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Iniciando um Novo Programa de Previdência

As três abordagens genéricas dos programas de previdência diferem substancial- mente na velocidade com a qual os benefícios para a população aposentada são introdu- zidos gradualmente e o ritmo em que as taxas de contribuição sobem para o seu nível final. O Gráfico 1 ilustra essas diferenças2.

2 Salvo quando indicado de maneira diferente, as análises apresentadas aqui são uma versão do modelo simples usado na

discussão da matemática das taxas de contribuição. Os exemplos pressupõem uma população que não se altera (o número dos nascimentos é o mesmo cada ano e igual ao número dos óbitos), uma taxa líquida de juros 2 por cento maior que a taxa de crescimento salarial, carreiras de trabalho que começam aos 23 anos e continuam até os 64 e uma expectativa de vida de 17 anos aos 65. Os exemplos não cogitam da possibilidade de morte antes da aposentadoria.

Fonte: Cálculo do Autor.

Numa abordagem universal o pagamento de benefícios plenos a todas as pessoas que atingem a idade legal de aposentadoria pode começar logo que o programa tem início. Um sistema desses matura imediatamente – todos os aposentados recebem bene- fícios plenos logo que o sistema é instituído. A taxa necessária para o seu financiamento também salta imediatamente para o seu nível final.

Os benefícios de um sistema contributivo em regime de repartição maturam mais devagar3. Os que se aposentam quando o plano tem início não têm direito a benefícios, mas os novos aposentados em geral recebem crédito pleno pelo emprego que exerceram antes ou depois do início do plano. O resultado é que os pagamentos de benefícios começam logo que este entra em vigor e em seguida crescem regularmente. Nos pressu- postos utilizados para o traçado do Gráfico I os pagamentos alcançam metade do seu nível final uns 26 anos depois do início. Se se trata de regime de repartição, as taxas de contribuição sobem para o seu nível final no mesmo ritmo em que os pagamentos de benefícios maturam.

Na abordagem de contribuições definidas e poupança individual as contribuições são fixadas no seu nível final logo que o plano tem início (ou relativamente pouco de- pois), mas os pagamentos de benefícios maturam lentamente. Os benefícios só são pagos a quem paga contribuições antes da aposentadoria e não é contado tempo de serviço anterior à data do início do plano. As coortes que se aposentam nos primeiros

3 No Gráfico 1 o exemplo usado para ilustrar um sistema de regime de repartição pressupõe que as primeiras coortes de

trabalhadores têm direito a benefícios se trabalharam pelo menos três anos sob o programa. Embora não seja comum permitir isso após alguns anos apenas, as coortes seguintes em geral precisam cumprir crescentes períodos mínimos de serviço. O grosso dos sistemas eventualmente exige que cada coorte tenha no mínimo 10 anos de serviço para receber benefícios.

Escolhas de Modelos de Sistemas Previdenciários e Transições entre Sistemas

Gráfico 1

Maturação de benefícios de aposentadoria

Universal RRG CD 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% -5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 Idade do sistema

Pagamentos de benefícios como

percentagem do valor do sistema n

a

poucos anos após o início do sistema recebem benefícios, mas de valor muito pequeno, devido à brevidade do período durante o qual contribuíram.

Na abordagem de poupança individual não é provável que os pagamentos alcancem metade do seu nível final antes de um quarto (¼) de século ou mais após o início do programa. A essa altura mais de 90% da população idosa deve estar recebendo algum benefício, mas ninguém terá tido oportunidade de trabalhar já no programa tempo bastante para ter direito a um benefício pleno. Não é provável que os pagamentos agregados de benefícios à população cheguem a 90% do seu valor final antes de pelo menos meio século.

A substancial demora entre a cobrança de contribuições e a emergência de benefí- cios satisfatórios é uma séria desvantagem da abordagem de contribuições definidas, mas permite que o sistema previdenciário acumule substancial volume de recursos durante a fase inicial, como ilustrado no Gráfico 2. O ritmo da acumulação de recursos dependerá das condições econômicas e da generosidade dos benefícios que estão sendo financiados. Nos primeiros anos o grosso dos recursos se acumula nas contas dos trabalhadores. À medida que o sistema matura a tal ponto que uma crescente parcela dos trabalhadores trabalhou o tempo todo sob sua cobertura, o valor agregado dos recursos nas suas contas pára de crescer. Mais tarde, com números crescentes de trabalhadores tendo trabalhado já no sistema, os recursos agregados dos aposentados também param de crescer. Mas a fase de acumulação do sistema dura por todo o meio século ou mais necessário para que os pagamentos agregados à população aposentada alcancem seu potencial pleno4.

Fonte: Cálculos do Autor.

4 Como consta do capítulo sobre a matemática das taxas de contribuição, o porte agregado dos recursos acumulados nessa espécie

de sistema depende do nível de juros, do crescimento salarial e das taxas de crescimento populacional, assim como da expectativa de vida quando da aposentadoria. Variações desses fatores também causam ligeiras variações de como os recursos agregados se dividem entre as contas dos trabalhadores e as dos aposentados. Com os benefícios fixados em metade dos ganhos médios, uma expectativa de vida de 17 anos quando da aposentadoria e uma carreira de trabalho de 43 anos quando o sistema matura, é provável que os saldos agregados das contas individuais variem de quatro a sete vezes os salários agregados da economia, com aproximadamente dois-terços do total nas contas dos trabalhadores e um-terço nas dos aposentados.

Gráfico 2

Razão de recursos em contas de aposentadoria para salários totais da economia na abordagem de poupança individual

0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57 61 65 Idade do sistema

Razão para o valor na maturidade do

sistema

Aposentados

As simulações representadas nos Gráficos 1 e 2 ilustram os dilemas fiscais com que os elaboradores de um novo sistema previdenciário têm de lutar. Uma abordagem não-contributiva pode ter de enfrentar imediatamente os problemas dos rendimentos do aposentado, embora as contribuições, ou taxas tributárias gerais, devam ser cobradas simultaneamente com uma taxa correspondente a um sistema completamente maduro. Entretanto, os benefícios não-contributivos são muitas vezes fixados em níveis mais baixos do que os dos benefícios dos programas contributivos; isso mitiga um pouco o impacto da cobrança súbita da nova fonte dos recursos necessários.

Nenhuma das duas abordagens contributivas é efetiva no tocante às necessidades de rendimentos dos atuais idosos. O típico esquema de regime de repartição pode ser introduzido gradualmente, desde que com rapidez suficiente para atender às necessida- des de rendimentos dos que estão perto da aposentadoria quando o plano tem início; mas a abordagem de contas individuais não será suficiente, em si mesma, para ninguém além dos trabalhadores mais jovens quando o sistema tem início. Em contraste, pelo menos no início é provável que as taxas de contribuição sejam mais altas na abordagem de contas individuais, devido à necessidade de acumular recursos nelas.