3.1 A LEI DOS REGISTROS PÚBLICOS E A ALTERAÇÃO DO PRENOME
3.1.1 V ONTADE DO T ITULAR NO P RIMEIRO A NO APÓS TER ATINGIDO A M AIORIDADE
A primeira disposição que faz jus mencionar-se, é a prevista no art. 56 da LRP, prescrevendo que:
O interessado, no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil, poderá, pessoalmente ou por procurador bastante, alterar o nome, desde que não prejudique os apelidos de família, averbando-se a alteração que será publicada pela imprensa. 295
Como a presente disposição refere-se ao vocábulo nome, deduz-se que esta não se refere apenas ao prenome, mas ao nome civil como um todo. 296 Além disto, percebe-se que há um prazo decadencial para o ingresso da alteração do nome com
291 PEREIRA, Caio Mário da Silva; MORAES, Celina Bodin de. Instituições de Direito Civil, Volume I: Introdução Ao Direito Civil: Teoria Geral do Direito Civil. p. 249.
292 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.
293 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.
294 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.
295 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.
296 Alguns doutrinadores, entre eles Sílvio Venosa, ao tratarem do dispositivo em questão, expressam, por exemplo, a possibilidade de adicionar-se sobrenome dos avós, mas respeitando-se os já registrados. Contudo, como acima mencionado, a apresentação da possibilidade de alteração desta monografia deter-se-á apenas ao prenome. Logo, faz-se assim apenas menção da possibilidade de adicionamento ou modificação dos outros elementos do nome civil, no caso referido, do sobrenome.
base neste artigo, 297 uma vez que se iniciando o curso entre 18 e 19 anos de idade pode-se apresentar o pedido, não importando que a decisão seja ulterior. 298
Também constata-se, tratar de uma alteração imotivada do nome, 299 ou seja, desde que no prazo legal não se necessita de justa razão para efetivar-se a desejada alteração.
Assim, entende-se que apenas é necessário aguardar a maioridade para realizar o pedido imotivadamente. Entretanto, não é imperioso, por exemplo, que o menor aguarde a maioridade para realizar a alteração em virtude de possuir nome ridículo, o que fará assistido ou representado conforme o caso. 300
Para Sílvio Venosa, o pleiteante deve obedecer à regra da imutabilidade do prenome e dos sobrenomes. Ao respeitá-los, recebe-se a faculdade de adicionar novos nomes intermediários (ex: inserir um apelido pelo qual ficou conhecido, adicionar sobrenome dos avós). 301
Já de acordo com Fábio Ulhoa Coelho, “o prenome pode ser alterado, livremente, por qualquer outro do agrado do interessado”. 302 No mesmo sentido, é o juízo de Jander Maurício Brum, ao proferir: “para mim, o citado art. 56 da Lei dos Registros Públicos quis oportunizar à pessoa o direito de escolha de seu próprio nome, na maioridade civil.” 303
Outros autores omissos quanto ao prenome poder ou não ser efetivamente trocado de acordo com o dispositivo em questão, unicamente exemplificam o que vem ocorrendo no cotidiano sob o fundamento deste artigo. Entre estes literários, pode-se citar Gagliano e Pamplona Filho, quando comentam que o mais freqüente são traduções de prenomes estrangeiros; transformações de prenomes simples em compostos; e vice-versa. 304
297 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA Filho, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil: Parte geral.
v.1. p. 115.
298 CENEVIVA. Walter. Lei dos Registros Públicos Comentada. p. 141.
299 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA Filho, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil: Parte geral.
v.1. p. 115.
300 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. v.1. p.196.
301 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. v.1. p.196.
302 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Civil, Volume 1. p. 186.
303 BRUM, Jander Maurício. Modificação de Nome na Maioridade Civil. Jurisprudência Mineira. Belo Horizonte: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. v. 158, out. 2001. p. 20.
304 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA Filho, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil: Parte geral.
v.1. p. 116.
Desta forma, nota-se que não há unanimidade entre os estudiosos do direito na interpretação desta disposição, ou seja, se o titular do prenome pode ou não substituí-lo por outro de sua livre e espontânea vontade.
Dito isto, como bem lembra Walter Ceneviva,
a interpretação sistemática dos arts. 56 e 57 pareceria evidenciar que, no período indicado pelo primeiro desses dispositivos, a pretensão poderia se diretamente manifestada ao oficial, independentemente da atuação do juiz corregedor. Entretanto, o art. 40 deve ser examinado em conjunto, para impor a intervenção judicial. 305
Sendo assim, para requer a alteração do prenome tendo com sustentáculo o art. 56 da LRP, é preciso recorrer-se ao Poder Judiciário como prescreve o art. 40306 do mesmo diploma legal. documentos, laudos médicos, assentamentos de saúde e outros elementos especificamente destinados a essa pessoa foram emitidos com uma identificação. Serão convenientes (e em alguns casos necessários) novos assentamentos, emissões, averbações e publicações, uma série de formalidades, enfim, cuja implementação pode não compensar o proveito na mudança do prenome. 307
Portanto, o indivíduo que pretender alterar seu prenome por mera vontade, deve ponderar os benefícios e as objeções advindas de tal situação.
Realizada esta exposição, é necessário exibir o caput do art. 57 da LRP, ao limitar que:
Qualquer alteração posterior de nome, somente por exceção e motivadamente, após audiência do Ministério Público, será permitida por sentença do juiz a que estiver sujeito o registro, arquivando-se o mandato e publicando-se a alteração pela imprensa. 308
Desta forma, para ter sucesso qualquer pretensão de alteração de prenome ulterior ao período entre 18 e 19 anos de idade, deve haver compulsoriamente revestimento de justo motivo.
305 CENEVIVA. Walter. Lei dos Registros Públicos Comentada. p. 141.
306 Fora da retificação feita no ato, qualquer outra só poderá ser efetuada em cumprimento de sentença, nos termos dos artigos 110 a 113.
307 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Civil, Volume 1. p. 186-187.
308 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.
Por fim, nota-se que a disposição em tela, possibilita ao titular do prenome, a livre escolha de outro em caráter de substituição; acréscimo ou decréscimo.
Proporcionando assim, o direito à eleição da expressão de sua individualização como pessoa.