• Nenhum resultado encontrado

O Programa Mais Infância foi criado no ano de 2013 pela Prefeitura Municipal de Niterói tendo como finalidade possibilitar uma política que garanta os direitos para a infância, baseada nos princípios da qualidade pedagógica, da inclusão social e da formação cidadã. O Programa conta com a parceria do Governo Federal, pelos Programas Brasil Carinhoso e ProInfância; tem como proposta integrar os esforços do governo municipal no sentido da erradicação da pobreza em Niterói; propõe também a expansão e a reestruturação do espaço físico e pedagógico da rede, com o objetivo de expandir em 80% as unidades municipais de

educação infantil (UMEIs). Esse processo de ampliação tem a finalidade de atingir estas vertentes: reformas e construções de UMEIs; municipalização de escolas estaduais e incorporação de creches comunitárias.

O Programa Mais Infância faz parte do plano estratégico de desenvolvimento Niterói que Queremos e foi criado com o objetivo de expandir em 80% a Rede de Educação Infantil no município. O Niterói Que Queremos (2013-2033) apresenta indicadores, projetos e metas de curto, médio e longo prazo para a construção de uma cidade mais moderna, inclusiva e sustentável. É um plano estratégico formulado para pensar a cidade nos próximos 20 anos, preparando-a para os desafios atuais e futuros.

O Estado do Ceará também conta com um Programa denominado Mais Infância10. No

presente trabalho, abordaremos somente o Programa Mais Infância desenvolvido em Niterói. Alguns princípios que fundamentam o Programa Mais Infância de Niterói são: o respeito aos direitos da criança; a qualidade pedagógica; a inclusão social; e a formação cidadã. Os documentos oficiais destacam o apoio do Governo Federal, por meio dos Programas Brasil Carinhoso e ProInfância, que integravam os esforços do governo municipal no sentido da erradicação da pobreza em Niterói (NITERÓI, 2013).

A política implantada tinha como eixos expandir o número de vagas, com construção de novas unidades dotadas de projeto arquitetônico específico; dotar as unidades existentes de recursos pedagógicos necessários para melhoria do atendimento, adequando os espaços físicos das escolas existentes; ampliar os horários de toda rede de atendimento de crianças de 0 a 5 anos para horário integral; qualificar os profissionais da Educação Infantil, implantando programas em parcerias com instituições de ensino superior para constante formação do profissional (GOMES, 2014).

Na tabela a seguir estão compilados os dados das unidades municipais de educação infantil inauguradas, adequadas e reformadas desde a implementação do Programa Mais Infância, em 2013. Segundo informações obtidas na FME, houve um planejamento anterior à construção das UMEIs que previa que as novas UMEIs seriam construídas nos locais de maior carência de vagas, de grande população e de baixo IDH. É possível perceber que as

10 O Mais Infância Ceará visa fortalecer o diálogo intersetorial do Estado com seus municípios e o Comitê

Consultivo Intersetorial das Políticas de Desenvolvimento Infantil (CPDI); promover a rede de fortalecimento de vínculos familiares e comunitários; construir e reformar espaços públicos adequados ao desenvolvimento infantil (EPADIs), além de fomentar a parceria público-privada nos EPADIs; apoiar os municípios na qualificação dos centros de educação infantil – CEIs e na formação de profissionais, pais e cuidadores para atuarem e promoverem o desenvolvimento infantil e o fortalecimento de vínculo, além de instalar o projeto-piloto do espaço para o desenvolvimento infantil.

novas UMEIs realmente foram construídas em locais que necessitavam muito de atendimento. Em muitos desses locais existiam poucas Unidades de Educação Infantil, que não davam conta da demanda existente. Em algumas localidades, a nova UMEI passou a ser a primeira construção de Educação Infantil nas adjacências, na tentativa de começar a solucionar a carência extrema de vagas.

