Condicionantes Internos à Realização da Fase Exploratória
5. MERGULHAR NAS TECNOLOGIAS PARA SAIR DO CORPO: EXPLORAÇÃO E EXPLICAÇÃO DO CASO
5.1. O CANTIC/CRTIC e as Escolas dos Hospitais
No quadro das funcionalidades do CANTIC/CRTIC todos os anos lectivos eram destacados professores (do concurso regular) para integrar as escolas dos hospitais. Logo de início eram fornecidos alguns dados institucionais para preparar esses professores para o ano lectivo e dadas algumas referências de experiências anteriores, relativamente ao uso das tecnologias a adoptar numa primeira fase, antes da avaliação a efectuar pelos elementos do CANTIC/CRTIC.
A análise do CANTIC/CRTIC quanto aos recursos e à preparação dos anos lectivos era realizada à luz da definição e enquadramento das relações com o ensino especial, a acessibilidade e as escolas. A Lei de Bases da Prevenção e da Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência (Lei n.º 9/89, arts. 3º e 5º) refere-se a uma reabilitação promotora da autonomia pessoal como “um processo global e contínuo destinado a corrigir a deficiência e a conservar, a desenvolver ou a restabelecer as aptidões e capacidades da pessoa para o exercício de uma actividade considerada normal”. Ao focar-se no indivíduo esquecia que:
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[a] política de reabilitação deve ser orientada para, sem deixar de atender às necessidades específicas do cidadão deficiente, no campo médico, funcional, psicológico e social, focar a sua acção no meio envolvente, físico e social, na perspectiva da construção de uma sociedade inclusiva, onde haja lugar para todos, incluindo o direito a permanecer diferente (Guerra, 2001 citado em Godinho, 2004).
Essa perspectiva veio a ser adoptada na definição das bases gerais do regime jurídico da prevenção, habilitação, reabilitação e participação da pessoa com deficiência (Lei n.º 38/2004, art. 25º):
[a] habilitação e a reabilitação são constituídas pelas medidas, nomeadamente nos domínios do emprego, trabalho e formação, consumo, segurança social, saúde, habitação e urbanismo, transportes, educação e ensino, cultura e ciência, sistema fiscal, desporto e tempos livres, que tenham em vista a aprendizagem e o desenvolvimento de aptidões, a autonomia e a qualidade de vida da pessoa com deficiência.
A aprovação do Programa Nacional para a Participação dos Cidadãos com Necessidades Especiais na Sociedade da Informação26 da responsabilidade da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC) veio apresentar um conjunto de medidas em favorecimento da acessibilidade integral à sociedade da informação e do acesso, da forma mais independente e natural possível, aos benefícios que as tecnologias da sociedade da informação podem propiciar e ao “desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico aplicado à dimensão social e humana de quem está em desvantagem”. Essa filosofia está presente na Rede Solidária27, um site especialmente criado para organizações não governamentais e dirigido a cidadãos com deficiência, idosos e em risco de
26 Resolução do Conselho de Ministros n.º 110/2003.
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exclusão, ou no site do projecto Portal Ajudas28 (direccionado não só para as ajudas técnicas mas para um panóplia grande de sugestões). Em ambos os casos procura- se reunir consensos e experiências nas vertentes de ensino formal e não formal.
A publicação do Decreto-Lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro, que revogou o Decreto-Lei nº 319/91, de 23 de Agosto, trouxe acesa discussão ao espaço público educativo nacional. Em termos gerais e segundo a explicação presente no portal do Ministério da Educação em 2008, aplica-se aos ensinos público, particular, cooperativo e solidário e veio modificar os objectivos da educação especial que vigoravam há dezassete anos:
[…] baseados na inclusão educativa e social, no acesso e no sucesso educativos, na autonomia, na estabilidade emocional bem como na promoção de igualdade de oportunidades, na preparação para o prosseguimento de estudos ou para uma adequada preparação para a vida profissional.
