5. Análise da documentação
5.3. O segundo ano do programa (2003/04)
5.3.1. O início das actividades
A primeira proposta de protocolo foi recebida pelas IES no final de Setembro. Esta proposta é efectuada pela FCCN, sua signatária, que substitui o MCT na versão de protocolo do ano anterior. Parece uma alteração natural, em consequência dos ajustes efectuados ao programa, ao longo do primeiro ano. Na versão final do protocolo, divulgada em Novembro, registam-se duas alterações relativamente ao ano anterior. Enuncia-se um novo objectivo:
.promover a constituição de comunidades de prática nas escolas em parcerias com outras entidades (outras escolas, portuguesas ou de países de língua portuguesa, autarquias, outras entidades). FCCN (2003:2)
Este objectivo estava já referido no relatório preliminar de avaliação externa do primeiro ano e parece surgir em consequência das sugestões aí incluídas. A segunda alteração consiste em um considerando que refere o interesse do Ministério da Educação na continuidade do programa:
Considerando a importância que o Ministério da Educação atribui às tecnologias da informação e comunicação na preparação, desde cedo, dos alunos para o seu domínio, bem como a potenciação da sua utilização no desenvolvimento das aprendizagens; FCCN (2003:1)
Este considerando constitui-se como a primeira intervenção do Ministério da Educação no âmbito do programa.
Em meados de Outubro foi enviada, pela gestão central, às IES, uma carta com a justificação do atraso na assinatura do protocolo (Anexo 56), onde se pode perceber alguma insegurança das IES face aos compromissos que têm que assumir para iniciar as actividades.
A equipa da uARTE enviou às IES, também em meados de Outubro, uma carta (Anexo 60), onde reforçava a ideia de estreitar relações para a construção e dinamização de materiais destinados às EB1 e que incluía um pedido de sugestões de actividades. Esta notícia fazia prever uma intervenção acrescida da uARTE no programa. Em Novembro recebemos a informação da integração da uARTE no Ministério da Educação, medida que parecia coerente com a tomada de posição deste ministério sobre o articulado do protocolo.
a extinção desta unidade no MCES, é concretizada no despacho conjunto n.º 1038/2003, assinado pelo Ministro da Ciência e do Ensino Superior e pelo Ministro da Educação e publicado no Diário da República do passado dia 18 de Novembro. Com esta medida, o Ministério da Educação assume o apoio educativo à Internet na Escola, enquadrando estas acções no seu plano de actividades no domínio da sociedade de informação, em particular na aposta na criação de conteúdos educativos e na promoção da utilização das tecnologias de informação no processo de aprendizagem, ao mesmo tempo que integra elementos da equipa da uARTE na sua estrutura (Anexo 61:2).
Contudo, a actividade da uARTE foi somente profícua até meados de Dezembro, data a partir da qual deixámos de receber as publicações periódicas que produziam. Mais tarde os servidores da uARTE ficaram inacessíveis e esta equipa deixou progressivamente de ter condições de prestar o apoio que até então tinha efectuado no âmbito do programa.
A sessão solene de assinatura de protocolos foi efectuada a 17 de Novembro com um programa que incluía a divulgação de boas práticas, a divulgação do “Manual só para miúdos”, desenvolvido por docentes da ESE do Porto e da ESE de Viseu e intervenções dos Ministros da Educação e da Ciência e Ensino Superior (Anexo 57). O manual divulgado nesta sessão foi publicado pela FCCN, distribuído às várias IES e por estas às EB1, constituindo um documento de suporte às sessões de formação efectuadas junto de professores e alunos para aquisição das competências básicas em TIC. A ESE de Setúbal foi uma das IES convidadas para apresentarem uma comunicação sobre a divulgação de boas práticas, o que nos parece corresponder ao reconhecimento do trabalho desenvolvido, neste distrito, no primeiro ano do programa.
Após o acto de assinatura dos protocolos há uma divulgação pública do programa no jornal Público e nos destaques do Ministério da Educação.