Tabela 3: Dados das unidades municipais de educação infantil inauguradas em Niterói desde 2013

Nome Localidade Descrição Ano

1 UMEI Alberto Brandão Fonseca Adequação da E. M. Alberto Brandão

2013 2 UMEI Professora Marilza da

Conceição Rocha Medina

Vila Ipiranga Nova construção 2013 3 UMEI Professora Áurea Trindade

Pimentel de Menezes

Itaipu Nova construção 2013

4 UMEI Professora Maria José Mansur Barbosa

Fonseca Nova construção 2013

5 UMEI Vinícius de Moraes Sapê Nova construção 2013

6 UMEI Lizete Fernandes Maciel Jacaré Estatização da Creche Comunitária Lizete Fernandes Maciel

2013

7 UMEI Rosalda Paim Centro Estatização da Creche

Comunitária Rosalda Paim

2013

8 UMEI Zilda Arns Caramujo Nova construção 2013

9 UMEI Jacy Pacheco Barreto Adaptação de um

antigo CIEP

2014 10 UMEI Almir Garcia Maceió Estatização da Creche

Comunitária Maceió

2014 11 NAEI Sebastião Luiz Tatagiba Ititioca Estatização da Creche

Comunitária Recomeçar

2014

12 NAEI Ângela Fernandes Cafubá Estatização da Creche Comunitária Cafubá

2014 13 UMEI Geraldo Montedônio Bezerra

de Menezes

Santa Rosa Nova construção (nova sede da UMEI já existente)

2014

14 UMEI Professora Nina Rita Torres Piratininga Nova construção 2015 15 UMEY Maria Vitória Ayres Neves Centro Estatização da Creche

Comunitária Joias de Cristo

2015

16 UMEI Governador Eduardo Campos Maria Paula Nova construção 2016 17 UMEI Professora Regina Leite Garcia Fonseca Nova construção 2016

ocorreram a construção, a inauguração, a ampliação e a incorporação de dezessete unidades de educação infantil no município de Niterói.

Três UMEIs tiveram suas obras iniciadas e estão previstas para entrega ainda em 2018: Vale Feliz (180 vagas), Preventório (320 vagas) e Coronel Leôncio (160 vagas).

Nos últimos anos, houve aumento nas matrículas efetuadas na Educação Infantil. Contudo, segundo a FME, a oferta foi inferior à carência de vagas, especialmente para as crianças de 0 a 2 anos de idade.

No que diz respeito ao número de matrículas realizadas na pequena infância em Niterói, houve uma estabilidade no atendimento nas creches durante os anos de 2010 e 2011, apresentando aumento apenas a partir de 2012. Quanto à pré-escola, houve pequena alteração na quantidade de matrículas, ficando estável entre 2010 e 2013. Com base na quantidade total de matrículas na Educação Infantil em Niterói nos anos de 2010 a 2013, verificamos que não houve aumento significativo desse segmento ao longo dos anos.

Analisando os dados do Censo 2010, no qual o município de Niterói tinha população de 23.766 crianças entre 0 e 5 anos de idade, e comparando com o atendimento do município em creche, ou seja, de crianças entre 0 e 3 anos, percebemos que foram atendidos cerca de 20% da população nessa faixa etária em 2010. A Diretoria de Educação Infantil da FME ressalta também que o processo de expansão contou com a incorporação de creches comunitárias que atendiam uma população de 2 e 3 anos de idade num total de 520 crianças. A FME ressalta que, no início de 2013, a rede contava com 26 UMEIs; em abril do ano seguinte, esse número subiu para 37, ou seja, um aumento de 30% de Unidades de Educação Infantil, decorrente também das municipalizações.

Entretanto, enquanto a universalização da pré-escola já surge no horizonte em decorrência da implantação de novas escolas e o consequente aumento de vagas, o atendimento à faixa etária de 0 a 3 anos ainda é um grande desafio. Sem dúvida, uma segunda etapa irá demandar recursos e participação do Governo Federal (ARAUJO, 2016, p. 62).

