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Rede Nacional de Monitorização

9. Operacionalidade, criando mecanismos legais, institucionais, financeiros e programáticos céleres, eficazes e com fontes de financiamento próprias, capazes de

3.4 AS INTERVENÇÕES DO PROGRAMA POLIS E DO PROGRAMA FINISTERRA 1 POLIS Princípios e objectivos

3.4.4 POLIS versus FINISTERRA 1 Estrutura dos Programas

3.4.4.3 Os recursos financeiros

Estes programas de intervenção estão assentes em recursos financeiros que são necessários disponibilizar, sendo necessário reservar capacidade financeira para permitir o financiamento de projectos que se venham a candidatar e que tenham manifesto interesse do ponto de vista dos objectivos dos Programas.

Em 1999, altura da apresentação do Progrma POLIS, o valor indicativo das fontes de financiamento eram as seguintes (MAOT 1999):

Fontes de Financiamento Milhões de euros

Fundos Comunitários Autarquias Administração Central Auto-financiamento 460 130 130 80 Total 800

Os níveis de comparticipação variam consoante as componentes do programa. De acordo com o documento de divulgação do POLIS (MAOT 2000), a comparticipação global dos Fundos Comunitários seria, em média de 58%, as comparticipações médias da Administração Central e da Autarquias Locais rondariam os 28% sendo o auto- financiamento de cerca de 10%.

Fontes de financiamento Níveis de

comparticipação

Autarquias 0 – 25%

Governo 0 – 50%

Fundos Comunitários 0 – 75%

As principais fontes de financiamento do Programa POLIS são os fundos comunitários do III Quadro Comunitário de Apoio (QCA), suportadas no FEDER (Intervenções Operacionais Regionais e Intervenção Operacional Ambiente), FSE (Intervenções

Operacionais Regionais) e no INTERREG. A comparticipação Nacional incluía investimentos da administração central, autárquica ou outra, sendo que o montante dependia da taxa de comparticipação.

Em 2004, as informações vindas do MCOTA referiam, que estavam previstos 509 Milhões de euros, para o Programa POLIS em 2003, dos quais se tinham aplicado apenas 171 milhões, sendo contudo necessários 250 milhões de recursos adicionais para terminar o que estava planeado92.

Em 2003, para o Programa FINISTERRA, estavam previstos os seguintes recursos financeiros (ICN 2003):

Fontes de Financiamento Milhões de Euros

Fundos Comunitários PIDDAC

45 533 916 60 393 776

Total 105 927 792

Os Fundos Comunitários constituem cera de 43% do financiamento previsto, suportados pelo III QCA (2003 – 2006) ao abrigo dos seguintes programas: Programa Operacional do Ambiente, Programa URBAN, Iniciativa INTERREG III, Programa LIFE, Programa Operacional de Economia, Programa Operacional da Agricultura e Desenvolvimento Rural (AGRO), Programa para o Desenvolvimento Sustentável do Sector da Pesca (MARE), Fundos de Coesão, Programa Operacionais Regionais

As informações sobre o Programa FINISTERRA e, sua implementação são quase nulas. Apenas há notícias nos jornais e, tendo em conta a sua fiabilidade, poder-se-á dizer que no que diz respeito aos investimentos previstos para as zonas mais críticas os valores são os da tabela 3.5 e que de acordo com a mesma fonte são insuficientes.

Tabela 3.5 – Investimentos previstos para as zonas críticas (Programa FINISTERRA 2004)

Necessário

(em milhares de euros)

Disponível

(em milhares de euros)