O Decreto-Lei n.º 3/2008 estabelece as seguintes medidas educativas de educação especial: apoio pedagógico personalizado; adequações curriculares individuais; adequações no processo de matrícula; adequações no processo de avaliação; currículo específico individual; tecnologias de apoio.
Estas medidas prosseguidas pelo órgão de tutela vieram colocar em dúvida alguns aspectos constantes na nova legislação, contestados por pais, educadores e sindicatos de professores. Estes últimos reuniram em petição o conjunto de preocupações apresentadas em debate durante alguns meses, para futura modificação do diploma legal. De acordo com aquela iniciativa da sociedade civil, o Ministério da Educação através do Governo tinha criado uma nova organização da Educação Especial, que pretendeu:
1) Dirigir para o aluno e não para o contexto educativo (turma, escola, currículo, ensino/aprendizagem) os processos de
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intervenção/inovação, sugerindo-se, com isso a ideia de que os alunos com uma dada deficiência apresentam todos a mesma dificuldade e, portanto, devem ser categorizados e agrupados em unidades especializadas e ensinados à parte; 2) Passar a educação que, até aqui, se realizava na escola da comunidade, para ambientes segregados (escolas de referência/unidades especializadas), em situações de afastamento das famílias e de maior isolamento social; 3) Substituir o modelo pedagógico de intervenção por um modelo clínico (com subordinação de critérios pedagógicos a critérios médico-psicológicos), com a consequente desvalorização do papel da escola e dos docentes, em particular, de Educação Especial; 4) Complexificar e burocratizar o processo de referenciação/avaliação das NEE, impondo a utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade e Incapacidade (CIF 2001, OMS), completamente inadequada ao processo educativo, com o objectivo de afastar da Educação Especial milhares de alunos com necessidades educativas especiais, tidas por não permanentes; 5) Encerrar as Instituições de Educação Especial e „despejar‟ os seus alunos na rede de escolas de referência/unidades especializadas, a funcionar em situações de autênticos „guetos‟ escolares e sociais, deixando muitas famílias em situação de completa desprotecção institucional e social. Nessa altura entrou também em vigor a criação dos Centros de Recursos para a Inclusão por reorientação das escolas de educação especial dependentes de cooperativas e de associações de solidariedade social. (FENPROF, 2008)
O Ministério da Educação, em resposta, criou a Equipa Multidisciplinar para a Inclusão e Sucesso Educativo com o objectivo de coordenar todos os assuntos relacionados com os alunos do ensino especial, envolvendo a criação de novas funcionalidades, tais como: 1. Rede de Unidades de Apoio Especializado para a Educação de Alunos com Multideficiência e Surdos com cegueira; 2.
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Unidades de Ensino Estruturado para a Educação de Alunos com Perturbações do Espectro do Autismo; 3. Escolas de Referência para a Educação de Alunos Cegos e com Baixa Visão; 4. Escolas de Referência para a Educação do Ensino Bilingue de Alunos Surdos; 5. Escolas de Referência para a Intervenção Precoce na Infância, 6. Percursos Curriculares Alternativos; 7. Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF); 8. Centro de Recursos TIC para a Educação Especial; 9. Centros de Recursos para a Inclusão (CRI).
Como consequência destas novas disposições o CANTIC passou a fazer parte de uma rede de vinte e cinco Centros de Recursos TIC (CRTIC) para a Educação Especial da responsabilidade do Ministério da Educação (que abrangem um total de quarenta e cinco mil alunos com deficiência ou dificuldades de aprendizagem). Esta rede tem como finalidades reunir e implementar recursos tecnológicos adaptados para alunos com deficiência e/ou dificuldade de aprendizagem, de forma a responder ao propósito do Ministério da Educação de ter, até 2013, todos os alunos com necessidades educativas especiais no sistema de ensino regular, ao mesmo tempo que as escolas de ensino especial são transformadas em centros de recursos humanos e materiais.
