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Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil (2006)

Matrículas em Unidades Municipais pré-escola Matrículas em Unidades Privadas pré-escola

2.1 EDUCAÇÃO INFANTIL: O QUE DIZEM AS LEIS E AS ORIENTAÇÕES OFICIAIS Muito se discute sobre a importância da valorização da Educação Infantil Seguindo

2.1.5 Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil (2006)

O Ministério da Educação sintetizou os principais fundamentos para o monitoramento da qualidade da Educação Infantil no documento Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil, de 2006.

Em consonância com o papel do Ministério da Educação (MEC), de indutor de políticas educacionais e de proponente de diretrizes para a educação, a Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC, por meio da Coordenação Geral de Educação Infantil (COEDI) do Departamento de Políticas de Educação Infantil e do Ensino Fundamental (DPE), apresentou os Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil – Volumes 1 e 2. Essa publicação contém referências de qualidade para a Educação Infantil a serem utilizadas pelos sistemas educacionais, por creches, pré-escolas e centros de Educação Infantil que promovam a igualdade de oportunidades educacionais e que levem em conta as diferenças, diversidades e desigualdades de nosso imenso território e das muitas culturas presentes nele.

Com o objetivo de propiciar o cumprimento do preceito constitucional da descentralização administrativa e de cumprir a meta do MEC que preconiza a construção coletiva das políticas públicas para a educação, esse documento foi elaborado com a contribuição efetiva e competente de secretários, conselheiros, técnicos, especialistas, professores e outros profissionais. Consideramos que esse é um fato histórico da maior importância para a Educação Infantil, não apenas pelo conteúdo apresentado no documento, mas também pelo seu significado no contexto da legislação e das conquistas para essa primeira etapa da Educação Básica.

Sendo o objetivo desse documento estabelecer padrões de referência orientadores para o sistema educacional no que se refere à organização e funcionamento das instituições de Educação Infantil, cabe apontar inicialmente uma distinção conceitual que deve ser feita entre parâmetros de qualidade e indicadores de qualidade. Entende-se por parâmetro a norma, o padrão ou a variável capaz de modificar, regular, ajustar o sistema (HOUAISS; VILLAR, 2001). Parâmetros podem ser definidos como referência, ponto de partida, ponto de chegada ou linha de fronteira. Indicadores, por sua vez, presumem a possibilidade de quantificação, servindo, portanto, como instrumento para aferir o nível de aplicabilidade do parâmetro. Parâmetros são mais amplos e genéricos; indicadores são mais específicos e precisos.

A Educação Infantil passa a ser vista como a junção do educar e do cuidar. Cuidar no sentido de que as necessidades básicas da criança sejam atendidas; educar, porque deve oferecer à criança possibilidades de descobertas e aprendizados.

2.1.6 Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009)

Um desdobramento necessário e esperado dos Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil, lançado em 2006, foi a definição dos indicadores de qualidade na Educação Infantil. Eles permitiram a criação de instrumentos para credenciamento de instituições, elaboração de diagnósticos e a implementação propriamente dita dos parâmetros de qualidade nas instituições de Educação Infantil e nos sistemas educacionais. Os indicadores de qualidade devem ser definidos em níveis progressivos de exigência no sentido vertical e em âmbitos também progressivos de abrangência (local, regional, nacional), no sentido horizontal, permitindo, ainda, que cada instituição ou município incorpore indicadores de qualidade construídos pela comunidade que representam.

Infantil, que se caracteriza como instrumento de autoavaliação da qualidade das instituições de Educação Infantil, por meio de um processo participativo e aberto a toda a comunidade.

No caso da Educação Infantil, as práticas pedagógicas devem ser pautadas pela busca do pleno desenvolvimento da criança de 0 a 5 anos de idade em seus aspectos físico, mental, moral, espiritual e social (ECA, Art. 3º). Para isso, é necessário que tais instituições procurem respaldar-se no desenvolvimento dos estudos atuais da Psicologia e ciências afins da Educação que reconhecem as crianças como produtoras de cultura e sujeitos da construção de seus conhecimentos.

Assim sendo, podemos considerar que a Educação Infantil deve estruturar-se em práticas que considerem a infância como etapa de desenvolvimento, a fim de potencializar a capacidade de cada criança, abandonando definitivamente as práticas que buscam apenas a antecipação dos conteúdos do Ensino Fundamental.

É interessante destacar que a Educação Infantil assume importante papel no desenvolvimento da criança e de como ela se relaciona com o mundo e consigo mesma. Cabe à escola promover, por meio de práticas pedagógicas, o desenvolvimento das capacidades da criança, em espaços, materiais, relações e experiências formativas que permitam a apropriação de conhecimentos.