S. Bartolomeu do Mar 300 0

Ofir e Apúlia 12 000 1 600

Foz do Douro (molhes) 25 000 10 000

Cortegaça / Furadouro 6 100 0

Praia de Maceda/ Esmoriz/ Torreira 1 000 130

Barra de Aveiro 5 000 110

Costa Nova/ Vagueira/ Vagos/ Areão 10 000 420

Barrinha de Mira n.d. 1 800

Magoito/ Aguda/ Azenhas do Mar 8 000 0

Cova do Vapor/ Costa da Caparica 25 000 6 270

Costa Vicentina 2 000 750

Praia D. Ana/ Porto de Mós/ Camelo 3 000 65

TOTAL 97 400 21 140

A tabela apresentada contêm, no entanto, intervenções já prevista anteriormente como o caso dos Molhes da Foz do Douro cujo responsável é o IPTM e ainda as obras de defesa e alimentação artificial da Cova do Vapor / Costa da Caparica que se mantiveram na dependência do INAG, existindo financiamento global par estas.

Considerando a circunstância anteriormente referida e analisando a tabela, facilmente se considera que a verba disponível é francamente baixa, representando cerca de 22% do total necessário e previsto. Há claramente uma falta de recursos financeiros o que agudiza o problema das intervenções na zona costeira nacional.

Para além das fontes de financiamento afectas aos Programas, é necessário fazer convergir no mesmo outras iniciativas de âmbito sectorial que possam potenciar as

intervenções que se pretendem realizar. Fundos disponibilizados por iniciativas comunitárias, especialmente o INTERREG, devem ser também mobilizados para estes Programas.

3.5 SÍNTESE

Da análise efectuada podem-se diferenciar os elementos fundamentais, na gestão integrada das zonas costeiras, em grupos:

• O grupo da governação, responsável pelo enquadramento necessário e definição

dos objectivos, onde se deve inclui os conceitos de integração, harmonização e participação.

• No grupo das tarefas de gestão, é dado particular ênfase à avaliação e observação. Avaliação esta que deverá ocorrer desde o primeiro momento quando se refere à avaliação da investigação no reconhecimento do problema identificado e que vai até ao final. A observação poderá ser entendida como o processo de monitorização associado à avaliação.

• Ao nível do grupo dos instrumentos e capacidades de gestão, é importante realçar

a necessidade de inclusão do sector privado (investidores e utilizadores), as análises de custo-benefício, a investigação e a participação pública. Poder-se-á destacar o domínio do conhecimento do território nas suas mais diversas componentes: caracterização do meio, dos sistemas físicos e humanos, dos mecanismos reguladores e financeiros, dos investidores e utilizadores, da gestão do risco, da investigação dos procedimentos operacionais e ainda da auscultação pública. A avaliação surge mais uma vês, como elemento da gestão, orientada agora para os objectivos do processo de GIZC.

Relativamente a Portugal, e relativamente aos instrumentos de ordenamento e gestão da zona costeira assume particular destaque, o mais antigo diploma legislativo: o Domínio Público Marítimo (DPM) (Decreto n.º8, de 1 de Dezembro de 1892) que passa a estar legislada de uma forma clara a partir da década de 70, com a publicação do DL n.º 468/71, de 5 de Novembro.

A década de noventa caracteriza-se, por uma dinâmica significativa em matéria de planeamento e ordenamento da zona costeira nacional. A criação dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira, em 1993, constituem um marco importante nesta temática assim como o ano de 2005 fica marcado pela aprovação do último POOC em

território continental. As regiões autónomas da Madeira e dos Açores encontram-se numa fase mais atrasada estando a decorrer ainda elaboração de vários Planos.

Do ponto de vista normativo e legislativo, a zona costeira continental encontra-se actualmente coberta por instrumentos jurídicos de primeira ordem para ser ordenada, planeada, gerida e mesmo avaliada reconhecendo-se o esforço de integração de alguns dos princípios fundamentais da GIZC, nos objectivos dos POOC.

A nova realidade aponta para o início de um novo ciclo em matéria de gestão da zona costeira, em Portugal. Os documentos estratégicos mais relevantes assumem, como matéria prioritária a avaliação das acções programadas nos diversos Planos assim como, a alteração do actual quadro jurídico-administrativo.

