4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 88
4.2 O PROCESSO DE MODELAGEM 91
de situações complexas, na resolução de problemas não familiares ou quando o custo do erro é alto, ainda podendo destacar os seguintes benefícios:
• compressão do tempo, em virtude das simulações reduzirem o tempo real dos fenômenos investigados;
• custo reduzido, pois sendo a simulação desenvolvida no ambiente computacional, não se faz necessária a construção física do sistema para que seu comportamento possa ser analisado;
• estímulo à criatividade, já que como o risco é inexistente, experimentos podem ser instigados no sentido de entender como seria o comportamento do sistema diante de situações desagradáveis, incertas ou inesperadas;
• unificação dos pontos divergentes, pois uma visão comum do sistema é desenvolvida a partir de uma linguagem computacional; e
• captura do conhecimento, obrigando os gerentes a tornarem explícitos seus conhecimentos e premissas acerca de um sistema.
Nesta pesquisa foi considerada a simulação através da DS, permitindo a análise do comportamento de sistemas formados por subsistemas, que, por sua vez, estão relacionados a outros sistemas externos, mediante a troca de informações.
Para Sterman (2000), como uma cadeia de suprimentos envolve múltiplas cadeias de estoques e fluxos com atrasos, e como as regras de decisão para os fluxos muitas vezes criam
feedbacks importantes entre os parceiros da cadeia, a DS é adequada para prover sua
modelagem e conceber políticas de gestão mais oportunas.
A DS apresenta um caráter quantitativo e experimental, permitindo que sistemas organizacionais possam ser analisados a partir das relações causais entre seus elementos ao longo do tempo.
4.2 O PROCESSO DE MODELAGEM
Os modelos concebidos utilizando a DS auxiliam na resolução de problemas específicos, considerando as mudanças de um sistema ao longo do tempo, cujos padrões que exprimem o comportamento das variáveis relacionam-se ao crescimento, colapso e oscilações (FORD, 1999; STERMAN, 2000).
Em linhas gerais, o objetivo de um modelo pode ser estabelecido segundo quatro aspectos: entender como um sistema trabalha na realidade; conhecer os fatores que influenciam o comportamento desse sistema; conceber cenários e analisar o comportamento do sistema; e estabelecer resultados (MOHAPATRA; MANDAL; BORA, 1994).
Segundo Sterman (2000), a modelagem é um processo cíclico entre o mundo da simulação e o mundo real da ação. As etapas são continuamente repetidas e analisadas, sendo consideradas as informações coletadas no ambiente e no modelo concebido, bem como os resultados obtidos diante dos testes realizados no modelo.
Portanto, a construção de um modelo consiste em um processo interativo, de refinamento contínuo, composto por cinco etapas, representadas na Figura 26. São elas: seleção do problema, formulação das hipóteses dinâmicas, formulação de um modelo de simulação, teste e validação do modelo e concepção de políticas e avaliação (STERMAN, 2000).
Figura 26: Etapas para a construção de um modelo
Fonte: Elaboração própria
a) Seleção do problema: é consequência direta da coleta de dados secundários, provenientes da revisão da literatura considerando uma temática. A modelagem e
SELEÇÃO'DO' PROBLEMA' FORMULAÇÃO' DAS'HIPÓTESES' DINÂMICAS' FORMULAÇÃO' DO'MODELO'DE' SIMULAÇÃO' TESTE'E' VALIDAÇÃO'DO' MODELO' CONCEPÇÃO'DE' POLÍTICAS'E' AVALIAÇÃO'
as análises devem apresentar um objetivo claramente estabelecido, atrelado a um problema específico, face as lacunas existentes. Apenas as variáveis relevantes, relacionadas ao problema, devem ser incluídas no modelo. O horizonte de tempo da análise precisa ser definido, assim como os modos de referência. Ver seção 5.1;
b) Formulação das hipóteses dinâmicas: consistem em teorias destinadas a explicar o comportamento do sistema, dado o problema em análise, considerando as variáveis que foram definidas, juntamente com seus relacionamentos e evolução, bem como as regras de decisão existentes. São, então, concebidos os diagramas causais objetivando entender as estruturas de funcionamento do sistema. Ver seções 5.2, 5.3 e 5.4;
c) Formulação do modelo de simulação: a partir dos diagramas causais, que constituem uma abordagem conceitual, serão traçados os diagramas de estoques e fluxos, que representam a dinâmica de funcionamento do sistema, ou seja, o modelo formal, composto por equações matemáticas, caracterizando o relacionamento das variáveis e abrangendo as regras de decisões e os atrasos existentes, além dos parâmetros e condições iniciais, viabilizando a realização das simulações. Ver seções 5.5, 5.6 e 5.7;
d) Teste e validação do modelo: considerando que um modelo é construído baseado
em pressupostos e simplificações acerca de um sistema real, em termos do seu comportamento, essa etapa apresenta um caráter contínuo, iniciando desde a escrita da primeira equação do modelo. Logo, sob um aspecto interno, a validação do modelo abrangeu tanto a checagem das equações definidas para as variáveis, permitindo identificar falhas de programação, quanto do relacionamento entre as próprias variáveis, atestando a inexistência de falhas de modelagem. A constatação de falhas remeteu a ajustes na formulação do modelo, como sugere as etapas apresentadas na Figura 26. O aspecto externo, por sua vez, avalia se o modelo proposto representa a realidade do que está sendo simulado, denotando sua generalização. Law e Kelton (2000) ainda enfatizam que, em um estudo de simulação, a verificação e a validação apresentam objetivos diferentes, pois enquanto a primeira busca avaliar se a tradução do modelo conceitual, em relação ao modelo propriamente dito, aconteceu corretamente, atestando o software usado na simulação, a segunda se concentra na constatação se o modelo de simulação
conceitual é uma representação correta do sistema real que está sendo investigado. Ver capítulo 6;
e) Concepção de políticas e avaliação: essa última etapa apresenta-se relacionada aos resultados dos cenários de simulação, originados mediante as modificações dos valores atribuídos às variáveis. Em linhas gerais, a pesquisa retratou sete cenários de simulação, envolvendo as variáveis caracterizadas segundo o modelo proposto, mais uma situação representando uma realidade anterior ao “cenário de referência” delimitado para o estudo. Portanto, considerando o “cenário de referência” foi sendo analizado o impacto das variáveis no EC. Assim, as análises conduziram ao estabelecimento de recomendações para os gestores, relacionadas à cadeia de suprimentos, no sentido de direcioná-los à decisões que conduzam à mitigação da variabilidade da demanda. Ver capítulo 7.