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PLEBISCITO NA NICARÁGUA

No documento Plebiscito (páginas 170-173)

Na Nicarágua, o povo exerce a soberania nacional participando livremente da construção e do aperfeiçoamento do sistema econômico, político e social daquela nação e exerce o poder político indiretamente, por meio de seus representantes, e diretamente por meio de instrumentos democráticos, dentre eles o plebiscito (artigo 2º da Constituição).

465 O artigo 91 da lei 134/94 fixa as regras relativas às campanhas televisivas para o referendo

constitucional: Artículo 91º.- Espacios institucionales en televisión. En el referendo de carácter constitucional o legal, los promotores a favor o en contra de la iniciativa, así como los partidos y movimientos con personería jurídica, tendrán derecho dentro de los treinta (30) días anteriores a la fecha de la votación, a por lo menos dos espacios institucionales en cada canal nacional de televisión. El Gobierno Nacional si lo desea, dispondrá de tres espacios en cada canal para que presente su posición sobre la materia. En las campañas de referendo de ordenanzas, de acuerdo o de resoluciones locales, en las capitales de los departamentos, los promotores de la iniciativa y los que promuevan el voto por el no", así como los partidos y movimientos con personería jurídica, que participen en el debate, tendrán derecho a por lo menos tres espacios institucionales en el canal de televisión de la respectiva región, dentro de los treinta (30) días anteriores a la fecha de la votación. En el caso del Distrito Capital, y mientras no disponga de canal regional, se considerará para tales efectos como canal regional la cadena tres de televisión. El Consejo Nacional Electoral previo concepto del Consejo Nacional de Televisión o el órgano que haga sus veces, distribuirá los espacios, señalará la duración de cada presentación y establecerá las reglas que deban observarse en los mismos. El tiempo asignado a los promotores de la iniciativa no podrá ser inferior al promedio del asignado a los partidos y movimientos políticos con personería jurídica.

O artigo 7º da Constituição nicaragüense, além de informar que a Nicarágua é uma República participativa e representativa, determina que são órgãos de governo o Poder Legislativo, o Poder Executivo, o Poder Judicial e o Poder Eleitoral. Assim, o Poder Eleitoral, por meio do Consejo Supremo Electoral466, assume a posição de Quarto Poder de Estado, ao lado dos outros três e, de acordo com o artigo 129 da Constituição, são Poderes independentes e harmônicos entre si, subordinados exclusivamente aos interesses supremos da nação e ao estabelecido pela Constituição. Uma das funções do Poder Electoral é a de promover a organização, condução e vigilância dos plebiscitos e referendos, conforme reza o artigo 168 da Constituição nicaragüense.

No ordenamento jurídico nicaragüense há duas leis que norteiam a efetividade da democracia participativa e que, portanto, merecem destaque: a Ley de Participación Ciudadana, lei nº 475/ 2003467 e a Ley Electoral nº 331 de /2000468,

de caráter constitucional.

A Ley de Participación Ciudadana, de âmbito nacional, tem por finalidade promover o exercício da cidadania no âmbito político, social, econômico e cultural, por meio da criação de mecanismos institucionais que permitam uma interação entre o Estado e a sociedade, com o fortalecimento da liberdade e das democracias participativa e representativa (artigo 1º). O artigo 2º da lei dispõe que essa participação poderá dar-se por meio de: a) iniciativa cidadã geral para o caso de normas de âmbito nacional, regional autônomo e local; b) consulta cidadã sobre normas em fase de opinião, nos âmbitos nacional, regional autônomo, departamental e local; c) instâncias consultivas para formulação, monitoramento e avaliação das políticas públicas nos âmbitos nacional, regional autônomo, departamental e local; d) associações populares e organizações gremiais, setoriais, sociais, organizações de mulheres e jovens no âmbito local; e) consulta cidadã no

466 De acordo com a Constituição da Nicarágua, o Consejo Supremo Electoral é composto por sete

magistrados e três suplentes (artigo 170), eleitos com pelo menos 60% dos votos dos Deputados da Assembléia Nacional (artigo 138, número 8), para um período de cinco anos (artigo 172).

467 Ley de Participación Ciudadana (Ley 475/2003). Disponível em:

<http://www.ccer.org.ni/files/doc/1186697587_LEY%20DE%20PARTICIPACI%C3%93N%20CIUDAD ANA%20gaceta.pdf>. Acesso em 28.01.2012.

468 Ley Electoral nº 331/2000. Disponível em:

âmbito local. A lei nº 475/2003, na fração IV de seu preâmbulo, afirma que na Nicarágua, há uma prática do poder público, no que diz respeito à consulta para a formulação de políticas e projetos de lei que afetam direta e sensivelmente a vida diária dos cidadãos. Da mesma forma, existem disposições de ordem normativa que regulam os aspectos relacionados à participação do cidadão no tocante à autoridade exclusiva do Poder Judicial na administração da Justiça pela instituição chamada júri de consciência, e no Poder Eleitoral, mediante plebiscito e referendo, e processos de iniciativas de lei.

A Lei nº 331/2000 é uma lei de caráter constitucional que, dentre outros objetivos, regula as consultas populares realizadas por meio de plebiscito e referendo (artigo 1º), sendo que o encargo de organizar, dirigir e supervisionar essas consultas compete ao Poder Eleitoral, por meio do Conselho Supremo Eleitoral (artigo 10), que o fará de acordo com a Constituição, leis relativas à matéria e regulamentações tocantes ao próprio Conselho Supremo Eleitoral (artigo 2º). O artigo 86 da lei estipula que o prazo de duração da propaganda para plebiscitos ou referendos é de trinta dias.

Consta também da Lei nº 331/2000, em seu Título IX, um “Capítulo Único” que dispõe especialmente sobre plebiscitos e referendos. De acordo com o artigo 133, primeiro dispositivo do mencionado capítulo, plebiscito é a consulta direta feita ao povo sobre decisões que dentro de suas atribuições dite o Poder Executivo e cuja transcendência incida nos direitos fundamentais da nação. De acordo com a referida lei eleitoral, para que um plebiscito possa ser convocado, é necessária a aprovação de um decreto legislativo, cuja iniciativa caberá ao Presidente da República ou diretamente ao povo que o solicite mediante o número de cinqüenta mil assinaturas (artigo 135). Uma vez aprovado o decreto legislativo, o Conselho Supremo Eleitoral elaborará um calendário eleitoral que fixe o período de duração da propaganda plebiscitária, bem como a data da realização da consulta ao povo469

469 O artigo 144 da lei 331/2000 estabelece que os plebiscitos e referendos serão realizados na circunscrição determinada pelo decreto legislativo convocatório.

(artigo 137), quando, então, será considerada aprovada a opção plebiscitária obtida pela maioria dos votos válidos (artigo 138).

No documento Plebiscito (páginas 170-173)