Nas palavras de Alarcão, “o objecto traz a marca do Homem e refere-se a um mundo que eu posso conhecer, embora me não possa nunca ser presente e sensível” (1995a, p. 13). Esta ideia ganha reforçado significado quando falamos do estudo da necrópole da Rouca. Em virtude da ausência de fontes documentais (a que já tivemos oportunidade de aludir), os materiais arqueológicos revestiram-se de fulcral importância para a nossa investigação, assumindo o papel de única ponte de ligação directa com a realidade da Rouca enquanto espaço funerário de época romana.
A nossa pesquisa recaiu sobre um conjunto diverso de materiais que actualmente integra as reservas do Museu Nacional de Arqueologia – Colecção MNA 0156. Segundo pudemos apurar, os referidos materiais foram objecto de dois inventários: um primeiro inventário mais antigo, cuja data de elaboração remontará certamente aos inícios da actividade da instituição museológica e à entrada e/ou acondicionamento dos materiais nas reservas do museu; e um segundo inventário realizado em 1974, bastante mais impreciso e confuso. Registe-se ainda que, em 1983, foi elaborado um outro inventário, que implicou a atribuição de nova numeração aos materiais e que, no que se refere ao espólio da necrópole da Rouca, inclui apenas os metais atribuídos a esta estação arqueológica. Na verdade, uma das principais limitações ao estudo dos materiais da Rouca prende-se com a informação desarticulada e disfuncional veiculada pelos diferentes registos de inventário que, em momentos diversos e com concepções notoriamente díspares, procuraram tratar a mesma realidade. A elaboração desajustada de diferentes inventários, e a preocupação centrada no objecto que caracterizou uma época da investigação arqueológica nacional, ditaram certamente a perda irremediável de informação contextual que se poderia ter revelado imprescindível para um melhor entendimento desse “ mundo que eu posso conhecer, embora me não possa nunca ser presente e sensível” (ALARCÃO, 1995a, p. 13). Pela proximidade temporal em relação à escavação e recolha dos materiais, e por uma organização mais clara e coerente, considerámos o primeiro inventário, manual e em suporte de papel (designado ao longo do presente trabalho como Inventário Geral do MNA), como sendo o mais fiável, aquele que reunindo maior informação melhor se adequava a servir de base para o nosso estudo do espólio da Rouca.
Os materiais com proveniência atribuída à necrópole da Rouca encontram-se distribuídos por cerca de 170 fichas do Inventário Geral do MNA, compreendidas entre os números 15 609 a 15 653, 15 655 a 15 736, 15 738 a 15 751, e 15 788 a 15 817b (excluindo-se o número 15 802). Note-se que cerca de 26 dos números de inventário em questão apresentam desdobramentos em diferentes parcelas (como por exemplo, 15 690-a, 15 690-b, e 15 690-c), que poderão corresponder a um mesmo conjunto arqueológico (neste caso, entenda-se por conjunto arqueológico, materiais potencialmente encontrados em associação e provenientes da mesma sepultura), ou designar materiais com contextos de achado supostamente diferentes (como é o caso do número 15 667-a que identifica espólio sem indicação de sepultura,
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enquanto o número 15 667-b se reporta a material proveniente da sepultura 29). Não constam nas Fichas de Inventário Geral as placas funerárias provenientes da Rouca (E 6338 e E 6339), e dois itens de ourivesaria – um anel de sinete (Au 128) (atribuído ao contexto da sepultura 36) e um brinco de nó de correr (Au 129) (sem contexto de sepultura conhecido), ambos em ouro e em actualmente em exposição na Sala do Tesouro do MNA. Note-se que estes materiais – placas e itens de ourivesaria – integram já o corrente Inventário informatizado (Programa Matriz) do Museu Nacional de Arqueologia.
