3. DISCUSSÃO DOS CONCEITOS QUE PERMITIRAM ANALISAR A
3.1 OS CONCEITOS DE AGLOMERADOS, CLUSTERS E SUA
Nos últimos anos se avançou muito na discussão da importância dos chamados clusters como indutores do desenvolvimento regional, tanto para agroindústria, quanto para a indústria, estabelecendo-se assim, iniciativas de exemplos a serem seguidos em países da Europa (a chamada Terceira Itália) e/ou dos Estados Unidos. No Brasil, iniciativas lideradas pela UFRJ (grupo CASSIOLATTO e LASTRES da REDESIS), pela UNICAMPINAS (grupos de trabalho de SUZIGAN e MACHADO, SARTI e COUTINHO), e pela UFMG (entre outros, HADDAD, CAMPOLINA DINIZ, BORGES LEMOS, etc.) são alguns exemplos de grupos de estudos dos mais avançados no amadurecimento desse processo para vários segmentos da indústria no Estado de São Paulo e no Brasil, com a utilização de ferramentas de identificação e tipologias para uma caracterização preliminar dos clusters.
No turismo, esse processo tem ocorrido de forma inversa ao processo de construção seguido pela academia para estudar os setores da agricultura e da indústria. As diversas abordagens de cluster produtivos se confundem com a diversidade de formas de relacionamento de e entre as empresas de vários portes e atividades numa concentração geográfica determinada. Comecemos por identificar o conceito de aglomerado e de cluster.
A problemática do cluster está na base da promoção do desenvolvimento num determinado espaço geográfico. Como instrumento, o cluster fundamenta-se nos estudos da economia neoclássica feitos por Marshall (1985), quem explicava o desenvolvimento de distritos indústrias a partir da existência de interrelações entre firmas (numa atividade industrial qualquer) que originam externalidades positivas dentro de determinadas aglomerações. Segundo Marshall (1985) essas externalidades são originadas por três grandes forças:
1. Existência de complementaridades dinâmicas, efeitos colaterais ou trasbordamento positivo ou de rede de cooperação (spillovers) entre as
empresas, com probabilidades de redução de custos ou de incrementos de benefícios, resultados da atividade e da presença no território de outras atividades a ela relacionadas.
2. Existência de insumos e serviços específicos para atender as empresas, que representam ganhos de escalas e melhoria na qualidade dos produtos, isto é, a concentração de empresas do mesmo setor representa uma redução de custos operacionais do entorno.
3. Uma oferta local de mão de obra (capital social) especializada e o estímulo a processos de inovação (Porter, 1986).
Para Marshall (1985), o desenvolvimento de clusters promove a existência de complementaridades dinâmicas dentro de um sistema de firmas economicamente interdependentes, o que influencia favoravelmente os padrões de especialização na produção de determinados bens e serviços. Pelas razões dadas acima, a inovação e o crescimento numa unidade econômica podem vir a exercer impulsos positivos sobre a inovação e o crescimento em outras partes do sistema. Dentro desse raciocínio, além dos efeitos positivos esperados para a economia regional, conclui-se que o cluster funciona melhor do que a soma das empresas individuais, no caso da atuação individual no mercado.
Desde a década de 80 dois fatos popularizaram os conceitos de aglomerados e de clusterização tornando-se uma das ferramentas mais utilizadas para a análise das economias subdesenvolvidas: o primeiro dos trabalhos foi publicado por Michael Porter (1986), que redesenhou e atualizou a teoria marshallina de crescimento da firma. Do outro lado, contribui à sua popularidade, a adoção desses conceitos por parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento - OCDE, vinculado às Nações Unidas, inicialmente colocados no centro dos debates da Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Territorial, às vésperas dos primeiros Fóruns de Porto Alegre e Davos (VEIGA, 2002).
