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O PRENOME À LUZ DA LEI DOS REGISTROS PÚBLICOS

Encerrando este capítulo, examinar-se-á a o prenome à luz da Lei dos Registros Públicos (Lei 6.015/73) tecendo-se colocações relativas aos dispositivos legais que tratam do prenome.

Porém, é necessário enfatizar, que apesar de mencionar-se aqui alguns dispositivos inerentes à possibilidade de alteração do prenome, não é neste

264 PEREIRA, Ézio Luiz. Alteração do Prenome à Luz do Princípio da Dignidade Humana. p. 34.

265 HABERMAS apud PEREIRA, Ézio Luiz. Alteração do Prenome à Luz do Princípio da Dignidade Humana. p. 37.

266 HABERMAS apud PEREIRA, Ézio Luiz. Alteração do Prenome à Luz do Princípio da Dignidade Humana. p. 37.

momento que residirá uma exposição profunda de tal questão, mas no próximo capítulo.

2.4.1 Breves Considerações à Lei dos Registros Públicos Destarte, primeiramente, é coerente elucidar que registrar

é inscrever ou transcrever em livro específico e apropriado, títulos, documentos, atos ou fatos jurídicos, afim de autenticá-los ou fazê-los prevalecer contra terceiros, tornando-os públicos, para perpetuar no tempo sua validade e eficácia, conforme o art. 1º, da Lei nº 6.015/73.267

Da mesma forma, é necessário apresentar o art. 1º, § 1º da LRP presente no Título I (Das Disposições Gerais), Capítulo I (Das atribuições), uma vez que este dispositivo inclui no rol dos registros públicos o registro civil das pessoas naturais, assim dispondo:

Os serviços concernentes aos Registros Públicos, estabelecidos pela legislação civil para autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos, ficam sujeitos ao regime estabelecido nesta Lei.

§ 1º Os Registros referidos neste artigo são os seguintes: I - o registro civil de pessoas naturais; 268

Além disso, no Título II (Do Registro de Pessoas Naturais), Capítulo I (Das Disposições Gerais) encontra-se o art. 29 da LRP, onde em seu inciso I estabelece que: “serão registrados no registro civil de pessoas naturais: I - os nascimentos;” 269 Já o §1º do mesmo artigo prescreve que: “Serão averbados (...) f) as alterações ou abreviaturas de nomes.” 270

Desta forma, percebe-se que o nome civil é um instituto que necessariamente deve fazer parte do registro civil das pessoas naturais, pois como visto anteriormente, é por meio dele que a pessoa é identificada no meio social.

267 PEREIRA, Ézio Luiz. Alteração do Prenome à Luz do Princípio da Dignidade Humana. p. 46.

268 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

269 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

270 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

2.4.2 O Prenome e a Lei dos Registros Públicos

Feito estes apontamentos, profere-se que de acordo com o art. 54 da LRP, 271 no assento de nascimento deve lavrar-se, inscrevendo-se o prenome e o sobrenome da criança, bem como dos avós maternos e paternos, 272 não esquecendo-se dos nomes e prenomes dos pais, 273 entre outros requisitos exigidos por este dispositivo.

A escolha do prenome da criança deve

ser feita pelos pais, em respeito ao teor do art. 226, § 5º, da CF (a previsão de igualdade dos cônjuges) c/c o art. 21 do Estatuto da Criança e do Adolescente (i.e., atribuição do pátrio poder a ambos os genitores). Embora a Lei de Registros Públicos ainda incumba ao pai, e apenas em sua ausência à mãe o dever de proceder a declaração do nascimento do filho (art. 52), a escolha do prenome da criança caberá a ambos os genitores, não havendo qualquer justificativa que possa excluir a mãe da decisão. 274

Também vale mencionar, que ao art. 47, § 5º do ECA 275 prever a possibilidade de modificação do prenome do adotado a pedido do adotante, há nítida importância na escolha do prenome pelos pais. 276

Ainda quanto a escolha do prenome, tem-se o art. 55, § único da LRP, dispondo que

Os oficiais do registro civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do Juiz competente. 277 Então, com fundamento neste artigo, é determinante que a escolha não pode ser arbitrária e indiscriminada. Não seria aceitável atribuir prenome que sujeitasse o

271 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

272 PEREIRA, Caio Mário da Silva; MORAES, Celina Bodin de. Instituições de Direito Civil, Volume I: Introdução Ao Direito Civil: Teoria Geral do Direito Civil. p. 248.

273 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

274 MORAES, Maria Celina Bodin de. A Tutela do Nome da Pessoa Humana. Revista Forense. p.

221.

