• Nenhum resultado encontrado

OPERAÇÕES CONJUNTAS E INTEROPERABILIDADE NAS FORÇAS

No documento INSTITUTO MEIRA MATTOS (páginas 91-117)

Os conflitos atuais são caracterizados pelo uso limitado da força, pela não declaração de guerra e pela imprevisibilidade do tempo de duração. As possíveis ameaças no campo de batalha são fluidas e imprevisíveis. Assim, as operações militares atuais exigem o emprego de mais de uma FA; o preparo e emprego destas

deve ser baseado na capacidade de atuação integrada, o que ressalta a importância da interoperabilidade de C² nas operações conjuntas.

Segundo Sayão e Marcondes (2008), a interoperabilidade tem recebido grande ênfase nas agendas governamentais em todo o mundo. Os diversos governos têm investido em novas políticas a favor da governança institucional, permitindo que vários sistemas e instituições falem e atuem utilizando uma mesma linguagem. As tecnologias da informação e comunicação são a base desse dinamismo de facilitação e agilidade.

Sob a ótica do MD do Brasil, as operações militares de grande envergadura são efetuadas por ações integradas de Forças Navais, Terrestres e Aéreas. Conforme o manual de Doutrina de Operações Conjuntas do MD, as Op Cj caracterizam-se pelo emprego de meios ponderáveis de mais de uma Força Singular sob comando único:

O estudo das últimas guerras e conflitos mostra, de forma insofismável, que, apesar de bem-sucedidas ações isoladas de Forças Armadas, as grandes vitórias foram alcançadas por meio de ações adequadamente integradas de forças navais, terrestres e aéreas (BRASIL, 2011a).

A minuta da nova END (2016) preconiza que a interoperabilidade nas Op Cj é uma das capacidades desejadas para as FA e que os sistemas de C² permeiam todas as atividades operacionais e de apoio, em todos os níveis de decisão (político, estratégico, operacional e tático), assegurando o fluxo de informações que direciona e sincroniza tais atividades. Desse modo, os sistemas militares de Comando e Controle contribuem para a interoperabilidade entre os diversos componentes das FA empregados nas operações conjuntas e para a obtenção da consciência situacional.

A interoperabilidade dos sistemas de C², segundo o manual de Doutrina para o Sistema de Comando e Controle, é obtida por meio da Guerra Centrada em Redes. Dessa maneira, a GCR promove a eficácia dos sistemas de C² por meio da rápida disseminação da informação, obtida por uma multiplicidade de sensores altamente sofisticados e dispersos por várias plataformas, entre os diversos atores do espaço de batalha (BRASIL, 2011). “Esta forma de estruturar as operações militares permite alterar o tradicional modelo de C², apoiados em processos de auto sincronização potenciados pela consciência de situação partilhada” (ALBERTS, 2002, p. 33).

É importante ressaltar a diferença entre sistemas que são desenvolvidos especificamente para trabalhar em conjunto, como sistemas para mais de uma área

governamental, e sistemas que garantem a interoperabilidade, que buscam, apenas, garantir o compartilhamento tempestivo de informações. Disso, depreende-se que quanto maior a interoperabilidade dos sistemas de C² de cada força componente entre si, ou seja, dos sistemas navais, terrestres e aéreos, maior será a consciência situacional e a governança exercida por um comandante tático.

A execução das Operações Conjuntas materializa a integração gradativa e sustentável das Forças, respeitando as identidades, as capacidades e as características de cada uma. A busca por essa governança abrange um importante rol de atividades que, se implementadas, contribuem significativamente para a coordenação e integração entre diversas agências e setores que necessitam trabalhar em conjunto e em prol de um bem comum. A interoperabilidade promove a capacidade de comunicar e executar programas por intermédio de várias unidades funcionais, utilizando-se de linguagens e protocolos comuns.

Os níveis de C² correspondentes aos níveis de decisão na guerra são descritos sinteticamente por Viveiros (2007, p. 42):

[...] No caso do SISMC², em situação real de crise ou conflito armado, o nível político é atribuído ao Comandante Supremo, na pessoa do Presidente da República e do CDN36. O nível estratégico é composto pelo CMD, Ministro da Defesa, comandantes das Forças e EMD37. Tratando-se de exercícios para adestramento, o EMD também representará o nível político. O nível operacional envolve os comandos operacionais, singulares ou combinados, e os comandos de teatros de operações. Por fim, no nível tático se situam as forças componentes dos comandos operacionais, constituídas das forças e unidades navais, terrestres e aéreas.