Enquanto Porter identificou a presença de cluster em torno da produção de vinhos na Califórnia, a OCDE concentrou seu estudo de caso nas pequenas empresas do sul da Itália. Mais tarde outros órgãos como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID fizeram o mesmo identificando como as empresas no setor industrial e agrícola podem alcançar economias de escala na produção e diminuir drasticamente seus custos de transação. Em ambos os casos, a popularidade do enfoque de cluster decorre principalmente, por ele ser identificado
como indutor do crescimento econômico e da inovação tecnológica de processos e, também nesses casos, trabalha-se com e no território.
Os defensores da economia de cluster apontam que o enfoque ajuda a fortalecer o potencial de empreendedorismo das micro, pequenas e médias empresas para um desenvolvimento em rede e, sobretudo para o desenvolvimento sustentado, porém esse caminho de cooperação entre firmas, nem sempre ocorre de maneira natural, sendo necessária a intervenção do poder público nos seus diferentes níveis de organização (CEPAL, 2000, 2002, 2005). A aglomeração geográfica de determinadas atividades econômicas tende a causar incrementos (economias de escala tecnológicas e econômicas num segmento de atividade), exercendo impulsos positivos para a flexibilização da produção, inovação e crescimento noutras partes do sistema econômico. Com isso, há um efeito de expansão, chamado de economias externas locais da atividade dos complexos industriais e de serviços que tendem a melhorar sua ação mais do que individualmente. As economias externas locais se constituem no ponto crucial da discussão sobre cluster, porque são elas as que determinam a própria existência ou não do mesmo, ao proporcionarem uma continua redução de custos só pelo fato das empresas estarem aglomeradas num determinado território (SUZIGAN et al, 2005).
Há uma extensa bibliografia que trata sobre distritos industriais de Marshall e analisa o fenômeno a partir de enfoques multidisciplinares levando em consideração uma quantidade de variáveis para o estabelecimento de relações causais (HADDAD: 1989, 2004, SUZIGAN et al: 2002, 2003, 2004, IPARDES, 2006; REDESIS, 2001). A revisão da literatura nos obriga a ser seletivos, mas boa parte desse esforço foi voltado para a identificação quantitativa dos clusters, a partir de modelos que com informações secundárias, mede o impacto da atividade econômica no território e na região. Mais recentemente, no Brasil, esse esforço viu-se transferido a interpretação no Turismo16 (SEBRAE, 2002; TOLEDO: 2003; SANTOS SILVA, 2004; LACAY e FAYET, 2004; COSTA e SOTOMAIOR, 2005; SAMPAIO, 2005, SARTI e COTINHO, 2006; CORIOLANO: 2007,2009; MASSUKADO E TEIXEIRA, 2009; LEMOS & SOUZA, 2009; CUNHA & CUNHA, 2009; LACAY, 2013; THOMASI, 2006).
16 Iniciativas pioneiras partiam dos conceitos de cadeia produtiva (LACAY e FAYET, 2004); outras se
desenvolveram a partir da teoria dos sistemas desenvolvidas as por Beni (2003) e Thomasi (2006). O conceito, no entanto, tem uma vertente econômica na teoria marshallina e do diamante da gestão de M. Porter (1986)
Um cluster ou arranjo produtivo local (COSTA & SOTO-MAIOR, 2006), é um dos termos mais representativos das observações de aglomerações de empresas, pode ser definido por ser uma aglomeração geográfica de grandes, médias ou pequenas empresas que sejam relacionadas ou complementares. Nos clusters as empresas de grande porte são complementadas por outras de menor porte; e entre elas existem acordos econômicos formais e informais.
O conceito de cluster faz referência a um arranjo local de empresas posicionadas em diferentes âmbitos da cadeia produtiva – tanto concorrentes quanto complementares – e a instituições de apoio como universidades, institutos de pesquisa, associações de classe etc. Tal arranjo se caracteriza pela maior densidade de suas articulações intrasetoriais, pela sua concentração geográfica e pelas sinergias que são geradas no seu interior em termos de progresso técnico, produtividade e competitividade.