De acordo com Macedo, Pereira e Rodrigues (2014), a proposta política para a Educação Infantil do Programa Mais Infância baseia-se em algumas diretrizes: I. A ampliação dos horários de atendimento de toda a rede para crianças de 0 a 5 anos, visando à crescente qualidade do trabalho pedagógico; II. A expansão dos equipamentos da Educação Infantil, de acordo com projeto arquitetônico que expresse a proposta político-pedagógica da rede e a especificidade do atendimento; III. O favorecimento às Unidades de Educação

Infantil com professores de Educação Física, Arte e Música, visando ao desenvolvimento integral; IV. O investimento na infraestrutura, adequando os espaços físicos e favorecendo- os de recursos pedagógicos necessários a melhoria do atendimento; V. A promoção, via Conselhos Escola-Comunidade (CECs), da participação de todos os segmentos da sociedade em amplo debate sobre a melhoria da qualidade de Educação Infantil no município; VI. O estabelecimento de parcerias com instituições de ensino superior para formação dos professores que atuam nesse segmento.

Constatamos que a proposta do Programa não está relacionada apenas ao aumento das unidades da rede; envolve também um suporte pedagógico que favoreça a organização das funções educativas, com objetivo de constituir escolas que cumpram suas finalidades, como o tipo de gestão praticada, o currículo desenvolvido para trabalhar com a criança e a qualidade da formação ofertada aos educadores, ou seja, esse suporte pedagógico está relacionado às interações políticas, às questões inerentes ao currículo e ao processo de ensino-aprendizagem da instituição de ensino.

A educação no Brasil passou por significativos avanços a partir dos anos 1990; outros países também estavam dedicando maior atenção à educação por causa da discussão que estava acontecendo quanto à importância da educação e dos encontros propostos pela Unesco. Um fator importante, que marcou uma transformação na concepção de educação no Brasil dessa década, foi o reconhecimento da Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica. A partir de então, esse segmento passou a ser visto com relevância quanto a um atendimento de qualidade que pudesse favorecer a formação integral da criança.

A partir dessa nova percepção da Educação Infantil, houve maior preocupação com a valorização do profissional que atua com crianças dessa faixa etária, sendo exigida formação superior devido ao cunho social e educacional atribuído à creche e à pré-escola. De acordo com a LDB, Art. 62,

a formação de docentes para atuar na Educação Básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na Educação Infantil e nos cinco primeiros anos do Ensino Fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal (BRASIL, 1996).

Niterói realizou seu último concurso para professores que atuam na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Fundamental em 2016. Já ocorreu a chamada de alguns profissionais concursados, mas a Rede Municipal de Educação de Niterói ainda conta com

grande número de professores contratados, o que precariza as condições de trabalho e vai na contramão de um atendimento educacional de qualidade.

Até novembro de 2017, a Rede Municipal de Educação de Niterói oferecia Educação Infantil em 63 unidades. Destas, 40 são unidades municipais de Educação Infantil e ofertam exclusivamente essa etapa da Educação Básica. Entre as UMEIs em funcionamento, 37 desenvolvem atividades em horário integral. Três outras Unidades de Educação Infantil estão em construção, com a previsão de inauguração para 2018. Embora se observe um incremento nas matrículas da Educação Infantil, a cobertura existente ainda é insuficiente para atendimento da demanda. É preciso expandir as vagas para todas as faixas etárias e ampliar a oferta de horário integral.

Entre os objetivos dessa política pública para Educação Infantil no município, o Programa Mais Infância, encontram-se: expandir os equipamentos da Educação Infantil, de acordo com projeto arquitetônico que expresse a proposta político-pedagógica da rede e a especificidade do atendimento; ampliar os horários de toda a rede de atendimento de 0 a 5 anos, visando à crescente qualidade do trabalho pedagógico; investir na infraestrutura das UMEIs, adequando os espaços físicos e dotando-as dos recursos pedagógicos necessários à melhoria do atendimento; promover, pelos Conselhos Escola-Comunidade, a participação de todos os segmentos da sociedade em amplo debate sobre a melhoria da qualidade de Educação Infantil no município.