Na visão de Sayão e Marcondes (2008), cabe ao Ministério da Defesa, como elemento centralizador de informações de C² no nível político-estratégico, prover o conjunto de padrões que possibilitem a interoperabilidade entre todos os componentes, bem como apoiar os Comandos Operacionais Ativados, fornecendo-lhes informações de interesse. Nesse contexto, o Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC²) realiza as principais ligações entre os Centros de C² do Sistema de Defesa Nacional.

_____________

36 Conselho de Defesa Nacional

Conforme o manual Conceito de Operações do Sistema Militar de C² (2016), o SISMC² compõe-se dos seguintes órgãos: Centro de Comando e Controle do Comandante Supremo (CC²CS), órgão central do sistema e situado no Ministério da Defesa; Centros de Comando e Controle da Marinha (Comando e Controle do Teatro de Operações Marítimo – CCTOM), do Exército (Comando de Operações Terrestres - COTER) e da Aeronáutica (Centro de Comando e Controle de Operações Aéreas); e Centros de Comando e Controle dos Comandos de Teatro de Operações, Comandos Combinados e de Força de Paz, quando ativados.

Tais centros de C² são estruturas de incremento na capacidade de compartilhamento de informações nos níveis estratégico, operacional e tático, para contribuir com a formação de uma consciência situacional compartilhada e, também, permitir o adequado fluxo de ordens na cadeia de comando. Dessa maneira, o SISMC² é a ferramenta pela qual o Comandante Supremo comandará, de forma centralizada, a Estrutura Militar de Defesa (EttaMiD), em seu todo ou em uma parcela, de acordo com a situação.

Em um nível mais alto, Daros (2007) destaca que o SISMC² caracteriza-se como um Sistema de Sistemas (SdS)38, que engloba a Rede Operacional de Defesa (ROD), o Sistema de Planejamento Operacional Militar (SIPLOM) e o Sistema de Logística Militar do Ministério da Defesa (SIGMLD). Tal sistema permite maior interoperabilidade dos centros de C² constituindo-se num fator multiplicador do poder de combate das forças componentes no Teatro de Operações (TO).

A figura seguinte fornece uma visão acerca dos atuais relacionamentos e das subordinações entre os diversos participantes do cenário de operações conjuntas uma vez ativada a EttaMiD.

_____________

38 Um Sistema de Sistemas é um conjunto ou arranjo de sistemas independentes, reunidos para prover uma capacidade que não é possível de obter-se com aqueles sistemas individualmente. Os sistemas que compõem um SdS geralmente têm alto grau de autonomia no seu desenvolvimento, gerenciamento e operação, como no caso dos sistemas táticos das FA brasileiras.

Figura 14 – estrutura do SISMC²

Fonte: Manual Conceito de Operações do Sistema Militar de C² (2016).

A figura acima apresenta um importante componente de governança de C², o Sistema Militar de Comando e Controle (SisMC²), que compreende o conjunto dos enlaces de dados estabelecidos entre as FA. O SisMC² engloba o Sistema de Planejamento Operacional Militar (SIPLOM) que integra os centros de comando e controle das Forças Singulares, a saber, CCTOM, CC²FTer, CCCOA/CODA e o CC²Cbn, com o Centro de Comando e Controle do Comandante Supremo (CC²CS), utilizando como enlace de comunicações prioritário o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).

Por seu turno, o Sistema Tático de Enlace de Dados (SISTED) é um sistema de sistemas capaz de promover interoperabilidade entre os sistemas de C² das Forças, a saber, o Sistema de Apresentação Gráfica e Banco de Dados da Marinha (CARTA-SAGBD), o Sistema de Comando e Controle da Força Terrestre (C² em Combate) e o Sistema de Comando e Controle da Força Aérea (HÉRCULES).

Nessa intenção, o manual Doutrina para o Sistema Militar de Comando e Controle (BRASIL, 2014c) considera que o SISTED tem por finalidade o intercâmbio de mensagens táticas entre Forças, de forma padronizada, a fim de assegurar que as ações em Cenários Táticos Conjuntos sejam conduzidas com eficiência, eficácia, segurança e sem interferências mútuas.