Toledo et al. (2003) tendo como base uma lista de “pré-requisitos” reforça a dificuldade de se observar um cluster no turismo; estes autores concluem que um cluster de turismo se define com base em 24 critérios que envolvem oferta caracterizada por segmentos específicos e integrada para satisfazer expectativas do turista com produtos planejados e integrados; demanda qualificada, clientes sofisticados, etc.17.
Mas, recentemente, esse esforço vem se transladando para interpretar os sistemas turísticos (SEBRAE-SP, 2002; TOLEDO ET AL., 2003; BENI, 2003; LACAY E FAYET, 2005; COSTA E SOUTO-MAIOR, 2006; SARTI E COUTINHO, 2006; SILVA SANTOS, 2004; SAMPAIO, 2005; THOMASI, 2006; MIELKE, 2009; MASSUKADO E TEIXEIRA, 2009; LEMOS E SOUZA, 2009; CUNHA E CUNHA, 2009; CORIOLIANO, 2009).
Como se observa no quadro resumo a seguir, as diversas abordagens de cadeias produtivas, clusters, APLs e outras muitas denominações confundem-se
17 Entre esses critérios estão: Imagem turística, Imagem turística relacionada com a identidade e cultura
regional, Imagem turística relacionada com o meio ambiente regional, Planejamento participativo e capacitado, Sinergia da Iniciativa Pública-Privada, Enfoque intrasetorial, no longo prazo, Incentivo e facilidades para investimentos sustentáveis, Enfoque na competitividade global, Informações e capacitação de sustentabilidade aos turistas, agentes de viagens, hotéis, restaurantes entre outros, Etiqueta ecológica, Sistema de gestão articulado e intersetorial, Tratamento cientifico, literatura especializada, escolas de TURISMO, Capacitação de recursos humanos, Indicadores de Sustentabilidade, Enfoque no consumo sustentável, Limites da capacidade máxima turística, Mensuração, investigação controle, avaliação dentro do planejamento, Indicadores e manejo ecológico, Certificação ecológica, Recuperação e preservação ecológica, Retroalimentação dos planejamentos. (TOLEDO et alii, 2003, p 28)
com a diversidade de formas de relacionamento de e entre as empresas de vários portes e atividades numa concentração geográfica determinada. Começa-se por comentar os conceitos mais relevantes.
QUADRO 4 – RESUMO DAS ABORDAGENS DE CLUSTER, SISTEMAS PRODUTIVOS LOCAIS, DISTRITO INDUSTRIAL E REDES DE EMPRESAS.
TERMO CARATERÍSTICAS PECULIARIDADES AUTORES
CADEIA PRODUTIVA Conjunto de componentes que interagem na produção, transformação, comercialização e consumo de bens. Na prática, a cadeia integra os sistemas produtivos, os fornecedores de insumos e serviços, industriais de processamento e transformação, agentes de distribuição e
comercialização, além dos consumidores finais.
Os elos “para a frente” e “para trás” da cadeia não ostentam relacionamento prévio, e a sua fortaleza advém do adensamento dessas relações entre os elos que, em tese, permitem obter ganhos de escala (economias de escala) e aumento da produtividade e competitividade do sistema turístico com a agregação de valor.
USP (Veiga, J. E), Unicamp (Mueller, E.; Farina, E.); Davis e Goldberg; Zylberstajn; Castro et al.; Scramim e Batalha; Porter, Lazarini, Embrapa, Iapar, Ipardes.
CLUSTER Aglomerações geográficas de grandes,
médias ou pequenas empresas, sejam relacionadas ou complementares.
Empresas de grande porte complementadas por outras menores; Acordos formais e econômicos;
Realidade norte-americana (turismo); Empresas metal mecânica.
Porter; Chandeler, Hagstrom Jr. e Solvell; Cepal; Ipea; Beni; Thomasi; Santos Silva; Toledo et al.; Costa e Souto-Maior. DISTRITO INDUSTRIAL Pequenas e medianas empresas de um mesmo negócio especializadas em etapas de diferentes do processo produtivo e envolvidas por fortes relações sociais e econômicas.
