O atual debate sobre política de aposentadoria diz respeito ao impacto dos au- mentos que estejam sendo previstos para o custo futuro do sustento dos aposentados. Esses aumentos decorrem principalmente de um envelhecimento previsto da popula- ção, devido aos declínios dos índices de natalidade e aos aumentos da longevidade. Cada qual tem o efeito de aumentar a fração da população que está acima de determina- da idade cronológica, causando, em igualdade de condições, um aumento da razão de dependência dos aposentados. Por exemplo, a OCDE previu recentemente que a fração da população acima de 65 anos em todos os seus países aumentaria de uma média de 12,3% em 1980 para 21% em 2030, um aumento de 70%7. Sem uma alteração da idade em que as pessoas se aposentam ou dos padrões de vida relativos dos aposentados, essas previsões demográficas implicam um aumento também de 70% do custo do sustento dos aposentados (isto é, a fração do produto total destinada a esse fim) entre 1980 e 20308.
Poucos países já começaram a cuidar das implicações dessas previsões além de suas conseqüências para o financiamento dos seus programas previdenciários em regi- me de repartição. Quando foram discutidos (ou postos em prática) os ajustes tomaram uma de três formas: alterações da idade de aposentadoria nesses programas, ajustes dos níveis dos benefícios previdenciários ou transferências de custo do setor público para o setor privado.
Aumentos da idade de aposentadoria. Se um aumento da idade legal de apo- sentadoria leva as pessoas a retardar o afastamento da atividade, o efeito é diminuir a
7 Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Populações de Idade Crescente, as Implicações de
Política Social (Paris, OCDE, 1988). A cifra é uma média não ponderada.
8 Cada país terá de decidir por si mesmo como deseja ajustar-se a esse aumento. As mesmas projeções sugerem que um custo
maior do sustento dos aposentados será contrabalançado em parte pelos custos menores do sustento dos jovens. Mostram a população de menos de 15 anos declinando de 22,9% em 1980 para 17,2% em 2030. Numericamente, o declínio da dependência dos jovens contrabalança cerca de dois terços do aumento da dependência dos idosos. O impacto sobre os custos econômicos provavelmente será um pouco menor, um vez que as crianças tendem a consumir menos per capita.
razão de dependência dos aposentados. Entretanto, não é prático contrabalançar intei- ramente as implicações de custo das mudanças demográficas previstas mediante aumen- tos da idade de aposentadoria. As previsões da OCDE antes mencionadas sugerem um aumento de 12,3% para 21% da fração da população de mais de 65 anos. Num mundo em que a população total não está crescendo e 21% da população têm mais de 65 anos, a idade que só 12,3% da população ultrapassam provavelmente será 73 ou 749. Em termos gerais, contrabalançar completamente o aumento da razão dependência dos ido- sos exige que a idade de aposentadoria para todos os benefícios dependentes da idade sejam reajustados para cima nove anos em relação à sua posição em 198010.
Redução dos benefícios. A redução dos benefícios previdenciários líquidos pode reduzir o custo do sustento dos aposentados se estes reduzirem a razão dos seus padrões de vida em relação aos da população como um todo. Políticas desse tipo adotadas por programas públicos nos últimos anos incluem aumento da taxa de tributos sobre eles, adiamento dos aumentos previstos dos benefícios em vigor, alteração dos índices de reajustamento deles, redução dos índices de aumento dos benefícios futuros e ajusta- mento da idade em que benefícios normais são pagos sem ajustamento da idade em que o são os benefícios reduzidos11.
Quando a razão dependência dos aposentados sobe, alguma redução dos benefí- cios de aposentadoria se faz necessária para evitar que os padrões de vida dos aposenta- dos aumentem em relação aos do resto da população. Sem alteração dos benefícios de aposentadoria o aumento da razão de dependência leva a um aumento da taxa segundo a qual os rendimentos são transferidos da população em idade de trabalhar para a popu- lação aposentada, reduzindo os níveis de consumo da população não aposentada. Uma redução correspondente dos níveis de consumo dos aposentados se faz necessária, por conseguinte, para preservar a relação entre os padrões de vida dos dois grupos12.
9 Calculado com base na tábua de vida dos Estados Unidos para mulheres nascidas em 1920, abaixo do que, presumindo-se
uma população constante, cerca de 21% teriam mais de 65 anos e 12% mais de 74. Esse cálculo é apenas ilustrativo. A idade de equivalência dependerá do índice de crescimento da população e da exata estrutura dos índices de mortalidade específicos de cada idade.
10 Se razões crescentes de dependência por idade levam a escassez de mão-de-obra (hipótese mais aceitável neste momento para o
Japão e os Estados Unidos do que para a Europa), os países podem adaptar-se importando trabalhadores convidados ou liberalizando políticas de imigração. Cada uma dessas medidas reduziria a razão dependência de aposentados. O impacto a longo prazo de tais políticas depende das obrigações assumidas para a aposentadoria de imigrantes ou trabalhadores convidados.
11 Um aumento da idade normal de aposentadoria, que não altera a idade em que os benefícios podem começar a ser recebidos
e que também reduz proporcionalmente a quantia recebida no começo do direito, é provavelmente caracterizado de maneira mais acurada como uma redução do benefício do que como um aumento da idade de aposentadoria.
12 Como simples exemplo, considere-se uma aposentadoria em regime de repartição que produz um benefício igual a 50% do salário
bruto médio durante o trabalho e exige uma taxa de contribuição de 10%. Esse benefício está na verdade substituindo 55,5% do salário menos as contribuições (0,5 divididos por 0,9, a razão do salário líquido para o salário bruto). Se desenvolvimentos demográficos adversos elevam a taxa de contribuição para 20% e o benefício não é reajustado, os aposentados teriam vantagens em relação aos trabalhadores, porque seu benefício passaria a corresponder a 62,5% dos salários líquidos (0,5 divididos por 0,8). Neste exemplo, para manter a relação original entre a renda da aposentadoria e o salário líquido dos trabalhadores seria necessário que o benefício fosse reduzido a pouco mais de 44% dos salários brutos (0,555 x 0,8).
Transferindo custos para o setor privado. A transferência de custos para o setor privado pode ser um meio efetivo de contrabalançar o impacto do envelhecimento sobre o orçamento do setor público. Se ele reduz também o custo social do sustento da população idosa, depende do seu impacto sobre uma das três razões indicadas. Se a transferência é acompanhada de reduções dos padrões de vida relativos da população aposentada ou do porte relativo dessa população, ela reduzirá também a parcela da pro- dução total que vai para o sustento dos aposentados. Por outro lado, se a renda dos aposentados é aumentada em relação a do resto da população, as trocas poderiam ter o efeito de reduzir o custo para o orçamento público, porém aumentando para a sociedade o custo total do sustento dos aposentados.