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5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

5.3. Participantes

Para a realização desta pesquisa, foram formados dois grupos de sujeitos, G1 e G2, com vistas à coleta de informações de naturezas diferentes.

O primeiro conjunto de informantes é formado por professores que praticam ou praticaram o novo currículo; deles quisemos apreender as representações sociais que fazem do objeto “reforma do curso de Letras”; do segundo grupo buscamos, além das representações sobre a reforma empreendida, sobretudo, compreender como aconteceu o processo de reformulação curricular, uma vez que o grupo 2 é formado por sujeitos que acompanharam as discussões sobre a reforma do curso na qualidade de componentes da Comissão de Reforma, da qual trataremos na análise e discussão dos dados deste estudo.

O primeiro segmento de informantes foi selecionado com base nos seguintes critérios: professores do curso de Letras da UFPE que tenham atuado nesse curso nos momentos anterior e posterior à sua recente reforma curricular; que lecionaram/lecionem na licenciatura curso de Letras, anteriores a reforma curricular integral dos currículos implantados em 2010. Entre outras vantagens operacionais, a partir desse perfil unificado o discente não necessitaria fazer solicitação de mudança de habilitação e poderia monitorar sua vida acadêmica, em termos de currículo, através do SIG@.

em língua portuguesa disciplinas obrigatórias das seguintes áreas do Departamento de Letras que integram o curso: Língua Portuguesa, Latim, Literatura e Linguística; e que compusessem o quadro de docentes efetivos da instituição.

Para identificarmos esses sujeitos, criamos códigos que indicam: o grupo no qual foi incluído na pesquisa o sujeito informante, no caso o “G1”, é composto por professores que lecionam ou lecionaram no curso Letras-Português; seguido da abreviatura da área de conhecimento31, que este ministra disciplina no curso (usamos o símbolo “/” para indicar atuação de um mesmo professor em mais de uma área de ensino); por fim, e ocasionalmente, os algarismos 01 e 02 aparecem no final do código32 com a função de distinguir professores cujas informações anteriormente mencionadas coincidam. Dessa maneira, ao ler o código “G1LAT”, por exemplo, devemos compreender que o termo “G1” significa que o informante pertence ao grupo 1, isto é, faz parte do grupo de docentes da licenciatura Letras-Português; e o termo “LAT” diz respeito à área em que o informante ministra disciplina, neste caso, Latim.

O uso desses códigos visa a assegurar o anonimato do informante, em cumprimento ao que foi acertado por meio de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinado entre pesquisadora e pesquisados.

Cumprindo os critérios anteriormente mencionados, foram selecionados, então, 6 professores, conforme o quadro 03, a seguir.

Quadro 03 – Atuação docente por área e disciplinas ministradas (Grupo 1)

Docentes Área de Letras Componente(s) Curricular(es)

G1LAT/LP Língua

Portuguesa/ Latim

Português VI: História da Língua Portuguesa

31

Assim foram codificadas as áreas em que os professores informantes ministram disciplina: LAT = Latim; LP = Língua Portuguesa; LIT= Literatura Brasileira/Teoria Literária e LGT= Linguística. 32

Os códigos G1LIT01 e G1LIT02 são usados para os professores que ministram na área de Literatura e Teoria Literária. Ambos fazem parte do mesmo grupo e da mesma área, para facilitar a identificação e distinção deles, acrescentamos os algarismos 01 e 02.

G1LP Língua Portuguesa Português II: Morfossintaxe I; Português III: Morfossintaxe II; Trabalho Conclusão de Curso II - TCC

II

G1LGT Linguística Linguística I – Fundamentos Teóricos G1LIT01 Literatura

Brasileira

Teoria da literatura I: Formação; Teoria da Literatura II: Poesia;

Cultura Brasileira I: Nordeste

G1LAT Latim Latim I: Morfologia I;

Latim II: Morfologia II; Latim III: Poesia e Prosa G1LIT02 Literatura

Brasileira/Teoria Literária

Teoria da Literatura; Literatura Brasileira

Fonte: Marcela Monteiro (2015).

