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O fim do programa Chilecalifica e os novos rumos da modalidade flexível

CAPÍTULO 2 O PROGRAMA CHILECALIFICA E A CERTIFICAÇÃO DE JOVENS E

2.3. O programa Chilecalifica e a modalidade flexível

2.3.4. O fim do programa Chilecalifica e os novos rumos da modalidade flexível

Os recursos para a execução do programa Chilecalifica se esgotariam em 2008, sendo este o ano em que se deveria encerrar a parceria com o Banco Mundial, entretanto, a avaliação realizada no início de 2009 indicou que:

se han logrado avances importantes en los subsistemas de Educación de adultos (nivelación y evaluación de básica y media), subsistema de Evaluación y Certificación de Competencias Laborales y subsistema de Capacitación por Competencias. Sin embargo, no se han logrado productos importantes que afectan al diseño e implementación de los subsistemas de Formación Técnica y de Cualificaciones. El subsistema de formación técnica logró avances en la calidad de la EMTP [Educación Media Técnico Profesional] pero no se logró avanzar en la efectiva articulación vertical de los distintos niveles de educación técnica superior y horizontal con la capacitación y la certificación de competencias laborales. En el subsistema de cualificaciones no hubo avances, durante este año (2009) se tiene programado avanzar en una propuesta de este subsistema.

Falta un importante trabajo de sistematización de las experiencias de lo ejecutado en nivelación de estudios básicos y medios y, lo ejecutado en el mejoramiento de la formación técnica a través de los proyectos de redes regionales. Así como también falta, un trabajo de estandarización y homogenización de procesos y metodologías desarrolladas para levantar competencias laborales y definir perfiles de egreso de los niveles de educación técnica en todos sus niveles. (SANTIAGO, 2009, p. 37)

Com base nas indicações dessa avaliação, o período de implementação foi estendido para o ano de 2009, no entanto, o programa já não existia efetivamente enquanto experiência de articulação interministerial. Em 2008 já havia sido criado o Chile Valora para a certificação de competências laborais em vinculação ao Ministério do

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Trabalho. A modalidade flexível, por sua vez, se desenvolvia no âmbito do Ministério da Educação sem se articular com o Ministério do Trabalho. Assim, existiam ações, mas que não se configuravam como uma política pública articulada de alavancagem da escolaridade da população adulta. Entre 2002 e 2009, buscou-se construir um processo de educação permanente, contudo, não chegou a se instituir o que se pretendia.

Em 2010, com a chegada de um novo governo, desenhou-se um novo cenário para a educação de adultos. O empresário Sebastián Piñera venceu as eleições presidenciais no Chile, trazendo uma coalizão de direita para o governo, que se opunha ao grupo da Concertación. Depois de 20 anos de oposição, o grupo que assumiu o poder quis criar sua própria marca, não dando continuidade a grande parte das políticas propostas pelos governos da Concertación.

Nesse contexto, ocorreram mudanças no Ministério da Educação, sendo que mudou o grupo que coordenava o Sistema Nacional de Avaliação de Adultos e Certificação e a própria coordenação da educação de adultos.

O programa Chilecalifica foi oficialmente encerrado, embora, na prática, isso já não implicasse em mudanças efetivas em relação ao que estava ocorrendo, uma vez que os programas que obtiveram algum sucesso continuaram a existir independente do rótulo Chilecalifica.

No que se refere à modalidade flexível, ocorreram mudanças significativas. A modalidade continuou a certificar pessoas, mas não indicava qualquer perspectiva de futuro, no sentido de alguma profissionalização ou mesmo oportunidade de ingresso na universidade. Tratou-se apenas de uma política pública que contribuiu para melhorar os índices de concluintes de educação básica.

O esforço do Ministério da Educação, no que se refere à modalidade flexível, consistiu em alterar os pressupostos de construção das avaliações, de modo que se extinguiu o foco em competências e habilidades para adotar uma proposta que considera apenas a lista de conteúdos a serem cobrados. Além disso, a avaliação passou a ser realizada em formato teste, uma vez que se considerava muito complexo o formato anterior para jovens e adultos.

Rosita Garrido, da coordenação da educação de adultos do Mineduc em 2013, em entrevista para esta pesquisa, afirmou que a prova de múltipla escolha se justificava por ser “mucho más fácil de corregir y hay menos posibilidades de cometer errores para

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el que esté haciendo la prueba” (GARRIDO, 2013). Além disso, Garrido também explicitou que, no novo governo havia uma contenção de gastos para a educação de adultos. Já havia sido suspenso o programa de alfabetização Contigo Aprendo e os recursos para a modalidade eram reduzidos. Isso se justificaria porque:

las políticas educacionales que actualmente tiene Chile están centradas en la educación parvularia, pre-básica y en los primeros ciclos de la educación básica para los niños y niñas lo cual me parece estupendo pero la plata no es eterna o sea, o ponemos acá o ponemos allá pero… y desgraciadamente eso tu lo puedes ver a nivel latinoamericano, siempre la educación para adultos que como al patio de atrás porque hay más urgencia con los niños y con los jóvenes aunque en fin… entonces eso pasa. (GARRIDO, 2013).

Em crítica aos rumos tomados pela educação de adultos no novo governo, Maria Isabel Infante e Maria Eugenia Letelier (2013), que estiveram à frente da criação da modalidade flexível e do processo de certificação por meio de exame nacional, produziram um artigo no qual condenavam as mudanças que transformaram a Coordenação de Adultos em Unidade de Normalização de Estudos, incluindo, sob essa coordenação, crianças e jovens que abandonaram o sistema escolar, ou seja, retiraram a especificidade da educação de adultos para colocá-la junto às políticas voltadas para a infância. As autoras criticaram também a eliminação da Campanha de Alfabetização Contigo Aprendo, a falta de investimentos na modalidade e a paralisação do processo de institucionalização do Sistema Nacional de Avaliação de Aprendizagens e Certificação de Estudos. Também registraram o processo de queda de matrículas, que já podia ser observado em 2012. (INFANTE, 2013, p.32-34).

