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9. PESCAS

11.3 INDÚSTRIA

O potencial industrial de Cabo Verde encontra-se localizado essencialmente nas ilhas de Santiago, S.Vicente e Sal.

A indústria Cabo-verdiana caracteriza-se, ainda, por um número bastante restrito de unidades industriais, essencialmente de pequena e media dimensão. São empresas pertencentes aos sub-sectores das industriais alimentar (produção de gelados, moagem de cereais, etc.), de bebidas e tabaco, têxtil (confecções), química (tintas e vernizes, sabões, detergentes, farmacêutica, etc.), de calçado, construção civil, de fabricação de componentes electrónicos, entre outras.

Nos últimos anos, surgiram novas actividades industriais, como sendo a produção de inertes, de aproveitamento de rochas ornamentais, serviços diversos de montagem e de reparação, actividades diversas da indústria agro-alimentar, novas indústrias à base de materiais metálicos e de recursos naturais, como a argila, as aguas naturais, etc.

Nota-se uma certa dinâmica e interesse por parte dos investidores externos em localizar unidades de produção industrial em Cabo Verde, nomeadamente industrias orientadas para a exportação, nas áreas de calçado e de confecção de vestuário.

Funções e recursos ambientais utilizados

Derivado das principais responsabilidades e necessidades do sector industrial, os principais recursos ambientais utilizados pelas industrias e que pode levar a impactos negativos sobre o ambiente são:

 Solo e Recursos Geológicos – Empresas de produção de inertes, de extracção de

inertes (areia e britas) para a construção civil. A obtenção desse tipo de material tem sido através das praias, leito das ribeiras e dunas ou então através das dragagem e britagem de rochas.

A própria ocupação dos solos constitui um desafio ambiental que exige preocupações redobradas.

Exploração de matérias primas como calcário, gesso, argila, escoria vulcânica, pozolanas, Sal no caso dos projectos de valorização dos recursos naturais como: Cimenteira, salinas de Maio e Sal, Pedras para fins Industriais e Ornamentais, Desenvolvimento da cerâmica, Valorização de pozolanas de S. Antão.

 Recursos Hídricos – Empresas de produção de engarrafamento, com a utilização

de águas subterrâneas e como factor de produção;

 Recursos haliêuticos - Industria de conservação de recursos marinhos;

 Floresta e Agricultura – Na utilização como factor de produção nas mais diversas

actividades económicas;

 Recursos agro-pecuários- Utilizados como matérias primas para as actividades

industriais.

O fraco desenvolvimento industrial e a reduzida motorização fazem com que o sector, nesta fase, não seja responsável por elevados efeitos ambientais negativos a nível global ou mesmo a nível regional.

Os principais problemas estão relacionados com:

A inexistência de contrato de deposição de resíduos o que faz com que possa existir contaminações de alguns terrenos contíguos a espaços industriais. O problema identificado é o deposito irregular de resíduos industriais perigosos para a saúde humana, ao meio ambiente, exigindo, por isso, cuidados especiais quanto ao acondicionamento, colecta, transporte, armazenamento e tratamento.

As empresas existentes em cabo verde na sua maioria usam tecnologias antigas o que leva a um impacto ambiental maior isto é, contribuem com maior parcela da carga poluidora gerada e elevado risco de acidentes ambientais sendo, portanto, necessário investimentos de controle ambiental;

As empresas de produção de inertes, são actualmente as grandes poluidoras.

As oficinas de reparação automóveis e serralharias são, também, responsáveis para um certo nível de poluição pois, para alem de serem em grande numero, provocam uma poluição sonora muito elevada.

Intensidade de problemas físicos

No sub-sector da construção que representa cerca de 70% do sector, o impacto negativo sobre o ambiente ligado a exploração de inertes tem sido grande, constituindo um dos principais problemas ambientais a resolver.

Além de poluidora, provoca uma grande modificação ambiental: emanação de poeiras para o ambiente, ruídos, vibrações de solos, feridas nas paisagens após a exploração mineira o que poderá constituir ameaças ao ambiente e saúde publica.