O CANTIC é actualmente um CRTIC da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT) situado na EB23 José Cardoso Pires, na Amadora que procura:
o suporte à escolaridade e socialização de alunos com deficiência motora severa ou com doença crónica grave e a articulação com as diferentes estruturas da comunidade local (Instituições/Autarquias/ Universidades/Serviços de Saúde e Serviços Sociais, Equipas de Coordenação dos Apoios Educativos), entre outras entidades. (CANTIC, 2005)
O CANTIC começou por ser um Centro de Recursos para a Deficiência Motora Severa e Doença Crónica Grave, que se iniciou em 1996/97, no âmbito do Programa Nónio - Séc. XXI, dando resposta a cinco hospitais da Zona da Grande
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Lisboa (D. Estefânia, Santa Maria, Instituto Português de Oncologia de Lisboa de Francisco Gentil, Hospital Garcia d‟Orta e Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão) ligados a dez escolas da sua zona educativa (Escolas de Referência) e a vinte alunos em domicílio, conectados com as respectivas escolas de origem. Este projecto, pioneiro em Portugal, começou por desenvolver alternativas pedagógicas para o contexto hospital ou domiciliar com o uso de tecnologias de comunicação a distância (videoconferência e Internet), no âmbito da TeleAula, através da instalação de escolas nos serviços de pediatria dos hospitais, de modo a facilitar a escolarização obrigatória de crianças e jovens e a disponibilizar recursos de escolarização para alunos com doenças graves que, devido à sua situação clínica, não podiam deslocar-se aos seus estabelecimentos de ensino de origem. Tal como nessa altura, o CANTIC/CRTIC também agora efectua:
1) A avaliação do aluno com deficiência motora severa ou com doença crónica grave numa perspectiva holística com vista ao acompanhamento do currículo; 2) A selecção e adaptação de ajudas técnicas e sistemas de apoio a distância de acordo com a avaliação do aluno, de modo a permitir a participação nas dinâmicas de sala de aula; 3) O trabalho com professores, alunos e pais para suporte à participação plena nas actividades escolares; 4) A promoção e realização de formação especializada; 5) O estudo de estratégias de integração de recursos tecnológicos na sala de aula; 6) A pesquisa e exploração de tecnologias para utilização dos alunos que apoiamos; 7) A participação em experiências e projectos nacionais e internacionais que visem a troca de experiências e saberes na área da deficiência motora e das comunicações a distância; 8) A sensibilização dos organismos estatais e civis para uma intervenção articulada que facilite a escolaridade e a socialização de alunos hospitalizados. (CANTIC, 2009)
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No território português existiam, até 2008, três instituições com o mesmo nome, mas que limitavam a sua actuação à disponibilização de tecnologias sem a presença nos hospitais: 1) O CANTIC de Vila Real ligado ao Centro Educativo de Recursos TIC (CERTIC) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que levou à criação do curso de licenciatura Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas; 2) O CANTIC da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental no Fundão, que serviu de inspiração à tecnologia Magic Key desenvolvida pelo engenheiro Luís Figueiredo do Instituto Politécnico da Guarda, que possibilitou aos alunos com dificuldades físicas, ao nível dos membros superiores, a utilização de todas as aplicações de um vulgar computador, controlando o rato de uma forma rápida e precisa, apenas com os movimentos da cabeça. O piscar dos olhos pode ser uma das formas de simular os cliques nos respectivos botões do rato; 3) o CANTIC do Funchal que também realizava TeleAula.
Estas instituições continuam a trabalhar em parceria com Universidades e Institutos Politécnicos, empresas privadas como a Portugal Telecom, a Anditec e, mais recentemente, com a Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação (FDTI). O projecto Um sorriso com as TIC, em parceria com esta fundação, tem por objectivo dotar as unidades de pediatria dos hospitais públicos de infra-estruturas tecnológicas, que permitam às crianças internadas momentos de lazer, o acompanhamento pela família e amigos e o contacto com a escola de origem e destino, dirigindo-se às crianças internadas dos 2 aos 14 anos, envolvendo, também, técnicos e voluntários hospitalares e os familiares dessas crianças.