Relações densas; forte papel da reputação e confiança entre as empresas; relações sociais potencializando as econômicas; descentralização do poder, exemplo
clássico: distrito industrial italiano.
Pyke e
Sengenberger; Becattini.
TERMO CARACTERÍSTICAS PECULIARIDADES AUTORES
REDE DE EMPRESAS
Alianças estratégicas Interorganizacionais de empresas que interagem e cooperam buscando estabelecer vantagem competitiva. Podem ser de diferentes portes, com relações distintas de poder, centralização ou não da hierarquia,
aglomeradas ou dispersas territorialmente.
Diferentes portes, com relações distintas de poder, centralização ou não da hierarquia, aglomeradas ou dispersas territorialmente Redes internacionais de fast food, de
hotelaria, dispersas territorialmente, porém com centralização da hierarquia e do comando do grupo a partir do país central.
Powell, Gullati, Nohria,
Zaheer; Ebers e Jarillo; Miles e Snow, Amato Neto, Massukado e Teixeira. ARRANJO PRODUTIVO LOCAL (APL)/ SISTEMA PRODUTIVO LOCAL (SPL) Pequenas e medianas empresas manufatureiras concentradas por um negócio comum, com relações formais e informais e cultura compartilhada.
Misto das características de clusters e de distritos industriais; adaptação à realidade brasileira (UFRJ/COPPE). Caporali e Volker; Cassiolato e Lastres; Vargas – Grupo de trabalho da UFSC; Univali; Grupo do Rio Janeiro; BNDES; Sebrae; Ipardes. APLBC (BASE COMUNITARIA) APL.COM (ACORDO SOCIOPRODUTIVO DE BASE COMUNITÁRIA) Presença de todos ou quase todos os
subsetores das atividades de turismo; relevância das atividades de turismo na economia local marcada pela especialização produtiva; relevância das empresas de pequeno porte no total dos estabelecimentos e do papel da comunidade; definição de uma clara vocação cooperativa com envolvimento da
comunidade local e dos agentes de promoção do desenvolvimento regional da cadeia produtiva; preservação e promoção da cultura local.
Diferentes portes, com relações distintas de poder, liderança através da cooperação, não da hierarquia, aglomeradas territorialmente. Presença das políticas públicas (do turismo ou da agricultura) é constante. Eventos
comunitários possuem como estratégia um projeto de
desenvolvimento local (ecológico e
socialmente) integrado, pensado como uma atividade sócio produtiva coletiva que, por via democrática, participativa e de engajamento dos atores comunitários, resgata ou conserva outros modos de vida, possibilitando ainda que turistas os experimentem. Sampaio, Coriolano, Mielke (Cooperativas do turismo), MTur, RTS, ITCP
Fonte: Adaptado de Costa e Souto-Maior (2006).
Cadeia produtiva é o sistema constituído por atores e atividades inter- relacionadas em uma sucessão de operações de produção, transformação,
comercialização e consumo em um espaço determinado. Pela visão prospectiva, Castro et al. (apud IPARDES, 2008) apontam que o enfoque de cadeia é pertinente no contexto atual de evolução da economia mundial globalizada, em que temas como sistemas de produção, competitividade e inovação tecnológica são discutidos de forma sistêmica em todos os âmbitos da economia, desde as atividades produtivas agroalimentares até o setor de serviços, no qual o turismo está incluído. Atividade econômica dinâmica e complexa encontra no enfoque sistêmico de cadeia produtiva uma importante ferramenta para diagnóstico e formulação de estratégias de competitividade (IPARDES, 2008).