Compondo o curso de Letras-Português, entre outras áreas, temos: Latim, Língua Portuguesa, Literatura, Linguística, Libras e Educação. Docentes dessas duas últimas áreas não compuseram nosso estudo. No caso de Libras, trata-se de uma área criada a partir da reforma curricular, os professores que nela atuam não viveram a transição do currículo antigo para o novo, e não atendem, portanto, ao primeiro critério estabelecido para a seleção de informantes desta investigação.

O CE, que tem vários departamentos que também se ocupam da formação do estudante do curso Letras-Português, teve papel destacado nas discussões acerca da reforma dos currículos dos cursos de formação de professores, por meio do Fórum das Licenciaturas, por exemplo. Por isso, julgamos importante entrevistar docentes desse centro que atendessem aos critérios de nosso estudo. No entanto, encontramos apenas dois sujeitos cujos perfis se adequavam aos critérios da pesquisa; com um deles, não conseguimos contato e o outro, por ser a orientadora deste estudo, não assumiu também o papel de informante.

Os professores entrevistados atuam principalmente em uma das áreas anteriormente indicadas, no entanto, G1LAT/LP, quando da falta de docente para a área de Latim, ministra disciplinas nessa área, conforme dito por ele na entrevista. As disciplinas mencionadas pelos docentes apenas ilustram aquelas que são comumente por eles ensinadas.

O segundo grupo de sujeitos foi constituído pelo critério de participação em reuniões do Colegiado do Curso de Graduação em Letras, empreendidas antes dos anos 2000 e

posteriormente a esse período, para a construção do novo currículo de Letras e pela condição de ser professor (a) efetivo(a) da UFPE no período da reconfiguração curricular. No quadro 04, seguem informações a esse respeito.

Quadro 04 – Atuação docente no processo de reformulação curricular (Grupo 2)

Docentes Qualidade da participação

G2VC Vice-coordenadora33 do curso de Letras quando da implantação do novo currículo e membro da Comissão

para Reforma34

G2MCR Membro da Comissão para a Reforma G2CCR Coordenador da Comissão para a Reforma Fonte: Marcela Monteiro (2015).

Os sujeitos que compuseram esse grupo têm um perfil heterogêneo, dele participaram um professor da área de Língua Espanhola, o qual foi coordenador da Comissão para Reforma do curso de Letras, e que aqui teve sua identidade representada pelo código G2CCR35; uma professora que atua no bacharelado e na licenciatura em Língua Portuguesa e que acompanhou parte do processo de discussão e reformulação do curso, doravante nomeada G2MCR36; e uma professora que foi vice-coordenadora do curso no momento de culminância

33

G2VC foi coordenadora do curso de Letras entre 2006 e 2008 e foi vice-coordenadora do mesmo curso entre 2008 e 2010, mas nesse último período assumiu a função de coordenadora em exercício. Na minuta do PPC de Letras-Licenciatura (elaborada em 2008), se registra que a participação dessa professora, em grupos de trabalho para a reformulação curricular, se deu nos anos de 2006, 2007 e 2008.

34

Não conseguimos acessar documentos que versassem sobre a criação, composição e sucessão dos membros da Comissão para Reforma no Departamento do curso de Letras, sendo, por isso, imprecisas as alusões feitas no trabalho a respeito da atuação dos seus membros.

35

Na minuta do PPC de Letras-Licenciatura (elaborada em 2008), se registra que a participação desse docente, em grupos de trabalho para a reformulação curricular, se deu nos anos de 2004, 2006 e 2008.

36

Na minuta do PPC de Letras-Licenciatura (elaborada em 2008), se registra que a participação dessa professora, em grupos de trabalho para a reformulação curricular, se deu nos anos de 2007 e 2008.

da sua reforma e também foi a coordenadora que sucedeu a gestão de G2CCR na referida Comissão, aqui chamada G2VC.

Os códigos acima expostos, como já dito, cumprem a função de preservar a identidade dos sujeitos informantes e assim devem ser lidos: “G2” significa que o sujeito pertence ao grupo 2 de informantes, que é composto por sujeitos que participaram das discussões e reuniões sobre a reforma curricular de Letras. Em seguida, apresenta-se a abreviatura correspondente à função ocupada pelo sujeito informante em momento de discussões para a reforma do curso: “CCR” significa “coordenador da comissão para reforma”; “MCR” significa membro da comissão para reforma e “VC” tem por significado a função de vice- coordenadora.

