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Gestão ambiental nos Municípios

9. PESCAS

14.1. Gestão ambiental nos Municípios

Das atribuições dos Municípios, na vertente ambiental, destacam-se, pela sua importância, o saneamento básico, as campanhas e programas de arborização e reflorestação e criação de espaços verdes, a promoção e apoio de medidas de protecção dos recursos hídricos e de conservação do solo e da água.

No domínio do saneamento básico e salubridade, compete aos Municípios estabelecer e gerir os sistemas municipais de abastecimento de água, esgotos, descarga, evacuação e reutilização de águas residuais, recolha, tratamento, aproveitamento ou destruição de

lixos e de limpeza pública, estabelecimento e gestão dos sistemas de drenagem pluvial e da rede de tratamento de controlo da qualidade da água.

14.1.1. Resíduos Resíduos urbanos

Os resíduos urbanos compreendem os resíduos domésticos, resíduos provenientes de estabelecimentos comerciais, do sector de serviços e outros resíduos que, pela sua natureza ou composição, sejam semelhantes aos resíduos domésticos. Contudo, num município, existem ainda resíduos especiais não equiparáveis aos resíduos domésticos, nomeadamente os provenientes de produtores de pequenas quantidades de resíduos de maior toxicidade, que incluem garagens, laboratórios fotográficos e os resíduos hospitalares contaminados.

Resíduos sólidos domésticos e industriais

Os resíduos domésticos são resíduos de base biodegradável, em que se observa uma tendência para o aumento da proporção de papel, cartão, vidro e plástico, com consequente redução da matéria orgânica e aumento do volume, dada a cada vez maior utilização de produtos embalados e de alimentos enlatados. Nos resíduos de origem doméstica incluem-se ainda os resíduos volumosos (ex. mobiliário, electrodomésticos), que requerem equipamento específico para a sua remoção. O aumento do volume de lixo, principalmente na cidade da Praia, tem merecido alguma atenção por parte do Poder Local, embora seja ainda um problema por resolver.

Nos centros urbanos, Praia e Mindelo, os resíduos sólidos continuam a ser recolhidos por camiões a partir de um sistema de contentores espalhados pela cidade. Estes resíduos são encaminhados para a lixeira municipal situada nos arredores da cidade do Mindelo. Não existem verdadeiros aterros sanitários. Na cidade do Mindelo existe um sistema de membranas e drenagens, onde o lixo é diariamente compactado e coberto com terra por uma máquina tipo bulldozer. Previa-se em 2000 que no futuro fosse queimado em incineradoras que seriam localizadas fora da cidade. No entanto este objectivo ainda não foi materializado.

O Município da Praia continua a enfrentar dificuldades na gestão de resíduos sólidos (lixo) urbanos, apesar dos progressos significativos que conheceu entre 2000 e 2004, no que diz respeito à recolha do lixo. Continua, no entanto a ter problemas com o local de depósito do lixo. Continua a ser depositado nas proximidades da estrada que dá acesso à Cidade Velha, com consequências nefastas do ponto de vista higiénico e paisagístico. O desequilíbrio ambiental originado pelos resíduos urbanos da cidade da Praia surge da inadequação dos sistemas existentes face ao agravamento dos quantitativos e natureza dos resíduos produzidos.

São factores deste agravamento, entre outros, a evolução dos hábitos de vida e de consumo, o crescimento demográfico, o desenvolvimento económico e industrial, as migrações, a falta de informação/formação ambiental dos seus habitantes e a falta de meios técnicos e humanos. Esses constrangimentos resultam na:

• Deposição não controlada de resíduos (“lixeiras selvagens”);

• Queimas em áreas habitacionais ou outras, com produção de cheiros incómodos e degradação das condições de saúde pública;

• Agravamento da poluição do ambiente, com possível contaminação de lençóis subterrâneos de água.

Nos restantes municípios, os resíduos sólidos ainda não constituem grandes problemas. Realça-se, no entanto que de acordo com os respectivos Planos Ambientais Municipais, elaborados em 2003 e 2004, (todos têm problemas de recolha e deposição dos resíduos sólidos, baixo nível de organização do sistema de recolha, deficientes condições de recolha, inexistência de espaços adequados para deposição do lixo. A escassez de meios e equipamentos, a falta de um programa de gestão dos resíduos sólidos e a ausência de fiscalização figuram entre os principais factores que contribuem para a situação existente.

Outros tipos de resíduos sólidos urbanos

Os resíduos industriais e comerciais não perigosos nos assimiláveis aos resíduos domésticos e os inertes (ex. entulhos, cinzas, sucata), objecto de remoção selectiva pelos municípios ou particulares.

Os resíduos hospitalares incluem resíduos não contaminados, assimiláveis aos domésticos (ex. de cozinha) e contaminados (biológicos, anatómicos, de enfermaria, de laboratório) que, como resíduos perigosos, devem ser sujeitos a tratamento específico (incineração ou descontaminação). Depois de compartimentado em lixo perigoso e lixo não perigoso pelo Hospital, os resíduos sólidos hospitalares são recolhidos por um dos camiões e posteriormente depositados em locais previamente estabelecidos.

O tratamento dado aos produtos farmacêuticos fora de prazo constitui uma grande preocupação. Estes recebem o mesmo tratamento dado aos lixos domésticos, com todos os riscos de sua utilização pelos recuperadores nas lixeiras. O processo de inutilização de medicamentos utilizado continua a ser a “queima ao ar livre” tanto por parte das Farmácias privadas, como da INPHARMA, EMPROFAC e o Depósito Central de medicamentos do Ministério de Saúde. A INPHARMA acordou, recentemente, com o Hospital Central Agostinho Neto para, num futuro próximo, passarem a proceder conjuntamente à incineração de medicamentos de prazo expirado (PAIS, Ambiente e Saúde, 2003).