Relativamente à nossa análise do espólio importa registar, em primeiro lugar, a grande diversidade do conjunto e a existência de graves lacunas que se prendem com a identificação das peças. O espólio atribuído à necrópole da Rouca é composto por uma grande variedade de materiais que inclui: material cerâmico (terra sigillata, cerâmica de paredes finas, lucernas, cerâmica comum e cerâmica de construção), vidros, metais (Sala Seca do MNA), um fragmento de mosaico, material lítico, material orgânico (designadamente amostras de sedimento e de carvões, e material osteológico, visivelmente submetido à acção do fogo), e duas placas funerárias. No que se refere à identificação das peças, constatámos que o conjunto que compõe a Col. MNA 0156 apresenta materiais que podem ser agrupados em três categorias distintas: materiais com indicação do respectivo número de inventário e com contexto de sepultura atribuído; materiais com indicação do respectivo número de inventário mas que, de acordo com a informação contida nas fichas do Inventário Geral do Museu Nacional de Arqueologia, não apresentam contexto de sepultura conhecido (a este respeito questionamo-nos se a perda da informação contextual destas peças ocorre, desde logo, no próprio acto de escavação da necrópole e exumação dos materiais; ou eventualmente, após o ingresso dos materiais no museu e aquando da realização do primeiro Inventário desta instituição museológica); e materiais sem indicação de número de inventário, cuja única identificação se resume à referência do contentor e volume de armazenamento nas Reservas do Museu Nacional de Arqueologia, e com origem incerta ou até mesmo desconhecida. Neste âmbito, será pertinente registar que alguns dos materiais atribuídos à necrópole da Rouca (nomeadamente os materiais identificados com os números 15 663, 15 726-a, 15 736, 15 746, 15 746-bis, e 15 747) são designados nas respectivas Fichas de Inventário Geral como “avulsos”, não apresentando indicação de sepultura e correspondendo a ofertas de José Belo e/ ou João Belo, descendentes do antigo proprietário da então designada Herdade de S. Miguel da Mota (Alandroal). No que respeita à última categoria de materiais referida – materiais sem indicação de número de inventário e com origem incerta – procedeu-se à tentativa de identificação dos respectivos números de inventário e contextos de achado, através do cruzamento de dados obtidos a partir do Inventário Geral e da consulta das Fichas de Contentor (listagens do conteúdo dos contentores de armazenamento das peças nas reservas do Museu Nacional de Arqueologia), elaboradas nos anos 80 do séc. XX por ocasião da desmontagem da exposição permanente do museu. A tentativa de conciliação dos dados disponíveis revelou-se, na maioria dos casos, infrutífera, tendo-se constatado uma vez mais a desarticulação entre os diferentes registos, e as decorrentes limitações impostas ao estudo do espólio em questão. Sempre que, através da observação dos materiais e do cruzamento dos diversos dados disponíveis, nos foi possível obter informações adicionais, ou até mesmo proceder à identificação de peças e/ou ao apuramento do
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respectivo contexto de achado (atente-se, por exemplo, para os casos em que materiais sem número de inventário e/ou contexto de sepultura conhecidos apresentam colagens com peças devidamente identificadas na colecção), optou-se por fazer constar toda a informação e hipóteses de trabalho consideradas viáveis, o mais detalhadamente possível, nas respectivas Fichas Descritivas do Catálogo em anexo.
Tendo em conta os dados disponíveis e as vicissitudes do processo de inventariação das peças que constituem a Colecção MNA 0156, assumiu-se a decisão de circunscrever o âmbito do nosso estudo à categoria dos materiais com indicação do respectivo número de inventário e com contexto de sepultura atribuído. Assim sendo, ao longo do presente trabalho, propomo-nos a analisar os diferentes conjuntos de materiais atribuídos às diferentes sepulturas que integraram o espaço funerário da Rouca. A nossa decisão, e inerente critério de selecção dos materiais, têm por base, em primeiro lugar, a observação e uma preliminar análise de todos os itens que compõem a Col. MNA 0156; e, em segundo lugar, a convicção de que, para além das peças devidamente inventariadas e contextualizadas (ou seja, com nº Inv. MNA identificado e contexto de sepultura conhecido), todos