Partindo do pressuposto de que a aprendizagem acontece por meio de atividades diversificadas, podemos afirmar que o brincar também é fonte de aprendizagem e desenvolvimento. Portanto, se o desenvolvimento está profundamente ligado à aprendizagem, pois ela é um aspecto necessário à estruturação das funções psicológicas superiores, na perspectiva da Psicologia histórico-cultural e da Teoria da Atividade (LEONTIEV, 1978), ele pode ser favorecido mediante uma articulação entre o lúdico e a aprendizagem formal, priorizando a infância da criança, já que uma das formas de promover o desenvolvimento é via brincadeiras que trazem natureza lúdica ao aprendizado cultural e social.

Considerando que aprendizagem é o processo pelo qual a criança adquire informações, habilidades, atitudes, valores etc. a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente e outras pessoas, podemos concluir que quando a criança chega à escola já tem um aprendizado adquirido.

Para Vygotsky (1988), aprendizado e desenvolvimento estão inter-relacionados desde o primeiro dia de vida. Esse processo não deve ser interrompido, mas sim explorado com atividades pedagógicas lúdicas. Na definição de Vygotsky,

A criação de uma situação imaginária não é algo fortuito na vida da criança; pelo contrário, é a primeira manifestação da emancipação da criança em relação às restrições situacionais. O primeiro paradoxo contido no brinquedo é que a criança opera com um significado alienado numa situação real. O segundo é que, no brinquedo, a criança segue o caminho do menor esforço – ela faz o que mais gosta de fazer, porque o brinquedo está unido ao prazer – e ao mesmo tempo aprende a seguir os caminhos mais difíceis, subordinando-se a regras e, por conseguinte, renunciando ao que ela quer, uma vez que a sujeição a regras e a renúncia à ação impulsiva constituem o caminho para o prazer do brinquedo (VYGOTSKY, 1998, p. 130).

Sem dúvida, o espaço da Educação Infantil é um facilitador para que essas práticas se consolidem. As atividades lúdicas interligam as relações entre os adultos e as crianças e entre as crianças entre si, elaborando diversas formas de desenvolvimento e de reconstrução do conhecimento.

2.1.7 Critérios para um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças (2009)

O documento Critérios para um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças, lançado pelo MEC em 2009, é composto por duas partes. Uma abrange os critérios relacionados à organização e ao funcionamento interno das creches, que estão ligados diretamente às práticas concretas utilizadas no trabalho com as crianças. A outra parte determina os critérios relacionados à definição de diretrizes e normas políticas, programas e sistemas de financiamento de creches, tanto as governamentais quanto as não governamentais.

Dessa forma, não estão incluídos o detalhamento e as especificações técnicas que são necessárias para a implantação dos programas. Os critérios foram redigidos afirmando obrigações dos políticos, dos administradores e dos educadores de cada creche com um atendimento de qualidade, visando atender as necessidades fundamentais da criança. Sendo assim, pode ser adotado tanto como um roteiro para implantação e avaliação quanto como um termo de responsabilidade. O texto tem linguagem direta, voltada para todos que lutam por um atendimento que garanta o bem-estar e o desenvolvimento infantil.

Esse documento evidencia o atendimento em creche para crianças na faixa etária de 0 a 5 anos de idade. Geralmente as crianças ficam na creche em tempo integral, retornando para suas casas diariamente. Dessa forma, a creche se caracteriza pela presença de crianças menores de três anos e pelo longo período que ficam ali todos os dias. O

principal objeto do documento é constituído pela qualidade da educação e do cuidado em creches, apesar de que muitos dos itens também são aplicados a outras modalidades de atendimento, como a pré-escola. Contudo, o objetivo mais urgente neste momento, é, sem dúvida, alcançar de forma concreta e objetiva um grau mínimo de qualidade que garanta a dignidade e os direitos básicos das crianças nas instituições onde muitas vivem a maior parte da infância.

Três áreas de conhecimento e ação são a base dos pressupostos do documento:

I. Dados sistematizados e não sistematizados sobre a realidade vivida no cotidiano da maioria das creches brasileiras que atendem a criança pequena pobre; II. O estado do conhecimento sobre o desenvolvimento infantil em contextos alternativos à família no Brasil e em países mais desenvolvidos, que vem trazendo contribuições importantes para o entendimento do significado das interações e das vivências da criança pequena e o papel que desempenham em seu desenvolvimento psicológico, físico, social e cultural; III. Discussões nacionais e internacionais sobre os direitos das crianças e a qualidade dos serviços voltados para a população infantil (BRASIL, 2009).

Embora não obrigatório, o documento traz importantes orientações a gestores, profissionais da Educação e demais cidadãos interessados na oferta de uma Educação Infantil de qualidade que tenha como fundamento o reconhecimento da infância como importante etapa de desenvolvimento humano e que por isso também reconheça o direito de todas as crianças se desenvolverem em espaços adequados para este fim.