As águas negras de algumas industrias, sem qualquer tratamento prévio, os resíduos industriais sólidos e gasosos, as embalagens não biodegradáveis, os óleos usados, a poluição sonora provocada por pequenas unidades instaladas no “coração” dos aglomerados populacionais, a obstrução das vias e o desordenamento territorial, constituem preocupações importantes e que urgem resolver.

11.3.1 Políticas – Planos nacionais existentes

Conforme se estabelece nas grandes opções do Plano, convém dar continuidade à estratégia de desenvolvimento industrial, conjugando e articulando de uma forma eficaz os dois vectores:

 A produção para a exportação, através da atracção do investimento externo e da

utilização inteligente da situação privilegiada de Cabo Verde.

Neste contexto, a exportação para os países africanos, no âmbito das convenções da CEDEAO, para os países europeus, no âmbito da convenção de Lomé e para os países da América, no âmbito dos Sistema Generalizado de Preferencias (SGP) e AGOA, constitui uma prioridade. Deve-se procurar, no quadro dos acordos de cooperação regional/sub-regional, beneficiar da instalação de unidades piloto, visando o abastecimento desses mercados;

Assinatura de acordos bi e multilaterais com países de sub-região, assim como a cooperação a nível dos cincos.

Com vista a um melhoramento significativo do papel do sector industrial na economia nacional, propõem-se as seguintes acções/projectos concretos a serem desenvolvidas:

No plano legal - Adequação do quadro legal as novas condições em que operam os agentes industriais, com vista à eliminação dos principais problemas, nomeadamente :

• aplicação de nova classificação das actividades económicas –CAE-CV, e da nova CNBS – Classificação Nacional de Bens e Serviços;

• reformulação dos diversos diplomas legislativos existentes ( sua adaptação a realidade actual), criação de outros dispositivos legais que disciplinem o exercício de certas actividades industriais. Estes dispositivos ligados a industria, deverão traduzir-se num único documento “Código Industrial de Cabo Verde”, que seja de fácil aplicação e consulta.

No plano da infra-estruturação - Em cooperação com as Câmaras Municipais, Cabo Verde Investimentos, Ministério de Infra-estruturas, Câmaras de Comercio,

está sendo implementado um novo modelo para a infra-estruturação e gestão dos parques industriais.

Também neste nível pretende-se criar novas zonas industriais na cidade de Assomada, Vila do Porto Novo e Palmeira. Os estudos de pré-viabilidade já foram realizados.

Atenção particular está sendo dispensada à promoção de projectos e novas iniciativas, com especial ênfase nos sectores de valorização dos recursos naturais como sendo as pozolanas, produção de cimento, produção de sal marinho, produção de inertes e a produção da agua de mesa engarrafada.

Pretende-se elaborar um “plano estratégico para o desenvolvimento industrial (passos já foram dados neste sentido), estudo esse que deverá dar as pistas e determinar os instrumentos, os meios e outros factores de desenvolvimento do sector industrial, isto é, visa uma gestão correcta e a implementação de medidas de política mais acertadas, com vista ao desenvolvimento harmonioso e sustentado do sector industrial.

Enquadramento estratégico dos programas em curso e planificados

Promover a capacidade empreendedora, a competitividade e o crescimento, alargar a base produtiva através de:

• Promoção e desenvolvimento do sector empresarial;

• Valorização do recursos naturais – Promoção dos projectos de valorização dos recursos naturais;

• O desenvolvimento de mercados e promoção das exportações - Implementação do sistema nacional de qualidade;

• Estudo do impacto industrial sobre o meio ambiente; • Reforço da capacidade de fiscalização Industrial; • Estudo da protecção efectiva da Industria Nacional;

• Actualização e complementarização legislativa do sector industrial.