os restantes materiais, quer pelas lacunas informativas (contexto de achado desconhecido, e/ou identificação e proveniência duvidosas), quer pelas suas características tipológicas, não constituem fonte de informação relevante e/ou fidedigna para o conhecimento da necrópole da Rouca. Todavia, paralelamente à opção acima apresentada e em virtude da escassez de dados (fiáveis) disponíveis sobre a realidade arqueológica da Rouca, considerámos que o estudo das placas funerárias provenientes desta necrópole constituiria uma mais- valia para o conhecimento e caracterização deste espaço funerário e do tecido social que lhe esteve subjacente. Assim sendo, o presente capítulo é composto por dois subcapítulos fundamentais: o Capítulo IV.2., dedicado ao estudo dos conjuntos funerários da necrópole, com a análise dos materiais devidamente organizados por sepulturas de origem; e o Capítulo IV.3., no qual se procede à análise e caracterização das placas funerárias provenientes da Rouca, os únicos itens da Col. MNA 0156 sem indicação de contexto de sepultura conhecido que são alvo do nosso estudo aprofundado. Não obstante a apresentada opção metodológica, e apesar de se considerar que os materiais de contexto desconhecido ou de identificação e/ou proveniência duvidosas não acrescentam, de um modo geral, informações significativamente relevantes para além dos dados fornecidos pela análise dos conjuntos sepulcrais, julgamos importante ressalvar que os referidos materiais foram devidamente registados e contabilizados de modo a possibilitar, não só uma visão de conjunto do espólio da Col. MNA 0156, mas também a permitir a inferência de eventuais relações ou paralelos com as peças que compõem os conjuntos funerários. Deste modo, sempre que considerado pertinente, os materiais em questão são referidos ao longo do presente trabalho, com a indicação do respectivo número de Inventário Geral ou referência de localização nas Reservas do Museu Nacional de Arqueologia.
No que diz respeito ao estado de conservação dos itens que integram a Col. MNA 0156, registe-se a existência de peças relativamente bem conservadas e completas, a par de uma significativa percentagem de materiais que se resume a conjuntos de fragmentos, não passíveis de reconstituição ou análise e caracterização tipológica. Nalguns casos, as intervenções de restauro mais antigas (com a utilização de
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grandes quantidades de gesso) não só comprometem o actual estado de conservação das peças, como dificultam a respectiva caracterização morfo-tipológica. Note-se ainda que algumas das peças constantes da citada colecção apresentam, para além do número de inventário, outras anotações inscritas nas próprias superfícies, que vulgarmente parecem indicar o número da sepultura de origem. Nestes casos, e sempre que a presumível indicação de proveniência inscrita na própria peça não coincidia com o respectivo número de inventário, optou-se por privilegiar a informação fornecida pelas fichas de Inventário Geral (MNA), por se afigurar como a informação mais fidedigna e a opção mais coerente em função da estratégia de tratamento de dados adoptada ao longo do presente estudo.
Considerando as características gerais desta colecção, assumiu-se como objecto central do nosso trabalho o estudo das cerâmicas e vidros provenientes das sepulturas da necrópole da Rouca. Estes materiais foram encarados como fonte primordial para o conhecimento e inferência dos limites cronológicos do espaço funerário em análise. O material orgânico e os metais atribuídos à referida necrópole não foram alvo do nosso estudo. Em relação a estes últimos, convém notar que (à excepção do anel de sinete inventariado como Au-128 e atribuído à sepultura 36; e do brinco de nó de correr, inventariado como Au-129, e da peça identificada com o nº Inv. MNA 15 746-bis, ambos sem indicação de contexto de sepultura) todos os metais provenientes da estação arqueológica em questão se apresentam sem qualquer tratamento e em muito mau estado de conservação (é evidente um acentuado destacamento lamelar na quase totalidade das peças, característico da acção do tempo sobre o ferro). Contudo, com o objectivo de fornecer uma visão global do espólio da necrópole e das respectivas potencialidades para estudos futuros, optámos por documentar e incluir nas Fichas Descritivas (em anexo) o material orgânico e metais provenientes dos enterramentos da Rouca.
