5. Análise da documentação
5.2. O ano inicial do programa (2002/03)
5.2.1. A Gestão Central
5.2.1.2. O decurso do ano 2002-03 no terreno
Terminada a fase de preparação do programa, podemos concluir que chegamos ao início do ano lectivo de 2003-04, ano de início do programa no terreno, com a esmagadora maioria dos recursos disponíveis e com um conjunto de iniciativas que podiam despoletar um trabalho de efectiva integração das TIC no dia-a-dia de, pelo menos, algumas das EB1 do continente. A correspondência trocada posteriormente permite-nos ainda concluir que ficou em falta o processo formal de credenciação das IES para emissão de diplomas de competências básicas, em torno do qual houve um conjunto de contratempos que só vêm a ser resolvidos em Fevereiro de 2003 (Anexo 8).
Em Novembro de 2002 chega-nos, da uARTE, a notícia de uma videoconferência (Anexo 9) subordinada ao tema "Uma reflexão sobre o uso das TIC pelos Professores”, que tem por base um estudo publicado por Paiva (2002), com participação da autora. É uma oportunidade de todos os intervenientes assistirem à conferência e sobre ela discutirem a temática central do programa Internet@EB1. Não temos notícia de que alguém ligado ao distrito de Setúbal tenha participado, eventualmente por ter sido difundida durante a manhã. No entanto, a uARTE (2002) mantém activo um fórum onde se podem observar quatro participações efectuadas em diferido.
Os participantes nesta iniciativa referem que, de um modo geral, se pode afirmar que existem computadores nas escolas. O problema está na utilização educativa que com eles é efectuada, ou na falta dela. São ainda lançadas algumas ideias que possam justificar essa ausência de utilização, nomeadamente a falta de formação contínua adequada e a insegurança dos professores na utilização destas tecnologias, nomeadamente em contexto de sala de aula.
Nessa mesma altura somos informados da possibilidade de utilizar um software desenvolvido pela ESE de Leiria para a gestão do programa. Nessa data já a gestão distrital de Setúbal
tinha construído o sítio de apoio ao projecto que incluía também a gestão das visitas às EB1, pelo que pareceu desnecessária a sua aquisição.
Em Janeiro de 2003 recebemos o “1º Relatório de Execução Física do Projecto” com informação sobre as acções de preparação e os dados nacionais acumulados até Novembro de 2002. A informação chega-nos com duas componentes, uma de cariz mais quantitativo (Anexo 10) e outra mais qualitativa (Anexo 11) que nos reporta a síntese do trabalho de preparação efectuado pela gestão central e por cada uma das IES envolvidas no programa. Neste relatório são focadas as iniciativas tomadas pela gestão central para preparação do programa, assim como as opções fundamentais seguidas pelas IES, nomeadamente no que se relaciona com os critérios de recrutamento de formadores ou de relacionamento institucional com outras entidades do distrito.
Nesse primeiro relatório podemos destacar os seguintes dados: • Em Setúbal estão reportadas 307 EB1 (eram 310 no início);
• 87% das EB1 do distrito já tinham sido visitadas, pelo menos 1 vez;
• Para além das visitas às escolas, tinham sido efectuadas sete outras sessões de trabalho nas quais não havia participação de professores das EB1, pelo que acreditamos que se referem a reuniões com os Centros de Formação e com a equipa de formadores;
• Até à data só tinha sido detectada uma EB1 com página publicada em anos anteriores e não havia novas páginas publicadas.
Com estes dados parece-nos que se começa a ter uma ideia mais clara do que se passa no terreno, quer no que se relaciona com o número efectivo de escolas existentes, quer com a realidade das EB1 com página publicada.
Procurámos ainda, no mesmo relatório, calcular médias e desvios padrão dos vários indicadores e a única conclusão a que chegámos relaciona-se com o comportamento destes dois indicadores aplicados aos vários valores recolhidos, verificando-se que, na maior parte dos cálculos, o desvio padrão tinha um valor muito elevado. Podemos talvez concluir que não existem ainda padrões de comportamento, o que poderá ser reflexo da autonomia das IES e de vários ritmos a que o programa se iniciou.
Após a divulgação dos primeiros resultados teve lugar uma reunião convocada pela gestão central, na qual participaram as IES e o gestor do POSI. Foi efectuado o balanço das actividades até então desenvolvidas e houve uma tónica muito forte nos problemas encontrados com os equipamentos no terreno, não só por avarias nos routers, mas também problemas relacionados com furtos ou com falta de disponibilidade de software original com o qual fosse possível manter a funcionalidade das máquinas. Foram também focados problemas relacionados com o reconhecimento da tutela face ao trabalho dos monitores e dos professores das EB1, assim com a falta de visibilidade pública e nacional do programa. A manutenção dos equipamentos é da responsabilidade das Câmaras Municipais, que nem sempre deram uma resposta atempada e que se coadunasse com a disponibilidade de professores e monitores das EB1.
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Os problemas relacionados com a manutenção dos equipamentos foram sentidos como grandes obstáculos ao decurso do programa, desde o seu início. Podemos estar face a um problema mais geral que se relaciona com a dificuldade de articulação de interesses de múltiplas entidades com responsabilidades no funcionamento do programa junto das EB1. A este problema junta-se um outro, relacionado com a motivação de professores e monitores. O seu envolvimento no programa significa um acréscimo de trabalho sem qualquer reflexo na sua progressão profissional, o que pode constituir um factor desmobilizador.