Essas informações foram obtidas nas entrevistas, pois ainda não há um documento pronto com diretrizes, objetivos e compilação de dados do Programa Mais Infância.

Esse Programa contou também com algumas metas relacionadas à expansão da oferta de vagas: ampliar em 50% as matrículas da Educação Infantil até 2016; universalizar, até 2016, o atendimento das crianças de 4 a 5 anos; adequar a infraestrutura física e pedagógica das Unidades de Educação Infantil, atendendo com qualidade as distintas faixas etárias; ampliar o atendimento em horário integral na Educação Infantil; e municipalizar, até 2016, 30% das Unidades de Educação Infantil (Creches Comunitárias) que integram o Programa Criança na Creche.

Em 2001, o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pela Lei nº 10.172/01, estabeleceu medidas para implementar as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais para a Educação Infantil que se enquadram na melhoria da qualidade. Uma das medidas foi a aprovação da Lei nº 11.494/07, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), incluindo a

Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica. Com o Fundeb, finalmente a creche é incluída na política de financiamento da educação. Todavia, essa inclusão não garantiu a suficiência de recursos, a universalização e/ou ampliação significativa do atendimento, com qualidade para a primeira etapa da Educação Infantil; vide indicação de 50% de atendimento em creches no atual Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/14) em vigência até 2024, já apontado no PNE anterior.

Outra medida foi a implantação do Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (ProInfância), formulado pelo MEC em convênio com os municípios; o Programa tem por objetivo garantir o acesso de crianças a creches e escolas de Educação Infantil públicas e formulação e aprovação da Política Nacional de Educação Infantil. Além dessas medidas, houve a aprovação da Emenda Constitucional nº 59/09, que determina a ampliação da obrigatoriedade do ensino a todas as etapas da Educação Básica e prevê a universalização do atendimento também na Educação Infantil, estabelecendo a matrícula obrigatória a partir dos quatro anos de idade. Essas alterações estabelecidas por lei representam um avanço e ao mesmo tempo um desafio para os gestores da educação.

Simultaneamente, foi observado o aumento da oferta na pré-escola e a defasagem no atendimento das creches ao término do prazo de vigência do PNE (2001 a 2010). A Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, traz o texto atualizado do PNE com vigência para o período de 2014 a 2024. O PNE se inclui numa ação de reivindicações de representantes da sociedade. Com vigência de 10 anos, o PNE tem diretrizes e metas que devem nortear a educação nacional. De acordo com a Emenda Constitucional nº 59/09, em seu Art. 214,

A lei estabelecerá o Plano Nacional de Educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e o desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades, por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: I - erradicação do analfabetismo;

II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho;

V - promoção humanística, científica e tecnológica do País;

VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto.

2016. Houve preocupação, por parte das políticas públicas educacionais, de ampliar as vagas e democratizar o acesso a essa primeira etapa da Educação Básica. O ProInfância foi um dos programas propostos pelo Governo Federal com o objetivo de cumprir o que determina a meta; ele tem como propósito prover recursos financeiros ao Distrito Federal e aos municípios, favorecendo o aumento de oferta de vagas para a Educação Infantil nas redes públicas.

De acordo com a LDB, os municípios são responsáveis pela oferta e a gestão da Educação Infantil. O MEC vem implementando ações com vistas a garantir não apenas a expansão da oferta de Educação Infantil, mas também a qualidade no atendimento às crianças em creches e pré-escolas. Sem dúvida, é fundamental o apoio do estado e da União no financiamento da expansão da rede física e na formação de professores. A universalização da oferta da Educação Infantil, prevalecendo a qualidade do atendimento às crianças e em paralelo cuidar da questão da formação dos professores, representa tanto um avanço quanto um desafio ao município de Niterói.