Ainda de acordo com o PAIS, Ambiente e Saúde (2003), os resíduos líquidos utilizados pela INPHARMA como reagentes, são libertados nas canalizações, para uma fossa. A Empresa procede, regularmente, à limpeza dessa fossa, sendo o produto da limpeza evacuado para a estação de tratamento de esgotos, sem o necessário estudo das consequências dessa operação no ambiente e, fundamentalmente na saúde pública. Embora não disponham de equipamentos para o controlo e a eliminação de resíduos perigosos (nomeadamente os industriais), os municípios devem estar atentos às suas origens e práticas de encaminhamento.

No entanto, o Plano Ambiental Inter-Sectorial do Sector de Saúde (PAIS-Saúde, 2003), apresenta no que diz respeito à gestão de resíduos as seguintes metas:

• Até 2005, estar toda a legislação relativa ao ambiente, particularmente no respeitante à qualidade da água, à evacuação dos excretas e dos resíduos sólidos e líquidos;

• Até 2008, estar implementado o plano de formação;

• Até 2008, estar implementado o plano de gestão dos resíduos hospitalares;

• Até 2008, estar planificado e implementado um Programa de Saúde Ocupacional no país.

Este plano apresenta como programa planificado para os resíduos hospitalares:

• Dotar as estruturas de saúde de equipamentos de recolha e de eliminação de resíduos

• Hospitalares;

• Elaborar planos de gestão de resíduos hospitalares nas estruturas sanitárias; • Desenvolver os conhecimentos dos intervenientes directos e indirectos;

• Alertar os mesmos para os perigos de uma má gestão dos resíduos hospitalares e os riscos

• De certas atitudes e práticas;

• Melhorar as atitudes dos intervenientes, modificar as práticas e reforçar os conhecimentos

• Sobre os resíduos hospitalares;

• Dotar Cabo Verde de legislação específica sobre os resíduos hospitalares;

• Formar um quadro técnico de implementação, concertação e acompanhamento.

Resíduos líquidos

Os resíduos líquidos compreendem as águas residuais e os óleos usados. As águas residuais resultam das actividades domésticas e das industriais. Podem conter grandes quantidades de agentes microbiológicos, (bactérias e vírus) e substâncias químicas (nalguns casos metais pesados), que podem pôr em causa a saúde pública. Os óleos usados resultam dos lubrificantes do parque automóvel, das aeronaves e das máquinas industriais. Com excepção do Município de S. Vicente, os óleos usados ainda continuam - em 2003- a ser rejeitados para o esgoto ou lançados directamente para o solo. Em S. Vicente, este produto tem vindo a ser recolhido e acumulado em dois depósitos metálicos colocados na Ribeira de Vinha, por uma Organização não Governamental, Garça Vermelha, constituída pelos representantes da Shell CV, ELECTRA, ENACOL, Câmara Municipal de S. Vicente e CABNAVE. Constata-se, no entanto, que esta ONG ainda não dispõe de meios para a reciclagem deste produto, estando quase a atingir os limites das suas reais capacidades (Levy e Gomes, 2002).

No que diz respeito ao destino final das águas residuais, verifica-se que apenas os Municípios de S. Vicente e Praia dispõem de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

Os restantes Municípios padecem da falta de instalações sanitárias nas habitações, rede de esgotos e Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

14.1.2. Árvores de arruamento e criação de espaços verdes

A importância que os espaços verdes desempenham na promoção da paisagem, como subsídio para o bem-estar da população e na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, vem merecendo muita atenção dos municípios. Estes têm envidado esforços no sentido de valorizar e recuperar determinados espaços públicos nos centros urbanos. No entanto, devido à ausência de um programa de estudos pormenorizados das espécies mais adequadas a esses espaços, denota-se uma descaracterização desses centros urbanos, principalmente no que diz respeito aos impactes visuais.

Visando resolver ou minimizar os diferentes problemas ambientais que enfrentam, os municípios estão no processo de elaboração dos Planos Directores Municipais, nos quais se contemplam as estratégias de actuação.

14.1.3. Planos Directores Municipais

O Plano Director Municipal é um instrumento que deve servir como uma estratégia que “conduzirá à estruturação de um Serviço Municipalizado de Ambiente, dotado de meios e dimensão necessários ao cabal desempenho das suas funções”.

Com excepção dos Municípios de Santo Antão (três Municípios), S. Vicente, Sal, Boavista, Tarrafal e S. Miguel, os outros Municípios ainda não finalizaram o Plano Director Municipal. Os Municípios de Santo Antão já elaboraram o seu segundo Plano. Constata-se que de uma forma geral, as questões ambientais mais importantes estão contempladas nestes planos. A título de exemplo pode citar-se O Plano Municipal de Desenvolvimento da Boavista, elaborado para o horizonte 1996-2008, e que contempla as seguintes questões ambientais:

• Protecção das formações dunares;

• Preservação das áreas agrícolas existentes; • Protecção das áreas de pastagens e arborizadas;

• Protecção dos espaços canais (estradas e linhas de águas); • Protecção das salinas;

• Protecção da fauna marinha.

Esses municípios enfrentam problemas de ordem financeira no sentido da materialização dos objectivos que constam desses Planos.