• Desenvolver o capital humano e orientar o sistema de ensino/ formação para as áreas prioritários de desenvolvimento;

• Desenvolver infra-estruturas básicas e económicas e promover o ordenamento do território para um desenvolvimento equilibrado através de:

• Desenvolvimento de infra-estruturas económicas

• Desenvolvimento dos canais de distribuição e infra-estruturas de conservação e armazenamento.

CAPITULO 12 12. SAÚDE

Todo o debate sobre o tema ambiente parte de dois pressupostos básicos: o primeiro é a essencialidade da relação ser humano-natureza; o segundo, derivado dessa relação, é de que o conceito de ambiente, tal como o trabalhamos, é construído pela acção humana, e desta forma pode ser repensado, reconstruído e modificado, tendo em vista nossa responsabilidade presente e futura com a existência, as condições e a qualidade de vida, não só dos seres humanos mas de toda a biosfera. Portanto, a consciência de cumplicidade planetária promovida pelo novo paradigma ambiental supera a ideologia antropocêntrica (de domínio do ser humano sobre a natureza) presente em todas as teorias sociológicas e biomédicas anteriores, integrando-as dialecticamente numa nova forma de ver o mundo, em busca de um desenvolvimento sustentável.

É preciso ter em mente que o conceito de desenvolvimento deixou de ser a palavra mágica que durante quase meio século (a partir da segunda guerra mundial) embalou os planos dos países desenvolvidos e os sonhos dos subdesenvolvidos, numa visão evolucionista do progresso, numa corrida de domínio sem limites da natureza e das matérias primas, de forma desenfreada, predatória e anárquica. Hoje, a palavra desenvolvimento parece inspirar mais problemas que soluções, num mundo que conseguiu globalizar fomes continentais, conflitos étnicos, comprometimento da qualidade de vida, poluição, desemprego crescente e estrutural, violência, drogas, esgotamento de recursos naturais, ameaças de extinção de espécies, desastres ecológicos.

Neste contexto, as áreas setoriais de ciência e tecnologia, saúde e meio ambiente deveriam almejar abordagens e políticas pautadas na interdisciplinaridade e intersetorialidade, através da articulação com outras áreas que impulsionam e conformam as características fundamentais do modelo de desenvolvimento caboverdiano, frequentemente com critérios de meio ambiente e de saúde, ainda muito incipientemente incorporados. Portanto, a existência de mecanismos eficientes de coordenação na elaboração das políticas macro-económicas e sectoriais específicas - industrial, ciência e tecnologia, urbana, agrícola , de transportes, dentre outras - com os objectivos da saúde e meio ambiente seria uma condição sine qua non para o desenvolvimento sustentável.

Essas são algumas questões que devem nos manter acesa a consciência e nos levar a participar, desde já, do grande debate do novo milénio. A saúde pensada como qualidade de vida e o sector saúde enquanto promotor de mudanças nessa direcção têm seu lugar assegurado e privilegiado na mesa de discussão actual e futura.

Cabo Verde, como país que ainda se encontra no seu processo de transição epidemiológica, caracterizado pela prevalência em simultâneo de doenças típicas de países desenvolvidos (sobretudo as doenças crónico-degenerativas) e de doenças típicas de países menos desenvolvidos, como são as Infecciosas e Parasitárias, ainda enfrenta dificuldades originadas por deficiências na infraestruturação em saneamento básico, por comportamentos, atitudes e práticas das populações que demonstram carências na

informação e educação viradas para a defesa do ambiente e para a promoção e protecção da saúde, situações agravadas por um importante êxodo rural para os centros urbanos. Este quadro tem contribuído para que o país ainda mantenha uma vulnerabilidade importante relativamente a muitas doenças de origem ambiental e com potencial epidémico, como demonstram, por exemplo, as recentes epidemias de cólera, de diarreia com sangue e de paludismo.

Daí a importância de um plano que conjuga preocupações ambientais com as da saúde, numa abordagem integrada, no sentido de uma maior consciência da necessidade de promoção de estilos de vida mais saudáveis em defesa da saúde ambiental, num esforço conjunto entre as instituições e a própria comunidade.