275 BRASIL. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do

Adolescente e outras providências. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

276 MORAES, Maria Celina Bodin de. Sobre o Nome da Pessoa Humana. Revista Brasileira de Direito de Família. p. 57 e AMORIM, José Roberto Neves. Direito ao Nome da Pessoa Física. p.

45. 277 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

titular a escárnio, como por exemplo: Himeneu Casamentício das Dores Conjugais ou as irmãs Fotocópia e Xerocópia. 278

A liberdade de eleger o prenome só depara-se com o limite da não obrigatoriedade de registro de prenomes ridículos, deliberada pelo oficial do registro e aprovada pelo magistrado. 279

Outro dispositivo inerente ao prenome, é o caput do art. 58 da LRP, uma vez que ele “dispunha originalmente que o prenome era imutável. Entretanto, a Lei nº 9.708, de 18-11-98, deu nova redação a esse dispositivo legal:” 280 “O prenome será definitivo, admitindo-se, todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios.”281

Também é necessário aludir, que “a redação original do parágrafo único desse mesmo artigo admitia a mudança do prenome por evidente erro gráfico”,282 bem como por exposição ao ridículo com base no art. 55, § único da LRP. 283 Posteriormente, com a entrada em vigor da Lei nº 9.708/98, foi alterada sua redação, prescrevendo que não se admitia a adoção de apelidos proibidos em lei. Porém, o mencionado parágrafo único do art. 58 da LRP com esta nova redação teve curta duração, pois foi modificado pela Lei 9.807/99, passando a referir-se à proteção de vítimas e testemunhas, 284 assim dispondo:

A substituição do prenome será ainda admitida em razão de fundada coação ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime, por determinação, em sentença, de juiz competente, ouvido o Ministério Público.285

Logo, constata-se que até o art. 58 da LRP atingir seu status atual, o mesmo sofreu consideráveis alterações em sua redação, principalmente em seu parágrafo único.

Além disto, é pertinente revelar o conteúdo o caput do art. 63 da LRP, onde preceitua que:

278 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil, v. 1: parte geral. p. 109.

279 MORAES, Maria Celina Bodin de. A Tutela do Nome da Pessoa Humana. Revista Forense. p.

221.

280 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. v. 1. p. 191.

281 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

282 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. v. 1. p. 191.

283 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

284 OLIVEIRA, Euclides de. Direito ao Nome. Revista do Instituto dos Advogados de São Paulo:

RT. v. 11, p. 190-210, jan. 2003. p. 202.

285 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

No caso de gêmeos, será declarada no assento especial de cada um a ordem de nascimento. Os gêmeos que tiverem o prenome igual deverão ser inscritos com duplo prenome ou nome completo diverso, de modo que possam distinguir-se. 286

Destarte, percebe-se que há regra especial para o registro de gêmeos, pois

“há restrição à liberdade de escolha do prenome, como ocorre no art. 55, parágrafo único. Tolhe-se o direito à livre opção dos pais, em prol do bem maior, que é a individualização do sujeito, pelo nome.” 287

É interessante a finalidade desta norma, uma vez que procura facilitar a identificação de dois ou mais indivíduos com atributos em comum. Entre estas paridades pode-se mencionar: aspectos físicos; estirpe; circunstancias de nascimento, etc.

Ainda, não se pode esquecer do parágrafo único do art. 63, dispondo que:

“Também serão obrigados a duplo prenome, ou a nome completo diverso, os irmãos a que se pretender dar o mesmo prenome.288

Nesta norma, também visualiza-se o intuito da preservação da individualidade dos irmãos, seja através de duplo prenome diverso ou de nome completo distinto.

Assim, encerra-se este capítulo, cumprindo-se os devidos apontamentos necessários para tratar-se da alteração do prenome.

286 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

287 CENEVIVA. Walter. Lei dos Registros Públicos Comentada. 17. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 164.

288 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015.htm>. Acesso em: 19 de agosto de 2007.

CAPÍTULO 3

A POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO PRENOME E OS POSSÍVEIS ENTRAVES JURÍDICOS

Este capítulo na qualidade de terceiro e último, tem como objetivo, primeiramente, apresentar os casos de alteração do prenome previstos na Lei dos Registros Públicos (Lei 6.015/73), fazendo referência às interpretações de seus dispositivos legais. Também, pretende mencionar outras previsões de alteração do prenome, regulamentadas por outras leis.

Posteriormente, serão exibidas as indicações propriamente doutrinárias, bem como jurisprudenciais da alteração do prenome, salientando-se os posicionamentos unânimes, assim como divergentes.

Finalmente, expor-se-á a possibilidade de alteração do prenome frente ao princípio da individualidade, uma vez que a referida alteração e este princípio estão juridicamente entrelaçados, fazendo parte da essência da presente monografia.