Em termos metodológicos, o tratamento do espólio da necrópole da Rouca assentou numa abordagem bidimensional. Por um lado, considerámos incontornável uma abordagem quantitativa, que se traduziu num esforço de inventariação e organização dos materiais, aliado ao tratamento estatístico dos resultados obtidos, de modo a facilitar a percepção da realidade arqueológica em estudo. Neste sentido, procedeu-se à elaboração de um Catálogo (ANEXO III) composto por Fichas Descritivas para cada uma das peças ou conjuntos de materiais disponíveis. O Catálogo que resultou do nosso estudo é composto por um total de 184 Fichas Descritivas, distribuídas por 29 das 41 sepulturas atribuídas ao espaço funerário da Rouca. A este nível importa notar que, se por um lado, e de acordo com Mª Alice Beaumont, os apontamentos de J. Leite de Vasconcellos sobre a escavação da Rouca dão conta de 41 sepulturas exploradas em 1905; por outro, a partir da consulta dos inventários disponíveis no Museu Nacional de Arqueologia, apenas teríamos conhecimento da existência de 36 sepulturas atribuídas à estação arqueológica em questão. Para além disso, e conciliando a informação constante no Inventário Geral (MNA) com os restantes dados obtidos a partir da consulta de Fichas de Contentor e da análise dos materiais, foi possível constatar o seguinte:
- 4 das 36 sepulturas atribuídas à necrópole da Rouca não apresentam qualquer espólio associado, de acordo com o Inventário Geral (MNA) (sepulturas 24, 26, 27 e 31);
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- tendo em conta a informação de Mª Alice M. Beaumont, e assumindo que o número total de sepulturas exploradas na necrópole romana da Rouca terá sido de 41, não se conhecem quaisquer referências a espólio proveniente das sepulturas 37 a 41;
- por fim, o espólio de 3 das 36 sepulturas conhecidas a partir do Inventário Geral (MNA) (sepulturas 7, 19 e 23) corresponde a material não localizado ou identificado no conjunto da Col. MNA 0156, pelo que não se encontra contabilizado como espólio efectivo da necrópole da Rouca.
No total das Fichas Descritivas elaboradas incluem-se, não só as fichas relativas a material cerâmico e vítreo (categorias que abarcam claramente a maioria dos materiais, com um total de 135 fichas, perfazendo assim cerca de 65% do espólio dos conjuntos funerários estudados), mas também as fichas referentes a material metálico e orgânico, e as fichas descritivas das duas placas funerárias provenientes da Rouca. A não correspondência com o número de Fichas de Inventário Geral (MNA) é facilmente explicada, em primeiro lugar, pelo facto de um mesmo número de inventário poder designar diferentes categorias de materiais e/ou diferentes peças; e, em segundo lugar, pela referência ao espólio metálico, cujo inventário se encontra dividido pelo Inventário Geral do Museu Nacional de Arqueologia e pelo inventário de metais elaborado em 1983 na mesma instituição museológica. Perante conjuntos de fragmentos, frequentemente associados a formas indeterminadas, optou-se por apresentar o conjunto do espólio reunido na mesma ficha descritiva ou, caso as particularidades dos materiais assim o justificassem, em fichas descritivas distintas devidamente assinaladas. Para além do corpus de peças reunido, recorde-se que não nos foi possível identificar e localizar no conjunto geral do espólio disponível todos os materiais que constam no Inventário Geral (MNA) como sendo provenientes da necrópole da Rouca. Na verdade, cerca de 28 conjuntos que, de acordo com o referido Inventário, corresponderiam a material diverso (cerâmica, vidro, material orgânico e metais) proveniente de sepulturas da necrópole da Rouca, permaneceram por identificar, questionando-se se tal facto poderá apenas ser sinónimo de localização incerta nas reservas no Museu Nacional de Arqueologia, ou se poderá estar associado a peças de paradeiro actualmente desconhecido (como se verifica, por exemplo, com a garrafa de vidro inventariada com o número 15 707 – Catál. vi-11). As tentativas para encontrar uma eventual correspondência entre os materiais não identificados e as peças ou conjuntos de materiais sem indicação de número de inventário e/ ou com origem incerta revelaram-se tarefa difícil, em virtude da parca informação fornecida pelas Fichas de Contentor, da frequente inviabilidade do cruzamento de dados, e da possibilidade de, desde a data de realização do inventário mais antigo até aos dias de hoje, se ter procedido à desestruturação de alguns dos conjuntos originais. Ainda assim, em situações de não identificação ou localização de materiais na Col. MNA 0156 optou-se por assinalar tais ausências e incluir no Catálogo a referência aos materiais em questão, de modo a possibilitar uma visão o mais global possível do espólio atribuído à necrópole romana da Rouca, e em particular dos seus diversos conjuntos funerários. No Catálogo em anexo, a referência a estes materiais consta das «Observações Gerais» relativas a cada conjunto funerário, correspondendo fundamentalmente à sua identificação e descrição de acordo com a informação constante na respectiva Ficha de Inventário Geral (MNA), sem a atribuição de um número de catálogo, uma vez que estas peças não são contabilizadas como espólio efectivo da
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necrópole da Rouca. Assim, e se alargarmos o âmbito do conjunto dos materiais em análise ao total de itens referenciados no Catálogo em anexo (210 itens), com e sem nº de Catálogo atribuído, concluímos que cerca de 13% desse valor total corresponde a materiais não identificados ou localizados na Col. MNA 0156 mas alegadamente provenientes de sepulturas da necrópole em questão (como tivemos oportunidade de mencionar anteriormente).