Deve-se ressaltar que, embora o Sistema Nacional de Avaliação de Aprendizagens e Certificação de Estudos estivesse em funcionamento e constante processo de aperfeiçoamento desde 2002, ele não foi institucionalizado, ou seja, os decretos que definiam a modalidade flexível não indicavam formalmente como deveria ser o processo de avaliação, apenas indicavam que haveria avaliação externa. Isto permitiu que o novo governo mudasse o processo de construção da avaliação, tornando- a, segundo a visão da Unidade de Normalização de Estudos, mais adequada para o público jovem e adulto. Assim, os novos itens elaborados perderam efetivamente o sentido de contextualização criado na proposta original, transformando-se em cobrança de conteúdos eminentemente escolares e sem qualquer preocupação com a especificidade dos sujeitos ou com a valorização dos conhecimentos que possam ter adquirido em um contexto não formal. Os exemplos a seguir são ilustrativos dessa nova forma de organizar a prova e construir os itens.

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Figura 18. Item I – Comunicação e Linguagem para a educação básica Fonte: Mineduc, 201436F

37.

Figura 19. Item II – Matemática para a educação média Fonte: Mineduc, 201437F

38.

Por fim, podemos considerar que, apesar dos esforços para a criação de uma política de educação de jovens e adultos articulada ao mundo do trabalho, quando observamos o que ocorreu entre 1990 e 2011, verificamos que se mantiveram as mesmas desigualdades, ainda que exista algum avanço nos anos médios de escolaridade da população. Tanto no que se refere à faixa etária e especialmente quanto à renda, os mais pobres continuaram menos escolarizados em relação aos mais ricos, mantendo-se a

37 Disponível em: http://www.mineduc.cl/index2.php?id_portal=19&id_seccion=4514&idcontenido

=25465. Acesso em 30 set. 2014.

38 Disponível em: http://www.mineduc.cl/index2.php?id_portal=19&id_seccion=4514&id_contenido

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desigualdade. Em 1990, os mais pobres apareciam com 7,8 anos de estudo e os mais ricos com 12,3. Já em 2011, o quintil dos mais ricos tinha 13,5 anos de estudo, enquanto os mais pobres, 8,7 anos de estudo. Ainda que ambos os grupos tenham elevado a escolaridade, a distância entre eles subiu de 4,5 para 4,8 anos, com maior vantagem para os mais ricos.

Gráfico 11 – Renda média por ocupação e nível educacional no Chile em pesos chilenos (2011)

Fonte: Encuesta Casen, 2011.

Assim, continuou a ocorrer o que sustentou Corvalán (2008, p. 71):

Los programas recientes y las transformaciones que desde el Estado se han llevado a cabo respecto de la EDJA han tenido como uno de sus discursos centrales el aumento de las posibilidades laborales y el consecuente aumento de los niveles salariales o bien el ingreso al mercado laboral de sectores que hasta el momento no se han beneficiado de manera notoria de la bonanza económica global del país.

É necessário destacar ainda que a política de educação de jovens e adultos, embora tenha avançado na ampliação da oferta ao criar a modalidade flexível e propor um Sistema Nacional de Avaliação de Aprendizagens e Certificação de Estudos, ainda não equacionou, nos termos do que se define enquanto educação ao longo da vida, um conjunto de políticas que, de fato, permitam que jovens e adultos consigam refazer sua trajetória em um mundo em constante transformação.

O Sistema Nacional de Avaliação de Aprendizagens e Certificação de Adultos foi o embrião de um modelo específico de avaliação em larga escala que tinha um formato híbrido, o qual considerava o perfil desse público sem contestar a legitimidade do currículo escolar posto par crianças e adolescentes. A experiência desenvolvida até 2009 mostrou fragilidades no que se refere ao desenvolvimento de um curso preparatório para

198.471,30 226.878,64 246.646,15 293.528,90 308.661,37 340.298,41 333.416,51 458.103,60 939.953,28 0,00 100.000,00 200.000,00 300.000,00 400.000,00 500.000,00 600.000,00 700.000,00 800.000,00 900.000,00 1.000.000,00 Sin Educación formal Básica

incompleta completaBásica humanistaMedia incompleta Media técnico profesional incompleta Media humanista completa Media técnico profesional completa Técnico nivel superior o profesional incompleta Técnico nivel superior o profesional completa

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os exames, que se mostrou insuficiente para muitos sujeitos jovens e adultos que estavam distantes há muito da escola e que tinham de enfrentar uma prova bastante exigente. A mudança de governo em 2010 comprometeu ainda mais o desenvolvimento dessa experiência, retornando para modelos de avaliação que ignoravam a especificidade desse público.

A conclusão da educação básica por meio de exames nos termos que se constituiu na modalidade flexível não conseguir fazer com que jovens e adultos pudessem avançassem no mercado de trabalho integrando elevação de escolaridade com formação profissional, nem conseguiu ser uma porta efetiva de entrada para um curso de nível superior, visto que teriam que disputar vagas com alunos mais qualificados oriundos de famílias de maior renda e egressos do ensino regular.

Além disso, faltou uma avaliação crítica do processo que vinha sendo construído e implementado a partir de 2002. A ausência de relatórios dos exames produzidos a cada ano não possibilitou que se fizesse uma apreciação efetiva da política implementada nem permitiu que se usasse os dados das avaliações para criar um instrumento de reflexão sobre a própria política de educação de adultos no país.

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CAPÍTULO 3 - O INSTITUTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE