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Políticas de Acesso Aberto: os 3 B’s (Budapeste, Bethesda e Berlim)

Capítulo 1. O Acesso Aberto

1.1. Políticas de Acesso Aberto: os 3 B’s (Budapeste, Bethesda e Berlim)

Em dezembro de 2001 o Open Society Institute convocou uma reunião em Budapeste

que acabou por influenciar fortemente o nascimento do Movimento do AA. Na sequência desta

reunião foi publicada a Budapest Open Access Iniciative (BOAI) que definiu o Open Access

como:

“The literature that should be freely accessible online is that which scholars give to

the world without expectation of payment. Primarily, this category encompasses their

peer-reviewed journal articles, but it also includes any unreviewed preprints that they

might wish to put online for comment or to alert colleagues to important research

findings. There are many degrees and kinds of wider and easier access to this

literature. By "open access" to this literature, we mean its free availability on the public

internet, permitting any users to read, download, copy, distribute, print, search, or link

to the full texts of these articles, crawl them for indexing, pass them as data to

software, or use them for any other lawful purpose, without financial, legal, or

Figura 3 - Fundamentos da Open Science para a Pesquisa e a Inovação.

1.O Acesso Aberto

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technical barriers other than those inseparable from gaining access to the internet

itself. The only constraint on reproduction and distribution, and the only role for

copyright in this domain, should be to give authors control over the integrity of their

work and the right to be properly acknowledged and cited.” (Bailey, Jr. ,Charles W.

2006).

Em abril de 2003 realizou-se outra das reuniões marcantes para o AA, no Howard

Hughes Medical Institute em Chevy Chase, de onde resultou a “Bethesda Statement on Open

Access Publishing” que redefiniu o conceito de AA indicando, ao contrário da BOAI, o modo

como os proprietários dos direitos autorais operacionalizarão o conceito de Acesso Aberto. Esta

declaração enfatiza os padrões comunitários de atribuição, em vez de controlar por meio de

direitos autorais, defendendo que os autores deverão poder escolher o tipo de acesso ao seu

trabalho (Lamb 2004; Fonseca 2017, 35).

Esta declaração identifica uma publicação em AA quando atende a dois fatores (Frosio

e Derclaye 2014):

1. Os autores e os detentores dos direitos autorais concedem a todos os utilizadores um

acesso irrevogável e gratuito e uma licença para copiar, usar, distribuir, transmitir e exibir

o trabalho publicamente, bem como o direito de fazer um pequeno número de cópias

para uso pessoal;

2. Quando uma versão completa do trabalho e todos os materiais complementares,

incluindo uma cópia da permissão num formato eletrônico padrão adequado é

depositado imediatamente após a publicação inicial em, pelo menos, um repositório

online que seja apoiado por uma organização.

Em outubro do mesmo ano foi lançada, na Conference on Open Access to Knowledge in

the Sciences and Humanities, a Declaração de Berlim

22

, onde o auto-arquivo é considerado como

uma das medidas obrigatórias a tomar.

Ao implementar a Declaração de Berlim, a fim de efetivar o Acesso Aberto, as instituições

devem exigir que os investigadores publiquem uma cópia do seu trabalho em repositórios de

Acesso Aberto, encorajando o auto-arquivo, isto é, o autor é livre de depositar preprints,

postprints, bem como outros trabalhos, não só em repositórios institucionais como em páginas

pessoais

23

. Devem ainda encorajar à publicação em títulos em AA, orientando para que o façam

nas duas vias existentes, resultadas do estudo “Rights Metadata for Open Archiving (RoMEO)”

conduzido no Reino Unido e, atualmente localizado no mais recente projeto “Securing a Hybrid

22

Já assinada por várias instituições ligadas à investigação, tais como o CNRS em França, o Max-Planck

Institute na Alemanha e o CERN em Portugal (Borges 2006, 453–55).

23

Contudo, o acesso a estas publicações poderá ter períodos de embargo extremamente longos, impostos

pelas editoras ou pelos próprios autores.

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Environment for Research Preservation and Access (SHERPA)”

24

: via Verde (Green Road)

25

e

via Dourada (Gold Road)

26

(Borges 2006, 453–60; Bailey, Jr. 2006; Guédon 2004). Contudo,

estas duas vias têm vindo a gerar alguma inconsistência por parte das editoras:

“Some new ones were born OA and some older ones have completely converted to

OA. Many provide OA to some of their work but not all of it. Some are experimenting

with OA, and some are watching the experiments of others. Most allow green OA

(through repositories) and a growing number offer at least some kind of gold OA

(through journals). Some are supportive, some undecided, some opposed. Among

the opposed, some have merely decided not to provide OA themselves, while others

lobby actively against policies to encourage or require OA. Some oppose gold but not

green OA, while others oppose green but not gold OA” (Suber 2012, 18).

No entanto, as três declarações defendem o Acesso Aberto através de definições

flexíveis no seu sentido livre que vão além da remoção de barreiras, considerando que, para um

trabalho ser identificado como Acesso Aberto, tanto o autor como o detentor dos direitos de autor

da obra, devem permitir aos utilizadores “to copy, use, distribute, transmit and display the work

publicly and to make and distribute derivative works, in any digital medium for any responsible

purpose, subject to proper attribution of authorship, as well as the right to make small numbers

of printed copies for their personal use”, apesar de todas elas atribuírem pelo menos um limite à

liberdade do utilizador, através da obrigação de atribuir o trabalho ao autor (BETHESDA 2003;

Suber 2012, 8).