O Programa Mais Infância não está apenas ligado à expansão física, mas também a uma preocupação quanto ao currículo da Educação Infantil. Ao definir uma prática pedagógica para a Educação Infantil, faz-se necessário refletir sobre a proposta que o currículo traz. Segundo Salles e Faria (2012), o currículo era visto somente como uma definição de conteúdo, objetivos, atividades e metodologias e que respeitava a idade das crianças. Ao longo de novas perspectivas, se expandiu para uma nova visão em seus aspectos de organização, funcionamento e fatores relacionados à prática pedagógica de uma unidade escolar. Essa prática deve ser alicerçada por uma proposta pedagógica ou projeto político- pedagógico que tenha o currículo como parte do todo. Esse conceito vem para desmistificar a visão do currículo como algo isolado. Esses autores conceituam currículo na Educação Infantil como

um conjunto de experiências culturais de cuidado e educação relacionadas aos saberes e conhecimentos, intencionalmente selecionadas e organizadas pelos profissionais de uma instituição de Educação Infantil para serem vivenciadas pelas crianças, na perspectiva de sua formação humana. É um dos elementos da proposta pedagógica, devendo ser norteado pelos pressupostos que a orientam e se articular com os demais elementos nela definitivos (SALLES; FARIA, 2012, p. 32).

Como já foi destacado, uma particularidade do Brasil no que se refere à história das primeiras instituições para a educação das crianças é o caráter assistencialista, com objetivo de atender aquelas cujas mães precisavam trabalhar fora de casa. Apenas a partir da década de

1980 houve avanços no direito da criança a uma educação de qualidade desde o nascimento. A Constituição Federal de 1988, em seu Art. 208, inciso IV, define “a garantia de oferta de creches e pré-escolas às crianças de zero a cinco anos de idade” (BRASIL, 1988). Anteriormente, as creches eram vinculadas à área de assistência social; passaram então a ser de responsabilidade da educação e ter a orientação de não apenas cuidar das crianças, mas desenvolver um trabalho educacional.

De acordo com Sales e Faria (2012), algumas instituições de Educação Infantil, ainda nos dias atuais, apresentam as marcas desse viés assistencialista para os grupos de 0 a 3 anos, focando apenas nos cuidados básicos. Há ainda, para as crianças de 4 e 5 anos, currículos com proposta de escolarização, tendo o olhar de etapa preparatória para acesso ao Ensino Fundamental. Essa perspectiva da Educação Infantil é contrária às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, estabelecidas pela Resolução CNE/CEB nº 05/09; ali a criança é considerada sujeito do processo de educação e

centro do planejamento curricular, sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura (BRASIL, 2010, Art. 4º).

Para desconstruir o que faz parte da trajetória histórica, é importante repensar cotidianamente as propostas pedagógicas, trazendo teoria e prática como algo indissociável.

Quanto ao conceito de currículo da Educação Infantil, o Parecer nº 20/09, anexo da Resolução CNE/CBE nº 05/2009, afirma que

o currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico. Tais práticas são efetivadas por meio de relações sociais que as crianças desde bem pequenas estabelecem com os professores e as outras crianças e afetam a construção de suas identidades. Intencionalmente planejadas e permanentemente avaliadas, as práticas que estruturam o cotidiano das instituições de Educação Infantil devem considerar a integralidade e a indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural das crianças, apontar as experiências de aprendizagem que se espera promover junto às crianças e efetivar-se por meio de modalidades que assegurem as metas educacionais de seu projeto pedagógico. A gestão democrática da proposta curricular deve contar na sua elaboração, acompanhamento e avaliação tendo em vista o projeto político-pedagógico da unidade educacional, com a participação coletiva de professoras e professores, demais profissionais da instituição,

famílias, da comunidade e das crianças sempre que possível e à sua maneira (BRASIL, CNE, 2009).

As legislações vigentes apresentam a criança como um ser de direito que precisa ser respeitado. Conforme Sales e Faria (2012), o olhar deve ser voltado para a criança como centro do processo educativo. No entanto, apesar dos avanços, ainda temos muitos desafios para assegurar que a educação de qualidade na Educação Infantil possa ser garantida não apenas quanto à universalização do acesso e à garantia da permanência, mas também permitir