Ainda em Fevereiro, as IES foram convidadas pelo POSI a participar no “Encontro Nacional de Responsáveis de Espaços Internet” (Anexo 12), sugestão que surge pela possibilidade de articulação de ambos os programas na tarefa de emissão de diplomas de competências básicas em TI. O encontro teve um cariz eminentemente técnico, focando também problemas relacionados com a continuidade daqueles espaços, tendo-se afigurado como uma iniciativa que se traduziu em poucos contributos para o desenvolvimento do programa.
Em Março de 2003, recebemos o segundo relatório enviado pela gestão central, com dados acumulados do programa até 31 de Janeiro desse ano. Uma vez mais este relatório é composto por dois documentos: um de cariz mais descritivo (Anexo 13) e outro exclusivamente quantitativo, constituído por um quadro com a execução física do projecto (Anexo 14). Neste segundo relatório observa-se que o descritivo tem a informação da execução física acrescida de informações relativas a reuniões que foram realizadas entre as IES, a FCCN e os Municípios, na tentativa de resolver questões relacionadas com a manutenção dos equipamentos.
Os dados relativos ao distrito de Setúbal permitem-nos retirar algumas conclusões. Podemos verificar que tinham sido visitadas 279 das 307 EB1, o que corresponde a 91% das escolas, mas só 140 (46%), tinham, até à data, sido visitadas uma segunda vez. Pode ainda observar- se que o número de “outras sessões” subiu para 9, significando que entre Dezembro e Janeiro só se efectuaram duas destas sessões. Consideramos que este dado pode ser uma consequência de ter terminado a fase de preparação e os actores se encontrarem fundamentalmente a trabalhar no terreno. Continuam a não existir DCB passados pela ESE de Setúbal. No que se relaciona com as páginas das EB1, verifica-se que o número de EB1 com página publicada em anos anteriores subiu de 1 para 25, certamente reflexo de um melhor conhecimento do terreno. Verifica-se ainda que, até à data, não foram publicadas novas páginas.
A comparação dos resultados nacionais com os obtidos em Setúbal, incluída na tabela seguinte, indicam que, neste distrito, estão cerca de 3,8% das EB1 do continente e o número total de visitas realizadas no distrito também corresponde a 3,8%, o que nos permite concluir que o ritmo das visitas em Setúbal foi semelhante ao registado no país. No entanto, observando o número total de horas de formação efectuado, esta percentagem desce para 2,6%, o que revela um número de horas de visita inferior à média registada no país.
Distritos Nº EB1/ distrito Nº total visitas realizadas Volume Formação executado (nº horas)
Setúbal 307 419 1.257
Total 8.183 11.060 48.740
3,8% 3,8% 2,6%
Tabela 3 – Relatório Nacional – Março de 2003 – Formação efectuada em Setúbal.
Em Maio de 2003, é-nos enviado, pela gestão central, o terceiro relatório de execução física e respectivo descritivo (Anexo 15 e 16) onde, pela primeira vez, se faz referência ao número total de DCB já registados e aos encontros distritais que vão acontecendo pelo país. Este relatório tem dados acumulados até 31 de Março.
Num de EB1 Visitadas Num total EB1 de Setúbal Uma
visita visitas Duas visitas Três Quatro visitas
Num total de visitas
305 292 171 50 15 528
96% 56% 16% 5%
Tabela 4 – Relatório Nacional – Março de 2003 – Visitas efectuadas em Setúbal.
Neste relatório, o número total de EB1 do distrito volta a baixar (de 307 para 305). Pensamos que esta diferença corresponde a alguma incerteza nos dados nacionais iniciais, que vai sendo corrigida pelo contacto directo que os monitores estabelecem com cada uma das EB1. Foram até à data visitadas 96% das EB1 do distrito, o que pode reflectir alguma dificuldade em visitar as 13 EB1 em falta. Esta dificuldade pode ser ocasionada quer por falta de interesse dos professores daquelas escolas, quer por incompatibilidade de horários entre os professores e os monitores que acompanharam aquelas escolas. Só cerca de metade das escolas foram visitadas duas vezes. No entanto, existem já 5% das EB1 com quatro visitas efectuadas, o que reflecte uma diversidade muito grande no envolvimento conseguido junto das EB1. Regista-se ainda que foram publicadas, pela primeira vez, 21 páginas de EB1 e que foram emitidos dois DCB.
Distritos
Nº EB1/ distrito
Nº total sessões realizadas
Volume Formação executado (nº horas) Setúbal 305 528 2.640 Total 8.143 17.880 80.883 3,7% 3,0% 3,3%
Tabela 5 – Relatório Nacional – Maio de 2003 – Volume de formação efectuado em Setúbal.
Relativamente aos dados do relatório anterior, parece possível concluir que o ritmo de realização de sessões abrandou, face às outras IES (3,8% no relatório anterior face a 3% neste relatório) mas, em contrapartida, o volume de formação aumentou (2,6% no relatório anterior e 3,3% no presente). Podemos estar perante uma evolução do objectivo das visitas.
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Numa primeira fase, as visitas tinham como objectivo a divulgação do programa junto dos professores, a tomada de decisão sobre a metodologia a adoptar e a escolha dos professores a envolver no programa. Posteriormente as visitas tornaram-se mais longas, envolvendo os professores no trabalho efectivo com as TIC e promovendo tarefas intermédias entre visitas, tornando-se estas menos frequentes.