Nos quadros 05 e 06, reunimos dados sobre o sexo, idade e experiência profissional e sobre a formação acadêmica dos sujeitos dos dois grupos de informantes, respectivamente.

Quanto à experiência profissional, 4 dos 9 sujeitos investigados já lecionaram na Educação Básica. Entre os que já tiveram passagem profissional pelo nível básico de ensino, o tempo mínimo contabilizado foi o de G2VC, a qual exerceu 2 anos de docência no ensino médio. O período máximo foi o de G2CCR, o qual relatou ter um pouco mais de uma década de docência nos nível básico de escolarização. Os outros 5 informantes declararam não terem trabalhado nesse nível de ensino.

No tocante ao tempo de trabalho no ensino superior, todos os entrevistados excedem 10 anos de experiência docente. Já na UFPE, os informantes variaram o período de exercício de trabalho; entre eles, G2VCé aquela cuja entrada foi a mais recente nessa instituição, há 9 anos. Os professores G1LIT02 e G1LAT/LP são os que têm maior tempo de trabalho, aproximando-se, ambos, dos 30 anos de carreira na UFPE, como se pode averiguar no quadro 5, a seguir.

Quadro 05 – Sexo, idade e experiência profissional (Grupos 1 e 2)

Docentes Sexo Idade

Tempo de experiência na Educação Básica Tempo de docência universitária Tempo de docência na UFPE G1LAT/LP Masc . 58 anos

± 10 anos ± 30 anos ± 28 anos

G1LP Fem. 53 anos - 21 anos 21 anos G1LGT Fem. 59 anos - 35 anos ± 15 anos G1LIT01 Masc . 50 anos - 12 anos 12 anos G1LAT Masc . 54 anos

8 anos ± 20 anos ± 20 anos

G1LIT02 Masc . 68 anos - ± 30 anos ± 30 anos G2VC Fem. 45 anos

2 anos ± 18 anos 9 anos

G2MRC Fem. 52 anos - 20 anos 20 anos G2CCR Masc . 72 anos

± 12 anos ± 15 anos ± 15 anos

G1LAT/LP, em meados da década de 1970, ensinou nas antigas 5ª e 6ª séries do nível fundamental, encerrando essa experiência em 1985. Na década de 1980, foi docente em instituições de ensino superior da rede privada em Pernambuco. Durante o mestrado, investigou atitudes linguísticas de professores da área de língua portuguesa em escolas pública do Grande Recife. Atualmente é professor titular e ministra disciplinas na área de Língua Portuguesa e Latim.

G1LP atualmente é professora adjunta, em regime de dedicação exclusiva, e ministra aulas na área de Língua Portuguesa para os cursos de bacharelado e licenciatura; já foi coordenadora do curso de Letras e revelou participar de e promover reuniões para discutir a reforma integral desse curso.

G1LGT atualmente dedica-se, principalmente, ao curso Letras-Bacharelado e à pós- graduação strictu senso em Direitos Humanos ofertada pela UFPE. Lecionou apenas uma disciplina na licenciatura após a reforma curricular do curso na área de Linguística. Apesar de sua formação inicial ser no bacharelado em Letras, tem vasta experiência no campo educacional e no ensino de língua, tanto no tocante ao desenvolvimento de pesquisas na área, quanto como consultora para diferentes secretarias de educação. Quando da culminância da recente reforma do curso de Letras, era diretora do Centro de Artes e Comunicação da UFPE.

G1LIT01 não tem experiência na Educação Básica. Lecionou durante 6 meses como professor substituto na área de Jornalismo, campo de sua formação inicial. Posteriormente, ingressou, por meio de concurso, no curso de Letras da UFPE. Atualmente é professor associado e disciplinas na área de Literatura Brasileira e Teoria Literária para os cursos de bacharelado e a para a licenciatura.

