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CAPÍTULO 2 O PROGRAMA CHILECALIFICA E A CERTIFICAÇÃO DE JOVENS E

2.3. O programa Chilecalifica e a modalidade flexível

2.3.2. Resultados

Apesar de toda a fundamentação teórica que embasou os exames nacionais da educação de adultos criada pelo Mineduc, em que havia a ideia de responsabilização

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pública e da avaliação como um norteador da política pública de educação de adultos, não foram divulgados relatórios com os resultados obtidos nas avaliações, dificultando uma análise minuciosa da modalidade flexível na educação de jovens e adultos no Chile no âmbito do programa Chilecalifica.

Do ponto de vista das matrículas, não se pode afirmar que a modalidade flexível tenha impactado a modalidade regular, em que havia aulas presenciais e avaliação durante o processo.

Gráfico 10 – Inscritos na modalidade regular e flexível da educação de adultos na educação básica e média no Chile (2002-2010)

Fonte: Mineduc, Coordinación de Educación de Adultos, ano.

Observamos, no gráfico, que a modalidade regular da educação média continuou a ter o maior número de matrícula ao longo dos anos, havendo algum decréscimo entre os anos 2003 e 2006, mas que não se explica necessariamente por um crescimento da modalidade flexível. Seria necessária uma avaliação mais minuciosa do processo vivido pela educação regular de adultos, que, dentre outros problemas, sofria com falta de recursos, precárias condições de infraestrutura e currículo defasado nos anos 2000. A criação de um novo currículo a partir de 2004 foi uma tentativa de ampliar as matrículas na educação de adultos, contudo, não resultou em ampliação efetiva. O mesmo fenômeno

25.265 25.179 23.484 22.633 22.305 22.224 25.636 26.691 22.908 19.483 17.376 20.154 18.810 11.923 8.871 8.277 4.400 6.093 102.405 106.058 103.749 101.979 99.012 108.429 117.833 132.953 121.243 21.889 49.606 55.333 45.490 38.238 39.868 38.899 25.585 32.767 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 MR - EB MF - EB MR - EM MF - EM

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ocorreu com a educação básica, na qual observamos maior queda de matrículas na modalidade flexível ao longo dos anos34 F

35.

A criação da modalidade flexível e seu desenvolvimento no âmbito do programa Chilecalifica criou mais uma oportunidade para jovens e adultos concluírem a educação básica, mas não se pode dizer que tenha efetivamente mudado o cenário no que se refere à cobertura da demanda para a modalidade. Em 2000, o Chile tinha 5,2 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não tinham concluído a educação básica ou média e apenas 111 mil matrículas na educação de adultos. Em 2006 havia 5,4 milhões de chilenos sem ter concluído a educação básica ou média e aproximadamente 190 mil matrículas, ou seja, saltou-se de uma cobertura de 2,1% para uma cobertura de 3,5%. Ainda em 2006, a modalidade flexível foi responsável por 50 mil matrículas, sendo o diferencial em relação a 2000. Verificou-se que a cobertura foi ainda menor quando levamos em conta apenas a educação básica: 0,8% em 2000 e 1,6% em 2006. Na educação média tínhamos 3,4% em 2000 e 5,3% em 2006 (MINEDUC, 2008, p. 12-13).

O relatório de 2008 informou que a média de idade dos inscritos na modalidade flexível da educação básica era de 33 anos e na educação média, 37 anos. Já a modalidade regular recebeu um público mais jovem, com média de 28 anos de idade na educação básica e 25 anos na educação média. Na modalidade regular, 43% dos estudantes da educação básica e 31% dos estudantes da educação média tinham menos de 20 anos. Com isso, podemos considerar que não se trata exatamente dos mesmos públicos em uma modalidade e outra. Na modalidade regular estavam os mais jovens, recém-egressos do sistema regular de ensino, enquanto que a modalidade flexível pareceu prevalecer o público de trabalhadores que dispunha de menos tempo para frequentar uma escola com uma jornada mais extensa.

Em 2004, um estudo realizado para conhecer o impacto da modalidade flexível realizou um conjunto de entrevistas com a população atendida e verificou que 30,6% procuraram a modalidade para sentir-se melhor consigo mesmos, 21,3% para obter um emprego, 9,4% para obter um certificado e poder trabalhar e apenas 1,8% tinham como objetivo continuar os estudos em nível superior.

35 - Dentre outros aspectos, é necessário analisar as motivações para que os sujeitos estejam presentes na

EDJA nas diferentes faixas etárias, considerando a grande diversidade presente dentre os estudantes da modalidade. Estudo de Violeta Acuña analisou a presença de jovens na EDJA diurna (chamada de Terceras Jornadas) e as motivações para permanecerem ou não na escola regular ou irem para a educação de adultos. (ACUÑA, 2013).