O CANTIC (CRTIC – Amadora) objecto de estudo desta tese e como instituição de referência para dar respostas educativas e tecnológicas para alunos em idade escolar internados e/ou em regime de ambulatório, tem participado em vários projectos de cariz internacional. Um deles realizou-se no âmbito do Programa Sócrates – Acção Comenius versando o tema Adaptações Curriculares Individuais. Este projecto assentou em três parcerias: Bélgica/Antuérpia (país coordenador); Lituânia/Vilnius; Portugal/Lisboa e teve início no ano lectivo
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2003/04. Contou com a colaboração de Ana Jorge do Instituto de Apoio à Criança, médica pediatra e posteriormente Ministra da Saúde, no levantamento dos hospitais com serviço de pediatria, existentes nesta zona geográfica – Grande Lisboa e Lezíria e Médio Tejo e dispondo dos recursos humanos, físicos e tecnológicos necessários para a inclusão dos alunos através da TeleAula. Desse estudo (CANTIC, 2005, p.6) retiraram-se as seguintes inferências:
a. O apoio escolar aos alunos retidos em casa por motivo de doença grave, não está centrado nos hospitais que os apoiam a nível clínico; b. O apoio escolar a estes alunos, está dependente de estruturas educativas locais e/ou centrados nas próprias escolas de origem (escolas onde os alunos estão matriculados e, normalmente existentes na sua área de residência) destes alunos;
c. A existir este tipo de apoio, não se identifica no hospital, a existência de uma articulação entre estas duas estruturas (educativa e hospitalar);
d. Não existe qualquer tipo de apoio de retaguarda a estes alunos, estando o mesmo centrado na família e/ou nos próprios alunos (situação a existir nos alunos mais velhos), ou inexistente.
E algumas conclusões (CANTIC, 2005, p.10) que evidenciam as potencialidade e possibilidades da integração das TIC neste contexto:
Verificamos a existência de uma marcada assimetria entre os hospitais com Projecto TeleAula e os sem projecto, a nível não só de Recursos Tecnológicos como Humanos. Esta diferença quantitativa pressupõe, igualmente, uma diferença qualitativa e a ausência de uma linha programática orientadora da escolaridade dos alunos internados e que estão em idade escolar.
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O CANTIC iniciou outro projecto de 3 anos em Setembro de 2006, denominado Percursos: Exploração de Campos de Expressão dos Alunos nas Escolas de Hospital, desenvolvido no âmbito do Programa Comenius – Projecto de Escola com a parceria de Portugal, da Alemanha (país coordenador), da Bélgica, da Lituânia e da Polónia. Os alunos internados e em regime de ambulatório trabalharam na construção de uma estória original sobre uma viagem imaginária, a partir de um tema dado e obedecendo a uma estrutura previamente definida de acordo com os seguintes capítulos: 1) Pensando e Planeando a Viagem; 2) Início da Viagem; 3) Duração da Viagem; 4) Destino; 5) Exploração Local; 6) Efeitos e Resultados da Viagem. A criação desta estória foi efectuada em sistema de rotatividade pelas escolas dos hospitais D. Estefânia, Santa Maria, IPOLFG, Garcia d‟Orta e CMRA. Cada escola teve um prazo para narrar a sua parte e a ordem de rotatividade foi facultativa, tendo em atenção o número de alunos presentes em cada momento nas escolas. Ao mesmo tempo, todas as escolas dos hospitais puderam contribuir para o projecto através de trabalhos individuais e de grupo. Os objectivos gerais do projecto prendiam-se com a necessidade de promover a escolarização e a socialização destas crianças e jovens, através do uso das TIC, fomentando a inclusão e trabalhando as suas incapacidades, de modo a que cada uma pudesse efectuar uma viagem ao seu mundo interior. Tal viagem permitiria, a cada criança/jovem: reflectir e exprimir a sua situação de doença; lidar com os seus próprios desafios; alargar o seu sistema de valores pessoais; desenvolver novas perspectivas de vida; experimentar a integração social; trocar experiências com outras crianças numa perspectiva interdisciplinar e apoiada por uma ampla utilização de tecnologias de comunicação, quer síncrona (chat, videoconferência), quer assíncrona (fórum, e-mail); sentir o espírito da identidade europeia. Pretendia-se, também, comparar diferentes tipos de escolas de hospitais e, se possível, contribuir para o desenvolvimento e expansão de uma rede europeia de escolas hospitalares.
O CANTIC/CRTIC integrou a Rede Europeia de Escolas dos Hospitais denominada Hospital Organization of Pedagogues in Europe (H.O.P.E), uma organização não governamental cuja finalidade é promover o direito à educação de
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crianças e adolescentes hospitalizadas, em regime de ambulatório ou com necessidade de tratamento médico. No que diz respeito às escolas dos hospitais fora de Portugal, a rede H.O.P.E. (tendo como contacto nacional de referência a Agência Nacional do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida) lidera uma plataforma de e-learning com a criação de projectos, oficinas, conferências e actividades direccionadas para as instituições que nos diversos países contribuem para facilitar o uso das TIC e aproximar as comunidades de aprendizagem para trocar ideias e fomentar boas práticas. Foram criadas algumas fontes de informação para alguns países em particular Finlândia, Hungria, Alemanha e Eslovénia através do site TIMSIS, um serviço direccionado para a formação de docentes com alunos com doenças crónicas, que se iniciou em 2004 com o apoio do projecto Comenius.
O projecto European College for Hospital Teachers and Play Therapists by net (ECHTPT-net) foi o ponto de partida para a tentativa de construção de um currículo europeu comum para docentes que leccionam nas escolas dos hospitais. A proposta passava pelo desenvolvimento de um repositório de conteúdos e de uma sala de aula de virtual onde professores e terapeutas de educação especial pudessem procurar informações sobre pedagogia especial adaptada a crianças com necessidades especiais e problemas que dependem das suas doenças e tratamentos.
Alguns casos particulares como o que acontece na Bélgica com o Hospichild (2007), em Espanha e outros países da América Latina com o EducaRed (2008) ou em Inglaterra com o Childrenfirst (2008) apresentam uma rede de escolas sedeadas em todos os serviços de pediatria que são contactadas pelas escolas de origem e aí disponibilizam um conjunto de tecnologias e práticas, que ajudam os alunos a integrarem-se na sua nova condição quer de doente crónico, quer de doente ambulatório, que estuda na primeira fase em casa e de seguida volta para a escola de origem.
Outras iniciativas que se podem considerar como operacionalizações do conceito de Tecnologias Solidárias encontram-se em desenvolvimento através da Universidade Aberta da Catalunha em Espanha, pelo professor Ismael Peña-López (2009) criador do projecto Voluntariado Virtual: Acção Social na Sociedade em
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Rede em que pessoas com conhecimentos em TIC possam exercer uma acção social, ajudando os outros a evitar a info-exclusão. Para este autor a gestão do conhecimento supõe um conjunto de actividades: auditar (averiguando o que sabemos); criar (evitar a sua destruição); armazenar e estruturar (tornar acessível); compartilhar e transferir (informar e formar); utilizar e capitalizar (incorporar o conhecimento na vida de cada um), sem limites de tempo e de espaço em actividades tão concretas como a sensibilização das TIC, assessoria e consultoria pontual, preparação para o teletrabalho, para a utilização de serviços virtuais como o tradução ou compras online, entre outras iniciativas nas quais se procura diminuir distâncias entre as pessoas.