O conceito de cadeia produtiva no turismo pressupõe a existência de um produto ou de um atrativo turístico que, em um determinado território, atua como elemento indutor para gerar uma dinâmica integradora entre as diferentes atividades que compõem o setor. Isto é, o produto ou o atrativo funciona como gerador de uma rede de serviços apoiados no desenvolvimento de infraestrutura local e regional, cuja dinâmica pode promover o incremento dos fluxos de informação, produção, inovação e consumo, sempre ponderados pela eficiência coletiva (SCHMITZ, 1995, 1997). Na prática, a cadeia integra os sistemas produtivos, os fornecedores de insumos e serviços, industriais de processamento e transformação, agentes de distribuição e comercialização, além dos consumidores finais.
Os elos “para a frente” e “para trás” da cadeia não ostentam relacionamento prévio, e sua fortaleza advém do adensamento dessas relações entre os elos que, em tese, permitem obter ganhos de escala (economias de escala) e aumento da produtividade e competitividade do sistema com a agregação de valor, por exemplo, o turismo (Ipardes, 2008).
Assim, o conceito de cadeia produtiva no turismo pressupõe a existência num destino turístico, de um produto ou atrativo como elemento básico de junção para gerar uma dinâmica integradora ao redor dele. Isto é, o produto ou atrativo pode funcionar como motor da formação de rede de serviços, apoiados na infraestrutura local e regional, que, dependendo do desenvolvimento “endógeno”, pode promover incremento de fluxos de informação, produção, inovação consumo e mobilidade do trabalho (SARTI, COUTINHO; 2006). Há certa complexidade na cadeia produtiva do turismo e na correspondente cadeia do valor. Ela agrega um sem-número de atividades do setor de serviços de forma conjunta com outras que dependem da
organização do território, da organização regional e das instituições públicas e privadas que atuam numa região administrativa.
Distintamente, na indústria, um conjunto de empresas se organiza de forma vertical para um único processo produtivo, que gera um produto que no final chega ao consumidor pelos canais de comercialização (SARTI; COUTINHO, 2006). Já um aglomerado de empresas de uma mesma atividade pode conter um pequeno ou grande número de empresas, bem como pode variar de amplidão quanto ao número de participantes e seu grau de organização. De forma geral, os aglomerados são concentrações geográficas de atividades econômicas similares e/ou fortemente relacionadas e interdependentes (COSTA E SOUTO-MAIOR, 2006).
O aglomerado assume o nome de cluster, entre outros, pela ocorrência de fatores como proximidade de mercados, presença de mão de obra especializada, por conta de outros insumos (ou recursos naturais, de informação de mercado) ou de equipamentos, pela oferta de serviços, e/ou a capacidade de infraestrutura. Regularmente, essa forma de arranjo institucional representa para as empresas a possibilidade de obter economias de escala na produção e, sobretudo, a diminuição de seus custos de transação que, em última análise, se reflete nos padrões de competitividade do setor ou da atividade em que atua (KUPFER, 2005).
Desde a década de 1980 marcos teóricos popularizaram os conceitos de aglomerados e de clusterização, tornando-se uma das ferramentas mais utilizadas para a análise das economias subdesenvolvidas. O primeiro dos trabalhos foi publicado por Michael Porter (1986), que redesenhou e atualizou a teoria marshalliana de crescimento da firma. Adotada a definição de Porter (1986) um cluster18 é uma concentração de empresas numa mesma região que opera em linhas
similares de negócios, e cuja relação fomenta o desenvolvimento de outra multiplicidade de relações de interdependência entre elas, fortalecendo sua competitividade numa ampla variedade de áreas.
Posteriormente, houve a adoção por parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 1997,1999, 2001) desses conceitos, inicialmente colocados no centro dos debates da Conferência
18 A República Dominicana utiliza nos seus manuais de organização de clusters a definição de Porter,
porém, tem trabalhado na sua organização do ponto de vista institucional, isto é, é o Consejo Nacional de Competitividad quem tem a palavra final quanto a declarar ou não determinado arranjo produtivo como “cluster”. (nota do autor)
Internacional sobre Desenvolvimento Territorial, às vésperas dos primeiros Fóruns de Porto Alegre.