Durante este período inicial, a gestão distrital efectuou vários contactos com os centros de formação no sentido de organizar a informação necessária ao estabelecimento de protocolos. Existem várias mensagens de correio electrónico enviadas pela IES para os centros de formação e para a gestão central, referentes a EB1 encerradas e à distribuição das EB1 pelos agrupamentos verticais e horizontais que tinham sofrido alterações significativas no ano de 2002/03. Nota-se uma preocupação em efectuar um acompanhamento das EB1 de acordo com os agrupamentos e a procura de correcção de dados sobre as EB1 efectivamente em funcionamento neste ano lectivo. A estrutura de acompanhamento distrital envolvia 14 centros
Universidade de Aveiro 2006
Internet@EB1 – Estudo de Impacte num agrupamento de Setúbal
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de formação e uma equipa de formadores directamente orientada pela ESE, que se transformou numa complexa teia de negociações por haver alteração de escolas a acompanhar pelos vários centros. Esta negociação termina em 16 de Janeiro com a assinatura dos protocolos entre a ESE e os centros, o que corresponde a um início tardio das actividades neste distrito.
A assinatura de protocolos na ESE foi efectuada numa sessão solene com a presença do Conselho Directivo da ESE, dos directores dos Centros de Formação e para a qual foram convidados os representantes dos Municípios. Registou-se, com alguma preocupação, que só o Município do Montijo esteve presente. Esta preocupação foi igualmente sentida noutros distritos, como é referido num comunicado da gestão central (Anexo 63).
O plano de actividades para o ano lectivo de 2003-04 (Anexo 58) refere este esforço de reorganização das EB1 em consequência da constituição dos agrupamentos verticais, considerando “desejável um acompanhamento global das EB1 de um agrupamento a ser efectuado por uma mesma equipa de formadores”.
Existe uma proposta de alteração no sentido de todas as EB1 serem visitadas quatro vezes. No ano anterior, o número de visitas podia ser de três ou quatro, dependendo da dimensão da EB1 mas este número foi considerado manifestamente insuficiente na avaliação interna. Para o ano lectivo de 2003/04 prevêem-se efectuar visitas de acordo com a tabela seguinte:
Nº lugares
na EB1 existentes Nº EB1 Nº Monitores previstos Nº Visitas a efectuar
<3 128 1 512
>=3 172 2 1.376
Total 300 1.888
Tabela 10 – Previsão do número de visitas e de monitores, segundo a dimensão das EB1.
Parece haver uma preocupação em adequar a emissão de DCB à relação aluno-professor. Nesse sentido, o plano refere que:
É nossa convicção que as sessões de formação e as visitas devem ser fundamentalmente vocacionadas para os professores, no sentido de lhes desenvolver competências para um trabalho assíduo com as TIC e os seus alunos. Assim, os professores das EB1 devem decidir se os seus alunos estão em condições de efectuar a avaliação que comprova as suas competências básicas em TIC, com a colaboração dos formadores, sempre que necessário (Anexo 58:2).
E refere ainda a possibilidade de articular este trabalho com os municípios e os vários Espaços Internet do distrito.
O plano prevê também a alteração do sítio SETTIC, adaptando-o à necessidade de recolha de informação para o processo de avaliação e melhorando os aspectos relacionados com a formação descentralizada, permitindo resumos on-line das actividades desenvolvidas por cada equipa. Relativamente aos recursos de apoio à formação, é explicitada a intenção de continuar a estimular a sua utilização e melhorar a informação disponível. Quanto ao desafio das comunidades de prática, é referido que não é expectável uma grande adesão por razões associadas à pouca experiência de utilização das TIC nas EB1 e pela escassez de recursos
materiais existentes, mas assume-se a tentativa de constituição de uma comunidade, admitindo-se que alguns professores iniciem a sua utilização e possam interiorizar as vantagens de participação nestas comunidades.
Durante o início das actividades desse ano chegou-nos informação sobre a mudança de fonte de financiamento para assegurar as ligações à Internet nas EB1. O referido financiamento, que até então era assegurado pelo POSI, passou a ser da responsabilidade do Ministério da Educação. Esta mudança provocou a circulação de algumas notícias contraditórias e houve, pontualmente, algumas EB1 que, por engano nas bases de dados, viram o serviço de acesso à Internet interrompido (Anexo 62).
O programa inicia o seu segundo ano de funcionamento num contexto conturbado, apesar da gestão central ter procurado corresponder às sugestões apresentadas pela avaliação externa, para melhoria das condições do seu funcionamento.