Desse modo, o SISTED pode ser entendido como um habilitador da interoperabilidade, no nível tático, dos Sistemas de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) que integram os sistemas de C² das FA, por meio dos quais as informações são coletadas, processadas, disseminadas e protegidas.

Para que fossem integrados todos os sistemas das Forças, o Ministério da Defesa, por meio do Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), desenvolveu o Sistema de Planejamento Operacional Militar (SIPLOM), que é utilizado por todas as Forças e pelo Comando Conjunto (C Cj), quando ativado, permitindo plena ligação entre o C Cj e o Estado-Maior de Defesa (EMD) durante a execução de uma Op Cj, em exercício ou situação real de crise ou conflito39. De acordo com Silva (2015), cabe à Subchefia de Comando e Controle do MD prover o apoio técnico e de material, bem como a qualificação do pessoal envolvido em operações. Segundo o autor, o emprego do SIPLOM nos exercícios de Op Cj promovidos pelo MD tem proporcionado a ampliação da consciência situacional.

Conforme o manual Conceito de Operações do Sistema Militar de Comando e Controle (CONOPS CISMC²) (BRASIL, 2016), o SIPLOM representa um software de C² do MD que integra o Sistema Militar de Comando e Controle e é empregado para a obtenção de uma consciência situacional do Teatro de Operações e auxílio aos decisores do nível político-estratégico nos seus processos de tomada de decisão. Ele possui uma arquitetura modular que permite o cadastro e o acompanhamento das Forças mediante visualização gráfica que exibe o posicionamento e os inter-relacionamentos dos meios aéreos, navais e terrestres em um mapa.

O SIPLOM está alicerçado na Doutrina Militar de Operações Conjuntas, sendo ferramenta indispensável no processo de planejamento conjunto e na elaboração de planos. Segundo Daros (2007), o sistema é utilizado diariamente no Centro de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, como o sistema de apoio à decisão prioritário dos Centros de C² nas diversas operações e exercícios conjuntos, tais como, a Ágata, a Atlântico e o exercício das escolas de Estado-Maior das Forças Armadas – AZUVER.

_____________

Segundo o manual Conceito de Operações do Sistema Militar de C² (2016), a Rede Operacional de Defesa (ROD) é a infraestrutura por meio da qual o MD, em especial o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), provê a capacidade do Comandante Supremo de exercer o C² sobre os meios empregados. Como aproveitamento e para validação, essa infraestrutura também é utilizada pelo Ministério da Defesa para conduzir o preparo das Forças. A referida rede consiste na infraestrutura, que encerra um núcleo protegido para comunicações em voz, dados e vídeo, com interoperabilidade melhorada entre redes estáticas e móveis, baseadas em tecnologia IP. É composta por computadores e sistemas de comunicações que fornecem a capacidade física para se atingir a conectividade entre as diversas Forças Singulares num contexto de Op Cj.

Nesse sentido, a ROD é considerada como uma “rede de redes” com a característica de alcance e largura de banda suficientes para a execução de operações em todo o espectro, abarcando os diversos sistemas militares de C², coordenados pelo MD. Assim, a ROD é uma rede de governança de C² segregada, estabelecida pelo EMCFA, com base no SISCOMIS, que proporciona grande segurança ao fluxo de informações necessário à realização das operações conjuntas e contribui para a interoperabilidade das Forças.

Figura 15 – Rede Operacional de Defesa

A figura acima exemplifica os diversos enlaces proporcionados pela ROD por intermédio das ligações do SISCOMIS. A atividade de governança de C² é viabilizada por meio da interconexão dos Centros de Comando e Controle (CC²) mediante redes de informações segregadas e seguras, permitindo a necessária comunicação de dados operacionais militares entre os níveis estratégico, operacional e tático. Todos os dados, informações, domínios, sistemas e aplicativos integrantes são compartilhados.

Outra lacuna identificada na mesma estrutura militar diz respeito à necessidade de um arranjo logístico, de caráter operativo, a ser inserido na célula de C² do Comando Conjunto, com a capacidade de cumprir tarefas de vulto, tais como a coordenação e controle das respectivas seções logísticas das Força Naval Componente (FNC), Força Terrestre Componente (FTC) e Força Aérea Componente (FAC) e eventuais necessidades de apoio mútuo, controle e coordenação logístico extra Forças.

Segundo Motta (2015), a possibilidade de execução de tarefas logísticas conjuntas impõe a existência de um Comando Logístico, encarregado de centralizar a coordenação, o controle e a supervisão, isto é, a governança e gestão das ações logísticas, objetivando proporcionar às forças operativas um apoio logístico adequado e contínuo dentro da área de responsabilidade.

Na visão de Oliveira (2015), quando a FTC estiver participando de operações de maior envergadura e duração, o apoio logístico às forças adjudicadas poderá demandar a ativação de um órgão logístico operacional conjunto, que será denominado Comando Logístico do Teatro de Operações (CLTO). A este órgão caberá as ações de governança de todas as funções logísticas de responsabilidade do Teatro de Operações, visando o apoio às diversas tropas no terreno.

As peculiaridades e limitações de cada Força interferem diretamente no apoio logístico às operações conjuntas e desta afirmação parte a necessidade de se conseguir uma perfeita integração entre os sistemas logísticos, entre outros sistemas envolvidos na operação, para que se possa obter o sucesso desejado. Não se deve misturar ou mesmo fundir forças. Deve-se buscar uma integração, uma soma de esforços no sentido de melhor cumprir a missão.

Conforme o Manual de Normas para o funcionamento do CCLM, para proporcionar maior integração entre a mobilização e a logística militar, aproximando

os processos de planejamento e acompanhamento, o MD se faz valer do Centro de Coordenação de Logística e Mobilização (CCLM), concebido para atuar em Op Cj como estrutura de apoio logístico. “O CCLM integra o Centro de Comando e Controle do MD coordenando as atividades logísticas e de mobilização estratégicas, durante o emprego conjunto das Forças Armadas” (BRASIL, 2017, p. 31).

Ainda de acordo com o referido manual, no caso da integração logística institucional, o MD desenvolveu o sistema logístico de C² denominado APOLO. Por intermédio desse sistema, o CCLM disponibiliza informações gerenciais acerca da Logística e da Mobilização de Defesa, dos meios técnicos, da infraestrutura associada, das necessidades de apoio e das ofertas de capacidades ociosas.

Para reforçar a relevância do APOLO no que tange a governança da logística de defesa, o sistema reúne informações gerenciais de diversas áreas como saúde, justiça, telecomunicações, energia, aviação, abastecimento, agricultura e pecuária e meio ambiente. Além disso, esse sistema coordena o fluxo logístico dos órgãos apoiadores para os órgãos auxiliados, considerando, inclusive, a possibilidade de mobilização de recursos, estabelecendo e assegurando, para tal, as ligações necessárias.

Dessa maneira, o CCLM possibilita a manutenção da consciência situacional e a coordenação da logística e mobilização no nível estratégico ao racionalizar o emprego dos meios militares disponíveis nas três Forças, assim como os possíveis meios logísticos civis, contratados ou mobilizados. O incremento da interoperabilidade entre meios singulares e a integração logística contribuirão sobremaneira para a simplificação da estrutura e execução do apoio logístico.

Os sistemas militares de C² permitem a integração dos esforços logísticos por meio da racionalização do emprego de meios disponíveis e a redução do dispêndio desnecessário de esforços e recursos, ao organizar adequadamente o fluxo do apoio logístico sob responsabilidade de cada FS.

Consciente desta necessidade de evolução tecnológica, estabelecida na END e na Doutrina Militar de Defesa, o MD tem investido no desenvolvimento continuado dos seus sistemas de C². A capacidade para utilizar ferramentas de consciência situacional comuns e adaptadas à realidade operacional refletem o atual estágio de integração das Forças em Op Cj.

Outro aspecto importante para a integração das Forças é incrementar a compatibilidade entre os distintos sistemas de inteligência, particularmente nos aspectos relativos aos conhecimentos operacionais. O compartilhamento de informações, não somente sobre o oponente, mas também sobre outros dados de sensoriamento remoto, como imagens e condições meteorológicas, agrega recurso valioso na condução das operações.

Nesse ponto, merece destaque a ideia de que os sistemas de C² contém em si, essencialmente, um processo de governança e redução de incerteza, devendo empregar todos os sistemas, próprios ou não, para descortinar a realidade, buscando, se possível, a total eliminação do desconhecimento que representa a névoa da guerra de Clausewitz.

Por fim, o conceito de Operações Conjuntas ainda é novo para as Forças Armadas Brasileiras e só se difundiu a partir da criação do MD. O completo estabelecimento da interoperabilidade entre estas é possível, mas seguramente demorado. Os avanços obtidos, principalmente em se tratando dos sistemas militares de C², são acalentadores de sonhos, de perspectivas futuras de alto nível de governança nas operações.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As funções de Comando e Controle são executadas por meio de sistemas envolvendo a gerência de recursos humanos, instalações, equipamentos, normas e processos que possibilitam ao comandante dirigir e controlar sua tropa, tendo em vista o cumprimento da missão que lhe é imposta. Para tanto, a filosofia do C² é possibilitar que o ciclo decisório das Forças seja completado a uma velocidade superior àquele de potenciais contendores, assegurando maior probabilidade de êxito nas diversas operações.

No que tange a governança de C², ao mesmo tempo em que se observa o crescente uso de sistemas de C², observa-se que o MD e as Forças Singulares, cada vez mais, envidam esforços de toda ordem para controlar e dirigir seus processos associados à gestão e ao controle dos componentes tecnológicos relacionados a informação. Assim, a centralização e o compartilhamento, ou seja, a melhor governança dos sistemas de C² têm sido a tendência predominante no âmbito do MD, por permitir um melhor aproveitamento do espectro de radiofrequências e dos recursos aplicados na constituição dos sistemas em rede.

Com esses fatos, percebe-se que a governança do C² é buscada pelo MD por meio da integração dos diversos subsistemas de apoio a decisão e consciência situacional das Forças, por intermédio da definição de condicionantes doutrinários, requisitos operacionais, requisitos técnicos, especificação técnica e projetos em comum e interoperáveis. Também nas situações de operações conjuntas e interagências, frequentes no cenário atual de ameaças difusas, os instrumentos de C² são importantes no sentido de possibilitar a adequada governança entre as forças militares e as organizações governamentais e não governamentais envolvidas, para o efetivo exercício do controle das ações em andamento.

Em suma, é fundamental que se invista na imensa gama de componentes informacionais, tecnológicos, estruturais e de conhecimento que possam contribuir para a efetiva governança de C² nas diversas instituições presentes nas operações conjuntas. A atenção aos conceitos de interoperabilidade, nos seus diversos matizes, pode levar as agências, em todos os níveis, a ponderar suas gestões de pessoal, de conhecimento, de informações, operacionais, logísticas e de comunicações, a fim de

levantar oportunidades de melhoria das suas capacidades de trabalho e, principalmente, em conjunto.

O desenvolvimento mais consistente da interoperabilidade entre Forças constitui um modo de governança eficaz para que sistemas diferentes, com finalidades diferentes, com objetivos diferentes e com características diferentes troquem informação de forma produtiva sem limitar as possibilidades de um e de outro.

A interoperabilidade não interfere nos sistemas específicos de cada Força. Os dados continuarão atendendo às especificidades de cada uma delas. O que a Defesa Nacional busca é ter a certeza de que um dado de propriedade de uma Força, se for de interesse de outra Força, tenha canais para tramitar com a maior brevidade possível até chegar ao interessado na ponta da linha, para atender ao princípio da oportunidade de sua aplicação.

Dessa maneira, os sistemas militares de C² devem permitir que os participantes visualizem um cenário operacional compartilhado, disponibilizando ou sendo alimentado com diversas informações, de acordo com a necessidade. Sendo assim, nos modernos cenários de crises e conflitos, o exercício do C² está impregnado nas atividades logísticas, de inteligência e operacionais, sendo, pois, imprescindível que os sistemas possibilitem o total apoio ao desenvolvimento dessas atividades, especialmente, o controle das ações planejadas.

Assim, pode-se inferir que um dos fatores primordiais para a obtenção do sucesso nas operações militares a serem desenvolvidas em qualquer Teatro de Operações é a capacidade de utilização ampla e coordenada das informações

No documento INSTITUTO MEIRA MATTOS (páginas 91-117)