• Nenhum resultado encontrado

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS

No documento Santos Alberto Manuel TD 2016 (páginas 43-47)

I - Avaliar a capacidade da endoscopia de contacto para discriminar lesões não- malignas e lesões malignas em tempo real.

Estimar a sensibilidade e a especificidade do teste de diagnóstico por endoscopia de contacto, na distinção entre lesões orais malignas e não malignas. Considerou-se como teste padrão o diagnóstico realizado por exame anatomopatológico.

Avaliar igualmente a concordância, entre:

- Diagnóstico de endoscopia de contacto e diagnóstico de Anatomia Patológica - Diagnóstico de endoscopia de contacto e diagnóstico clínico

II - Avaliar a importância relativa das várias características ou achados celulares e vasculares no diagnóstico de malignidade por endoscopia de contacto.

Esta noção permitirá uma melhor reprodução da técnica por todos os clínicos interessados, bem como uma melhor comparação e avaliação de resultados entre diferentes equipas, mesmo com graus de experiência muito diferentes.

III - Determinar quais os critérios de diagnóstico mais simples na avaliação por endoscopia de contacto para fazer o diagnóstico de malignidade com segurança.

Consideramos este objectivo importante porque quanto mais simples for a decisão, menor é a curva de aprendizagem da técnica para estabelecer o diagnóstico de malignidade por endoscopia de contacto, e consequentemente, maior será a confiança do clínico para utilizar a técnica.

Para isso procurar-se-á identificar quais as características celulares e vasculares mais importantes para estabelecer o diagnóstico de malignidade. E, dessas características, quais as que são essenciais e suficientes para garantir um diagnóstico com boa capacidade preditiva.

Com a concretização deste objectivo tentámos dar resposta à crítica mais comum em todas as apresentações da técnica que fizemos até hoje. O facto da maioria dos clínicos não ter formação histológica pós-licenciatura poder dificultar a compreensão das imagens obtidas por endoscopia de contacto, condicionado a validade do diagnóstico e a segurança do resultado.

A simplificação da estratégia e da execução do diagnóstico de malignidade pode contribuir para uma curva de aprendizagem rápida e uma maior autoconfiança na fiabilidade do resultado.

IV - Avaliar a capacidade de clínicos sem formação ou experiencia prévia com a técnica, para diagnosticar a existência de malignidade na mucosa oral através da observação por endoscopia de contacto.

Embora tenha sido considerada uma população limitada, as conclusões permitem ter uma noção preliminar do grau de dificuldade de interpretação dos resultados da endoscopia de contacto para quem não tem experiência com a técnica e ajudará a programar futuras acções para a formação de clínicos que queiram utilizar este procedimento.

V - Estudar os efeitos secundários e morbilidade da técnica.

Apesar de todas as referências da literatura estarem de acordo sobre a ausência de efeitos secundários associados, julgamos que devemos deixar registado os nossos resultados pois, como procedimento considerado não invasivo, é importante a concordância absoluta de todos os grupos com experiência em diferentes órgãos.

MUCOSA ORAL NORMAL

A mucosa da boca é formada por epitélio e por tecido conjuntivo denominado lâmina própria ou córion. A mucosa oral reveste a cavidade bucal e está integrada na mucosa aerodigestiva. Possui várias funções, entre as quais se destacam a protecção mecânica, a impermeabilização, a defesa contra microorganismos patogénicos, as funções sensoriais e a função secretora. A protecção mecânica e a impermeabilização garantem a integridade da mucosa da boca, naturalmente exposta a intenso atrito e traumatismos frequentes. A mucosa constitui também uma defesa física e imunológica contra os microorganismos que possam existir na boca. Os abundantes receptores gustativos, tácteis e térmicos conferem-lhe propriedades sensoriais específicas e importantes. A função secretora é extraordinariamente relevante, pois garante a manutenção de uma película de saliva que possui propriedades químicas, antimicrobianas, enzimáticas, mecânicas e hidratantes essenciais. Podemos ainda referir a função de regulação térmica, embora no Homem esta seja uma qualidade residual [34].

EMBRIOLOGIA

O epitélio da boca deriva da ectoderme, enquanto que a lâmina própria é um derivado do ectomesênquima [35].

Na terceira semana de vida embrionária conseguimos já identificar, na cavidade oral primitiva, um epitélio delgado e um ectomesênquima subjacente. Este epitélio é constituído por células cúbicas distribuídas por duas camadas distintas: uma mais basal com células mais altas e outra mais superficial, constituída por células mais achatadas [36].

Durante a quarta semana, o ectomesênquima começa a receber a migração de células das cristas neurais e durante a sétima semana, o epitélio deixa de ser semelhante em todas as regiões da boca, começando já a identificar-se dois tipos de tecidos: o epitélio situado para fora do sulco vestibular, que vai dar origem à mucosa jugal e à mucosa dos lábios e o epitélio localizado para dentro do sulco vestibular que vai diferenciar-se na mucosa das gengivas, do palato, do pavimento da boca e da face ventral da língua. Entre a nona e a décima primeira semana de vida embrionária, o epitélio do dorso da língua começa a dar origem aos diferentes tipos de papilas [36].

Após a décima quarta semana, o epitélio torna-se bastante estratificado, estando a fase de proliferação completamente implementada [36].

Nas semanas seguintes, segue-se a fase de maturação e a partir da vigésima semana o epitélio adquire características já muito próximas das definitivas [36].

O epitélio da mucosa oral, após os 6 meses de idade, adquire uma morfologia e uma estrutura que se podem considerar muito próximas do definitivo [36].

MORFOLOGIA

O epitélio da cavidade oral é do tipo pavimentoso estratificado, podendo ser ou não queratinizado, consoante a sua localização [36]

A lâmina própria ou córion, constituída por tecido conjuntivo do tipo laxo que se encontra subjacente ao epitélio, é essencial para a mucosa, possuindo várias funções das quais se destacam a sustentação estrutural, a nutrição e a defesa [34].

Entre o epitélio e a lâmina própria, encontra-se a lâmina basal. Esta estrutura é muito importante na fisiologia da mucosa, mas também na fisiopatologia de algumas doenças, nomeadamente, como primeira barreira à extensão das neoplasias malignas epiteliais. A mucosa pode ser comparada no seu arranjo estrutural à pele, correspondendo o epitélio à epiderme e a lâmina própria à derme. No entanto, ao contrário da pele, a mucosa não possui estruturas anexas, sendo atravessada em algumas regiões, por ductos de glândulas salivares, que terminam apicalmente na superfície do epitélio [37]. A lâmina própria está apoiada numa submucosa de tecido conjuntivo onde se encontram frequentemente tecido adiposo e glândulas salivares minor. A submucosa, que corresponde à hipoderme da pele, está ausente em alguns territórios da boca. [34].

No documento Santos Alberto Manuel TD 2016 (páginas 43-47)