Os estudos da OCDE (1997, 1999 e 2001) realizados para identificar as políticas públicas para pequenas e médias empresas têm identificado o processo de clusterização e inovação tecnológica como motor do crescimento econômico em algumas regiões da Europa, caso mais conhecido é o italiano (Haddad, 1989; BNDES, 2004; Ipea, 2003). São ainda responsáveis por uma boa porcentagem do crescimento do emprego e dos produtos internos brutos (PIBs) regionais. Na maturação do processo de agrupamentos de empresas, alguns objetivos básicos, que individualmente não poderiam ser alcançados, são potencializados pelas economias de escala e pela drástica redução dos custos de transação (OCDE,1997).
Outros órgãos como o Banco Mundial (BIRD, 1999; 2002) e a United Nations Industrial Development Organization (UNIDO, 2002) avançam na identificação e nos ganhos de escalas das firmas na produção dos setores agrícola e industrial, e de como estes podem alcançar economias de escala, diminuindo drasticamente custos de transação mediante a economia de clusters. Em ambos os casos, a popularidade do enfoque de cluster decorre principalmente por ele ser identificado como motor do crescimento econômico e da inovação tecnológica de processos. Ainda, porque a economia de cluster propõe a utilização de uma porcentagem muito alta de insumos e mão de obra local, com notadas tendências à especialização produtiva, tornando-se vetor de desenvolvimento da economia regional (UNIDO, 2002; BIRD, 1999;2002).
Os defensores da economia de cluster apontam que o enfoque ajuda a fortalecer o potencial de empreendedorismo das micro, pequenas e médias empresas para um desenvolvimento em rede e sobretudo para o desenvolvimento sustentado. Porém, o caminho de cooperação entre firmas nem sempre ocorre de maneira natural, sendo necessária a intervenção do poder público nos seus diferentes níveis de organização (CEPAL, 2003, ANDERSSON et al. 2004).
A clusterização é uma tendência de firmas em relacionamento horizontal de negócios em se concentrarem geograficamente. Um cluster contém pequeno ou grande número de empresas, bem como diferentes tamanhos. Clusters podem variar em leque de possibilidades, que vão do número de participantes (independentemente do tamanho da firma) ao seu grau de organização. Entre outros fatores, a clusterização acontece devido à proximidade dos mercados consumidores; à
presença de mão de obra especializada; à apropriação na região de determinados fatores que potencializam a competitividade de determinados setores (como recursos naturais, sistemas de informações, inovação tecnológica etc.); à oferta abundante de equipamentos e serviços; e ainda à capacidade de oferta de infraestrutura adequada ao desenvolvimento da atividade (CASSIOLATO et al., 2003).
Algumas conceituações giram em torno da organização industrial ou do tipo de estrutura do tecido produtivo, concentrando-se no papel que exercem as micro e pequenas empresas. Outras destacam a natureza e as características tecnológicas do bem produzido e a gestão hierárquica ou coordenação reticular. O conceito de cluster bem sendo aplicado ao setor do turismo, até pelo próprio Porter, como visto no quadro resumo, porém com reformulações, de maneira a adaptá-lo às particularidades da atividade. O turismo envolve amplas relações intersetoriais, sendo necessário identificar, organizar e articular a sua cadeia produtiva para se fazer uma análise sistêmica. Um enfoque integrado colabora significativamente para o desenvolvimento de políticas administrativas e para o planejamento turístico (BENI, 2003; 2012).
Fernandez-Morales (2016) na Enciclopédia do Turismo19 (apud JAFARI E XIAO,2016; p. 156), descreve que uma das aplicações mais comuns de análise de cluster no turismo é no estudo de segmentação do mercado, por ser uma técnica de analise multivariada que permite identificar quantitativamente grupos homogêneos e entender melhor as preferências e necessidades, e identifica o que modificar para adaptar esforços de marketing em segmentos específicos