Do total da amostra estudada relembramos que apenas as duas placas funerárias provenientes da necrópole da Rouca constituem espólio sem contexto de sepultura conhecido (cerca de 1% dos total dos materiais estudados). Relativamente aos restantes materiais, e atendendo que se optou por considerar como amostra representativa da realidade arqueológica da necrópole da Rouca apenas os materiais devidamente identificados e com contexto de sepultura conhecido, dispomos de 182 itens, dos quais a cerâmica constitui claramente a parcela maioritária, correspondendo a 59% da globalidade da amostra analisada. Cerca de 15% do total geral é composto por material vítreo, enquanto as amostras de material orgânico e os metais correspondem a 13% e 11%, respectivamente. As amostras de material lítico ocupam apenas 2% do conjunto estudado.
Por outro lado, aliada a esta abordagem quantitativa, perspectivámos uma abordagem qualitativa dos materiais, baseada no estudo exaustivo e caracterização formal do espólio, visando a definição de tipologias e atribuição de cronologias, e tendo por objectivos últimos a inferência de balizas cronológicas para a utilização do espaço funerário da Rouca, e o conhecimento da realidade sociocultural e económica que lhe esteve subjacente.
Para uma melhor sistematização do nosso estudo, considerou-se essencial a definição dos diferentes conjuntos funerários, isto é, com base na informação disponível sobre as peças inventariadas, procedeu- se à análise da associação espólio/ sepultura, de modo a privilegiar-se a contextualização dos dados arqueológicos. Foi com base nesta opção metodológica que se procurou estruturar o presente trabalho (bem como aliás, o respectivo Catálogo) em função dos diferentes conjuntos de materiais e contextos de achado correspondentes – organização do espólio por sepultura. O segundo critério de organização adoptado prende-se com as diferentes categorias dos materiais disponíveis. Tendo em conta a variedade de espólio na amostra analisada da Col. MNA 0156, e para efeitos de uma maior inteligibilidade na organização e apresentação dos dados, revelou-se elementar a opção de estudar os materiais agrupando-os em função das suas diversas (sub-)categorias: cerâmica utilitária (terra sigillata, cerâmica de paredes finas, lucernas, cerâmica comum), cerâmica de construção, vidros, metais, material orgânico (material osteológico, e amostras de carvão ou sedimento), e placas funerárias. Para o estudo e caracterização destes materiais socorremo-nos de um conjunto de obras e autores de referência, cuja consulta viria a definir as linhas orientadoras da nossa investigação sobre o espólio da necrópole da Rouca.
Primeiramente, e no que se refere ao estudo do espólio cerâmico, estabeleceu-se como prioridade a análise e caracterização morfológico-funcional das diferentes variedades de cerâmica presentes nos conjuntos funerários da Rouca. Paralelamente, e sempre que possível, recorreu-se ao grupo das chamadas cerâmicas finas (e ao material vítreo) como precioso auxiliar para o apuramento do âmbito
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cronológico de produção e utilização da cerâmica comum, que constitui o grosso da amostra disponível (cerca de 39% da globalidade do espólio). Enquanto obras de referência gerais, destacamos Introducción al estúdio de la cerâmica romana (ROCA ROUMENS & FERNÁNDEZ GARCÍA, 2005) e os trabalhos de