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CAPITULO II METODOLOGIA EMPIRICA

5. ANÁLISE DE DADOS

5.1 Perfil Intra Individual e Linguistico da criança A

O A é uma criança do sexo masculino de cinco anos de idade que vive com os pais. Segundo as informações registadas a gravidez foi vigiada no período de gestação, tendo o parto ocorrido às 38 semanas, sem se registarem quaisquer complicações. Nasceu com 3.215 g cuja altura se encontrava nos 50,5cm. É uma criança saudável sem qualquer tipo de doença crónica. A motricidade bucofonoarticulatório não apresenta problemas. A mãe amamentou até aos quatro meses passando para o biberão até ao ano de idade. Na introdução dos sólidos também se adaptou bem. A sucção, a deglutinação, e a mastigação, foram etapa que adquiriu com facilidade. Usou a chupeta até aos dois anos. Em relação à psicomotricidade tem vindo a evoluir de acordo com a idade cronológica que apresenta.

Em relação ao contexto escolar, a criança frequenta o C.I.C.C desde os sete meses de idade. Atualmente encontra-se na sala dos quatro e cinco anos. As primeiras preocupações acerca do desenvolvimento da linguagem surgiram por volta dos 3 anos, em conversas informais entre a educadora de infância e pais, altura que o A devia apresentar um discurso mais elaborado tanto ao nível lexical e semântico como fonológico, com a predominância de ausência de alguns fonemas nas palavras. Utilizava frases de duas palavras e por vezes monossílabos associados ao gesto para comunicar e ser compreendido pelo adulto. Outra característica fundamental no seu comportamento, é que é uma criança introvertida com os adultos fora do contexto familiar. Na sala, em contexto educativo é uma criança introvertida com uma certa insegurança na execução das atividades demorando a executá-las. No entanto realiza-as com autonomia e sucesso. Com o consentimento dos pais, e a pedido da educadora de infância em 2009, foi pedido á educadora de infância do SNIPI, a realização de uma avaliação utilizando como instrumento a escala de avaliação de competências do desenvolvimento infantil “Schedule of Growing Shills II (SGSII)” de Bellman, Lingam, Aukett (1996)” na versão Portuguesa. A primeira avaliação foi realizada em 2009, revelando muitas dificuldades ao

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nível da audição e linguagem compreensiva e ao nível da fala e linguagem expressiva. A última avaliação foi realizada em setembro de 2011. Os dados adquiridos pelos instrumentos (Perfil de Desenvolvimento da Criança e da SGSII), revelaram um perfil normal em todas as áreas, exceto a área da linguagem (fala e linguagem expressiva, audição e linguagem compreensiva) que tem vindo a evoluir consideravelmente.

Na sessão de avaliação ao nível da compreensão, tivemos a preocupação de ir dialogando com a criança com o objetivo de interagir com o adulto. Constatamos que a criança só respondia ao que lhe era pedido, não revelava um discurso fluido a fim de dar continuidade ao diálogo. Quando respondia as suas frases ou eram incompletas ou então o encadeamento da ação que descrevia transpunha outra ideia fora desse contexto. É ainda verificável, a timidez e a insegurança que falava com o adulto evidenciando muitas vezes monossílabos.

Posteriormente foi lida uma história. Pedimos para reconta-la o que não conseguiu na sua totalidade. Apresentou dificuldades em organizar um discurso com nitidez. Referenciava apenas pequenas frases tipo, “o poco tá na casa”, não descrevia pormenores. Ao nível da construção frásica utiliza pouco vocabulário, frases curtas, não fazendo por vezes a concordância do artigo com o género da palavra “a poco”. Relativamente ao desenvolvimento normal da morfossintaxe tem dificuldades em produzir estruturas morfossintáticas mais complexas, onde observamos algumas omissões de preposições e de alguns verbos. O encadeamento das ações das suas frases transparece um pouco confuso, terminando a ideia principal do seu enunciado, predominando um vocabulário pobre. Quanto à execução de ordens simples e na explicação sobre as atividades propostas foi bem-sucedido.

Na análise dos dados do P.A.C.A,(anexo 6) verificamos que ao nível fonológico o A, revela ausência de algumas alterações articulatórias nomeadamente nos fonemas /t/;/K/;/l/; /r/ e /s /.

Da observação realizada, notamos que alguns fonemas articulados em contextos silábicos a criança sente dificuldades em pronuncia-los. Como é o caso do fonema /R/, (rato); /l/ (elefante em VCV inicial) e (caracol em VCV final). Em contrapartida a omissão do fonema /l/ é visível, embora se evidencie poucos erros, (almofada-mofada- mofada) na omissão da sílaba em polissílabo, (laranja-naranja-naranja) e (flauta-fauta) omissão do /l/ em CCV inicial.Também encontramos na palavra (elefante- lefante- lefante) a omissão da semivogal” e”.

Verificamos algumas substituições como é o caso do fonema/ v/ (vela-fela-fela),e do fonema /s/(casa-caza-caza) e fonema /l/ (laranja-naranja-naranja). Notamos também omissão de sílabas trissílabos como é o caso (esquilo-quilo) e (espada-pada- pada).

Em relação ao fonema /R/ está praticamente adquirido mas o fonema /r/, apresenta bastantes dificuldades. Percecionamos nos grupos consonânticos como é o caso de (zebra-zeba-zeba), (frasco-fasco), (praia-paia), (prato-pato), (dragão-dagão- dagão) em CCV inicial e (cabra-caba-caba) em CCV final. Em encontros consonânticos

como é o caso de (corda-coda-coda), (submarino-submaino), (urso-uso-uso), (dinosauro- dinosauo-dinossauo) e (caracol-acole-acole). Embora quando pronunciou a palavra mar, articulou o fonema /r/ acrescentando uma semivogal “e.”

Constatamos a existência de algumas distorções como é o caso, (árvore-avo-avo), (televisão-zão-zão), (corcordilo-dilo-dilo).

Em relação ao fonema/t/podemos considerar quase adquirido em CVC inicial (tomate-omate), (Tartaruga-tacauga); CV final (sapato-sapato). Também é visível a ocorrência de substituição do fonema /t/ por /k/, constituindo um dos erros mais frequentes de articular os sons, como menciona Lima (2011) Quanto a inserções constatamos uma, (mar-mare-mare)

Outro aspeto relevante, é a associação de imagens consideradas como distorções visuais que o A não discriminou como foi o caso de cabide; camisa (casaco);bolacha (bolo);mala (mochila); submarino; esquilo; cabra; frasco; flauta.

Neste molde podemos considerar a área da linguagem ao nível da produção emergente, com limitações linguísticas ao nível da construção frásica (gramática) e ao nível da articulação de alguns fonemas em contextos silábicos que já deveriam ter sido superadas na idade cronológica em que se encontra. As restantes áreas de desenvolvimento enquadram-se nos parâmetros normais da sua idade. No entanto não podemos descurar a parte emocional, a sua autoestima baixa, o que o leva a retrair o diálogo com o adulto.