• Nenhum resultado encontrado

Gestão ambiental nas empresas

9. PESCAS

14.3. Gestão ambiental nas empresas

O Decreto-Regulamentar do disposto no artigo 8º do Decreto-Legislativo nº 14/97, nomeia os tipos de actividades que podem ter efeitos sensíveis sobre o ambiente, designadamente: instalações químicas, indústria química, armazenagem de combustíveis fosseis à superfície, instalações para reparação de aeronaves, fabrico de pesticidas, produtos farmacêuticos, tintas e vernizes, refinarias de petróleo bruto, instalações de eliminação de resíduos tóxicos e perigosos por incineração, tratamento químico ou armazenagem em terra, construção de auto-estradas, estradas, aeroportos e aeródromos, portos, siderurgias, instalações para armazenagem de petróleo e de produtos petroquímicos e químicos, fabrico de conservas de produtos animais e vegetais, produção de lacticínios, indústria de cerveja e de malte, instalações destinadas ao abate de animais, fábricas de farinha de peixe, complexos hoteleiros, instalações de eliminação de resíduos industriais e de lixos domésticos, estações de depuração, exploração de pedreiras e outros inertes e armazenagem de sucatas.

É neste âmbito que se enquadra a auditoria ambiental realizada em 1998 e 2000, a empresas instaladas nos centros urbanos mais importantes, no sentido de se verificar se as empresas adoptaram medidas que deveriam consistir em:

Estabelecer uma política ambiental adequada à sua realidade;

• Identificar os aspectos ambientais significativos, os requisitos legais relevantes e as prioridades, para estabelecer objectivos ambientais adequados;

• Estabelecer uma estrutura e um programa para implementar a política ambiental e atingir os objectivos definidos;

• Facilitar o planeamento, o controlo, as acções preventivas e correctivas e as actividades de auditoria e revisão, para assegurar que a política ambiental é cumprida e adequada;

É do interesse do Governo garantir, em conformidade com determinados padrões de gestão ambiental, o procedimento adequado das empresas no sentido de as ajudar a adoptar práticas sólidas de protecção ambiental e de garantir a sua continuidade. Neste contexto, o Projecto de Privatizações e Reforço da Capacidade de Regulação, em coordenação/concertação com o ex-Secretariado Executivo para o Ambiente (ex-SEPA), actualmente Direcção Geral do Ambiente (DGA) realizaram em 1998 e 2000, auditorias ambientais a 20 empresas com sede nas cidades da Praia, Mindelo e na ilha do Sal. Essas empresas foram agrupadas em três classes: empresas de prestação de serviços, empresas industriais e empresas comerciais.

Foram considerados os seguintes parâmetros ambientais: Resíduos líquidos (águas residuais e óleos usados)

Das 20 empresas submetidas a auditoria, 11 e 7, respectivamente, fazem uma má gestão das águas residuais (águas usadas) e dos óleos usados ou residuais. As águas residuais são lançadas no esgoto ou nalguns casos específicos, directamente ao mar, sem nenhum tratamento prévio.

Resíduos sólidos (lixos)

Os problemas mais graves estão relacionados com a deposição de ferro velho em locais menos apropriados. Este problema foi constatado em três das 20 empresas. Nas restantes empresas, os resíduos sólidos, constituídos por cartões usados e outros, são depositados nas lixeiras municipais.

Emissão de gases para a atmosfera

A emissão de gases para a atmosfera constitui um problema em 8 das 20 empresas. A má gestão dos gases tem a sua origem, ou na existência de chaminés com altura inferior ao mínimo aconselhado, ou com a ausência de filtros que minimizem a proporção de gases emanados para a atmosfera. Constatou-se numa ou noutra empresa específica a existência de tubagens já rotas que não evitam a fuga do gás tóxico para a atmosfera.

Níveis de ruído

O nível de ruído constitui um problema para a saúde pública e dos trabalhadores em 2 das 20 empresas. A ausência de dispositivos que minimizem o nível de ruído que sai para fora das fábricas, aliada à sua localização em zonas habitadas (nalguns casos concretos, a empresa foi instalada antes da expansão urbana) são apontadas como os dois factores responsáveis pela manifestação deste parâmetro.

Os problemas ambientais constatados em 1998 continuam ainda no ano 2000, sem solução nestas empresas. As recomendações feitas pela equipa que recolheu os dados ambientais nessas empresas ainda não foram materializadas, devido à falta de recursos financeiros e de assistência técnica na área ambiental.

O destino dado aos óleos usados na ilha de S. Vicente, através das acções de uma Organização não Governamental que se encarrega da sua recolha junto das empresas, parece ser um exemplo a seguir nas outras ilhas. No entanto, merecem realce os problemas que esta ONG enfrenta neste momento em conseguir o financiamento do projecto para a reciclagem deste produto.

Os resultados da amostragem feita em 1998 e mantidos ainda no ano 2000, poderão ser extrapolados para as outras empresas, reflectindo assim a situação real a nível nacional.

Contudo a falta de seguimento da implementação dos Planos de Acção para a resolução das grandes questões ambientais identificadas para cada Empresa por parte de entidades oficiais e a falta de Legislação que obrigue a serem submetidas, de três em três anos a auditorias ambientais externas constituíam até 2003, os grandes problemas institucionais.

Quadro 14.1 - Resumo das constatações e planos de auditorias gerais Actividade/problema Nº de constatações Acção 1. Manipulação de águas residuais 11 Instalação de sistemas de pré- tratamento de águas residuais nas empresas

2. Manipulação de óleos usados

ou residuais 7

Elaboração de planos de prevenção e de contingência para tratamento de

derrames de óleo, fugas e armazenagem

3. Emissão de gases e qualidade

do ar 8

Instalação e/ou substituição de filtros em alguns queimadores

4. Recolha e depósito de lixo

sólido 3

Construção de um aterro/ depósito de detritos na vizinhança da Praia, para armazenagem de ferro-velho.

5. Níveis de ruído 2

Instalação de dispositivos de redução do ruído e uso obrigatório pelos trabalhadores de equipamentos protectores (p.ex. tampões para os ouvidos)

6. Quadros de capacitação e regulação para questões ambientais

20

Nomeação de um quadro sénior em cada empresa com a responsabilidade de gerir os problemas ambientais derivados das respectivas actividades