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Segundo Infante (2009), com relação aos resultados obtidos nos primeiros estudos sobre a modalidade flexível,

se vio claramente que los alumnos que nivelaban estudios en modalidad flexible o regular eran diferentes en cuanto a edad e intereses, de este modo se pudo defender la idea de que tanto la modalidad regular como la flexible debían mantenerse y mejorar, pues atendían a públicos distintos: la modalidad regular, a jóvenes desertores que podían asistir regularmente a clases y que necesitaban espacios de socialización, en cambio, la modalidad flexible atendía a personas mayores, al comienzo solo a trabajadores y posteriormente a personas mayores que, por sus condiciones de vida y trabajo, no podían asistir regularmente a clases. (INFANTE, 2009, p. 42).

O estudo realizado também revelou que, no caso da educação média, 59% dos entrevistados estavam trabalhando, sendo que 37,7% eram operários e 29% eram empregados do setor administrativo da iniciativa pública ou privada. O estudo também identificou que 16% dos que frequentavam a modalidade estavam desempregados, sendo este índice superior à média de desemprego do Chile. Também chamou a atenção o fato de 23% das mulheres que frequentavam a modalidade estarem desempregadas. Para as mulheres, mais que para os homens, voltar a estudar se relacionava também com ajudar os filhos na escola e com a busca de maior sociabilidade e entretenimento. (REVISTA DE EDUCACIÓN, 2006, p. 63).

No que se refere ao desenvolvimento da modalidade flexível, o estudo verificou que 19,2% dos adultos frequentavam a escola uma vez por semana e outros 25,5%, três vezes por semana. Havia ainda 25,6% que frequentavam a escola 5 dias por semana. A média foi de 11 horas de estudo por semana em um período de 6 meses.

Quanto aos exames, 44,9% dos entrevistados tiveram de fazer o exame pela segunda vez por não terem sido aprovados na primeira tentativa. Outros 4,6% fizeram o exame por uma terceira vez e 9,4% evadiram sem terminar o curso. Após a segunda avaliação, constatou-se que cerca de 80% dos estudantes tinham sido aprovados.

Outro estudo, entretanto, divulgado pelo Mineduc, fez referência a dados entre 2003 e 2006, e mostrou que 22,6% dos que iniciaram os estudos nesse período se retiraram antes de realizar o primeiro exame; 18,5% dos que não foram aprovados no primeiro exame não se apresentaram para o segundo exame e 3,7% se evadiram na etapa de reforço para o terceiro exame. Com isso, 44,8% dos que iniciaram o serviço educativo não chegaram a concluí-lo entre 2003 e 2006. O estudo do Mineduc analisou a evasão:

la deserción de los alumnos puede ser abordada desde dos dimensiones; la deserción previa a la finalización del primer período de clases en la que los alumnos se retiran probablemente por causas –que como en la educación de

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adultos regular - están relacionadas con los ámbitos del trabajo, la crianza de los hijos, la salud, etc. y la deserción previa al momento del examen en dónde las causas podrían, hipotéticamente, estar relacionadas con las condiciones de acceso y la compatibilidad o no de las fechas y horarios de examinación con obligaciones laborales o momentos de trabajos de temporada regionales, auto percepción de los alumnos respecto a su preparación para el examen, barreras psicológicas para enfrentar este momento como temor o ansiedad. (MINEDUC, s.d., p. 49).

Ainda no que se refere aos índices de aprovação, o estudo informou que, entre 2003 e 2007, das 136274 pessoas que se inscreveram na modalidade flexível e realizaram os exames, 35681 (26,2%) foram reprovadas. O menor índice de reprovação ocorreu na educação básica (18,4%) e o maior, no segundo nível da educação média, com 28,4% de reprovação. (MINEDUC, s.d., p. 57).

Por fim, no que se refere à satisfação em relação ao curso realizado, os entrevistados se mostraram satisfeitos, com uma alta taxa de aprovação, pois 80% dos entrevistados se consideravam satisfeitos ou muito satisfeitos com o curso realizado. As maiores críticas se relacionavam aos textos de estudo, que deveriam ser mais facilitados, além do desejo de que as matérias fossem mais práticas e menos teóricas, e que as tarefas tivessem maior relação com a vida cotidiana. (REVISTA DE EDUCACIÓN, 2006, p. 67).

Com isso, podemos concluir que a modalidade flexível não conseguiu reduzir satisfatoriamente o nível de evasão dos cursos de educação de adultos, no entanto, os exames atingiram níveis satisfatórios de aprovação, sendo que cerca de 80% dos candidatos foram aprovados. Evidenciou-se também que a modalidade atendeu a um grupo de pessoas predominantemente com mais de 30 anos e que buscava melhor colocação no mercado de trabalho e elevação de sua estima por meio da ampliação do seu nível de estudo.

2.3.3. A experiência da Universidade de Playa Ancha e do Caleta Sur com a