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Segundo o PPA 2012-2015, no capítulo sobre políticas sociais onde se insere a organização da Copa de 2014, envolvendo o esforço conjunto de entes federativos e agentes privados envolvidos, foi estabelecido um modelo de governança que utili- za instrumentos de coordenação e monitoramento como: a Matriz de Responsabili- dades, o Comitê Gestor da Copa, o Comitê de Responsabilidades e as Câmaras Te- máticas (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, 2015, p. 153):

A Matriz de Responsabilidades define atribuições nos diversos segmentos em que há responsabilidade compartilhada entre os entes, com destaque para mobilidade urbana, estádios, aeroportos, portos e segurança pública. O Comitê Gestor da Copa, integrado por órgãos do governo federal e coordenado pelo Ministério dos Esportes, tem o objetivo de definir, aprovar e supervisionar todas as ações relacionadas à competição. O Comitê de Responsabilidades é constituído pelas cidades-sede e órgãos federais e desenvolve suas atividades por meio de Câmaras Temáticas (grifo nosso).

4.2.1 Matriz de Responsabilidades

O mapa de atualizações e revisão da Matriz de Responsabilidades nas doze cidades-sede pode ser visto em cinco tabelas nos Anexos ao final desta dissertação (Tabela 23, 24, 25, 26 e 27). A Matriz de Responsabilidades tem o objetivo de definir as responsabilidades da União, Estados, Distrito Federal e municípios para execução das medidas conjuntas e projetos imprescindíveis para a realização da Copa do Mundo de 2014. Trata das áreas prioritárias de infraestrutura das 12 cidades que irão receber os jogos da Copa do Mundo de 2014, como aeroportos, portos, mobilidade urbana, estádios e hotelaria. O documento, assinado em 13 de janeiro de 2010 pelo então ministro do Esporte, Orlando Silva, e por 11 prefeitos e

12 governadores (Brasília, uma das cidades-sede, não tem prefeito), define as responsabilidades de cada ente federativo na preparação do evento nessas áreas. 4.2.2 Comitê Gestor da Copa

O Comitê Gestor da Copa (CGCOPA) foi criado pelo Decreto federal de 14 de janeiro de 2010 (BRASIL, 2010b), “(...) para definir, aprovar e supervisionar as ações previstas no Plano Estratégico das Ações do Governo Brasileiro para a realização da Copa do Mundo Fifa 2014, e dá outras providências”.

O art. 1º definiu a abrangência das ações do CGCOPA (BRASIL, 2010b): Art. 1o Fica instituído o Comitê Gestor da Copa do Mundo Fifa 2014 - CG- COPA, cuja atribuição é estabelecer as diretrizes do Plano Estratégico das Ações do Governo Brasileiro para a realização da Copa do Mundo Fifa 2014, bem como supervisionar os trabalhos do grupo executivo de que trata o art. 3o. (Redação dada pelo Decreto de 26.7.2011)

Parágrafo único. O Plano Estratégico das Ações do Governo Brasileiro para a realização da Copa do Mundo Fifa 2014 é constituído por um conjunto de atividades governamentais voltado ao planejamento e à execução das ações necessárias ao desenvolvimento do referido evento no Brasil. (Reda- ção dada pelo Decreto de 26.7.2011)

O Decreto de 26 de julho de 2011, após o encerramento do torneio, alterou o art. 1, 2, 3 e 4 do Decreto de 14 de janeiro de 2010 (BRASIL, 2011):

Parágrafo único. O Plano Estratégico das Ações do Governo Brasileiro para a realização da Copa do Mundo Fifa 2014 é constituído por um conjunto de atividades governamentais voltado ao planejamento e à execução das ações necessárias ao desenvolvimento do referido evento no Brasil.

Essa delegação de poderes ao CGCOPA criou um comportamento refratário da mídia mais crítica em geral uma vez que dizia no art. 2, item IV, que ao CG- COP caberia decidir e aprovar todas as questões financeiras relacionadas ao investi- mento público e privado (BRASIL, 2011):

(...) coordenar e aprovar as atividades governamentais referentes à Copa do Mundo Fifa 2014 desenvolvidas por órgãos e entidades da administração federal direta e indireta ou financiadas com recursos da União, inclusive mediante patrocínio, incentivos fiscais, subsídios, subvenções e operações de crédito (...)”.

4.2.3 Comitê de Responsabilidades e Câmaras Temáticas

O Comitê de Responsabilidades da Copa de 2014 teve a missão de elaborar Planos Operacionais Integrados para o Mundial em atuação integrada, coordenada pelo Ministério do Esporte, com representantes de órgãos do governo federal envol- vidos com a Copa, funcionários das cidades-sede indicados por governadores e pre- feitos, além de integrantes do Comitê Organizador Local (COL) e da Fifa:

O objetivo é avançar na integração de todos os atores e de todas as ações de preparação que estão em curso para a realização da Copa do Mundo. O primeiro encontro definiu as linhas gerais do planejamento, que será feito nos moldes daquele que antecedeu a Copa das Confederações. A partir de fevereiro do ano que vem, reuniões serão realizadas em cada uma das 12 sedes do Mundial.

O Memorando 254/2010/AEF/ME e o Balanço Copa 2014 previam que o mo- delo de governança das ações da Copa de 2014 deve der realizado em vários ní- veis. Em âmbito federal, foram instituídos os players a seguir (TCU, 2011).

Comitê Gestor (CGCOPA) – com a função de definir, aprovar e supervisio- nar as ações previstas no Plano Estratégico das Ações do Governo Brasilei- ro para a realização da Copa do Mundo Fifa 2014;

Grupo Executivo (GECOPA 2014), vinculado ao CGCOPA – com a atribui- ção de coordenar e consolidar as ações vinculadas ao evento Copa 2014, estabelecer metas e monitorar a implementação do Plano Estratégico; Comitê de Responsabilidades – grupo composto por representantes dos três níveis de governamentais, com atribuição de centralizar e uniformizar as informações relativas ás ações previstas na Matriz de Responsabilidades e seus aditivos;

Câmaras Temáticas – com atribuição de propor, ao CGCOPA e ao Comitê de Responsabilidades, ações e soluções técnicas necessárias à formação de um legado alinhado aos interesses estratégicos do país a partir da reali- zação da Copa 2014.

Eram nove as câmaras temáticas: “i) Infraestrutura; ii) Estádios; iii) Seguran- ça; iv) Saúde; v) Meio Ambiente e Sustentabilidade; vi) Desenvolvimento Turístico; vii) Promoção Comercial e Tecnológica; viii) Cultura, Educação e Ação Social; ix) Transparência”.