A criação de um Grupo de Trabalho com objectivos específicos de definições de competências, simplificação de procedimentos e alterações legislativas permite-nos afirmar que temas como o da Estratégia Nacional de Gestão Integrada da Zona Costeira, e a revisão da legislação sobre a utilização do Domínio Público Marítimo estão novamente na agenda política.

Aguarda-se uma proposta de alteração do actual quadro jurídico-administrativo e estratégico, bem como se espera que esta mudança enquadre os actuais desafios nacionais nesta matéria e que se prendem com a avaliação da implementação das intervenções contidas nos Planos de Ordenamento da Orla Costeira.

A monitorização da zona costeira está prevista desde 2001 e deverá ocorrer naturalmente como consequência da própria avaliação que deverá ser efectuada à medida que os resultados da implementação dos Planos vão surgindo.

A elaboração dos POOC, podem ser considerados como o levantamento nacional das características e problemas existentes na zona costeira nacional. Por essa razão constituem um elemento de suporte a um processo de avaliação e monitorização. Há já indicações claras da necessidade de alterações aos Planos de Praia que decorrem de uma pré-avaliação feita pelas próprias entidades gestoras dos Planos e que tem vindo a concluir da indispensabilidade de proceder a ajustamentos nestas áreas.

A recente aprovação da Lei da Água e da Titularidade dos Recursos Hídricos constitui um sinal claro de mudança, mas também de um esforço funcional e institucional, de acordo com as orientações europeias em matérias de gestão sustentável das águas.

Mereceu particular atenção analisar os diversos Projectos POLIS das cidades atlânticas conjuntamente com os Projectos de Intervenção (PdI) FINISTERRA e saber até que ponto os projectos considerados se integram no âmbito desta investigação.

As expectativas criadas em torno destes dois programas eram elevadíssimas. Esperava- se que estes viessem permitir um investimento acrescido em áreas particulares como a zona costeiras e as cidades. Se no caso do POLIS alguns resultados são francamente visíveis, no caso do FINISTERRA nada existe de concreto.

A criação destes programas pretendia assegurar que a realização das iniciativas fosse acompanhada de uma monitorização adequada dos seus efeitos urbanísticos, sociais e ambientais.

De uma avaliação superficial do Programa POLIS poder-se-á afirmar que houve um investimento financeiro efectivo no Programa e que os principais objectivos foram alcançados: requalificação urbana das frentes de água e uma melhoria substancial da qualidade do ambiente urbano. Esta melhoria e visível quando analisados indicadores, habitualmente denominados de qualidade de vida: área de espaços de espaços públicos, infra-estruturas de recreio e lazer, melhoria do trânsito, aumento e melhoria dos acessos a locais atractivos, requalificação de património natural e cultural.

Uma avaliação semelhante ao Programa FINISTERRA mostra a estagnação em matéria de implementação de muitas das acções previstas nos POOCs. Algumas das intervenções realizadas foram-no por via dos licenciamentos de utilização do DPM e não tanto por via de uma acção concertada de implementação das próprias propostas dos planos.

A natureza exemplar e demonstrativa deve ser devidamente transmitida, através de uma imagem conjunta e global das suas intervenções, ao longo de toda a sua execução, de forma a potenciar os resultados dos Programas.

Importa associar a iniciativas desta dimensão financeira parcerias estratégicas com entidades públicas e privadas que possam contribuir para o seu êxito.

Fica demonstrado, com criação do Programa FINISTERRA e sua actual descontinuidade, que a criação de Programas específicos, sem recursos financeiros nem enquadramento legislativo adequado que suporte as acções previstas, é uma ponte para o seu insucesso. As dificuldades existentes na implementação de alguns dos Programa POLIS estiveram directamente relacionadas com congelamentos financeiros e errada programação

financeira, acumulada com as consecutivas alterações governativas e ainda com a degradação da economia nacional.

A avaliação das intervenções começa a ser feita lentamente através da utilização de indicadores que podem ser incluídos na tipologia do índice de qualidade de vida e consequentemente de desenvolvimento sustentável.

CAPÍTULO IV - INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: