para a China, como demonstrado na tabela 1, abaixo.

Tabela 1: Grade de Principais Produtos Exportados para a China em 2014

DESCRIÇÃO 2014 (JAN/OUT)

Valor US$ FOB Part % Peso Kg

Soja 16.552.431.367 45,13 32.540.718.660

Minérios de ferro 10.122.182.613 27,60 141.243.664.486

Óleos brutos de petróleo 2.875.833.869 7, 84 4.379.511.239

Pasta quim. madeira 1.174.402.060 3,20 2.509.537.356

Outros açúcares de cana 695.401.839 1,90 1.776.569.426

Pedaços e miudezas, comest.de galos/galinhas, congelados

430.973.588 1,17 188.915.472

Fumo 329.419.688 0,90 43.005.600

Óleo de soja, em bruto 288.785.228 0,79 331.087.891

Ferroniobio 284.180.799 0,77 11.950.000

Outs. couros bovinos, incl. Búfalos 262.776.175 0,72 71.281.035

Algodão 254.191.313 0,69 134.063.094

Pasta química de madeira, para dissolução 236.356.113 0,64 255.590.995 Minérios de ferro aglomerados e seus

concentrados

231.923.572 0,63 1.690.395.158 Catodos de cobre refinado/seus elementos, em

forma bruta

200.033.210 0,55 27.953.744

Alumina calcinada 188.164.952 0,51 656.166.421

Outs.couros/peles,int.bovinos,prepars.etc. 147.498.507 0,40 8.604.993 Minérios de ferro aglomerado p/ processo de 146.351.009 0,40 1.434.030.838

180Dados do site oficial do Itamaraty, do dia 13/02/2012. Disponível em: www.itamaraty.gov.br Acesso:

peletização

Ferroniquel 118.398.447 0,32 23.121.991

Outros minérios de cobre e seus concentrados 118.279.054 0,32 67.419.033 Granito cortado em blocos ou placas 105.736.461 0,29 597.314.652 Demais produtos (ver tabela Anexo 1)

TOTAL GERAL 36.679.206.090 100,00 190.539.836.149

Elaboração Própria: dados de janeiro a outubro de 2014

Fonte: SECEX/MDIC/2014181

Em 2014, o Brasil exportou mais de US$ 36,6 bilhões para a China. Em 2013, a exportação correspondeu a US$ 39,5 bilhões. Em comparação da média no mesmo período do ano anterior, os preços retraíram-se em 2,87%, apesar do volume exportado, em 2014, ter acendido em média de 8,32% a mais que o ano anterior. Tal resultado pode expressar a desvalorização da moeda nacional.

As exportações concentram produtos primários, a soja em grão e o minério de ferro concebem mais da metade do valor total. Dessas exportações, a soja em grão (US$ 16,5 bilhões) e o minério de ferro (US$ 10,1bilhões) representam 72,6% do total. O inverso do ocorrido há sete anos, como sinaliza Shin: “ Em 2007, o Brasil exportou mercadorias no valor de US$ 10, 7 bilhões para a China [...]. Os dois principais produtos, minério de ferro (US$ 3,7 bilhões) e soja (US$ 2,8 bilhões), representaram 64% do total”182. É perceptível que os produtos do agronegócio brasileiro, em particular a soja, vem crescendo e contribuindo significativamente para a geração de divisas para o Brasil; como demonstra os resultados abaixo:

181

Disponível em : www.mdic.gov.br Acesso: 16/11/2014

Gráfico 3: Principais destinos do agronegócio brasileiro em 2013

Elaboração Própria

Fonte: SECEX/MDIC/2014

O comércio agrícola bilateral com a China vem se intensificando a cada ano. De acordo às informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2013 a China absorveu 22,9% do total exportado pelo agronegócio brasileiro. A Zona do Euro com 20,7%, constituindo como segundo maior destino e os Estados Unidos se mantendo em terceiro lugar com 7,1% do total exportado pelo País. Os demais países demandam, também, parcela importante na parceria comercial do agronegócio. Em relação a esse setor, em 2014 a China se consolida também como principal destino das exportações, como se verifica na tabela 1 acima. Na visão do CEPEA/Esalq-USP183, a expectativa é que o Real continue se desvalorizado, devido à recuperação da economia norte-americana, mantendo assim, até o final de 2014, um cenário positivo para as exportações agrícolas brasileiras.

183

Tabela 2: Principais produtos importados da China pelo Brasil

Descrição 2014 (JAN/OUT)

Valor US$ FOB

Part % Peso Kg Outs.partes p/aparelhos recept.radiodif.televisão,etc. 1.232.802.809 3,91 49.328.175 Outs.parts.p/apars.d/telefonia/telegrafia 1.211.175.371 3,84 5.602.688 Barcos-farois/quindastes/docas/diques flutuantes,etc. 379.014.904 1,20 113.680 Terminais portáteis de telefonia celular 372.080.397 1,18 1.339.531 Tela p/microcomputadores portáteis,

policromática

365.132.855 1,16 4.402.610 Microprocessadores mont.p/superf.(smd) 328.573.411 1,04 128.060 Outras unidades de ar condicionado 296.391.122 0,94 57.054.338 Glifosato e seu sal de monoisopropilamina 294.165.006 0,93 52.766.903 Lâmpadas/tubos descarga, fluorescente, de

catodo quente

252.888.099 0,80 27.696.680 Lamin.ferro/aço,l>=6dm,galvan.outro

proc.e<4.75mm

236.273.049 0,75 320.247.804 Outras partes e acess.p/máquinas

automat.proc.dados 225.466.510 0,72 6.108.364 Circuitos impr.c/comp.elétr./eletr.montados 217.043.052 0,69 347.975 Lamin.ferro/aco,l>=6dm,revest.ligas de alumínio-zinco 210.333.599 0,67 264.149.672 Outs.cond.elét.ten.<=100v,c/peças de conexão 181.643.799 0,58 15.021.680 Outros circuitos integrados monolíticos 174.184.012 0,55 230.307 Motocompressor hermético,capacidade<4700

frigorias/hora

172.571.945 0,55 38.709.669 Ci multicamada c/ isolante res.epoxida/tec fibra

vidro

167.494.618 0,53 2.156.925 Outs.adubos/fertiliz.miner.quim.c/nitrogenio

e fosforo

167.090.655 0,53 468.219.951 Acumuladores elétricos de ion de lítio 166.284.192 0,53 2.409.739 Outs.máqs.apar.elétr.c/função própria,ñ cit. 165.015.030 0,52 8.439.821

Outros Produtos (Ver tabela (Anexo 2)

Total Geral 31.511.073.993 100% 10.306.875.642

Elaboração própria

Fonte: SECEX/MDIC 2014

Quanto ao fluxo das importações, em 2014, o Brasil importou da China produtos no valor de US$ de 31,5 bilhões, mantendo o mesmo valor em relação ao ano anterior. Não obstante, o crescimento das importações da China pelo Brasil ao longo dos últimos sete anos, foi vertiginoso, considerando que no ano de 2007, a participação das importações era no valor de US$ 12,6 bilhões. Nesse período, lembra Shin, que “de cada 100 dólares de importações,

10,40 dólares eram de produtos chineses”184. Na acepção deste autor, o crescimento decorre da diversificação das mercadorias importadas, que vão desde bens de capital – conjuntos industriais, máquinas e equipamentos; matérias-primas e intermediários; bens de consumo não duráveis e duráveis – calçados, vestuários, têxteis, eletrônicos e eletrodomésticos; peças e componentes para a indústria – placas para computador -; até combustíveis e lubrificantes; à parte das condições criadas pelo Brasil para impulsionar as importações, das quais estão a consistência do crescimento econômico, o aumento da massa salarial e a grande oferta de crédito.

Para os setores de brinquedos e de eletrodomésticos185 “era uma questão de sobrevivência importar da China, até para concorrer com os próprios produtos chineses. Para isso poderiam agregar valor e fixar preços maiores em cima dos produtos chineses vendidos sem marca conhecida”186.

No setor do agronegócio brasileiro, a participação das importações chinesas corresponde a 0,53%, ficando em 18º lugar dos produtos mais importados pelo Brasil, com destaque para os adubos e fertilizantes. Entrementes, tal resultado não reflete no custo da produção agrícola. O custo da produção de grãos, como por exemplo, é muito alto devido aos elevados preços dos insumos, o que prejudica a concorrência com países como Estados Unidos e Argentina, onde os valores dos insumos são reduzidos.