G1LAT, na educação básica, atuou durante 8 anos, de 1986 a 1994. Também foi docente de faculdades privadas antes de lecionar na UFPE, no início dos anos 1990. Já foi vice-coordenador e coordenador do curso de Letras dessa Universidade, sendo esta última função exercida de 1996 a 1997. Ministra disciplinas de Latim e Literatura Clássicas. Atualmente é professor adjunto, com dedicação exclusiva, na UFPE. Quando coordenador do curso, acompanhou e promoveu reuniões que tinham por pauta a reforma do curso de Letras.

G1LIT02 é professor assistente 1 na UFPE, tem experiência de ensino em universidades privadas e já lecionou, como professor assistente, em universidades estrangeiras, como as Universidades de Coimbra e Lisboa. Na UFPE, ministra disciplinas para o curso de bacharelado e para a licenciatura na área de Literatura/Teoria da Literatura,

além atuar como coordenador pedagógico no curso de Letras a distância oferecido também pela UFPE. Não tem experiência de ensino na Educação Básica.

G2VC exerceu docência na educação básica por um curto período. Trabalhou em outra instituição de ensino superior pública federal do país. Na UFPE, é professora adjunta. Assumiu a função de vice-coordenadora e coordenadora do curso de Letras. Também tem experiência com a Educação a Distância. Esteve à frente do processo de reconfiguração curricular que resultou na culminância dos novos currículos dos cursos de Letras.

G2MRC atua como professora nos cursos de Letras de bacharelado e de licenciatura, é professora adjunta da UFPE. Ao longo de sua trajetória profissional não trabalhou na Educação Básica. Desde 1995, é vinculada à referida universidade, por isso acompanhou o duradouro processo de diálogo e reuniões referentes à reestruturação curricular do curso de Letras.

G2CCR tem experiência de docente em instituições de ensino brasileiras e espanholas. Em sua trajetória profissional, trabalhou na Educação Básica. Atualmente é professor aposentado da UFPE, exerceu docência na antiga habilitação em língua espanhola, ministrando diferentes disciplinas. Também foi membro da comissão de reforma curricular do curso de Letras durante 4 anos.

No que respeita à formação acadêmica dos participantes (cf. quadro 06), é notório o número de docentes com formação inicial em Letras, seja como bacharéis ou licenciados, são 7 os sujeitos que declaram ter feito a graduação nesse campo do conhecimento. No entanto, 1 sujeito é graduado em Jornalismo e outro fez os cursos de Licenciatura Plena em Pedagogia, Licenciatura em Filosofia e em Teologia.

Quadro 6 – Formação acadêmica dos sujeitos participantes

Fonte: Marcela Monteiro (2015).

Docentes Graduação Mestrado Doutorado

G1LAT/LP Letras Linguística Linguística

Românica G1LP Letras – Licenciatura em

Língua Portuguesa e Língua Inglesa

Romance Languages Linguística e

Língua Portuguesa

G1LGT Letras Linguística Linguística

G1LIT01 Jornalismo Teoria da Literatura Literatura

Brasileira G1LAT Letras – Bacharelado em

Língua Portuguesa

Teoria da Literatura Teoria da Literatura

G1LIT02 Teologia;

Licenciatura em Letras

Linguística e Letras Em andamento (área de Letras)

G2VC Letras – Licenciatura em Língua Portuguesa e Língua

Francesa

Letras Letras

G2MRC Bacharelado em Letras Linguística Linguística

G2CCR Licenciatura em Filosofia; Licenciatura em Teologia; Licenciatura Plena em Pedagogia e Habilitações em Ensino, Coordenação Pedagógica e Administração Escolar

Letras e Linguística Letras e Linguística

Todos os sujeitos detêm o título de mestre e apenas GILITBRAS02 não concluiu o doutorado. As áreas de titulação de mestrado assim se distribuem: 3 professores são mestres em Linguística; 2 em Teoria Literária, 2 em Linguística e Letras; 1 em Letras e 1 em Romance Languages. Pode-se concluir que todos os docentes concentraram seus estudos de mestrado em áreas do saber relacionadas à linguagem. Quanto ao doutorado, a incursão nessa área permanece: 2 fizeram doutorado em Linguística; 1 em Linguística Românica; 1em Linguística e Língua Portuguesa; 1 em Literatura Brasileira; 1 em Teoria da Literatura; 1 em Letras; 1 Letras e Linguística e 1 tem o doutorado em andamento na área de Letras.